Longboarder profissional

Rayane Amaral ameaçada

Em entrevista exclusiva ao Waves, Rayane Amaral narra em detalhes episódio no qual foi intimidada e ameaçada no mar, na praia da Macumba (RJ).
Rayane Amaral, 2023, Recreio, Rio de Janeiro (RJ)

Um dos grandes nomes do Longboard feminino no Brasil, Rayane Amaral começou a surfar aos 16 anos, já fez trabalhos na televisão como atriz e também é idealizadora do projeto Nossa Onda, que busca transmitir o amor pelo esporte e desenvolver o surfe. Ela passou por uma situação de constrangimento e intimidação dentro do mar no último dia 4 de junho.

Tudo começou num domingo, próximo ao meio-dia, quando estava saindo do mar com sua aluna, na praia da Macumba (RJ). Um surfista remou em uma onda e tentou dropar, mas não conseguiu e acabou caindo. Sua prancha foi em direção a ela, pois estava sem o leash, o que mais chamou a sua atenção naquele momento.

Ao questionar o rapaz sobre o fato de surfar sem a cordinha e correr o risco de machucar alguém, Rayane foi intimidada e o surfista a chamou para resolver a situação fora da água.

A reação da longboarder foi de pedir ajuda, mas logo após receber apoio de muitas pessoas, o surfista a ameaçou e deixou a atleta com medo de sofrer de fato alguma agressão ou retaliação nos dias seguintes ao ocorrido.

Rayane chegou a pensar que tinha feito algo errado e se sentiu culpada, mas após postar um story em seu Instagram, contando resumidamente o que aconteceu, recebeu mensagens de diversas surfistas pedindo para que publicasse um vídeo, com o intuito de alcançar mais pessoas e possibilitar os compartilhamentos. Após publicar esse vídeo, a atleta recebeu relatos de mulheres que passaram por situações parecidas e isso a preocupou ainda mais, pois não imaginava que o cenário do surfe estava dessa forma.

Depois da repercussão do vídeo, Rayane está disposta a unir forças e usar sua voz para fazer algo pelo surfe, pela segurança e respeito da mulher no mar.

Batemos um papo exclusivo com a longboarder, que com sua simpatia e sem economizar nos detalhes, nos conta o que aconteceu, como se sentiu, o que acha que pode ser feito para melhorar esse cenário e deixa uma mensagem aos surfistas. Confira a seguir.

O que de fato aconteceu naquele momento? Conte para nós.

Eu estava finalizando uma instrução. Era um domingo, praia da Macumba (RJ), muita gente na água, marolinha, já quase meio-dia, ou seja, um crowd danado. E eu tava saindo com uma aluna do mar.

Dou aula com o meu marido e ele tava finalizando com outra aluna. Como eu e ele temos uma metodologia diferente, entramos com pé de pato, sem prancha. Porque achamos que assim conseguimos fazer a aula render mais e também auxiliar melhor os alunos, já que pode acontecer alguma coisa em relação à segurança. Então estávamos sem prancha, eu nadando, junto com a aluna.

Quando virei pra trás, vi a série vindo. A onda veio, um surfista remou, tentou dropar e não conseguiu. Sabe quando na tentativa do drop, a gente cai pra trás? No que ele caiu, a prancha veio na minha direção e eu afundei com a mão pra cima, segurando a prancha dele.

Algumas outras alunas estavam na água, filmando as meninas em aula. Elas até comentaram: “meu Deus do céu, a gente só torceu para que a prancha não tivesse pegado em você”. Então segurei a prancha dele, devolvi na hora e questionei o fato de ele estar sem strep.

Falei: “por que você está sem strep?”. Ele simplesmente pegou a prancha da minha mão e virou as costas. Insisti: “ei, cada a sua cordinha?”. Ele pegou a prancha, deitou e começou a remar e não olhou pra trás. Mais uma vez falei: “ou, da próxima vez você não surfa aqui sem cordinha, você pode machucar alguém, tá lotado, cheio de gente aprendendo”.

