Margaret River Pro 2025

João e Miguel sobrevivem na Austrália

João Chianca e Miguel Pupo são os únicos brasileiros classificados para as oitavas de final do masculino do Margaret River Pro 2025. Segundo dia da etapa foi marcado por ondas grandes e por oito baixas do Brasil.
Margaret River Pro 2025, Main Break, Austrália

A terça-feira (20) foi de fortes emoções no Margaret River Pro 2025. As ondas ficaram enormes no Oeste da Austrália e o Brasil teve oito surfistas eliminados. Quatro deles foram cortados da elite. As oitavas de final do masculino e do feminino estão definidas e Miguel Pupo, João Chianca e Luana Silva seguem vivos na busca dos títulos. Segundo dia de ação da etapa teve 22 baterias.

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O palco principal da etapa, o Main Break, bombou séries de até 5 metros durante todo o dia. As baterias da repescagem tiveram 35 minutos de duração. Já as 16 disputas do Round 3 masculino foram realizadas de forma simultânea com 40 minutos.

Miguel e João começaram o dia já classificados para o Round 3. Miguel competiu na quarta bateria contra o australiano George Pittar. O brasileiro começou forte. Aos sete minutos ele bateu, depois rasgou e atacou uma junção grande para anotar 8.00 pontos. O australiano estreou aos 12 minutos com 4.83 pontos. George assumiu a liderança aos 23 minutos com rasgada e batida na junção. A performance valeu 7.00 e deixou Miguel na busca de 3.83 para vencer.

O brasileiro reassumiu o primeiro lugar a nove minutos do término. Miguel bateu duas vezes e conquistou 7.27 pontos. George passou a necessitar de 8.27 para vencer. O aussie ainda pegou duas ondas no minuto final, mas ficou longe da virada. Miguel teve tempo de descartar 6.43 pontos. Ele venceu e ficou com a vaga nas oitavas de final. Próximo adversário é o italiano Leonardo Fioravanti, autor do maior somatório do dia, 17.13 pontos (9.00 e 8.13).


João continua no CT – O Margaret River Pro 2025 é a sétima etapa do CT na temporada e após o término apenas os 22 melhores do ranking permanecerão no CT 2025. Miguel começou o dia já classificado, mas João precisava avançar na prova. Ele competiu contra o sul-africano Matthew McGillivray.

João largou com duas notas fracas, mas aos 16 minutos chegou no critério excelente. O brasileiro executou duas rasgadas e uma forte batida para anotar 8.73 pontos. Matthew tentou responder na mesma série, mas caiu no segundo ataque e anotou 2.50 pontos. Aos 24 minutos o sul-africano encaixou duas manobras para se manter próximo de João no somatório com a nota 6.00 pontos.

O sul-africano assumiu a liderança aos 28 minutos. Ele precisava de 3.74 e conquistou 4.83 pontos. João voltou para o primeiro lugar no minuto seguinte com 4.17 pontos. O brasileiro anotou 5.20 a quatro minutos do fim e ampliou a vantagem. Matthew ainda tentou responder, mas a nota 4.87 não evitou sua eliminação. João venceu e encara o australiano Jacob Willcox nas oitavas de final.


Corte da WSL – Após o segundo dia de ação do Margaret River Pro 2025 apenas duas vagas seguem em disputa para a permanência na temporada do CT. O norte-americano Crosby Colapinto (24), os havaiano Jackson Baker e Imaikalani deVault, além dos já eliminados Alejo Muniz (21) e o sul-africano Matthew McGillivray (22) ainda têm chances de permanecer na elite.

Alejo caiu na repescagem para o havaiano Ian Gentil e o australiano Mikey McDonagh. O havaiano abriu o confronto com duas manobras que valeram 7.50 pontos. O brasileiro surfou sua primeira direita no confronto aos quatro minutos. Ele anotou 4.00 com uma batida. O aussie largou com nota fraca, mas aos seis minutos colocou 3.23 no somatório. Ian ampliou um pouco a diferença com 3.93 e aos 21 minutos Mikey surfou um tubo rápido para assumir o segundo lugar com 5.33 pontos.

Mikey trocou nota aos 23 minutos. Ele executou um cutback e uma rasgada para colocar 4.80 no placar. Alejo atuou logo depois. Ele buscava 6.13 para não ser eliminado, mas a rasgada executada valeu apenas 2.90 e não mudou sua situação na bateria. Ian mexeu no somatório a oito minutos do fim com duas batidas, uma delas na junção. A performance valeu 6.83 e ele disparou na frente.

