Longboarder profissional

Rayane Amaral ameaçada

Em entrevista exclusiva ao Waves, Rayane Amaral narra em detalhes episódio no qual foi intimidada e ameaçada no mar, na praia da Macumba (RJ).
Rayane Amaral, 2023, Recreio, Rio de Janeiro (RJ)

Um dos grandes nomes do Longboard feminino no Brasil, Rayane Amaral começou a surfar aos 16 anos, já fez trabalhos na televisão como atriz e também é idealizadora do projeto Nossa Onda, que busca transmitir o amor pelo esporte e desenvolver o surfe. Ela passou por uma situação de constrangimento e intimidação dentro do mar no último dia 4 de junho.

Tudo começou num domingo, próximo ao meio-dia, quando estava saindo do mar com sua aluna, na praia da Macumba (RJ). Um surfista remou em uma onda e tentou dropar, mas não conseguiu e acabou caindo. Sua prancha foi em direção a ela, pois estava sem o leash, o que mais chamou a sua atenção naquele momento.

Ao questionar o rapaz sobre o fato de surfar sem a cordinha e correr o risco de machucar alguém, Rayane foi intimidada e o surfista a chamou para resolver a situação fora da água.

A reação da longboarder foi de pedir ajuda, mas logo após receber apoio de muitas pessoas, o surfista a ameaçou e deixou a atleta com medo de sofrer de fato alguma agressão ou retaliação nos dias seguintes ao ocorrido.

Rayane chegou a pensar que tinha feito algo errado e se sentiu culpada, mas após postar um story em seu Instagram, contando resumidamente o que aconteceu, recebeu mensagens de diversas surfistas pedindo para que publicasse um vídeo, com o intuito de alcançar mais pessoas e possibilitar os compartilhamentos. Após publicar esse vídeo, a atleta recebeu relatos de mulheres que passaram por situações parecidas e isso a preocupou ainda mais, pois não imaginava que o cenário do surfe estava dessa forma.

Depois da repercussão do vídeo, Rayane está disposta a unir forças e usar sua voz para fazer algo pelo surfe, pela segurança e respeito da mulher no mar.

Batemos um papo exclusivo com a longboarder, que com sua simpatia e sem economizar nos detalhes, nos conta o que aconteceu, como se sentiu, o que acha que pode ser feito para melhorar esse cenário e deixa uma mensagem aos surfistas. Confira a seguir.

O que de fato aconteceu naquele momento? Conte para nós.

Eu estava finalizando uma instrução. Era um domingo, praia da Macumba (RJ), muita gente na água, marolinha, já quase meio-dia, ou seja, um crowd danado. E eu tava saindo com uma aluna do mar.

Dou aula com o meu marido e ele tava finalizando com outra aluna. Como eu e ele temos uma metodologia diferente, entramos com pé de pato, sem prancha. Porque achamos que assim conseguimos fazer a aula render mais e também auxiliar melhor os alunos, já que pode acontecer alguma coisa em relação à segurança. Então estávamos sem prancha, eu nadando, junto com a aluna.

Quando virei pra trás, vi a série vindo. A onda veio, um surfista remou, tentou dropar e não conseguiu. Sabe quando na tentativa do drop, a gente cai pra trás? No que ele caiu, a prancha veio na minha direção e eu afundei com a mão pra cima, segurando a prancha dele.

Algumas outras alunas estavam na água, filmando as meninas em aula. Elas até comentaram: “meu Deus do céu, a gente só torceu para que a prancha não tivesse pegado em você”. Então segurei a prancha dele, devolvi na hora e questionei o fato de ele estar sem strep.

Falei: “por que você está sem strep?”. Ele simplesmente pegou a prancha da minha mão e virou as costas. Insisti: “ei, cada a sua cordinha?”. Ele pegou a prancha, deitou e começou a remar e não olhou pra trás. Mais uma vez falei: “ou, da próxima vez você não surfa aqui sem cordinha, você pode machucar alguém, tá lotado, cheio de gente aprendendo”.

Cara, quando eu falei isso, ele já virou falando: “qual foi? se acha que você vai me tirar da água? Vamo lá pra fora que a gente resolve isso”. Respondi: “o quê? você tá me chamando pra porrada? Então calma aí que eu vou chamar gente pra resolver isso com você”.

Saí da água e fui no quiosque, onde tem gente que me viu crescer, vários amigos do meu pai e falei: “gente o cara tá me chamando pra porrada, tá me chamando pra resolver com ele lá fora o fato de ele estar sem strep”. Já desceram umas vinte pessoas e entraram três com prancha.

Quando a galera entrou, que falaram: “qual foi meu irmão? o que você quer resolver?” o surfista já nem respondeu nada, pegou uma onda e saiu. Quando chegou na areia já tinha mais pessoas o esperando. Nesse meio tempo, ele parou justamente do lado do meu marido e foi reclamar de mim, me chamou de marrenta e soltou um palavrão e quando meu marido olhou pra trás, só tinha eu e a minha aluna saindo. Na hora pensou: “deve tá falando da Rayane, aconteceu alguma coisa”. Ele (marido) já foi comprar o meu barulho, “qual foi, você tá falando da minha esposa?” e o surfista falou: “tá reclamando comigo que tô surfando sem a cordinha” e meu marido respondeu: “não, você tá errado. Como é que você tá surfando sem a cordinha no dia de hoje? Tem que respeitar, ela é atleta, surfista profissional, é local e se ela tá te dando a ideia, você tem que respeitar”.

O surfista nem tinha noção da gravidade do que tinha acontecido. Então saí e na hora saiu todo mundo e foi uma confusão danada. Quando ele tava indo embora, ainda meio que me ameaçou, dizendo: “as coisas não vão ficar assim” e que conhecia todo mundo do Terreirão, que é uma comunidade do Recreio (RJ).

Passei o dia inteiro do domingo chorando, me sentindo mal pela situação, desrespeitada e comecei a querer me culpar, achando que eu tinha feito alguma coisa de errado. Até conversar com pessoas que me deram força, para falar sobre isso, ajudar outras mulheres e ir até uma delegacia pra fazer um boletim de ocorrência.

Fui a delegacia, fiz o registro e confesso que fiquei totalmente decepcionada. Porque não tenho como conseguir informações daquele surfista que me ameaçou.

Me passaram o Instagram desse homem, tenho uma foto dele, que uma pessoa tirou enquanto estava na mesma praia. Tenho provas, tenho a aluna, uma seguidora do Instagram, que eu printei na hora que ela me mandou uma mensagem, dizendo que estava filmando a filha, presenciou e escutou tudo que aconteceu.

Quando cheguei na delegacia, o policial que me atendeu pareceu banalizar muito a situação. Qualquer pessoa que lê o B.O., fala: “nossa, que ridículo, é uma briguinha de praia”. Ninguém entende o quanto doeu pra mim, que os dois dias seguidos, tive que ir com o meu pai e meu marido surfar, agora chego na praia olhando pros lados, com medo de encontrar com ele e próxima etapa do brasileiro, meu pai vai comigo, porque psicologicamente to abalada.

É triste ver que fui forte o suficiente pra falar sobre isso, com o intuito de tentar ajudar todo mundo, ir fazer um B.O. e no final não adiantar. Porque a minha intenção com esse registro era de conseguir uma medida protetiva. Só que o policial disse que não existe essa medida sem ter algum tipo de vínculo com a pessoa envolvida. Falei: “gente, como não?” Não adiantou nada. Como vou ter alguma coisa dele? Então nem sei quando eles vão descobrir alguma coisa e a importância que vão dar pra isso.

Hoje vejo o porquê muitas coisas acontecem com várias mulheres, porque a própria justiça brasileira banaliza situações. Não sei quem ele é e a que ponto pode ou poderia chegar. E se esse o cara fica com ódio de mim e me encontra na rua? O que será que ele pode fazer? Não que vai chegar a esse ponto, mas com certeza já deve ter acontecido com muita mulher. Por isso que quero sim comprar a briga e usar a minha voz pra falar por muitas. Pois recebi uma grande quantidade de mensagem de meninas surfistas, que já passaram por muitas situações no mar e acredito que em outros esportes também.

Fiquei impressionada com a quantidade de relatos que recebi no dia que fiz o post. Talvez eu estava dentro da minha bolha, no sentindo de pensar que sou uma pessoa relativamente respeitada na praia onde surfo, porque cresci aqui, então mal ou bem, as pessoas já sabem quem eu sou. Por mais que eu passe por algumas situações complicadas, as pessoas me engolem, digamos assim. Mas e quem não é? E quem tá aprendendo e é iniciante?

Recebi tanta coisa que eu pensei: “não sabia que estava desse jeito e não pode estar desse jeito”.

Recebi um comentário de um homem, que disse que as mulheres chegaram depois e que a gente agora quer ocupar o espaço deles e estamos com esse discurso feminista. Olha que absurdo, pensei: “como é que pode? O que a gente tá enfrentando, né?” Bizarro.

Como você se sentiu na hora? O que você pensou? Qual foi a sua primeira reação no momento que aconteceu?