Cara, quando eu falei isso, ele já virou falando: “qual foi? se acha que você vai me tirar da água? Vamo lá pra fora que a gente resolve isso”. Respondi: “o quê? você tá me chamando pra porrada? Então calma aí que eu vou chamar gente pra resolver isso com você”.

Saí da água e fui no quiosque, onde tem gente que me viu crescer, vários amigos do meu pai e falei: “gente o cara tá me chamando pra porrada, tá me chamando pra resolver com ele lá fora o fato de ele estar sem strep”. Já desceram umas vinte pessoas e entraram três com prancha.

Quando a galera entrou, que falaram: “qual foi meu irmão? o que você quer resolver?” o surfista já nem respondeu nada, pegou uma onda e saiu. Quando chegou na areia já tinha mais pessoas o esperando. Nesse meio tempo, ele parou justamente do lado do meu marido e foi reclamar de mim, me chamou de marrenta e soltou um palavrão e quando meu marido olhou pra trás, só tinha eu e a minha aluna saindo. Na hora pensou: “deve tá falando da Rayane, aconteceu alguma coisa”. Ele (marido) já foi comprar o meu barulho, “qual foi, você tá falando da minha esposa?” e o surfista falou: “tá reclamando comigo que tô surfando sem a cordinha” e meu marido respondeu: “não, você tá errado. Como é que você tá surfando sem a cordinha no dia de hoje? Tem que respeitar, ela é atleta, surfista profissional, é local e se ela tá te dando a ideia, você tem que respeitar”.

O surfista nem tinha noção da gravidade do que tinha acontecido. Então saí e na hora saiu todo mundo e foi uma confusão danada. Quando ele tava indo embora, ainda meio que me ameaçou, dizendo: “as coisas não vão ficar assim” e que conhecia todo mundo do Terreirão, que é uma comunidade do Recreio (RJ).

Passei o dia inteiro do domingo chorando, me sentindo mal pela situação, desrespeitada e comecei a querer me culpar, achando que eu tinha feito alguma coisa de errado. Até conversar com pessoas que me deram força, para falar sobre isso, ajudar outras mulheres e ir até uma delegacia pra fazer um boletim de ocorrência.

Fui a delegacia, fiz o registro e confesso que fiquei totalmente decepcionada. Porque não tenho como conseguir informações daquele surfista que me ameaçou.

Me passaram o Instagram desse homem, tenho uma foto dele, que uma pessoa tirou enquanto estava na mesma praia. Tenho provas, tenho a aluna, uma seguidora do Instagram, que eu printei na hora que ela me mandou uma mensagem, dizendo que estava filmando a filha, presenciou e escutou tudo que aconteceu.

Quando cheguei na delegacia, o policial que me atendeu pareceu banalizar muito a situação. Qualquer pessoa que lê o B.O., fala: “nossa, que ridículo, é uma briguinha de praia”. Ninguém entende o quanto doeu pra mim, que os dois dias seguidos, tive que ir com o meu pai e meu marido surfar, agora chego na praia olhando pros lados, com medo de encontrar com ele e próxima etapa do brasileiro, meu pai vai comigo, porque psicologicamente to abalada.

É triste ver que fui forte o suficiente pra falar sobre isso, com o intuito de tentar ajudar todo mundo, ir fazer um B.O. e no final não adiantar. Porque a minha intenção com esse registro era de conseguir uma medida protetiva. Só que o policial disse que não existe essa medida sem ter algum tipo de vínculo com a pessoa envolvida. Falei: “gente, como não?” Não adiantou nada. Como vou ter alguma coisa dele? Então nem sei quando eles vão descobrir alguma coisa e a importância que vão dar pra isso.

Hoje vejo o porquê muitas coisas acontecem com várias mulheres, porque a própria justiça brasileira banaliza situações. Não sei quem ele é e a que ponto pode ou poderia chegar. E se esse o cara fica com ódio de mim e me encontra na rua? O que será que ele pode fazer? Não que vai chegar a esse ponto, mas com certeza já deve ter acontecido com muita mulher. Por isso que quero sim comprar a briga e usar a minha voz pra falar por muitas. Pois recebi uma grande quantidade de mensagem de meninas surfistas, que já passaram por muitas situações no mar e acredito que em outros esportes também.