O australiano dificultou ainda mais o caminho do brasileiro. Ele fez três manobras, anotou 5.57 pontos e deixou Alejo na busca de 6.90 para avançar na etapa. O brasileiro pegou uma onda ruim e perto do minuto final teve outra chance. Alejo rasgou duas vezes e bateu na junção. Após a última manobra ele comemorou e foi derrubado pela espuma. Os juízes não consideraram completo o último ataque e os 4.37 não evitaram a eliminação.

Edgard passa pela repescagem e Deivid é cortado – A última bateria da repescagem masculina do Margaret River Pro 2025 definiu o primeiro brasileiro cortado da elite mundial. Deivid Silva sofreu virada de Edgard Groggia a quatro minutos do término da disputa. Com o resultado ele se despediu da etapa e do Championship Tour. Bateria foi vencida pelo norte-americano Crosby Colapinto.

A primeira nota acima de 2 pontos foi conquistada na quinta atuação da bateria. Ela foi surfada por Crosby aos 15 minutos. A rasgada valeu 4.50 pontos e a liderança. Deivid atuou pela quarta vez no duelo aos 17 minutos. Ele rasgou três vezes e foi para o primeiro lugar com 4.00 pontos. Edgard também surfou na série. Ele fez duas curvas, uma perto da junção e foi engolido por uma espuma enorme. A segunda performance dele no confronto valeu 3.33 e ele seguiu na terceira posição.

Crosby voltou para o primeiro lugar aos 19 minutos. O norte-americano executou dois ataques e conquistou 5.50 pontos. Na sequência Deivid usou a prioridade, porém a esquerda não foi boa. Ele até trocou nota, 2.67 por 2.93, porém ela não mudou sua situação no confronto.

Os brasileiros surfaram a quatro minutos do fim. Edgard executou duas boas rasgadas numa onda grande e pulou para o segundo lugar com 6.17 pontos. Deivid pegou uma direita menor e executou três ataques. Ele precisava de 5.50, anotou 4.93 e foi eliminado. Deivid precisava de um bom resultado no evento para ficar entre os 22 melhores do ranking, e a 33ª posição na prova decretou seu corte da elite.

Edgard cai no Round 3 – A história de Edgard Groggia no CT 2025 chegou ao fim na terceira fase. O brasileiro perdeu para o sul-africano Jordy Smith, foi eliminado da etapa e cortado da elite mundial.

Jordy largou com 6.67 pontos, nota conquistada com layback e batida na junção. Edgard respondeu logo depois com uma rasgada. Ele ainda bateu, mas caiu da prancha. A performance valeu 3.33 pontos. O sul-africano ampliou a vantagem no placar aos oito minutos. Ele rasgou, fez um cutback e outra curva na última seção. Ele conquistou 5.83 pontos.

O brasileiro voltou a encarar uma junção pesada aos 13 minutos. Edgard rasgou duas vezes e bateu, mas voltou a cair da prancha. A nota foi 3.93 pontos. Ele passou a buscar 8.57 para vencer.

O sul-africano administrou a vantagem e só surfou mais uma vez no confronto. O brasileiro ainda pegou mais três, mas os 4.60 pontos conquistados na melhor das atuações não mudou sua história no evento. Ele se despediu da prova e da elite mundial, pois não tem mais chances de ficar entre os 22 melhores do ranking após a etapa.

Samuel e Ian também saem do CT – Além de Edgard e Deivid, o Brasil perdeu outros dois surfistas na elite. Samuel Pupo e Ian Gouveia perderam no Round 3 e foram cortados do CT. Samuel foi eliminado pelo norte-americano Jake Marshall.

Jake foi o primeiro a surfar. O norte-americano executou quatro ataques aos três minutos e colocou 6.33 pontos no placar. Samuel respondeu com duas rasgadas. Ele ainda atingiu a junção, mas foi derrubado pela espuma. A atuação valeu 4.67 pontos. O brasileiro voltou a surfar aos 13 minutos. Ele acertou duas rasgadas e caiu na tentativa da terceira. A performance valeu 3.67 pontos.

O surfista dos Estados Unidos voltou para a liderança na metade da disputa. Jake executou uma rasgada e um layback para anotar 6.43 pontos. Samuel usou a prioridade aos 29 minutos. O brasileiro rasgou duas vezes, atingiu uma junção espumada e ainda bateu outras duas vezes para a esquerda. Ele precisava de 8.09, conquistou 5.43 e a diferença caiu para 7.33 pontos.

Samuel não teve mais chances na bateria, foi eliminado do Margaret River Pro 2025 e cortado da elite. Agora ele precisará participar novamente do circuito Challenger Series para retornar à primeira divisão mundial. Jake ainda surfou duas ondas, mas não mexeu no placar. Ele avançou e enfrenta o havaiano Barron Mamiya nas oitavas.

