Pequeno gigante

Série ao Fundo bate um papo com Roberto Pino, campeão mundial de surfe adaptado.

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Roberto Pino começou tarde a carreira como profissional, mas já acumula conquistas importantes. Aos 42 anos foi campeão mundial de surfe adaptado e tem como um dos objetivos inspirar a próxima geração.

Apaixonado pelo surfe, foi só quando um amigo insistiu para que ele competisse na categoria Master de um campeonato regional que Pino cogitou vestir a lycra de competição. Problema: não havia nenhuma categoria para surfistas com deficiência.

Foi então que Pino passou a competir entre surfistas sem deficiência, chamando atenção pelo alto nível e competitividade. “Eles me olhavam com uma cara quando eu entrava na bateria e com outra quando eu saía”, conta rindo.

Na segunda participação no ISA World Para Championship, veio a consagração: campeão mundial adaptado, e com sobras. Pino colocou os adversários em combinação e gerou desconfiança.

“Depois do título vieram questionamentos de que eu não devia participar daquela categoria por conta da minha minha mobilidade. A ISA veio questionar o Alcino Pirata (técnico da seleção). Mas no regulamento diz que a categoria é para pessoas com deficiência abaixo do joelho e nanismo, que é exatamente a minha. Então falei: ‘diz pra eles que eu treino duas horas todos os dias, por isso tenho essa mobilidade'”.

No bate-papo, Pino também lembrou o dia em que encarou as ondas pesadas de Saquarema em uma competição. As ondas grandes são um dos seus maiores desafios. “Minha remada rende menos, meu caldo dura mais. Pra mim é tudo o dobro ou o triplo”, explica.

Mesmo assim, ele encarou as bombas de Itaúna, conquistou o vice-campeonato e ficou amarradão com a experiência.