Fiquei impressionada com a quantidade de relatos que recebi no dia que fiz o post. Talvez eu estava dentro da minha bolha, no sentindo de pensar que sou uma pessoa relativamente respeitada na praia onde surfo, porque cresci aqui, então mal ou bem, as pessoas já sabem quem eu sou. Por mais que eu passe por algumas situações complicadas, as pessoas me engolem, digamos assim. Mas e quem não é? E quem tá aprendendo e é iniciante?

Recebi tanta coisa que eu pensei: “não sabia que estava desse jeito e não pode estar desse jeito”.

Recebi um comentário de um homem, que disse que as mulheres chegaram depois e que a gente agora quer ocupar o espaço deles e estamos com esse discurso feminista. Olha que absurdo, pensei: “como é que pode? O que a gente tá enfrentando, né?” Bizarro.

Como você se sentiu na hora? O que você pensou? Qual foi a sua primeira reação no momento que aconteceu?

Já foi uma superação conseguir sair da água e pedir ajuda. Por eu ser o tipo de pessoa que não costumo fazer isso, engulo e vou chorar.

Cheguei no quiosque tremendo, chorando. Ao mesmo tempo que estava assustada, não conseguia acreditar no que tinha acontecido.

O fato desse surfista ter sido o único naquele momento com uma atitude ruim e várias pessoas estavam do meu lado, pra me acolher e ajudar, foi o que me fortaleceu e vem me ajudando até no meu processo de levantar novamente. Tento focar no pensamento de: “olha pro lado de que você foi acolhida, de que a maior parte da galera esteve e está contigo”. Porque se focar no lado de que existem pessoas ruins, você não vai pra frente.

Qual foi a tua reação na hora? Chegou a pedir ajuda pra alguém?

Não tinha como eu fazer nada, nem consegui pensar.

Quando ele falou pra mim: “vamo resolver lá fora”, olhei pro fundo, vi meu marido lá embaixo, sabia que ele não tinha como escutar e entender o que eu tinha pra falar. Pensei: “vou ter que sair da água e pedir ajuda lá fora”. Foi o que fiz, saí da água, correndo, fui pro quiosque, deixei minha aluna na areia, deixei prancha, larguei tudo, subi e falei: “gente, pelo amor de Deus, me ajuda, o cara tá me chamando pra porrada aqui fora”.

Só que na hora que ele disse isso, respondi: “calma aí então que eu vou chamar gente pra resolver isso com você”. Acho que ele não acreditou, porque voltou pra água e foi surfar. Em nenhum momento se preocupou com nada, tanto que voltou pro mar pra reclamar justamente do lado do meu marido.

Ele deve ter pensado: “deve ser mais uma menina boba que tá falando que vai chamar alguém”. Mas ele não tinha ideia, logo depois entraram na água três surfistas. Ele arregalou o olho, e o mais engraçado de tudo é que ele tava com a namorada.

Enquanto ele discutia com o meu marido, o que segurou ele foi a namorada, porque ela tava sendo gente boa e pedindo desculpa até então. Quando a gente saiu da água, ele saiu primeiro e ela ficou.

No momento em que ela saiu, não estava entendendo o que tava acontecendo direito, mas o puxou pra perto de mim, mandando ele me pedir desculpa. Falei pra ela: “o seu namorado tá me chamando pra porrada”. Ela arregalou o olho e teve uma expressão de surpresa na hora.

A galera foi se exaltando pra perto dele e a namorada foi ficando mais nervosa. Começou a ameaçar, dizendo que se alguém fizesse alguma coisa com ele, ia se ver com ela também, que a mãe dela era policial. Enfim, estavam juntos surfando, ela não viu e nem escutou o que tinha acontecido. Igualzinho o meu marido, só foi entender depois. Não sei nem se a mãe é policial ou não, ou se estava falando pra intimidar.

Qual foi a reação das outras pessoas no crowd?

Tinha muita gente conhecida. Muitas pessoas me mandaram mensagem depois.

A galera achou que era briga por onda, por qualquer coisa que não isso. Ninguém conseguiu entender muito o que tinha acontecido. Foram entender depois e após verem o meu post no Instagram.