Ian caiu para Barron Mamiya. O havaiano conquistou nota fraca (0.73) no início da bateria e aos três foi bloqueado pelo brasileiro. Barron dropou a direita, mas teve que ir reto para não cometer interferência, porém Ian caiu da prancha na tentativa de uma batida. O brazuca voltou a surfar aos nove minutos e com uma pancada conquistou 3.83 pontos. Logo depois o surfista do Havaí botou pra dentro da esquerda, mas não saiu do tubo.

Os dois surfaram aos 14 minutos. Ian atuou primeiro. Ele rasgou duas vezes antes de cair num ataque à junção. Barron executou um layback e rasgou antes de cair na tentativa da terceira manobra. O brasileiro anotou 6.33 e o havaiano 6.67 pontos. Barron ampliou a vantagem aos 18 minutos com duas rasgadas e uma batida que valeram 6.87 e a liderança.

Aos 25 minutos Barron voltou a conquistar uma nota na casa dos seis pontos (6.00), mas não mexeu no placar. Ian respondeu logo depois, mas precisava de 7.21 para liderar e anotou 6.20 pontos. O brasileiro se manteve ativo e a dois minutos do fim acertou forte batida na junção. Ele comemorou a performance, mas anota 6.73 não mudou sua história no evento. Ian foi eliminado da prova e cortado da elite. Barron avançou às oitavas para encarar o norte-americano Jake Marshall.

Mais baixas brasileiras na etapa – O Round 3 do Margaret River Pro 2025 não começou bem para o Brasil. Yago Dora perdeu para o convidado para a etapa, o australiano Mikey McDonagh, e se despediu da prova na 17ª posição.

Mikey surfou duas ondas em três minutos. O australiano abriu com as notas 0.50 e 2.50 pontos. Yago atuou aos quatro minutos, mas errou a primeira manobra. Na sequência ele foi atingido por uma série de ondas e quebrou a prancha. Os atletas atuaram numa série aos 14 minutos. Mikey usou a prioridade, executou uma rasgada alongada e uma batida na junção. Yago acertou forte pancada na primeira seção e outra na última. O aussie colocou 6.17 no somatório e o brazuca 7.67 pontos.

Yago assumiu a liderança aos 18 minutos. Ele surfou uma esquerda e com dois ataques anotou 3.50 pontos. O brasileiro aumentou um pouco mais a diferença aos 25 minutos quanto trocou 3.50 por 3.63 pontos.

Mikey surfou em busca dos 5.14 pontos que precisava para vencer. O australiano usou a prioridade, executou uma rasgada alongada e uma batida numa junção espumada. A atuação valeu 6.60 e deixou Yago na busca de 5.10 para avançar às oitavas de final. O brasileiro não surfou mais nenhuma onda e foi eliminado.

Líder cai – O líder do ranking também caiu na terceira fase. Depois de terminar as duas etapas iniciais em 17º lugar, nesta terça-feira Italo Ferreira repetiu o resultado no Margaret River Pro 2025. Ele perdeu para vencedor da triagem, o local Jacob Willcox.

Os dois começaram com notas fracas e aos 12 minutos chegaram na casa dos seis pontos. Jacob executou três rasgadas e uma batida na junção para anotar 6.67, e Italo fez um cutback e acertou a junção para conquistar 6.00 pontos. O australiano disparou na frente do placar aos 18 minutos. Jacob usou a prioridade, bateu forte, executou uma rasgada numa seção lenta da onda e fez um leve ataque à junção espumada. Ele anotou 8.33 e deixou Italo na busca de 9.00 para avançar. O brasileiro diminuiu a diferença logo depois com pancada potente na junção. Italo anotou 6.87 pontos e passou a precisar de 8.14 para vencer.

Italo fez mais três tentativas, mas não chegou a mexer no placar e terminou a etapa em 17º lugar. Jacob avançou e enfrenta João Chianca nas oitavas de final.

Filipe fora – Filipe Toledo também caiu no Round 3 do Margaret River Pro 2025. O bicampeão mundial perdeu para o havaiano Jackson Bunch numa disputa de notas baixas.

Filipe atuou primeiro e anotou 3.83 pontos com rasgada e batida. Jackson começou atuando para esquerda. A atuação valeu 3.00 pontos. Aos 17 minutos o havaiano foi pra direita. Ele fez três ataques e assumiu a liderança com 4.33 pontos. O brasileiro voltou para o primeiro lugar com 3.73 e o havaiano passou a buscar 3.23 para vencer.

