Nos anos 70, a Indonésia se tornou palco de uma das maiores descobertas da história do surfe. O que começou como um acaso em um voo sobre Java terminou revelando ao mundo uma das ondas mais perfeitas e lendárias já surfadas: G-Land.
Tudo começou em 1972, quando o australiano Bob Lavity teve seu voo de Jakarta para Bali desviado sobre o extremo sul de Java.
Da janela do avião, ele avistou fileiras intermináveis de espuma se curvando em direção a uma baía em formato de crescente.

Ao voltar para Bali, empolgado com o que havia visto, Lavity convenceu o californiano Bill Boyham a acompanhá-lo na aventura. De moto, barco e depois a pé pela selva, chegaram ao destino e encontraram uma onda de 6 a 8 pés quebrando perfeita, tubular e absolutamente vazia.
Durante dias, viveram da pesca, do arroz e da água de coco, surfando até a exaustão. Batizaram o pico de “Gand”, em referência à vila de Grajagan, mas o nome evoluiu para G-Land.
Pouco tempo depois, o irmão de Bill, Mike Boyham, entrou na história. Foi ele quem construiu o primeiro surf camp do mundo: uma cabana de bambu erguida sobre troncos para escapar de tigres e cobras.
O “Blamangan Surf Club” cobrava inicialmente US\$ 200 por semana e atraiu nomes como Gerry Lopez, que se tornaria símbolo do lugar.
As ondas de G-Land, divididas em seções como Kongs, Money Trees e Speedies, eram pesadas, longas e tubulares, um sonho para qualquer surfista.
Mas a magia tinha um preço: além dos perigos da selva, a região também foi marcada por contrabando e pela aura de “magia negra” atribuída pelos locais. Mike acabou se envolvendo em problemas legais e seu acampamento foi fechado de forma conturbada.
Mesmo assim, a lenda de G-Land cresceu. O local virou palco de momentos marcantes do surfe, como a vitória de Kelly Slater em 1995 na primeira etapa do Championship Tour realizada ali, consolidando a chamada “Dream Tour Era”.
Em 1994, um tsunami provocado por um terremoto de magnitude 7.2 atingiu os camps, quase custando a vida de surfistas que estavam hospedados.
Hoje, G-Land faz parte do Parque Nacional de Alas Purwo, uma reserva da biosfera reconhecida pela UNESCO. O lugar abriga camps estruturados e continua sendo um dos picos mais míticos do planeta.

Apesar da lotação, as ondas seguem quebrando como sempre: ocas, poderosas, hipnotizantes. Uma dádiva da natureza que resiste ao tempo e continua a inspirar surfistas do mundo inteiro.
Clássico!
Fonte Surf Radio 5513