Só as pessoas que chamei na hora do ocorrido, sabiam o que tinha acontecido. Mas quem estava no mar não tinha como saber. Porque no momento que ele falou para resolvermos lá fora, só tava eu, ele, a minha aluna, uma menina tendo aula e a mulher na areia filmando a filha, não tinha mais ninguém ali.

Quando ele chegou, que foi reclamar perto do meu marido, só tinha eu e a minha aluna, não tinha muita gente. Então quando a galera ouviu o burburinho, viu a confusão, pensou: “ah, brigaram por causa de onda, por alguma coisa”. Ninguém imaginou que o cara tava me chamando pra resolver alguma questão lá fora, pra porrada.

O pior de tudo foi que quando ele saiu do mar e viu todo mundo e a confusão armada, negou tudo, falando: “Eu não falei nada, não fiz nada” E eu só falava pra ele: “você é cara de pau, tá negando na minha frente dizendo que não falou nada?”. Só que em seguida Fabi, veio a minha aluna, veio todo mundo.

No dia seguinte, tinha essa outra menina que eu nem conhecia, que mandou mensagem e tava na solicitação de amizade. Li, até mandei um print pro meu marido e falei: “olha aqui ó, uma pessoa que nunca nem vi na vida, me mandou mensagem falando que ouviu e viu tudo”.

Depois chegou uma hora que até eu achei que tava ficando maluca, pensei: “gente não é possível, será que escutei coisas?”. Porque acho que a gente também faz isso. Quando passamos por uma situação difícil, começamos a querer nos culpar, inventar caraminholas na nossa cabeça pra transferimos a culpa pra nós mesmas. Sendo que não é assim, a culpa não foi minha. Independente de qualquer coisa, ele tava errado, surfando de uma maneira incorreta. Não se pode surfar sem strep, ainda mais em um lugar em que a onda é forte, onde tem muita gente aprendendo e num final de semana, você pode machucar alguém.

Aqui na Macumba (RJ) a gente tem um quebra coco muito forte. E tivemos um campeonato que estavam muitos surfistas profissionais. A galera saía da água, principalmente as meninas, e o comentário entre elas era o quebra coco, a dificuldade de sair. Inclusive elas saíram cheia de areia, tomavam vários caldos.

Imagina se tem uma criança, uma mulher ou um senhor de idade ali, em um final de semana de sol e de repente vem uma prancha e essa pessoa não vê. Pode machucar ou dependendo, matar. Então precisamos ter responsabilidade, não tem que surfar sem strep, a segurança é a minha, do outro surfista e do banhista.

Acredito que nós como locais, temos que prezar por isso. Surfista local não é o que surfa super bem, que tá ali faz tempo e surfa no lugar há muitos anos. O local é o que preza pelo ambiente, segurança, limpeza de praia, preservação e vegetação do lugar. Isso sim é localismo.

As pessoas batem no peito pra falar “eu sou local”, mas o que faz pela sua praia? Que conscientização preza? Você a limpa? Tenta conscientizar as pessoas? Acho que isso sim é você se importar com o seu lugar. E eu tentei fazer algo pela minha praia e pelas pessoas que estavam ali, mas acabei sendo bastante desrespeitada.

Já tinha passado por uma situação parecida antes?

Já. Passei na minha vida inteira de surfista, por duas situações muito constrangedoras, essa foi a terceira.

Uma foi no Canto do Recreio, onde surfo sempre também e um cara dropou a onda, me raberou e me empurrou. Só que a situação não foi levada tão a sério, porque ele tentou levar na brincadeira. Do tipo (imitou uma risada) “eu tava brincando”. Mas aquilo me constrangeu, fiquei mal, mas respirei fundo e passou.

Porém, uma das piores de todas pra mim, foi quando eu tava surfando aqui no Rio de Janeiro também, peguei uma onda no outside e um cara de pranchinha pegou mais no inside. Quando fui dar o primeiro passo na prancha, só senti travar. Ele entrou mais atrás de mim, pulou e puxou meu strep. Quando puxou, travei e fui de peito na prancha, caí muito feio. Na época a gente tava surfando em Guaratiba e sei que nunca mais voltei e nem surfei nesse lugar, tenho meio que uma aversão.