Jackson passou Filipe no placar aos 25 minutos com forte batida que valeu 4.63 pontos. O brasileiro respondeu com duas rasgadas, mas a nota 3.00 não entrou no somatório e ele seguiu na busca de 5.13 para vencer. Jackson mexeu novamente no placar aos 28 minutos com 4.50 pontos.

Filipe não trocou nota nos últimos 12 minutos de bateria e foi eliminado do Margaret River Pro 2025. Jackson avançou às oitavas para enfrentar o norte-americano Crosby Colapinto.

Próxima chamada e previsão das ondas – A próxima chamada para o Margaret River Pro 2025 acontece nesta terça-feira, às 20h15 (de Brasília). Previsão indica ondas grandes, podem passar dos 5 metros.

Margaret River Pro 2025
Repescagem Masculino

1 Jacob Willcox (AUS) 11.03 x Barron Mamiya (HAV) 9.24 x Ryan Callinan (AUS) 8.20

2 Imaikalani deVault (HAV) 12.50 x Winter Vincent (AUS) 11.64 x Seth Moniz (HAV) 7.76

3 Ian Gentil (HAV) 14.33 x Mikey McDonagh (AUS) 10.90 x Alejo Muniz (BRA) 8.37

4 Crosby Colapinto (EUA) 10.00 x Edgard Groggia (BRA) 9.50 x Deivid Silva (BRA) 8.93
Round 3

1 Mikey McDonagh (AUS) 12.77 x 11.30 Yago Dora (BRA)

2 Griffin Colapinto (EUA) 10.97 x 9.90 Cole Houshmand (EUA)

3 Leonardo Fioravanti (ITA) 17.13 x 13.60 Ian Gentil (HAV)

4 Miguel Pupo (BRA) 15.27 x 11.83 George Pittar (AUS)

5 Kanoa Igarashi (JAP) 13.16 x 7.93 Winter Vincent (AUS)

6 Connor O’Leary (JAP) 14.37 x 13.33 Liam O’Brien (AUS)

7 Jake Marshall (EUA) 12.76 x 10.10 Samuel Pupo (BRA)

8 Barron Mamiya (HAV) 13.54 x 13.06 Ian Gouveia (BRA)

9 Jacob Willcox (AUS) 15.00 x 12.87 Italo Ferreira (BRA)

10 João Chianca (BRA) 13.93 x 10.87 Matthew McGillivray (AFR)

11 Jackson Bunch (HAV) 9.13 x 7.56 Filipe Toledo (BRA)

12 Crosby Colapinto (EUA) 16.00 x 14.33 Ethan Ewing (AUS)

13 Jordy Smith (AFR) 12.50 x 8.53 Edgard Groggia (BRA)

14 Marco Mignot (FRA) 13.67 x 12.80 Joel Vaughan (AUS)

15 Alan Cleland (MEX) 13.40 x 10.50 Rio Waida (IDN)

16 Imaikalani deVault (HAV) 14.33 x 11.33 Jack Robinson (AUS)

Oitavas de final

1 Mikey McDonagh (AUS) x Griffin Colapinto (EUA)

2 Leonardo Fioravanti (ITA) x Miguel Pupo (BRA)

3 Kanoa Igarashi (JAP) x Connor O’Leary (JAP)

4 Jake Marshall (EUA) x Barron Mamiya (HAV)

5 Jacob Willcox (AUS) x João Chianca (BRA)

6 Jackson Bunch (HAV) x Crosby Colapinto (EUA)

7 Jordy Smith (AFR) x Marco Mignot (FRA)

8 Alan Cleland (MEX) x Imaikalani deVault (HAV)

Repescagem Feminino

1 Bettylou Sakura Johnson (HAV) 8.84 x Sally Fitzgibbons (AUS) 8.33 x Willow Hardy (AUS) 7.97

2 Erin Brooks (CAN) 11.50 x Lakey Peterson (EUA) 10.27 x Nadia Erostarbe (ESP) 4.47

Oitavas de final

1 Molly Picklum (AUS) x Bella Kenworthy (EUA)

2 Caroline Marks (EUA) x Bronte Macaulay (AUS)

3 Caitlin Simmers (EUA) x Brisa Hennessy (CRI)

4 Luana Silva (BRA) x Erin Brooks (CAN)

5 Gabriela Bryan (HAV) x Sally Fitzgibbons (AUS)

6 Sawyer Lindblad (EUA) x Bettylou Sakura Johnson (HAV)

7 Isabella Nichols (AUS) x Vahine Fierro (FRA)

8 Tyler Wright (AUS) x Lakey Peterson (EUA)

Enquanto alguns fotógrafos documentam a história, Fedoca Lima fez diferente: viveu dentro dela enquanto fotografava. Carioca do Posto 5, começou a surfar com 11 anos e a fotografar quase ao mesmo tempo, com uma máquina fotográfica alemã do pai. Aos 14, registrou a Rainha Elizabeth passando de Rolls-Royce aberto pela orla de Copacabana, em frente à casa do Assis Chateaubriand. No mesmo período, fotografou o Mick Jagger dando o dedo do meio no Copacabana Palace. Não era fotógrafo profissional. Era um moleque com olho bom e câmera na mão, sem perceber ainda o tamanho do que estava construindo. O que veio depois é história do surfe brasileiro. O Píer de Ipanema nos anos 70, quando o Rio era o centro do surfe nacional, com Daniel Friedmann, Pepê Lopes, Rico de Souza e Ricardo Bocão dominando o circuito. A Brasil Surf, primeira revista especializada do país, na qual Fedoca jogou em todas as posições: fotógrafo, redator e capa. O Havaí entre 1978 e 1981, surfando e fotografando ao lado de Gerry Lopez, Shaun Tomson e Michael Ho em Pipeline e Waimea. Os shows históricos, de Bob Marley ao ar livre no Havaí até Rolling Stones e Paul McCartney no Maracanã. “A foto que eu não tirei, essa me persegue.” Fedoca Lima Mais de cinquenta anos depois, esse arquivo vira livro. “Surf, Clicks e Rock’n Roll” tem 220 páginas, cerca de 180 fotografias e percorre a transformação do surfe