Já foi uma superação conseguir sair da água e pedir ajuda. Por eu ser o tipo de pessoa que não costumo fazer isso, engulo e vou chorar.

Cheguei no quiosque tremendo, chorando. Ao mesmo tempo que estava assustada, não conseguia acreditar no que tinha acontecido.

O fato desse surfista ter sido o único naquele momento com uma atitude ruim e várias pessoas estavam do meu lado, pra me acolher e ajudar, foi o que me fortaleceu e vem me ajudando até no meu processo de levantar novamente. Tento focar no pensamento de: “olha pro lado de que você foi acolhida, de que a maior parte da galera esteve e está contigo”. Porque se focar no lado de que existem pessoas ruins, você não vai pra frente.

Qual foi a tua reação na hora? Chegou a pedir ajuda pra alguém?

Não tinha como eu fazer nada, nem consegui pensar.

Quando ele falou pra mim: “vamo resolver lá fora”, olhei pro fundo, vi meu marido lá embaixo, sabia que ele não tinha como escutar e entender o que eu tinha pra falar. Pensei: “vou ter que sair da água e pedir ajuda lá fora”. Foi o que fiz, saí da água, correndo, fui pro quiosque, deixei minha aluna na areia, deixei prancha, larguei tudo, subi e falei: “gente, pelo amor de Deus, me ajuda, o cara tá me chamando pra porrada aqui fora”.

Só que na hora que ele disse isso, respondi: “calma aí então que eu vou chamar gente pra resolver isso com você”. Acho que ele não acreditou, porque voltou pra água e foi surfar. Em nenhum momento se preocupou com nada, tanto que voltou pro mar pra reclamar justamente do lado do meu marido.

Ele deve ter pensado: “deve ser mais uma menina boba que tá falando que vai chamar alguém”. Mas ele não tinha ideia, logo depois entraram na água três surfistas. Ele arregalou o olho, e o mais engraçado de tudo é que ele tava com a namorada.

Enquanto ele discutia com o meu marido, o que segurou ele foi a namorada, porque ela tava sendo gente boa e pedindo desculpa até então. Quando a gente saiu da água, ele saiu primeiro e ela ficou.

No momento em que ela saiu, não estava entendendo o que tava acontecendo direito, mas o puxou pra perto de mim, mandando ele me pedir desculpa. Falei pra ela: “o seu namorado tá me chamando pra porrada”. Ela arregalou o olho e teve uma expressão de surpresa na hora.

A galera foi se exaltando pra perto dele e a namorada foi ficando mais nervosa. Começou a ameaçar, dizendo que se alguém fizesse alguma coisa com ele, ia se ver com ela também, que a mãe dela era policial. Enfim, estavam juntos surfando, ela não viu e nem escutou o que tinha acontecido. Igualzinho o meu marido, só foi entender depois. Não sei nem se a mãe é policial ou não, ou se estava falando pra intimidar.

Qual foi a reação das outras pessoas no crowd?

Tinha muita gente conhecida. Muitas pessoas me mandaram mensagem depois.

A galera achou que era briga por onda, por qualquer coisa que não isso. Ninguém conseguiu entender muito o que tinha acontecido. Foram entender depois e após verem o meu post no Instagram.

Só as pessoas que chamei na hora do ocorrido, sabiam o que tinha acontecido. Mas quem estava no mar não tinha como saber. Porque no momento que ele falou para resolvermos lá fora, só tava eu, ele, a minha aluna, uma menina tendo aula e a mulher na areia filmando a filha, não tinha mais ninguém ali.

Quando ele chegou, que foi reclamar perto do meu marido, só tinha eu e a minha aluna, não tinha muita gente. Então quando a galera ouviu o burburinho, viu a confusão, pensou: “ah, brigaram por causa de onda, por alguma coisa”. Ninguém imaginou que o cara tava me chamando pra resolver alguma questão lá fora, pra porrada.

O pior de tudo foi que quando ele saiu do mar e viu todo mundo e a confusão armada, negou tudo, falando: “Eu não falei nada, não fiz nada” E eu só falava pra ele: “você é cara de pau, tá negando na minha frente dizendo que não falou nada?”. Só que em seguida Fabi, veio a minha aluna, veio todo mundo.

No dia seguinte, tinha essa outra menina que eu nem conhecia, que mandou mensagem e tava na solicitação de amizade. Li, até mandei um print pro meu marido e falei: “olha aqui ó, uma pessoa que nunca nem vi na vida, me mandou mensagem falando que ouviu e viu tudo”.

Depois chegou uma hora que até eu achei que tava ficando maluca, pensei: “gente não é possível, será que escutei coisas?”. Porque acho que a gente também faz isso. Quando passamos por uma situação difícil, começamos a querer nos culpar, inventar caraminholas na nossa cabeça pra transferimos a culpa pra nós mesmas. Sendo que não é assim, a culpa não foi minha. Independente de qualquer coisa, ele tava errado, surfando de uma maneira incorreta. Não se pode surfar sem strep, ainda mais em um lugar em que a onda é forte, onde tem muita gente aprendendo e num final de semana, você pode machucar alguém.

Aqui na Macumba (RJ) a gente tem um quebra coco muito forte. E tivemos um campeonato que estavam muitos surfistas profissionais. A galera saía da água, principalmente as meninas, e o comentário entre elas era o quebra coco, a dificuldade de sair. Inclusive elas saíram cheia de areia, tomavam vários caldos.

Imagina se tem uma criança, uma mulher ou um senhor de idade ali, em um final de semana de sol e de repente vem uma prancha e essa pessoa não vê. Pode machucar ou dependendo, matar. Então precisamos ter responsabilidade, não tem que surfar sem strep, a segurança é a minha, do outro surfista e do banhista.

Acredito que nós como locais, temos que prezar por isso. Surfista local não é o que surfa super bem, que tá ali faz tempo e surfa no lugar há muitos anos. O local é o que preza pelo ambiente, segurança, limpeza de praia, preservação e vegetação do lugar. Isso sim é localismo.

As pessoas batem no peito pra falar “eu sou local”, mas o que faz pela sua praia? Que conscientização preza? Você a limpa? Tenta conscientizar as pessoas? Acho que isso sim é você se importar com o seu lugar. E eu tentei fazer algo pela minha praia e pelas pessoas que estavam ali, mas acabei sendo bastante desrespeitada.

Já tinha passado por uma situação parecida antes?

Já. Passei na minha vida inteira de surfista, por duas situações muito constrangedoras, essa foi a terceira.

Uma foi no Canto do Recreio, onde surfo sempre também e um cara dropou a onda, me raberou e me empurrou. Só que a situação não foi levada tão a sério, porque ele tentou levar na brincadeira. Do tipo (imitou uma risada) “eu tava brincando”. Mas aquilo me constrangeu, fiquei mal, mas respirei fundo e passou.

Porém, uma das piores de todas pra mim, foi quando eu tava surfando aqui no Rio de Janeiro também, peguei uma onda no outside e um cara de pranchinha pegou mais no inside. Quando fui dar o primeiro passo na prancha, só senti travar. Ele entrou mais atrás de mim, pulou e puxou meu strep. Quando puxou, travei e fui de peito na prancha, caí muito feio. Na época a gente tava surfando em Guaratiba e sei que nunca mais voltei e nem surfei nesse lugar, tenho meio que uma aversão.

Rolou uma discussão naquele dia. Lá tem localismo, da galera quebrar carro até. Então eu e as meninas que estavam comigo, ficamos um pouco tensas. Embora eu não tivesse feito nada. Acredito que essa tenha sido também uma situação muito difícil que eu tenha passado na água.

Já presenciou outras situações como esta?

Nunca presenciei, não que me lembre. Mas já fiquei sabendo de situações.

Acho que falta um pouco da união feminina nessa hora, do grito feminino. Por exemplo, se alguma coisa acontecer com alguma mulher na água, todas devem gritar juntas, se unir, nem que seja no berro, dizendo: “não vai encostar nela”, “você não vai xingar ela”. Porque parece que numa hora dessas, as meninas se dissipam. Falta união.

Parece que a gente vai atraindo as coisas, não sei se porque tenho estudado mais sobre o assunto ou porque tenho ficado mais atenta depois do que aconteceu comigo. Hoje eu tava assistindo uma matéria que fala que às vezes a maior disputa que existe, não é só entre o homem e a mulher, mas sim entre mulheres. Isso precisa acabar, pra que esse espaço que lutamos tanto, realmente conseguimos conquistar.

Se acontecer um problema no mar com alguma mulher e tiver outras juntas, precisa ser dito: “calma ai, você não vai mexer com ela”. Não tinha antigamente um lema? “Mexeu com uma, mexeu com todas?”. Precisa ser verídico, um fato. Precisamos estar juntas nisso, comprar o barulho e fazer acontecer pela outra.

Este tipo de violência é inaceitável em qualquer momento e qualquer ocasião, mas o que você acha disso acontecer ainda mais no momento atual do esporte, com tantas mulheres praticando e algumas competindo?