Rolou uma discussão naquele dia. Lá tem localismo, da galera quebrar carro até. Então eu e as meninas que estavam comigo, ficamos um pouco tensas. Embora eu não tivesse feito nada. Acredito que essa tenha sido também uma situação muito difícil que eu tenha passado na água.

Já presenciou outras situações como esta?

Nunca presenciei, não que me lembre. Mas já fiquei sabendo de situações.

Acho que falta um pouco da união feminina nessa hora, do grito feminino. Por exemplo, se alguma coisa acontecer com alguma mulher na água, todas devem gritar juntas, se unir, nem que seja no berro, dizendo: “não vai encostar nela”, “você não vai xingar ela”. Porque parece que numa hora dessas, as meninas se dissipam. Falta união.

Parece que a gente vai atraindo as coisas, não sei se porque tenho estudado mais sobre o assunto ou porque tenho ficado mais atenta depois do que aconteceu comigo. Hoje eu tava assistindo uma matéria que fala que às vezes a maior disputa que existe, não é só entre o homem e a mulher, mas sim entre mulheres. Isso precisa acabar, pra que esse espaço que lutamos tanto, realmente conseguimos conquistar.

Se acontecer um problema no mar com alguma mulher e tiver outras juntas, precisa ser dito: “calma ai, você não vai mexer com ela”. Não tinha antigamente um lema? “Mexeu com uma, mexeu com todas?”. Precisa ser verídico, um fato. Precisamos estar juntas nisso, comprar o barulho e fazer acontecer pela outra.

Este tipo de violência é inaceitável em qualquer momento e qualquer ocasião, mas o que você acha disso acontecer ainda mais no momento atual do esporte, com tantas mulheres praticando e algumas competindo?

Não são todos os homens que aceitam ter mulheres os superando. Acho sim que existem homens que aplaudem o sucesso feminino, mas não são todos.

Vou te dar um exemplo, aqui na praia da Macumba, hoje em dia, talvez o surfe feminino do longboard seja a referência. Já tivemos o masculino, porém nesses últimos tempos de competição e expressividade, já passou a fase dos homens. Pois nos dias atuais eles não competem mais. O surf feminino da Macumba atualmente, vem muito forte, com a Chloé, com a Jasmim, com a Evelin, comigo. Mas se a gente tá surfando, não existe valorização e não liberam onda, fazem questão de raberar. Tem uma parte que libera, falam assim: “a gente quer ver vocês surfando” e tem outra que fala: “vocês são profissionais, queremos entrar na onda”.

Existe uma divisão, a parte do público masculino que realmente nos aplaude de pé, que entende: “que maneiro, as mulheres estão surfando muito e estão superando muitas coisas” e existe o lado que sente mexer com o ego, que ainda não aceita e nem valoriza.

Imaginava passar por essa situação?

Nunca. Fiquei quatro anos sem surfar e competir, estava na TV. Voltando aos campeonatos, pensei duas vezes se é o que quero. Porque pra mim o surfe vai muito além da competição.

Quando estou na água, às vezes as pessoas me veem e pensam: “parece uma menina de 10 anos”, porque converso com todo mundo.

O surfe pra mim vai além, me sinto muito feliz no mar, tanto surfando, quanto dando aula. Então nunca ia imaginar, num lugar onde sou tão feliz, me sentir desrespeitada e  desconfortável dessa maneira, e não querer voltar. Porque passei uns dois dias sem querer ir pra praia e surfar.

Foi difícil e tem sido. Porque eu acredito muito em Deus, que ele faz as coisas tudo da maneira certa. Uma prancha nova que estava pra vir, acabou de chegar, então isso foi me estimulando a surfar. As coisas foram acontecendo e fui querendo estar na água de novo.

Outra coisa, o fato acontece na minha casa, então não poderia imaginar. Mas estaria suscetível a acontecer alguma coisa do tipo surfando em outra praia. Porque quando vai surfar em outro lugar, você respeita e se pergunta: “quem são os locais?”. Mas nunca imaginei sofrer tamanho desrespeito no lugar onde nasci, fui criada e cresci.