brasileiro desde a era analógica até o digital, passando por Arpoador, Saquarema, Havaí, Califórnia e Macumba. Com captação aprovada de R$ 203 mil via incentivo cultural e apio da Fu Wax, o lançamento está previsto para o segundo semestre de 2026. Conversamos com Fedoca sobre tudo isso. Antes de se consolidar como fotógrafo, você também virou personagem da própria história do surfe brasileiro ao sair na capa da Brasil Surf em 1975. Como foi viver aquele momento por dentro? Saí na capa da Brasil Surf. Na época eu trabalhei na revista de março de 75 até janeiro de 79, só não peguei o primeiro número. Jogava todas as posições: saí na capa, escrevia, tirava foto, ajudava na redação, dava palpite, fazia matéria. Por muito tempo achei que era o único fotógrafo de surfe que tinha saído numa capa. Depois o Bruno Alves me falou que o irmão dele, o Alberto, saiu na capa da Fluir número 1. A história dele bate um pouco com a minha: ele pegava onda, saiu na capa, era fotógrafo. Mas durante anos eu achei que era caso único. Até hoje tem um restaurante aqui que o cara pediu, eu tirei uma foto com a revista na mão, ele botou na parede, eu assinei. A influência continua. A Brasil Surf ajudou a mudar a imagem do surfista no Brasil. Como era ser surfista naquela época, antes dessa mudança de percepção acontecer? O surfe saía no caderno B do Jornal do Brasil, do Globo. Não saía no esporte. E o surfista era tido como vagabundo de praia. Isso, aliás, até hoje tem um pouco, mas na época tinha muito mais. A Brasil Surf não vou dizer que limpou essa imagem completamente, mas ajudou a transformar o surfe em esporte e também a fomentar o mercado de surfwear. Os irmãos Wady e Fuad Mansur, da loja Mansur, em Ipanema, foram dos primeiros anunciantes. Acreditaram na revista, fizeram anúncios de contracapa e página inteira, e as camisetas personalizadas vendidas pelo correio viraram um sucesso. A Brasil Surf acabou impulsionando fabricantes de pranchas, calções, parafinas e diversos outros anunciantes ligados ao surfe. Os fabricantes de prancha tinham um veículo para anunciar. Os fotógrafos ganhavam uma graninha, viajavam. Fui para a América Central, Porto Rico, Barbados, El Salvador, Fernando de Noronha, Peru, várias viagens bancadas pela Brasil Surf de uma forma ou de outra. O Nilton Barbosa foi ao Havaí duas vezes bancado pela revista. No caso dele, eles bancavam os filmes, ele vendia as fotos e a viagem se pagava. Tinha uma diferença entre mim e o Nilton nessa época: ele chegava na praia e ficava na areia fotografando, fotografando, fotografando. Eu chegava e ia para dentro da água. Se não estava o Daniel, não estava o Pepê, não estava o Cauli, não estava o Bocão, não estavam os caras top, eu entrava e surfava. Então tem foto minha na Brasil Surf publicada pelo Nilton Barbosa, pelo Rogério Ehrlich. Eu estava mais dentro da água do que fora. Eu estudava. Primeiro vestibular, depois faculdade. Boa parte dos meus amigos só queria saber de surfar. Eu dividia meu tempo. Chegava na praia, já tinha estudado de manhã, aí ficava naquele dilema: vou pegar onda ou vou fotografar? Por isso tem poucas fotos do Píer. Em três anos não tirei nem metade do que tiro hoje num dia bom na Macumba com o digital. Você viveu o Píer, a Brasil Surf, o Havaí dos anos 70, o nascimento do surfe brasileiro moderno. Em que momento percebeu que estava no meio de uma transformação cultural que iria muito além do esporte? O Píer foi o que fomentou o surfe no Rio de Janeiro. Por dez anos, foi domínio completo do Rio no cenário brasileiro. O Daniel Friedmann, em 77, foi o último carioca a vencer uma etapa do circuito internacional, ganhou no Quebra-Mar, em cima do Pepê Lopes, que tinha ganho em 76. Os dois de Ipanema, meus vizinhos de rua. E esse pessoal do Píer que dominou, o Daniel, o Pepê Lopes, o Cauli Rodrigues, e também o Otávio Pacheco, o Rico de Souza, o Ricardo Bocão. E tinha o Betão, que era o melhor surfista do Brasil na época mas não era competitivo, não corria atrás de patrocinador, acabou saindo cedo. Em 75 ele ganhou o Campeonato de Saquarema e foi saindo, saindo. O Píer influenciou a revista, influenciou os fabricantes de prancha, influenciou o modo de viver. Começaram a ter fábricas em Guaratiba, Vargem Grande, no Recreio, depois em Saquarema. As pessoas foram morar lá. O Penho foi, o Otávio comprou casa,