Não são todos os homens que aceitam ter mulheres os superando. Acho sim que existem homens que aplaudem o sucesso feminino, mas não são todos.

Vou te dar um exemplo, aqui na praia da Macumba, hoje em dia, talvez o surfe feminino do longboard seja a referência. Já tivemos o masculino, porém nesses últimos tempos de competição e expressividade, já passou a fase dos homens. Pois nos dias atuais eles não competem mais. O surf feminino da Macumba atualmente, vem muito forte, com a Chloé, com a Jasmim, com a Evelin, comigo. Mas se a gente tá surfando, não existe valorização e não liberam onda, fazem questão de raberar. Tem uma parte que libera, falam assim: “a gente quer ver vocês surfando” e tem outra que fala: “vocês são profissionais, queremos entrar na onda”.

Existe uma divisão, a parte do público masculino que realmente nos aplaude de pé, que entende: “que maneiro, as mulheres estão surfando muito e estão superando muitas coisas” e existe o lado que sente mexer com o ego, que ainda não aceita e nem valoriza.

Imaginava passar por essa situação?

Nunca. Fiquei quatro anos sem surfar e competir, estava na TV. Voltando aos campeonatos, pensei duas vezes se é o que quero. Porque pra mim o surfe vai muito além da competição.

Quando estou na água, às vezes as pessoas me veem e pensam: “parece uma menina de 10 anos”, porque converso com todo mundo.

O surfe pra mim vai além, me sinto muito feliz no mar, tanto surfando, quanto dando aula. Então nunca ia imaginar, num lugar onde sou tão feliz, me sentir desrespeitada e  desconfortável dessa maneira, e não querer voltar. Porque passei uns dois dias sem querer ir pra praia e surfar.

Foi difícil e tem sido. Porque eu acredito muito em Deus, que ele faz as coisas tudo da maneira certa. Uma prancha nova que estava pra vir, acabou de chegar, então isso foi me estimulando a surfar. As coisas foram acontecendo e fui querendo estar na água de novo.

Outra coisa, o fato acontece na minha casa, então não poderia imaginar. Mas estaria suscetível a acontecer alguma coisa do tipo surfando em outra praia. Porque quando vai surfar em outro lugar, você respeita e se pergunta: “quem são os locais?”. Mas nunca imaginei sofrer tamanho desrespeito no lugar onde nasci, fui criada e cresci.

Foi complicado, fiquei sem saber o que e como fazer. Fui agindo no instinto, sabe aquele instinto sobrevivência? Foi tipo isso, e esse instinto me fez pedir ajuda.

A galera e várias mulheres perguntaram: “por que você não falou então vamo lá?” “por que você não foi bater nele?” eu não sei responder e como é que faz isso, que se chama alguém pra porrada. Mas fui atrás de ajuda e me senti confortável assim.

O que precisa ser feito pra mudar ou melhorar esse cenário?

Mudar é um caminho longo, mas acho que podemos começar a pensar nisso. Em se unir, criar campanhas e realmente falar mais sobre mais.

Lembro que um tempo atrás, começaram algumas campanhas de conscientização, mas depois sumiram, ficaram esquecidas. Não pode sumir, a gente tem que continuar falando a respeito.

Também é importante integrar modalidades. Todas estão no mar, o long, o Stand Up, o bodyboard, a pranchinha. Precisamos unir forças, porque se a gente estiver no mar, não vai estar só a longboarder, vai estar a bodyboarder também, a pranchinha e uma pode ajudar a outra, caso necessário. Então a campanha de conscientização, deve acontecer de forma integrada em todas as modalidades.

Confesso que nunca estudei sobre isso e agora comecei a querer saber para entender o que eu posso falar, até que ponto posso exigir o meu direito, quais são e até onde vai os direitos do homem ou da outra menina também, pois podemos nos desentender uma com a outra.

Tudo isso a gente precisa estar a par. Então essas campanhas precisam acontecer. E acho que todo o início de mudança, começa assim, a gente conscientizando.

Que tipo de sentimento o surfe deveria despertar nas pessoas, em tua opinião?

Tive duas fases de surfe na minha vida. Comecei a surfar com 15 anos, pra alguns nova e pra outros, velha. A minha família nunca tinha tido contato com o surfe até então, meu pai não era surfista e nem ninguém da minha família era e eu morava 50 minutos da praia. Foi um acaso do universo começarmos a surfar. Mas foi um amor que surgiu pra mim e pra eles também, que fez a gente se dedicar muito.

Quando resolvi focar no surfe, comecei a competir. E a minha vida durante um bom tempo foi dividida entre o surfe e a arte, a televisão.

Quando a minha vida na TV deslanchou, deixei o surfe e veio a pandemia. Esse período acho que fez a gente ressignificar muitas coisas. E quando voltei pro surfe e deixei de lado os trabalhos na TV, passei a ver esse esporte com a essência que ele é.

Quando comecei a surfar, o meu primeiro patrocinador de prancha, um velhinho de 70 anos, disse que eu só ia começar a evoluir no surfe quando pensasse no esporte com amor e não só como uma ação. Hoje entendo isso, porque ele dizia que eu tinha que sair do mecânico, do querer, e tinha que começar a vir para o meu coração, sinto isso agora.

Às vezes quero tá no mar, só por estar lá. Quero surfar, só por surfar. Até quando o mar tá o horrível, eu quero estar na água.

O surfe me traz muita alegria e é essa a verdadeira essência. Compartilhar bons momentos, estar, apreciar e cuidar da natureza e ter uma qualidade de vida.

Lembro que antigamente a galera falava muito: “tá estressado, vai surfar”. O surfe vai te tirar o estresse, te fazer desligar da sua vida por alguns instantes. Então não leva o seu estresse pra lá, porque de repente é pra te curar. Esse é o meu pensamento hoje.

Antes eu tinha o surfe muito como treino. Não falava que ia surfar e sim treinar, tinha um peso de campeonato. Nos dias atuais não, quero surfar, ir pro mar, estar ali, encontrar meus amigos na água e me divertir. Consequentemente as coisas vão acontecer e é isso que tento passar até pros meus alunos.

Acho que grandes surfistas conseguem viver do surfe e passar a essência para as pessoas, porque vivem dessa forma. Os havaianos vivem isso, o aloha vibe. Eles vivem exatamente assim, amam o surfe. Porque atualmente virou um mercado, uma empresa, então as pessoas estão perdendo um pouco o significado, o amor pelo esporte e pelo mar. E surfe é muito mais do que isso.

Qual o melhor caminho para as pessoas conviverem em harmonia no outside?

Acho que serem um pouco mais leves e tentarem não competir tanto. Porque se você não ficar competindo e viver de uma forma mais leve, não vai querer disputar e nem querer se estressar.

Penso que uma das maiores brigas hoje em dia no outside é por conta de onda. Vejo muito na água a falta de respeito e de consideração. Mas tem onda e todo mundo vai pegar. Você não precisa pegar todas que vem. Então vamos respeitar quem tá do lado, que também quer surfar. Não precisa raberar ninguém, não é legal nem pra você, nem pra pessoa.

Tendo um mínimo respeito entre todos que estão na água, como por exemplo, pensar: “não vou pegar todas”, “vou deixar a onda pro colega também”, “não vou entrar na onda do colega, porque senão, não vai ser legal nem pra mim e nem pra ele”, pode ser um começo para criar uma relação mais harmônica dentro do mar.

A instrução é importante começar na base. Porque um outro problema que também acontece muito é alguém largar a prancha e uma pessoa ser atingida, por exemplo. Mas tem situações que podem ser evitadas. Sendo assim, pode-se considerar que a pessoa foi mal instruída e por isso age de tal maneira, ao invés de saber prevenir um acidente. Existem formas de evitar certas situações para não machucar ninguém.

Estando bem instruído, começa ter uma convivência melhor no meio do crowd, mais respeito, um pouco de jogo de cintura durante o surfe e pode criar um ambiente mais agradável no mar.

Qual mensagem você deixaria para os surfistas em geral, homens e mulheres?

Que vocês usem o surfe pro bem, pra felicidade, pra criar momentos que você recorda com alegria. Porque é muito ruim pensar nesse esporte como uma lembrança ruim.

Aprenda que o outside é um lugar pra relaxar, pra poder se livrar dos seus problemas e despejar até sentimentos ruins. Mas despeja no mar pra ele levar, não despeja nas pessoas.

A essência é de muita positividade. Não é à toa que a gente fala que surfista é good vibe. Nós surfistas precisamos achar e reencontrar isso dentro de nós. Pois talvez perdemos um pouco.

Desejo que nós, homens e mulheres, reencontremos o quão good vibe somos.