Foi complicado, fiquei sem saber o que e como fazer. Fui agindo no instinto, sabe aquele instinto sobrevivência? Foi tipo isso, e esse instinto me fez pedir ajuda.

A galera e várias mulheres perguntaram: “por que você não falou então vamo lá?” “por que você não foi bater nele?” eu não sei responder e como é que faz isso, que se chama alguém pra porrada. Mas fui atrás de ajuda e me senti confortável assim.

O que precisa ser feito pra mudar ou melhorar esse cenário?

Mudar é um caminho longo, mas acho que podemos começar a pensar nisso. Em se unir, criar campanhas e realmente falar mais sobre mais.

Lembro que um tempo atrás, começaram algumas campanhas de conscientização, mas depois sumiram, ficaram esquecidas. Não pode sumir, a gente tem que continuar falando a respeito.

Também é importante integrar modalidades. Todas estão no mar, o long, o Stand Up, o bodyboard, a pranchinha. Precisamos unir forças, porque se a gente estiver no mar, não vai estar só a longboarder, vai estar a bodyboarder também, a pranchinha e uma pode ajudar a outra, caso necessário. Então a campanha de conscientização, deve acontecer de forma integrada em todas as modalidades.

Confesso que nunca estudei sobre isso e agora comecei a querer saber para entender o que eu posso falar, até que ponto posso exigir o meu direito, quais são e até onde vai os direitos do homem ou da outra menina também, pois podemos nos desentender uma com a outra.

Tudo isso a gente precisa estar a par. Então essas campanhas precisam acontecer. E acho que todo o início de mudança, começa assim, a gente conscientizando.

Que tipo de sentimento o surfe deveria despertar nas pessoas, em tua opinião?

Tive duas fases de surfe na minha vida. Comecei a surfar com 15 anos, pra alguns nova e pra outros, velha. A minha família nunca tinha tido contato com o surfe até então, meu pai não era surfista e nem ninguém da minha família era e eu morava 50 minutos da praia. Foi um acaso do universo começarmos a surfar. Mas foi um amor que surgiu pra mim e pra eles também, que fez a gente se dedicar muito.

Quando resolvi focar no surfe, comecei a competir. E a minha vida durante um bom tempo foi dividida entre o surfe e a arte, a televisão.

Quando a minha vida na TV deslanchou, deixei o surfe e veio a pandemia. Esse período acho que fez a gente ressignificar muitas coisas. E quando voltei pro surfe e deixei de lado os trabalhos na TV, passei a ver esse esporte com a essência que ele é.

Quando comecei a surfar, o meu primeiro patrocinador de prancha, um velhinho de 70 anos, disse que eu só ia começar a evoluir no surfe quando pensasse no esporte com amor e não só como uma ação. Hoje entendo isso, porque ele dizia que eu tinha que sair do mecânico, do querer, e tinha que começar a vir para o meu coração, sinto isso agora.

Às vezes quero tá no mar, só por estar lá. Quero surfar, só por surfar. Até quando o mar tá o horrível, eu quero estar na água.

O surfe me traz muita alegria e é essa a verdadeira essência. Compartilhar bons momentos, estar, apreciar e cuidar da natureza e ter uma qualidade de vida.

Lembro que antigamente a galera falava muito: “tá estressado, vai surfar”. O surfe vai te tirar o estresse, te fazer desligar da sua vida por alguns instantes. Então não leva o seu estresse pra lá, porque de repente é pra te curar. Esse é o meu pensamento hoje.

Antes eu tinha o surfe muito como treino. Não falava que ia surfar e sim treinar, tinha um peso de campeonato. Nos dias atuais não, quero surfar, ir pro mar, estar ali, encontrar meus amigos na água e me divertir. Consequentemente as coisas vão acontecer e é isso que tento passar até pros meus alunos.