O que define uma boa onda? Tamanho, força, parede, qualidade da linha, formação e surfabilidade, dentre outros elementos. No oceano, todos esses fatores mudam a cada swell, a cada vento, a cada maré. Em Búzios, a proposta é diferente: construir essas variáveis de forma controlada, repetível e ajustável. A piscina do Brasil Surfe Clube Aretê Búzios opera com a tecnologia Endless Surf, do grupo canadense WhiteWater, com 48 câmaras de ar de alta precisão. O sistema permite criar configurações distintas dentro da mesma estrutura. Dentro de um universo de grandes possibilidades, as cinco primeiras ondas já foram nomeadas e reveladas, cada uma com perfil próprio, e muito mais ainda está por vir. Onda #01: Pointbreak + Junção Linha longa, seções conectadas, tempo de onda que pode ultrapassar 25 segundos. A junção encadeia diferentes partes da onda sem perder velocidade, criando uma das experiências mais difíceis de encontrar no oceano com consistência. Para quem quer mais de 10 manobras na mesma onda ou simplesmente mais tempo de linha para ler e decidir. Onda #02: Manobras + Bowl A parede fica mais íngreme. O bowl abre seções críticas para manobras verticais e aéreos. É o ambiente para quem quer empurrar os limites do que consegue fazer sobre a prancha, com repetição suficiente para transformar cada tentativa em aprendizado real. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por BSC (@brasilsurfeclube) Onda #03: Rampa + Tubo Uma onda que combina duas experiências na mesma seção. A rampa prepara o surfista para a manobra e o tubo roda na sequência. Para quem quer encaixar um aéreo e ainda sair do tubo na mesma onda, essa configuração entrega os dois elementos sem precisar escolher. Onda #04: Rampa Nível Intermediário Parede consistente, menor intensidade, mais previsível. A configuração certa para quem está desenvolvendo manobras progressivas e precisa de repetição para consolidar o que está aprendendo. A seção cria a rampa no ângulo certo, com velocidade suficiente para executar sem exigir o nível avançado. Onda #05: Rampa Nível Avançado Mais potência, mais velocidade, mais projeção. A rampa avançada é para quem já chegou em Búzios com manobras no repertório e quer testá-las com pressão real. Com capacidade para gerar até 700 ondas por hora, o intervalo entre uma tentativa e outra é curto o suficiente para transformar cada sessão em treino de alto rendimento. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por BSC (@brasilsurfeclube) Para todos os níveis As cinco configurações cobrem desde quem está aprendendo até quem treina em alto rendimento. A piscina ainda opera em dois modos: single peak, com ondas quebrando para um lado e maior extensão de linha, e split peak, com direitas e esquerdas simultâneas, permitindo que surfistas compartilhem a mesma série em direções opostas. Yago Dora, campeão mundial de surfe em 2025, Victor Bernardo, um dos maiores freesurfers da atualidade, e Michelle des Bouillons, referência mundial em ondas gigantes, integram o time do BSC e já testaram a tecnologia na piscina Adrena Red Sea, na Arábia Saudita. “Muito animal esse lance de ter essa variedade de onda também. Um leque de ondas absurdo. Mal posso esperar para Búzios”, disse Victor Bernardo após a sessão. A versão de Búzios será maior: 48 câmaras contra 36 da estrutura do Mar Vermelho, com 13 mil metros quadrados de lâmina d’água. Variedade de ondas para testar, arriscar, aprender e evoluir todos os dias. Com inauguração prevista para o segundo semestre de 2026, é o que o Brasil Surfe Clube Aretê Búzios chega para entregar.