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    Gabriel Medina voltou ao lugar mais alto do pódio nesta terça-feira (3), ao conquistar o Philippines Pro 2026, em Cloud 9, na ilha de Siargao, nas Filipinas. O tricampeão mundial derrotou o australiano Jack Robinson por 16,93 a 14,50 e encerrou um jejum de mais de três anos sem vitórias no Championship Tour (CT). Sua última conquista havia sido em Margaret River, na Austrália, em abril de 2023. Depois de três vice-campeonatos na temporada, Medina aproveitou sua quarta final do ano para levantar a taça. O resultado também levou o brasileiro da quarta para a segunda colocação do ranking mundial, atrás do compatriota Yago Dora, a uma etapa do encerramento do circuito. A decisão foi disputada em boas ondas, com tubos profundos na bancada de Cloud 9. Jack Robinson abriu a bateria com 6,17 pontos, mas Medina respondeu com 7,50. Na metade do confronto, o brasileiro encontrou um tubo espetacular, recebeu 9,43 e deixou o australiano precisando de uma combinação de notas para assumir a liderança. Robinson reagiu e conseguiu sair da combinação, chegando a 14,50 pontos. Com a prioridade nos minutos finais, Medina administrou a vantagem e confirmou a vitória com 16,93 pontos, somando 9,43 e 7,50. O título também teve sabor de recuperação. Na etapa anterior, em Peniche, Portugal, Medina liderava a final até o último minuto, quando Griffin Colapinto conseguiu a virada e ficou com a vitória. Duelo brasileiro na semifinal Antes de enfrentar Robinson, Medina precisou superar Yago Dora em uma semifinal inteiramente brasileira. O tricampeão mundial começou forte, com uma nota 8,83, mas Yago respondeu com 7,00 e 6,50, chegando a assumir a liderança. Medina recuperou a primeira colocação ao somar 6,93 e fechou a bateria com 15,76 contra 13,50. Na outra semifinal, Jack Robinson derrotou Ethan Ewing por uma diferença de apenas 0,63 ponto. Apesar da eliminação, Yago segue na liderança do ranking mundial. Medina assume a segunda posição, enquanto Italo Ferreira, Griffin Colapinto e Miguel Pupo completam os cinco primeiros colocados. Caitlin Simmers conquista título feminino Na categoria feminina, a norte-americana Caitlin Simmers venceu o Philippines Pro ao superar a australiana Isabella Nichols por 12,00 a 10,77 na final. Simmers chegou à decisão depois de uma semifinal movimentada contra Carissa Moore. A havaiana sofreu uma penalidade por interferência, decisiva para o resultado de 9,43 a 5,67 favorável à norte-americana. Na outra semifinal, Isabella Nichols derrotou Tyler Wright por 10,17 a 7,00. Com o título, Simmers sobe para a terceira colocação do ranking feminino. Molly Picklum permanece na liderança, seguida por Carissa Moore. A brasileira Luana Silva chega à última etapa na sétima posição do ranking, com 43.325 pontos, e ainda tem chances matemáticas de conquistar seu primeiro título mundial. Ao todo, sete surfistas seguem na disputa: Molly Picklum, Carissa Moore, Caitlin Simmers, Gabriela Bryan, Erin Brooks, Sawyer Lindblad e Luana Silva. Assim como na categoria masculina, a definição dependerá dos resultados em Pipeline e dos descartes da classificação final. Medina assumirá liderança em Pipeline A vitória em Cloud 9 levou Gabriel Medina da quarta para a segunda posição do ranking mundial, com 53.210 pontos, apenas 1.740 atrás do líder Yago Dora, que soma 54.950. Essa diferença, porém, será revertida na abertura da última etapa da temporada, em Pipeline, no Havaí. A mudança acontece por causa do terceiro descarte, previsto para a classificação final do Circuito Mundial. Yago perderá 3.320 pontos, enquanto Medina descartará apenas 1.000. Com isso, o tricampeão passará a somar 52.210 pontos, contra 51.630 do compatriota, assumindo a liderança com 580 pontos de vantagem. Apesar da inversão, Yago continuará vestindo a lycra amarela e será o cabeça de chave número 1, pois o chaveamento será definido antes da aplicação do novo descarte. Seis surfistas na disputa pelo título Além de Medina e Yago, outros quatro surfistas chegam a Pipeline com chances matemáticas de conquistar o Mundial: Italo Ferreira, Griffin Colapinto, Miguel Pupo e Leonardo Fioravanti. Os dois primeiros colocados estão em situação privilegiada. Tanto Medina quanto Yago garantem o título mundial se vencerem a etapa, independentemente dos resultados dos adversários. A vantagem do terceiro descarte também favorece Medina em um confronto direto com Yago. Se ambos forem eliminados na mesma fase, o tricampeão terminará à frente do compatriota. Já os outros quatro candidatos precisam avançar na competição e contar com resultados desfavoráveis dos líderes. A decisão acontece entre 8 e 20 de dezembro, em Pipeline, no Havaí. A última etapa terá pontuação especial, com 15 mil pontos para o campeão, 50% a mais do que nas etapas convencionais. O formato aumenta o peso dos resultados e mantém aberta a disputa pelo título mundial de 2026, com quatro brasileiros entre os seis candidatos. O que cada um precisa para ser campeão Gabriel Medina e Yago Dora dependem apenas dos próprios resultados. Quem vencer Pipeline será campeão mundial. Medina, porém, tem uma vantagem importante: se os dois forem eliminados na mesma fase, terminará à frente do compatriota graças ao terceiro descarte. Italo Ferreira também pode conquistar o título sem vencer a etapa. Para isso, precisaria terminar como vice-campeão, com Medina e Yago eliminados na nona posição, além de contar com os tropeços dos demais concorrentes. Para Griffin Colapinto, Miguel Pupo e Leonardo Fioravanti, a situação é mais complicada. Os três precisam obrigatoriamente vencer Pipeline e torcer por eliminações precoces dos principais adversários. O avanço de Medina e Yago pode reduzir rapidamente o número de candidatos. Se ambos chegarem às semifinais, o título mundial estará matematicamente garantido para o Brasil. Baterias do Philippines Pro Masculino Round 1 1 – Connor O’Leary (JAP) 13,13 x 9,90 Callum Robson (AUS)2 – Seth Moniz (HAV) 12,66 x 10,33 Marco Mignot (FRA)3 – Filipe Toledo (BRA) 10,67 x 9,53 Cole Houshmand (EUA)4 – Liam O’Brien (AUS) 14,33 x 13,33 João Chianca (BRA)5 – Jack Robinson (AUS) 14,83 x 10,00 Bronson Meydi (IND)6 – George Pittar (AUS) 10,33 x 6,67 Noah Arkfeld (FIL)7 – John Mark Tokong (FIL) 16,60 x 11,00 Samuel Pupo (BRA)8 – Jayuard Alciso (FIL) 12,93 x 12,17 Kauli Vaast (FRA) Round 2 1 –

    Gabriel Medina encerra jejum de mais de três anos sem vitórias no Circuito Mundial, conquista o Philippines Pro e chega à última etapa da temporada na segunda posição do ranking.

    A Praia de Carcavelos, em Portugal, volta a receber os melhores especialistas em tubos do mundo. A partir deste domingo (1º), começa uma nova janela de espera do Capítulo Perfeito, competição que reúne 16 surfistas convidados e será realizada em um único dia, quando as condições de mar e vento estiverem ideais. Inicialmente programada para o começo de 2026, a 12ª edição foi adiada depois que sucessivas tempestades impediram a formação das ondas desejadas pela organização. Mesmo com a extensão do prazo até 31 de março, a competição não aconteceu. Agora, a expectativa é encontrar as condições perfeitas até 15 de dezembro, com a chamada oficial anunciada 72 horas antes do evento. “Este é um evento único, marcado pela imprevisibilidade do mar e por um compromisso inegociável com a perfeição. Continuamos determinados a esperar pelo dia perfeito, que acreditamos que chegará entre novembro e dezembro”, afirma Rui Costa, organizador do Capítulo Perfeito. Brasileiros entre os convidados O Brasil terá dois representantes na competição principal. Bruno Santos, campeão do Capítulo Perfeito em 2015, retorna a Carcavelos ao lado de Anne dos Santos, primeira mulher a integrar a lista de convidados internacionais do evento. O grupo também reúne nomes consagrados do surfe mundial, como os ex-campeões mundiais Joel Parkinson e Rob Machado, além de Balaram Stack, Noah Beschen, Soli Bailey, Torrey Meister e Tosh Tudor. O norte-americano Cam Richards, vencedor da edição de 2025, retorna para defender o título. Entre os portugueses estão Nic von Rupp, Miguel Blanco e João Maria Mendonça. A última das 16 vagas será preenchida pelo Wildcard Performance, convite reservado a um surfista internacional que terá seu nome anunciado às vésperas da competição. A programação também inclui o Women Special Heat, bateria especial feminina com Camila Cardoso, Gabriela Dinis, Mafalda Lopes e Maria Salgado. Novo formato de competição Uma das principais novidades da edição de 2026 será o formato de disputa. Todos os 16 participantes competirão em duas rodadas iniciais sem eliminações, com pelo menos três participações garantidas ao longo do evento. Após as duas primeiras rodadas, os oito melhores avançam diretamente para a quarta fase. Os outros oito disputam uma repescagem, que classificará mais quatro surfistas. Na quarta rodada, os quatro melhores avançam à final, na qual o campeão será definido pela soma das duas melhores ondas. O objetivo é permitir que os participantes enfrentem diferentes condições de maré ao longo do dia, reduzindo o impacto de eventuais mudanças nas ondas. Outra novidade é que os quatro finalistas de 2026 garantirão vagas na edição de 2027. Até então, apenas o campeão recebia esse benefício. Capítulo Perfeito também chegou à Indonésia A temporada de 2026 marcou a expansão internacional do evento. Em setembro, o Capítulo Perfeito realizou uma edição em Desert Point, na ilha de Lombok, na Indonésia. O havaiano Makana Pang conquistou o título com uma nota 10 na final e 17,57 pontos no somatório, superando os brasileiros Bruno Santos e Ícaro Ronchi, além do indonésio Usman Trioko. Com a vitória, Pang garantiu um convite para disputar o Capítulo Perfeito de Carcavelos em 2027. Convidados do Capítulo Perfeito 2026 Internacionais Anne dos Santos (BRA)Balaram StackBruno Santos (BRA)Joel ParkinsonNoah BeschenRob MachadoSoli BaileyTorrey MeisterTosh Tudor Portugueses João Maria MendonçaMiguel BlancoNic von Rupp Convidados especiais Cam Richards (campeão de 2025)Pedro Boonman (escolhido pelo público)Tomás Valente (vencedor dos Trials)Wildcard Performance (a definir) Women Special Heat Camila CardosoGabriela DinisMafalda LopesMaria Salgado O Capítulo Perfeito tem como característica realizar a competição apenas quando o mar apresenta ondas grandes e tubulares, com os tubos sendo a única manobra considerada na pontuação. A organização divulgará a chamada oficial em seus canais e no site capituloperfeito.com.

