A entidade norte-americana Save The Waves Coalition, organização sem fins lucrativos, em parceria com a Integral Consulting e a Black Surf Santa Cruz, com apoio da California Ocean Protection Council, divulgou um estudo sobre o impacto econômico bilionário do surfe em Santa Cruz, Califórnia (EUA).
A principal descoberta da pesquisa Climate Vulnerability Of California’s Natural Surfing Capital (Vulnerabilidade Climática da Capital Natural do Surfe da Califórnia, em tradução livre) é que a atividade de surfe gera US$ 194,7 milhões (cerca de R$ 1,33 bilhões) anualmente para a economia local, considerando tanto os gastos diretos com sessões de surfe quanto o consumo de produtos e serviços relacionados.
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O estudo analisou 31 picos de surfe de Santa Cruz, com 11 quilômetros de extensão, e ouviu mais de 500 pessoas.
Cada ida à água teve um valor médio de US$ 56,82 (R$ 301,65), valor calculado usando um modelo de custos de viagem, cerca 72 centavos por milha (R$ 3,82 por 1,6km), mais custo de oportunidade (calculado tomando 1/3 da taxa horária média, utilizando os pontos médios da faixa de renda dos entrevistados).

No entanto, a pesquisa projeta um cenário preocupante. Com a elevação do nível do mar, a qualidade e a frequência das ondas podem ser drasticamente afetadas.
“Trabalhamos com especialistas locais, surfistas com décadas de experiência em primeira mão nos picos de Santa Cruz, garantindo que o projeto refletisse um conhecimento profundo e vivenciado. Suas percepções sobre marés e condições fundamentaram a análise de cada pico na autenticidade e nos permitiram mapear a elevação do nível do mar, mostrando como a ‘surfabilidade’ dessas ondas pode mudar ao longo do tempo”, explica Shaun Burns, coordenador local da Save The Waves.
O estudo aponta que um aumento de 90 cm no nível da água poderia tornar 20 dos picos “raramente surfáveis” ou levá-los a desaparecer por completo. A consequência direta seria uma perda anual estimada de US$ 34,5 milhões (R$ 183,16 milhões) para a economia de Santa Cruz.
“O surfe é mais do que um esporte em Santa Cruz; é um pilar cultural, econômico e ambiental. E o estudo confirma o que muitos na comunidade já sentiam: as mudanças climáticas não são um problema futuro. Elas estão impactando nossos litorais agora e estão acontecendo em mais cidades de surfe na Califórnia do que apenas em Santa Cruz”, diz Nik Strong-Cvetich, CEO da Save The Waves.
Os pesquisadores esperam que a metodologia usada em Santa Cruz sirva de modelo para outras comunidades costeiras ao redor do mundo. O objetivo é fornecer dados concretos que possam convencer autoridades e legisladores sobre a importância de proteger os ambientes de surfe como ativos econômicos e culturais.
“Temos uma compreensão muito melhor agora da economia do surfe em Santa Cruz. Mas, mais importante, temos um plano de como implementar isso em todo o estado. Os ecossistemas de surfe precisam ser incorporados ao processo político. Se eles não tiverem status, se não forem reconhecidos, estamos perdendo o capital natural que temos”, finaliza Strong-Cvetich.
Por meio de consultas à Black Surf Santa Cruz, o estudo também reforçou a importância da inclusão no esporte, levantando barreiras sociais enfrentadas por grupos historicamente excluídos.
A partir das informações coletadas, foram propostas também estratégias de adaptação, como a gestão de areia e a construção de paredões, para mitigar os impactos futuros e proteger tanto as ondas quanto a economia.
Fontes Surfer e Save The Waves Coalition