Pedro Bettencourt Müller nasceu no Rio de Janeiro, no dia 21 de julho de 1966, num ambiente familiar que respirava praia. Seu pai, Guilherme Xavier de Brito Müller, economista e morador do Leblon, cresceu frequentando a Zona Sul. Sua mãe, Maria Isabel Bettencourt Müller, criada em Santa Teresa, compartilhava da mesma paixão pelas praias. Para o casal, fim de semana e férias tinham destino certo: areia, sol e mar. Foi assim que Pedro e o irmão, Guilherme, passaram a infância seguindo os pais para o meio da Barra ou para São Conrado, ainda de estradas de terra, sem prédios, calçadões ou qualquer urbanização. Nesse cenário quase intocado, Pedro foi se encantando pelas ondas. Lembra-se de observar alguns surfistas solitários no meio da Barra e sentir-se hipnotizado pela habilidade deles. O mar, desde cedo, era o lugar onde queria estar. Ele recorda também a rotina da infância: ia para as aulas de natação no Clube de Regatas Flamengo e, depois, caminhava até o judô, no Leblon, um trajeto longo para uma criança de 12 anos. Antes de entrar no tatame, sentava-se no calçadão para olhar o mar quebrando, entregue à mesma fascinação que o acompanharia por toda a vida. O mar lhe transmitia paz, calma e propósito. Ali, ainda menino, já entendia que queria se tornar surfista. A mudança para São Conrado, por volta dos 14 ou 15 anos, foi decisiva. Morando ao lado do Pepino, Müller muitas vezes cabulava a aula pra ir surfar. As ondas triangulares, rápidas e pesadas da região se transformaram no seu campo de treinamento permanente. Ali, guiado pela referência de Rony Lima e pela evolução proporcionada pelas pranchas dos shapers Rico e Pedro Battaglin, deu um salto técnico marcante. A “biquilha mágica” 5’4″ de Battaglin é lembrada até hoje como uma das grandes viradas em seu surfe, época em que adotou o apelido de “o Águia”, pela tatuagem no braço. Uma nova mudança, motivada pelo desemprego do pai, levou a família para a Barra. Para Müller, foi a oportunidade perfeita: entre o Postinho, o meio da Barra e o Quebra-Mar, encontrou três ondas consistentes e acessíveis a pé, permitindo treinos diários que aceleraram ainda mais sua evolução. Nessa fase, destacou-se nos campeonatos da ASBT – Associação de Surf da Barra da Tijuca – e entrou para a promissora equipe da Cristal Graffiti. Antes disso, havia vencido seu primeiro campeonato no Leblon, organizado por Marcelo Peninha, vitória que marcou sua confiança rumo ao profissionalismo. Os resultados na categoria Júnior renderam um prêmio decisivo: uma passagem para o Havaí. Aos 18 anos, Müller viveu sua primeira temporada no North Shore (1984/85), dividindo casa com surfistas brasileiros experientes. Pipeline, logo no primeiro dia, foi seu batismo de fogo: mar pesado, adrenalina no limite e a certeza de que o treino no Pepino o havia preparado para aquele cenário. De volta ao Brasil, enfrentou dificuldades para manter regularidade como profissional. A grande virada veio com o curso de meditação transcendental feito ao lado de Rodolfo Lima. O impacto competitivo foi imediato: venceu a etapa profissional do Quebra-Mar no circuito carioca, em 1986, e passou a frequentar pódios de forma consistente. A regularidade, marca registrada de sua carreira, nasceu ali. Em 1987, tornou-se vice-campeão do primeiro Circuito Brasileiro de Surf Profissional. Liderou boa parte da temporada, foi vice-campeão na etapa da Lightning Bolt e, depois, campeão no Fico Festival. Só perdeu o título na penúltima bateria do Circuito, por apenas 20 pontos, uma diferença mínima para quem tinha 850 pontos de vantagem sobre o terceiro colocado. Na época, era visto como o surfista mais consciente e estratégico do país. Nos anos seguintes, acumulou resultados expressivos: vitórias importantes na Abrasp e uma vitória significativa no QS de Florianópolis, superando Barton Lynch, Jojó e Julio Adler. Em 1995, viria um dos grandes destaques internacionais de sua carreira: o nono lugar em Pipeline, substituindo de última hora o australiano Damien Hardman. Ondas entre 10 e 15 pés confirmaram sua capacidade técnica em um dos palcos mais desafiadores do mundo. Pedro Müller seguiria competindo por mais de duas décadas. Em Ubatuba, já aos 38 anos, conquistou sua última vitória no Circuito Super Surf 2004, num dos triunfos mais marcantes de sua trajetória. Hoje, vive do surfe como treinador, comentarista da Sportv e um dos proprietários da @escola_pedromuller, na Barra da Tijuca, administrada pelo sócio Adelmo Noite. Acompanhe ns publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do surfe @diniziozzi, o Pardhal.