    Capítulo Perfeito reúne 16 surfistas em Portugal entre 1º de novembro e 15 de dezembro. Brasileiros Bruno Santos e Anne dos Santos estão entre os convidados da 12ª edição, que estreia novo formato.

    A organização do Eddie Aikau Big Wave Invitational uma das competições mais tradicionais e prestigiadas do surfe de ondas gigantes, anunciou nesta quinta-feira (29) os convidados para a temporada 2026/27. A lista reúne 32 atletas, entre eles John John Florence, Kai Lenny, Landon McNamara, Grant Baker e Luke Shepardson. O brasileiro Lucas Chumbo Chianca está entre os alternates. Chumbo, que integrou a lista principal na temporada passada, aparece agora na nona posição entre os 20 suplentes masculinos. Caso algum dos convidados não possa participar, o brasileiro poderá ser convocado conforme a ordem de substituição estabelecida pela organização. A janela de espera do evento começa em 6 de dezembro de 2026 e segue até 4 de março de 2027, em Waimea Bay, na costa norte da ilha de Oahu, no Havaí. A tradicional cerimônia de abertura está marcada para 3 de dezembro. A tradição do The Eddie Criado em homenagem ao lendário surfista e salva-vidas havaiano Eddie Aikau, o campeonato é conhecido por suas exigências extremas. A competição só acontece quando as ondas atingem consistentemente 40 pés de face, aproximadamente 12 metros, e as condições permitem realizar todas as baterias em um único dia. Desde sua primeira edição, em 1985, o The Eddie aconteceu apenas 11 vezes. Naquele ano, a competição foi realizada em Sunset Beach, com vitória de Denton Miyamura. Em 1986, o evento passou para Waimea Bay, onde Clyde Aikau, irmão de Eddie, conquistou o título. As duas últimas edições aconteceram em dezembro de 2023 e 2024, vencidas pelos havaianos Luke Shepardson e Landon McNamara, respectivamente. Na temporada 2025/26, a organização encerrou a janela sem realizar a competição por falta de condições adequadas. A seletividade faz parte da identidade do The Eddie. Diferentemente dos campeonatos convencionais, que seguem um calendário de baterias previamente estabelecido, o evento depende inteiramente da chegada de uma ondulação excepcional a Waimea Bay. Entre os convidados desta temporada estão campeões históricos, como Bruce Irons, John John Florence e Ross Clarke-Jones, além de nomes consagrados do surfe de ondas grandes, como Billy Kemper, Mark Healey, Jamie Mitchell e Nathan Florence. O atual campeão, Landon McNamara, também está confirmado. Em dezembro de 2024, ele conquistou o título com uma apresentação que incluiu uma onda de 50 pontos, nota máxima na competição. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Waves (@waves.com.br) O legado de Eddie Aikau Mais do que uma competição, o The Eddie celebra a memória de um dos personagens mais importantes da cultura havaiana. Eddie Aikau foi o primeiro salva-vidas de Waimea Bay e de toda a costa norte de Oahu. Ao longo de sua carreira, participou do salvamento de mais de 500 pessoas e ficou conhecido pela coragem com que enfrentava o mar em condições extremas. Em 1978, aos 31 anos, Eddie desapareceu no oceano ao sair remando em busca de ajuda para os tripulantes da canoa tradicional Hokule’a, que enfrentava dificuldades durante uma travessia entre o Havaí e o Taiti. Sua história deu origem à expressão “Eddie Would Go” (“Eddie iria”), que se tornou um símbolo de coragem, solidariedade e respeito ao oceano. A cerimônia de abertura do campeonato preserva essa tradição, reunindo familiares de Eddie Aikau, surfistas, líderes espirituais e membros da comunidade havaiana. O ritual inclui homenagens, bênçãos e um paddle out coletivo em Waimea Bay. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Waves (@waves.com.br) Convidados do Eddie Aikau Big Wave Invitational 2026/27 Aaron Gold (HAV)Annie Reickert (HAV)Ben Wilkinson (AUS)Billy Kemper (HAV)Bruce Irons (HAV)Chad Keaulana (HAV)Eala Stewart (HAV)Eli Olson (HAV)Emily Erickson (HAV)Ezekiel Lau (HAV)Felicity Palmateer (AUS)Grant Twiggy Baker (AFS)Ha’a Aikau (HAV)Ian Walsh (HAV)Jake Maki (HAV)Jamie Mitchell (AUS)Jamie O’Brien (HAV)Joey Cadiz (HAV)John John Florence (HAV)Kai Lenny (HAV)Koa Rothman (HAV)Landon McNamara (HAV)Luke Shepardson (HAV)Makua Rothman (HAV)Mark Healey (HAV)Mason Ho (HAV)Matahi Drollet (TAH)Nathan Florence (HAV)Paige Alms (HAV)Ross Clarke-Jones (AUS)Seth Moniz (HAV)Tom Lowe (ING) Suplentes masculinos (ordem de convocação) 1 – Torrey Meister (HAV)2 – Kala Grace (HAV)3 – Cliff Kapono (HAV)4 – Kaiwi Berry (HAV)5 – Russell Bierke (AUS)6 – Josh Moniz (HAV)7 – Tyler Larronde (HAV)8 – Ivan Florence (HAV)9 – Lucas Chumbo Chianca (BRA)10 – Tiger Doerner (HAV)11 – Mikey O’Shaughnessy (HAV)12 – Barron Mamiya (HAV)13 – Nic von Rupp (POR)14 – Francisco Porcella (HAV)15 – Mitch Sanborn (HAV)16 – Steve Roberson (HAV)17 – Kipp Caddy (AUS)18 – Koa Smith (HAV)19 – Isamu Sumi (JAP)20 – Jojo Roper (EUA) Suplentes femininas (ordem de convocação) 1 – Laura Enever (AUS)2 – Bianca Valenti (EUA)3 – Tiare Lawrence (HAV)4 – Makani Adric (HAV)5 – Justine Dupont (FRA) Os 11 campeões da história 1985 – Denton Miyamura (HAV)1986 – Clyde Aikau (HAV)1990 – Keone Downing (HAV)1999 – Noah Johnson (HAV)2001 – Ross Clarke-Jones (AUS)2002 – Kelly Slater (EUA)2004 – Bruce Irons (HAV)2009 – Greg Long (EUA)2016 – John John Florence (HAV)2023 – Luke Shepardson (HAV)2024 – Landon McNamara (HAV)

    Eddie Aikau Invitational divulga lista de 32 convidados para a temporada 2026/27 em Waimea Bay, no Havaí. Brasileiro Lucas Chumbo Chianca aparece entre os alternates.