Acho que grandes surfistas conseguem viver do surfe e passar a essência para as pessoas, porque vivem dessa forma. Os havaianos vivem isso, o aloha vibe. Eles vivem exatamente assim, amam o surfe. Porque atualmente virou um mercado, uma empresa, então as pessoas estão perdendo um pouco o significado, o amor pelo esporte e pelo mar. E surfe é muito mais do que isso.

Qual o melhor caminho para as pessoas conviverem em harmonia no outside?

Acho que serem um pouco mais leves e tentarem não competir tanto. Porque se você não ficar competindo e viver de uma forma mais leve, não vai querer disputar e nem querer se estressar.

Penso que uma das maiores brigas hoje em dia no outside é por conta de onda. Vejo muito na água a falta de respeito e de consideração. Mas tem onda e todo mundo vai pegar. Você não precisa pegar todas que vem. Então vamos respeitar quem tá do lado, que também quer surfar. Não precisa raberar ninguém, não é legal nem pra você, nem pra pessoa.

Tendo um mínimo respeito entre todos que estão na água, como por exemplo, pensar: “não vou pegar todas”, “vou deixar a onda pro colega também”, “não vou entrar na onda do colega, porque senão, não vai ser legal nem pra mim e nem pra ele”, pode ser um começo para criar uma relação mais harmônica dentro do mar.

A instrução é importante começar na base. Porque um outro problema que também acontece muito é alguém largar a prancha e uma pessoa ser atingida, por exemplo. Mas tem situações que podem ser evitadas. Sendo assim, pode-se considerar que a pessoa foi mal instruída e por isso age de tal maneira, ao invés de saber prevenir um acidente. Existem formas de evitar certas situações para não machucar ninguém.

Estando bem instruído, começa ter uma convivência melhor no meio do crowd, mais respeito, um pouco de jogo de cintura durante o surfe e pode criar um ambiente mais agradável no mar.

Qual mensagem você deixaria para os surfistas em geral, homens e mulheres?

Que vocês usem o surfe pro bem, pra felicidade, pra criar momentos que você recorda com alegria. Porque é muito ruim pensar nesse esporte como uma lembrança ruim.

Aprenda que o outside é um lugar pra relaxar, pra poder se livrar dos seus problemas e despejar até sentimentos ruins. Mas despeja no mar pra ele levar, não despeja nas pessoas.

A essência é de muita positividade. Não é à toa que a gente fala que surfista é good vibe. Nós surfistas precisamos achar e reencontrar isso dentro de nós. Pois talvez perdemos um pouco.

Desejo que nós, homens e mulheres, reencontremos o quão good vibe somos.