Como uma prancha largamente usada por surfistas fora do circuito mundial profissional pode ganhar atenção? Coloque a dita cuja nos pés de um bicampeão mundial. Quer um destaque ainda maior? Filipe Toledo vence o tricampeão Gabriel Medina. Pronto. Vamos por partes. Na etapa do Championship Tour, na Nova Zelândia (Maio 2023), Filipe acabou não vencendo a disputa da quarta de final contra Griffin Colapinto, mesmo obtendo a melhor nota da bateria. Faltou uma onda. Mas o assunto aqui é outro, ou quase. Em um universo dominado por triquilhas, desde 1981, a diversidade de pranchas, no século 21, começou a ganhar espaço fora das competições. No meio de antigas novidades, biquilhas com trailer fin (estabilizador central) se mostraram mais controláveis e amistosas, levando muita gente a adotá-las no quiver. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Filipe Toledo (@filipetoledo) O modelo de biquilha com estabilizador central já havia sido testado mas ganhou vida nova em 2003, com as Super Twins do shaper, tetracampeão mundial (79, 80, 81 e 82), Mark Richards. Ele trouxe de volta suas Twin Fins do início dos anos 80, adicionando uma “quilhinha” central. Daí, de repente, Filipe Toledo coloca no jogo do circuito mundial o modelo Modern 2, da Sharp Eye Surfboards. Vence Gabriel Medina nas esquerdas de Raglan e deixa muito mais gente antenada sobre as possibilidades de uma twin com trailer fin. Filipe não foi o primeiro a fazer algo que eu esperava há tempos. Kelly Slater inovou, diminuindo o tamanho das pranchas e competindo, em algumas situações, com o que eram mais bi do que triquilhas, na primeira década do século 21. Dane Reynolds também fez isso, mas vamos combinar que esses dois não são parâmetros de surf normal. Deivid Silva também ousou. Abiquilhou-se numa etapa. Mandou bem, mas não chamou tanta atenção. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Sharp Eye Surfboards (@sharpeyesurfboards_au) Quando se trata de altíssima performance pesa sempre o fato dos atletas da elite não terem muito tempo para experiências fora da casinha das triquilhas. Mas, pela primeira vez, Filipe, além de seu ano sabático, em 2024, teve, como todos os Tops, os mesmos raros sete meses de folga antes da temporada 2026. Isso parece ter criado espaço para lidar com pranchas diferentes, memória física e jogo mental para se arriscar com um equipamento não muito convencional na Nova Zelândia. Sim, pranchas realmente diferentes pedem ajustes na maneira de usá-las e isso requer tempo e, claro, talento. Duas coisas chamaram a minha atenção. Impressionante como podemos e devemos comparar os melhores do surf competitivo profissional com pilotos da Fórmula 1. É com eles que a indústria das pranchas evolui mais e melhor. Detalhes sutis, milimétricos, que essa turma sente no funcionamento de uma prancha podem ser incorporados aos modelos que a maioria dos surfistas não conseguiria detectar ou explicar. Eles dão o caminho do que será usado pelos consumidores “normais”. Shapers são mais teoria, estudo. Tops são prática. As mudanças surgem daí. Segunda, e mais curiosa. Um esporte que durante tanto tempo teve uma aura de vanguarda e ousadia leva muito tempo para propor ou acertar mudanças mais drásticas, seja na construção ou desenvolvimento de design. Não creio que seja culpa dos fabricantes, já que essa indústria nunca gerou dinheiro suficiente para que se desenvolvesse como deveria. Ainda por cima a competição tem um formato onde há pouco espaço para o diferente quanto à performance. Mas isso é conversa para outro texto. Por agora fica a dica. Mesmo ideias estranhas à normalidade podem resultar em bons resultados. Teste tudo que é prancha que você puder. Não tenha medo, você não depende de notas dos juízes para ser feliz.