    A estreia de Cloud 9 no Championship Tour (CT) da World Surf League (WSL) pode acontecer em condições excepcionais, se as previsões se confirmarem. O Philippines Pro abre sua janela neste sábado (31), na ilha de Siargao, nas Filipinas, com previsão de ondas fortes e tubulares geradas pelo tufão In-fa, que atua no Pacífico, ao norte do arquipélago filipino. Clique aqui para assistir ao vivo A primeira chamada está marcada para as 20h30 desta sexta-feira (30), pelo horário de Brasília, quando já serão 7h30 de sábado nas Filipinas. A competição poderá começar meia hora depois, caso as condições sejam favoráveis. A janela segue até 10 de novembro. O tufão In-fa vem gerando ondulações de diferentes períodos e direções, com potencial para proporcionar dois pulsos de swell ao longo da primeira semana da etapa. A previsão aponta boas condições já no início da competição, seguidas por um segundo aumento mais expressivo entre terça (3) e quarta-feira (4). Tubos e ondulação em alta A expectativa é de ondas entre 1,2 e 1,5 metro de face na abertura, com aumento gradual ao longo do fim de semana. No domingo (1º), o swell de período mais longo deve favorecer a formação dos tubos que tornaram Cloud 9 mundialmente conhecida. Após uma redução temporária na segunda-feira (2), uma nova entrada de ondulação de nordeste deve ganhar força na terça (3). As maiores séries podem atingir aproximadamente 3 metros de face entre o fim de terça e as primeiras horas de quarta-feira (4). Apesar do tamanho, os dias de maior ondulação não necessariamente serão os melhores para os tubos. Cloud 9 costuma apresentar seu funcionamento mais clássico com ondas na faixa de 1,5 metro. Quando o mar cresce além disso, as ondas podem quebrar mais afastadas da bancada, reduzindo a frequência dos tubos mais profundos e constantes. O vento também será determinante. A previsão indica condições mais favoráveis no início da janela, com vento terral fraco e oportunidades de tubos limpos. Já na terça-feira, o vento maral de nordeste poderá comprometer a qualidade das ondas, justamente durante o pico da ondulação. Como a trajetória e a intensidade do tufão ainda podem mudar, a previsão permanece sujeita a alterações. Mesmo assim, o cenário é promissor para a estreia de Cloud 9 na elite mundial. Brasileiros disputam a liderança Além da expectativa pelas ondas, o Philippines Pro terá peso importante na corrida pelo título mundial de 2026. Penúltima das 12 etapas da temporada, a competição pode alterar a liderança do ranking antes da decisão em Pipeline, no Havaí. Atual campeão mundial e líder do ranking, Yago Dora chega às Filipinas com a lycra amarela e boas expectativas para sua primeira experiência em Cloud 9. O brasileiro ainda não encontrou a onda em suas melhores condições, mas já se mostrou impressionado com o potencial do pico. “É minha primeira vez aqui, mas já acho que pode se tornar um dos meus lugares favoritos. Chegamos há poucos dias, então ainda não vimos a onda em todo o seu potencial, mas dá para perceber o que ela pode oferecer. Sinto que é uma onda que combina com meu estilo de surfe, então estou confiante”, afirma Yago Dora. O brasileiro lidera o ranking, seguido por Italo Ferreira, em segundo, Griffin Colapinto, em terceiro, Gabriel Medina, em quarto, e Miguel Pupo, em quinto. O italiano Leonardo Fioravanti ocupa a sexta posição e também tem chances de assumir a liderança. O resultado nas Filipinas será especialmente importante porque a última etapa, em Pipeline, distribuirá pontuação 50% maior que as anteriores. Uma vitória em Cloud 9 vale 10 mil pontos, enquanto o campeão no Havaí receberá 15 mil. Yago fará sua estreia diretamente no Round 2, assim como Italo Ferreira, Miguel Pupo e Gabriel Medina. Filipe Toledo, João Chianca e Samuel Pupo começam a disputa no Round 1. Entre as mulheres, Luana Silva será a única representante brasileira. Atual sétima colocada do ranking, ela enfrenta a havaiana Bettylou Sakura Johnson na primeira rodada. Filipe Toledo busca resultado Bicampeão mundial, Filipe Toledo já demonstrou bom desempenho nos treinos e não esconde o entusiasmo com a estreia em Siargao. O brasileiro destacou a qualidade da onda, a receptividade dos moradores e a possibilidade de proporcionar um espetáculo ao público. Segundo Filipe, os atletas chegaram a brincar sobre a quantidade de notas 10 que poderiam surgir durante a competição, diante do potencial de Cloud 9. O brasileiro também falou abertamente sobre as dificuldades enfrentadas nesta temporada. Depois de muitos anos no circuito, reconheceu que nem sempre é fácil encontrar motivação, especialmente diante dos resultados abaixo das expectativas. A descoberta de um pico como Cloud 9, porém, trouxe um novo estímulo. “Lugares como este reacendem a chama em mim”, afirma Filipe, em declaração na coletiva de imprensa. Estrelas e convidados locais A estreia do CT em Siargao também reúne alguns dos maiores nomes do surfe mundial, como os atuais campeões Yago Dora e Molly Picklum, além de Filipe Toledo, Gabriel Medina, Caroline Marks e Carissa Moore. Os convidados locais prometem dificultar a vida dos favoritos. O filipino John Mark Tokong, especialista em Cloud 9, venceu quatro competições em nove participações no pico e enfrentará Samuel Pupo na primeira rodada. Outro destaque é o indonésio Bronson Meydi, convocado para substituir o lesionado Jake Marshall. Conhecido por seu repertório de manobras e tubos, ele estreia contra o australiano Jack Robinson. Na chave feminina, a australiana Sierra Kerr, já classificada para o CT de 2027, enfrenta a pentacampeã mundial Carissa Moore. Baterias do Philippines Pro Round 1 Masculino 1 – Connor O’Leary (JAP) x Callum Robson (AUS)2 – Marco Mignot (FRA) x Seth Moniz (HAV)3 – Cole Houshmand (EUA) x Filipe Toledo (BRA)4 – Liam O’Brien (AUS) x João Chianca (BRA)5 – Jack Robinson (AUS) x Bronson Meydi (IND)6 – George Pittar (AUS) x Noah Arkfeld (FIL)7 – Samuel Pupo (BRA) x John Mark Tokong (FIL)8 – Kauli Vaast (FRA) x Jayuard Alciso (FIL) Round 2 Masculino 1 – Italo Ferreira (BRA) x Marco Mignot (FRA) ou Seth Moniz (HAV)2 –

    Philippines Pro abre janela nas Filipinas, com previsão de ondas de até 3 metros impulsionadas pelo tufão In-fa. Confira ao vivo e participe dos debates em nosso fórum.

