Kai Lenny voltou a surpreender o mundo do surfe ao postar no último dia 11 de setembro o vídeo “We scored this heavy Indonesian wave with no one around. Switch stance at Greenbush”, no qual surfa a esquerda de Greenbush, Indonésia, de switch stance, ou seja, de base trocada, com uma destreza incrível.
Ele pega tubos surfando de frente para a esquerda com tanta facilidade que é até difícil acreditar que Lenny é regular. A sessão aconteceu em um dia clássico, com vento favorável e com o pico vazio. O havaiano pegou tubos com calma e precisão, enquanto documentava 8 horas de surfe.
O nativo de Maui é um waterman completo. Surfa e veleja de diferentes maneiras: pranchas de kitesurf, windsurf, wakeboard, foil, wing foil, entre outras, fazem parte de seu arsenal. Acima, no vídeo “Kai pratica 7 esportes em 1 dia, em Jaws”, fica comprovada a razão pela qual ele é considerado o surfista mais versátil do mundo.
O surfe de base trocada não pode ser chamado de novidade, mas está longe de ser uma prática comum para o surfista dito normal. Desde os anos 1960 já era um recurso utilizado somente pelos mais habilidosos, principalmente em picos como Pipeline, para colocar o surfista numa posição mais favorável diante de ondas ocas. O equipamento rudimentar daquela época dificultava muito o surfe de backside nessas condições. Jock Sutherland, considerado uma das primeiras estrelas do surfe moderno, foi um que dominou essa técnica e certamente serviu de inspiração para Kai Lenny e outros que a praticam atualmente.
Jock, que é californiano – ele ainda está vivo – mas foi criado de frente para o mar no pico que leva seu nome no North Shore, Jocko’s, ganhou destaque no final dos anos 1960 e início dos 1970 como um surfista inovador e destemido. Conhecido por seu estilo fluido e radical para a época, foi um dos primeiros a explorar ao máximo a potência de ondas como Pipeline e Sunset Beach.
Já Larry Bertlemann nasceu em Oahu e foi criado surfando as ondas menores do lado sul da ilha, chamando a atenção por também trocar de pé com facilidade, só que aplicando a técnica em manobras de alta performance do tipo “hot dog”. Apelidado de “The Rubberman”, ou “Homem de Borracha”, ele revolucionou o surfe nos anos 1970 com seu estilo arrojado, manobras radicais e uma abordagem mais próxima do skate.
Bertlemann é lembrado por ter elevado o surfe a um novo patamar de performance, introduzindo curvas mais agressivas, giros rápidos e posturas inovadoras que inspiraram toda a geração que viria a redefinir o surfe profissional.
No Brasil, atletas como Gabriel Medina, Italo Ferreira e Filipe Toledo já mostraram suas habilidades invertendo a posição dos pés sobre a prancha.
No vídeo abaixo, Medina pega uma direita em Bells Beach de base trocada e surfa melhor que 90% dos surfistas do mundo.
Medina, recentemente, deixou muita gente boquiaberta ao postar um vídeo surfando na piscina do Beyond The Club, da qual é sócio, na cidade de São Paulo. Na sessão paulistana, o tricampeão mundial executou um aéreo shovit – trocou de base e emendou num tubo, numa sequência impressionante – até para Medina.
Italo, que é goofy, volta e meia pega uma onda de base trocada em público, para divertir a galera, como na comemoração de sua vitória na etapa do Circuito Mundial em Abu Dhabi, na qual surfou com o pé esquerdo à frente com uma bandeira ao redor dos ombros. O bicampeão mundial Filipe Toledo também explora o recurso com muita facilidade e fluidez, como demonstrou no Jeep Surf Ranch Pro de 2021, ao quase completar um belo tubo de backside para a direita (video acima a partir de 20:36m).
No cenário internacional, além de Kai Lenny, outros nomes também mandam bem de base trocada. O havaiano Jamie O’Brien (video abaixo a partir de 5:45min), ícone de Pipeline, assim como Rob Machado e Craig Anderson, costumam experimentar com a base invertida com bons resultados. O 11 vezes campeão do mundo, Kelly Slater, finalizou de base trocada uma onda em Padang Padang, Bali, que recebeu nota 9,17, durante o evento Rip Curl Search de 2008.
Definitivamente, o que Kai Lenny deixou provado nesse vídeo gravado em Greenbush, é que a base trocada vai ser parte cada vez mais presente e necessária no surfe do futuro. Eventualmente será incorporada ao repertório dos grandes competidores, podendo ser utilizada como um diferencial que renda uma pontuação extra, como já acontece no skate. Mas enquanto isso ainda está apenas no plano da suposição, a realidade é que Kai Lenny tirou várias notas 10 numa sessão que já entrou pra história.
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