    O surfe brasileiro se despede de um de seus personagens mais originais. Dávio Correia Figueiredo, o Dadá Figueiredo, morreu no último sábado (24), aos 61 anos, deixando um legado que ultrapassa as conquistas nas competições. O carioca ajudou a transformar não apenas a maneira de surfar, mas também o comportamento e a identidade de uma geração. Segundo informações de amigos próximos e familiares, Dadá estava internado para tratar uma infecção pulmonar. Reportagens posteriores apontaram complicações de uma pneumonia, mas detalhes médicos sobre as circunstâncias da morte não foram oficialmente esclarecidos. Rebelde, provocador e dono de um estilo explosivo, Dadá surgiu em uma época em que o surfe brasileiro ainda construía sua identidade competitiva. Nas décadas de 1980 e 1990, suas batidas verticais, rasgadas potentes e manobras inspiradas no skate surpreendiam o público e, muitas vezes, os próprios juízes. Enquanto muitos surfistas seguiam linhas tradicionais, Dadá buscava explorar os limites das ondas. Sua postura radical e sua personalidade irreverente fizeram dele uma referência dentro e fora da água. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Waves (@waves.com.br) Um revolucionário nas ondas Nascido no Rio de Janeiro, Dadá cresceu na Tijuca e desenvolveu uma ligação intensa com o skate antes de transportar parte dessa influência para o mar. A combinação de velocidade, explosão e movimentos verticais ajudou a antecipar características que se tornariam comuns no surfe profissional anos depois. Em janeiro de 2005, o jornalista Fabrício Fernandes publicou no Waves a reportagem “Dadá, o anti-moda”, um retrato de sua personalidade e de sua importância para o esporte. Na matéria, Fernandes descreveu como Dadá executava manobras que só ganhariam espaço no circuito mundial anos depois, citando movimentos como laybacks, re-entries e off-the-tops verticais. O jornalista também apontou sua influência sobre surfistas como Neco Padaratz, Léo Neves, Binho Nunes e Raoni Monteiro, representantes de uma geração que ajudou a consolidar o surfe brasileiro no cenário internacional. Dadá era uma atração à parte nos campeonatos. Sua presença nas baterias despertava expectativa entre os espectadores, que acompanhavam suas manobras com entusiasmo, mesmo quando o julgamento não refletia o impacto de suas apresentações. O carioca conquistou o título estadual em 1989 e venceu o Sea Club Final Heat, realizado em Saquarema, no mesmo ano. Em 1993, foi escolhido pelos leitores de uma revista especializada como o melhor freesurfer do Brasil, reconhecimento que demonstrava sua popularidade para além das competições. Embora nunca tenha conquistado o título brasileiro profissional, esteve durante cinco temporadas consecutivas entre os 16 melhores do ranking da Abrasp (Associação Brasileira de Surf Profissional). A final histórica contra Picuruta Um dos episódios mais emblemáticos de sua carreira aconteceu em maio de 1988, durante a final do Niasi/Tribuna FM, disputada no Canto do Maluf, na praia de Pitangueiras, Guarujá (SP). Dadá enfrentou Picuruta Salazar em uma bateria marcada por manobras radicais e uma decisão apertada dos cinco juízes. O santista venceu por 3 a 2, mas o resultado provocou discussões sobre os critérios de julgamento. Décadas depois, em março de 2023, o jornalista e editor Alceu Toledo Junior recuperou a história na reportagem “Picuruta 3 X 2 Dadá”, publicada no Waves. Alceu, que acompanhou a bateria da areia, contou que o equilíbrio entre os dois surfistas era tão grande que considerava o empate um resultado justo. Seu relato destaca a potência das manobras de Picuruta e a capacidade de Dadá de aproveitar as ondas desde o outside até a beira. A reportagem inclui imagens da final e preserva um capítulo importante da história do surfe brasileiro, contado por quem testemunhou a disputa. Punk, anti-moda e contracultura Fora da água, Dadá também desafiava convenções. Influenciado pelo punk rock e pelo hardcore, adotou uma estética que contrastava com o visual tradicional do universo do surfe. Cabelos ousados, roupas escuras, atitudes provocadoras e críticas ao comportamento da indústria fizeram parte de sua identidade. Dadá rejeitava padrões e fazia questão de demonstrar sua independência. Essa personalidade também se manifestou na música. Foi baixista da banda punk Os Normais e participou da criação de marcas como Anti-Fashion e Necrose Social, levando sua visão alternativa para o vestuário. Em um período de crescente profissionalização do surfe, Dadá representava uma forma diferente de viver o esporte. Suas atitudes despertavam admiração e controvérsia, mas dificilmente passavam despercebidas. Seu impacto também chegou aos novos talentos. Alexandre Almeida, o Dadazinho, recebeu uma prancha de Dadá no início da carreira e adotou o apelido em homenagem ao ídolo. O episódio foi registrado pelo Waves na reportagem “Dadazinho Almeida busca o bi no Carioca 2004”. Os desafios e a reconstrução A trajetória de Dadá também foi marcada por períodos difíceis. O abuso de álcool e drogas comprometeu sua carreira e trouxe consequências pessoais e profissionais. O próprio surfista falou abertamente sobre esses episódios em entrevistas, reconhecendo que a dependência química prejudicou seu desempenho nas competições e afastou oportunidades importantes. Em maio de 2003, o jornalista Fernando Gaspar publicou no Waves a reportagem “A luz no fim do tubo”, que acompanhou uma fase de reconstrução da vida de Dadá. O texto apresentou depoimentos sobre sua recuperação, a importância do apoio familiar e sua aproximação com a religião evangélica, que se tornou parte fundamental de sua vida. Na época, Dadá havia criado uma escola de surfe na Barra da Tijuca, com apoio de integrantes da igreja Sara Nossa Terra. O projeto começou com algumas pranchas e, segundo a reportagem de 2003, chegou a reunir cerca de 300 alunos e 12 professores. O mesmo espírito de liderança que havia marcado sua carreira competitiva passou a encontrar espaço no ensino do esporte e no trabalho com jovens. Em junho de 2007, a jornalista Monique Arruda voltou a contar parte dessa trajetória na reportagem “Dadá no comando”, quando ele assumiu a vice-presidência da Associação de Surf da Barra da Tijuca, entidade da qual havia sido um dos fundadores. Dadá defendia a valorização dos veteranos e o retorno das categorias Master aos campeonatos. Para ele, preservar a memória dos pioneiros era uma maneira de aproximar as novas gerações da história do surfe.

    Pioneiro do surf progressivo e símbolo da contracultura, carioca Dadá Figueiredo morreu no último sábado (24), ao enfrentar uma pneumonia. Sua trajetória foi marcada por talento, rebeldia e superação.

    O Museu da Imagem e do Som de Santos (MISS) recebe, a partir das 15h deste sábado (31), o primeiro encontro do Naborda Film Festival – Melhores do Ano 2026. A abertura terá uma exposição com 60 fotografias de surfe produzidas por profissionais de diferentes regiões do Brasil, além de sessões de curtas-metragens documentais, exposição de pranchas e apresentações musicais. Idealizado por Bruno Espósito e Dêmi Viola, o festival promove três meses de atividades dedicadas à cultura do surfe e do oceano, reunindo fotógrafos, cineastas, artistas e apaixonados pelo esporte. A proposta é dar visibilidade à produção artística ligada ao mar e reconhecer os melhores trabalhos do ano. A edição de 2026 contará com quatro encontros em diferentes espaços culturais de Santos. Cada etapa dará destaque a uma linguagem artística, começando pela fotografia em outubro, passando pelas artes visuais em novembro e chegando ao cinema em dezembro. Programação do Naborda 2026 31 de outubro – Fotografia: A abertura acontece no MISS, localizado no térreo do Teatro Municipal Brás Cubas, com exposição de 60 fotografias de surfe, exibição de curtas-metragens, mostra de pranchas e música ao vivo. 29 de novembro – Artes: O Cine Arte Posto 4, cinema localizado em frente ao mar, recebe uma exposição com trabalhos dos artistas inscritos, além de sessões de curtas, mostra de pranchas e apresentações musicais. 11 de dezembro – Curtas-metragens: O Cine Roxy será palco da exibição dos filmes finalistas em uma tela de 15 metros, acompanhada de exposições de fotografia e artes no hall do cinema. 12 de dezembro – Premiação: O encerramento acontece na Frontaria Azulejada, com a cerimônia de entrega dos prêmios aos vencedores das diferentes categorias, exposições e apresentações musicais. O Naborda Film Festival é apresentado pela Cerveja Praya, com patrocínio da South to South e Surfmappers. O evento conta com apoio do Waves, RTL FM – A Rádio Rock, Empório Bolshoi, Óculos Mandalla, Future Fins, Fuwax, Arakawa, Santa Areia Beachwear, Instituto Ecosurf e Prefeitura Municipal de Santos. Serviço – Abertura do Naborda Film Festival 2026 Data: 31 de outubro (sábado) Horário: a partir das 15h Local: Museu da Imagem e do Som de Santos (MISS), Teatro Municipal Brás Cubas, Santos (SP) Entrada: gratuita Instagram: @naborda_film_festival Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Naborda (@naborda_film_festival)

    Naborda Film Festival começa neste sábado (31), em Santos (SP), com entrada gratuita, exposições de fotografia, filmes e música ao vivo; programação segue até dezembro.

    Das praias ancestrais da Polinésia aos campeonatos que movimentam milhões de fãs ao redor do mundo, o surfe percorreu um longo caminho até se consolidar como um dos esportes mais populares da atualidade. No Brasil, a modalidade vive um momento de expansão impulsionado por conquistas internacionais, pelo surgimento de novos talentos e por investimentos que contribuem para o fortalecimento de toda a cadeia esportiva. Embora hoje seja um esporte global, foi no Havaí que o surfe ganhou maior notoriedade e passou a ser difundido para o restante do mundo a partir do início do século XX. A modalidade, no Brasil, começou a se popularizar entre as décadas de 1960 e 1970 e, desde então, passou por uma evolução que transformou o país em uma das principais potências da modalidade. Ao longo dos anos, o país revelou atletas capazes de conquistar títulos nas maiores competições do mundo, consolidando o movimento conhecido como “Brazilian Storm”, geração que projetou o país no circuito internacional e inspirou uma nova leva de praticantes. Dados da World Surf League (WSL) mostram que a temporada de 2025 alcançou 80 milhões de espectadores em plataformas lineares e digitais, um crescimento de 39% em relação ao ano anterior. E em 2026 os números também reforçam a consolidação do surfe profissional como um produto esportivo de alcance global. Apenas na etapa de abertura do Championship Tour, em Bells Beach, o Brasil respondeu por 43% da audiência ao vivo nos canais próprios da liga durante o Finals Day, mesmo com o fuso horário desfavorável. Os resultados acompanham uma tendência de crescimento da modalidade em escala internacional. Os títulos conquistados por atletas brasileiros refletem em como essa maré de vitória influencia no consumo do público ao surfe, posicionando cada vez mais a modalidade no mainstream esportivo. Em maio deste ano, por exemplo, Italo Ferreira conquistou o título da etapa em Raglan, na Nova Zelândia, válida pelo Championship Tour (CT) da WSL, reforçando o protagonismo brasileiro no circuito mundial e mantendo o país entre os principais candidatos aos títulos da temporada. Já Tatiana Weston-Webb, um dos principais destaques no surfe feminino, segue em uma crescente significativa. Em 2024, nos Jogos Olímpicos de Paris, a atleta voltou com uma medalha de prata no peito e sagrou-se a primeira brasileira a receber uma medalha olímpica na modalidade. “O surfe mudou bastante e continua mudando. Atualmente as mulheres têm muito mais espaço, visibilidade e respeito dentro do esporte. Temos mulheres competindo nos mesmos palcos, com a mesma premiação, e mostrando cada vez mais que podemos estar em ondas grandes e competir em alto nível. Isso é muito importante”, explica a atleta Tatiana Weston-Webb. Nesse cenário, o apoio do Banco do Brasil tem sido um dos pilares para a evolução da modalidade no país. O BB é um dos parceiros que impulsionam esse movimento ao patrocinar atletas de destaque no circuito mundial, como Luana Silva, Tatiana Weston-Webb e Italo Ferreira, além de apoiar ações voltadas ao desenvolvimento do esporte e ao incentivo de surfistas que estão iniciando suas trajetórias nas competições. “O sucesso do surfe brasileiro é resultado de talento, dedicação e da construção de um ecossistema cada vez mais forte. O apoio de marcas, entidades esportivas e parceiros tem papel importante nesse processo, criando condições para que atletas possam se desenvolver e competir em alto nível. O Banco do Brasil acredita no esporte como ferramenta de transformação e vê no surfe uma modalidade capaz de gerar impacto positivo, promover inclusão, inspirar pessoas e fortalecer comunidades. Por isso, buscamos contribuir para o crescimento sustentável do esporte em diferentes frentes, do incentivo a atletas à realização de competições que ajudam a ampliar o alcance da modalidade no país”, afirma Larissa Novais, diretora de marketing e comunicação do Banco do Brasil. Para a empresa, investir no surfe significa contribuir para o desenvolvimento de um esporte que reúne valores como superação, disciplina, conexão com a natureza e inclusão. Além do apoio aos atletas profissionais, a marca busca incentivar a formação de novos talentos e fortalecer a comunidade do surfe brasileiro. Na Onda Com BB Mastercard Além do patrocínio aos atletas, o Banco do Brasil incentiva o público a consumir o esporte por meio de campanhas. Na promoção vigente, em parceiria com a Mastercard, o consumidor concorre a uma viagem para acompanhar a etapa de Pipeline, no Havaí, durante o Championship Tour da World Surf League (WSL), em dezembro de 2026 e a ida a uma etapa do CT 2027 que será revelada após a divulgação do calendário oficial da WSL. O regulamento completo da campanha, critérios de participação e demais informações estarão disponíveis na página oficial da campanha.

    Ascensão da Brazilian Storm marca uma nova era para modalidade e mostra como o incentivo ao esporte é fundamental para ampliar oportunidades dentro e fora das competições.

    Gabriel Medina ficou com o vice-campeonato do MEO Rip Curl Pro Portugal 2026. Em uma final emocionante nesta sexta-feira (23), em Supertubos, Peniche, o norte-americano Griffin Colapinto conseguiu a virada na reta final da bateria e conquistou o título por 17.60 (9.43 + 8.17) a 16.77 (8.57 + 8.20). O tricampeão mundial brasileiro fez uma grande apresentação nas ondas portuguesas, com tubos profundos e aéreos que levaram ao delírio o público presente na praia. Medina chegou a liderar a decisão, mas viu Colapinto encontrar a melhor onda da final nos minutos finais e ficou a apenas 0.83 ponto do título. Final de alto nível em Supertubos A decisão começou em ritmo acelerado. Colapinto abriu a disputa com um tubo avaliado em 8.17, enquanto Medina respondeu com 7.67. O norte-americano ampliou a vantagem com mais uma boa onda, de 7.57, mas o brasileiro encontrou um tubo profundo, recebeu 8.20 e assumiu a liderança. A disputa ganhou ainda mais intensidade quando Medina completou outra esquerda de qualidade e arrancou 8.57 dos juízes, elevando seu somatório para 16.77. A vitória parecia próxima, mas Colapinto ainda tinha uma resposta. Na reta final, o norte-americano encontrou uma esquerda longa e pesada, percorreu o tubo e conseguiu sair com controle. A onda recebeu 9.43, maior nota da decisão, e colocou Colapinto novamente na frente, com 17.60 pontos. Medina passou a precisar de 9.04 para recuperar a liderança, mas não encontrou outra oportunidade até o término da bateria. Foi o terceiro vice-campeonato do brasileiro na temporada, depois das decisões em Margaret River e Fiji. Sua última vitória em uma etapa do Championship Tour aconteceu em abril de 2023, justamente em Margaret River, na Austrália. Colapinto, por sua vez, conquistou seu terceiro título em Peniche, onde também havia vencido em 2022 e 2024. “É a realização de um sonho. Como estavam boas as ondas lá fora! A batalha com Gabriel foi surreal. Ficamos alternando a liderança daquele jeito e eu me lembrei dos tempos de Andy Irons e Kelly Slater. Cresci assistindo àquela geração e sempre esperei poder viver algo assim um dia. Senti que essa bateria foi desse nível. Portugal tem um lugar muito especial no meu coração. Foi um sonho repetir o feito do meu irmão, que venceu em Ericeira. Quando Crosby conquistou aquela vitória, percebi que precisava me concentrar de verdade, e ele me inspirou muito. O universo esteve do meu lado nesta semana. Parecia que as coisas estavam dando certo para mim, mas isso também é resultado de todo o trabalho duro nos bastidores e de tudo o que faço diariamente. Sou muito grato”, diz Griffin Colapinto. Medina supera Italo na semifinal Antes da decisão, Medina enfrentou Italo Ferreira em um duelo brasileiro que reuniu dois campeões mundiais. Com condições difíceis em Supertubos, Italo começou melhor e chegou a abrir vantagem, mas o tricampeão encontrou uma onda decisiva. Medina encaixou um tubo seguido de uma manobra aérea, recebeu 8.17 e virou o confronto. Com 11.67 pontos, superou os 10.10 de Italo e garantiu presença em sua terceira final da temporada. Na outra semifinal, Yago Dora acabou eliminado por Griffin Colapinto. O líder do ranking somou 8.83 pontos, contra 14.33 do norte-americano. Durante a bateria, Yago sofreu uma queda e precisou sair do mar para trocar a prancha, perdendo tempo importante na tentativa de reação. Com os resultados, Medina terminou como vice-campeão, enquanto Italo e Yago dividiram a terceira posição na etapa portuguesa. “É sempre divertido competir aqui. É uma onda muito divertida de surfar. Fazer uma final com Griffin foi especial. Ele é um surfista incrível e tem sido muito legal acompanhar sua evolução. Ele me inspira a me esforçar ainda mais, e estou aqui para fazer essa galera trabalhar duro! Estou feliz com minha performance e espero ter uma chance em Pipe”, diz Gabriel Medina. Brasileiros seguem na briga pelo título Apesar da derrota na decisão, Medina ganhou uma posição no ranking mundial e passou a ocupar o quarto lugar, com 43.210 pontos, ultrapassando Miguel Pupo. Yago Dora permanece na liderança, com 48.865 pontos, seguido por Italo Ferreira, com 46.015. Campeão em Peniche, Griffin Colapinto subiu para a terceira posição, com 43.695 pontos. Miguel Pupo completa os cinco primeiros, com 42.770. A diferença entre os principais candidatos mantém a disputa aberta nas duas últimas etapas da temporada. Em 2026, o título mundial será definido pela pontuação acumulada ao longo do Championship Tour, sem uma final em formato de mata-mata. Molly Picklum vence no feminino Entre as mulheres, a australiana Molly Picklum conquistou sua primeira vitória da temporada ao superar a norte-americana Caitlin Simmers por 13.33 a 12.84 na final em Supertubos. Atual campeã mundial, Picklum somou notas 7.83 e 5.50 para garantir o título e assumir a liderança do ranking feminino, ultrapassando Carissa Moore. Próxima parada: Filipinas O Championship Tour segue agora para Cloud 9, na ilha de Siargao, nas Filipinas, com janela de competição entre 31 de outubro e 10 de novembro. Depois da estreia filipina no calendário, a temporada será encerrada em Pipeline, no Havaí, onde serão definidos os campeões mundiais de 2026. Na véspera da abertura, a equipe da BestProImages acompanhou de perto os treinos em Supertubos e registrou alguns dos melhores momentos de ação de Gabriel Medina, Italo Ferreira, Yago Dora e Miguel Pupo, além de outros nomes do Championship Tour que aproveitaram a sessão para os últimos ajustes antes do início da etapa: Masculino Round 1 1 – Connor O’Leary (JAP) 11.33 x 10.66 Callum Robson (AUS)2 – Morgan Cibilic (AUS) 8.17 x 5.10 Marco Mignot (FRA)3 – Jack Robinson (AUS) 13.33 x 5.10 João Chianca (BRA)4 – Seth Moniz (HAV) 10.67 x 8.80 Cole Houshmand (EUA)5 – Filipe Toledo (BRA) 14.43 x 12.93 Liam O’Brien (AUS)6 – Kauli Vaast (FRA) 12.27 x 3.40 Jake Marshall (EUA)7 – Guilherme Ribeiro (POR) 11.16 x 5.57 George Pittar (AUS)8 – Frederico Morais (POR) 13.00 x 8.27 Samuel Pupo (BRA) Round 2 1 – Morgan Cibilic (AUS) 15.43 x 11.90 Leonardo Fioravanti (ITA)2 – Gabriel Medina (BRA) 12.00 x 2.30

    Gabriel Medina perde de virada para Griffin Colapinto e termina com o segundo lugar no MEO Rip Curl Pro Portugal 2026, etapa portuguesa do Circuito Mundial da WSL.