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    Poucas pessoas no mundo sobreviveram a um acidente como esse. Depois de ter o coração perfurado por um peixe-agulha enquanto surfava em Pavones, na Costa Rica, o catarinense Fabiano Duarte da Costa voltou ao Brasil e contou ao Waves como escapou da morte, enfrentou duas paradas cardíacas e por que pretende voltar ao mar. Local de Itajaí (SC), Fabiano tem uma longa relação com o mar. Além de surfar desde garoto, ele pratica natação em águas abertas e toca um clube de canoa havaiana em sua terra natal, chamado Kaikala, onde realiza travessias e participa de competições da modalidade. O catarinense conta que estava no último dia de uma barca inesquecível com 15 amigos, desfrutando das famosas esquerdas de Pavones quando sofreu o acidente que mudou sua vida. O clima era de dever cumprido após dias intensos de surfe. Ele estava tranquilamente sentado na prancha, no outside, apenas esperando a próxima série entrar, quando o impacto brutal e silencioso aconteceu. O bico rígido e afiado do peixe-agulha perfurou seu tórax com a força de um projétil. Para se ter uma ideia da gravidade do acidente, foi como se o surfista catarinense tivesse sido apunhalado no peito. “Poder abraçar o homem que literalmente fez meu coração voltar a bater foi o momento mais indescritível da minha vida” Fabiano Duarte Apesar de não ser agressivo, o peixe-agulha costuma nadar próximo à superfície e pode realizar saltos em alta velocidade, o que explica acidentes raros como esse quando cruza a trajetória de embarcações ou surfistas. Em 2024, a surfista italiana Giulia Manfrini morreu após ser atingida no peito por um peixe da mesma espécie enquanto surfava nas Ilhas Mentawai, na Indonésia. No caso de Fabiano, porém, o desfecho foi diferente graças a uma sucessão de circunstâncias que acabaram salvando sua vida. Ele teve a sorte de ter sido atendido na praia por um médico antes de ser encaminhado ao hospital, onde viria a sofrer uma parada cardíaca e precisaria ser reanimado. Fabiano conta que não se lembra de absolutamente nada do acidente. Sua última lembrança é de um cenário de pura celebração com amigos na água: “A minha memória do trauma em si apagou, o cérebro bloqueou essa parte”, relata. “A última lembrança que carrego daquele momento é a energia incrível da água, o sol baixando e a alegria de estar ali dividindo o pico com meus grandes amigos. De repente, tudo mudou”. Entre a vida e a morte, com o peito perfurado, os primeiros instantes foram cruciais para que essa história não terminasse em tragédia. A gravidade do ferimento exigia ação imediata, e foi a irmandade do surfe que entrou em cena. Seus amigos perceberam o acidente e o retiraram da água, com a ajuda de surfistas locais, em uma corrida contra o tempo. Na areia, o que se viu foi uma sucessão de milagres. Fabiano sofreu uma parada cardíaca que durou longos dois minutos. Foi nesse momento que o destino interveio: um médico alemão, que estava na praia por um acaso absoluto, assumiu os primeiros socorros e conseguiu estabilizá-lo o suficiente para o resgate. “Como eu e minha família processamos essa sorte? É algo que transcende a explicação. Ter um médico ali, de prontidão na areia, foi a pessoa certa no lugar exato. Se não fossem meus amigos me tirando da água e esse médico alemão, eu não estaria aqui para contar a história”, pondera. Mas a luta pela vida estava apenas começando. Devido à extrema gravidade da lesão no coração, Fabiano precisou ser transferido às pressas, de avião, para um hospital em San José, capital da Costa Rica. Lá, ele foi submetido a uma cardiorrafia de emergência, uma cirurgia delicadíssima para suturar o músculo cardíaco cortado pelo acidente. O procedimento foi conduzido pelo cirurgião Dr. Carlos Bolaños, que precisou massagear o coração de Fabiano diretamente com as mãos para mantê-lo batendo após outra parada cardíaca na sala de cirurgia. Fabiano conta que o médico e seus assistentes comemoram como se fosse um gol em uma partida de futebol o momento em que seu coração voltou a bater. O reencontro entre o surfista e o médico, dias depois, foi registrado em vídeo por um canal de TV e emocionou o mundo do surfe. “Se não fossem meus amigos me tirando da água e esse médico alemão, eu não estaria aqui para contar a história” Fabiano Duarte “Acordar no hospital, cheio de tubos, e entender a gravidade de tudo foi um choque imenso”, revela o catarinense. “Mas ver as imagens da minha própria cirurgia, saber que o Dr. Bolaños segurou meu coração nas mãos… Poder abraçar o homem que literalmente fez meu coração voltar a bater foi o momento mais indescritível da minha vida”, ele completa. O retorno ao mar e a nova perspectiva Hoje, de volta ao conforto de sua casa em Itajaí, Fabiano celebra cada amanhecer ao lado da esposa, Priscilla. Como educador físico e surfista de alma, o oceano sempre foi seu refúgio e seu ambiente natural. Um trauma tão raro e severo poderia afastar qualquer um da água, mas para ele, o efeito foi de profunda transformação espiritual. “O mar continua sendo minha casa. Não há mágoa com a natureza, foi uma fatalidade” Fabiano Duarte “Compreendi o valor da vida de uma forma totalmente inédita. O mar continua sendo minha casa. Não há mágoa com a natureza, foi uma fatalidade. Já existe aquela ansiedade gostosa para voltar a remar, sentir a água salgada, mas agora eu volto com uma gratidão imensa. A mensagem que deixo para a comunidade que torceu por mim é simples: celebrem cada dia, cada onda e as pessoas que estão ao seu redor. A vida é um sopro”, finaliza. Pouco tempo antes de tudo acontecer, Fabiano estava apenas sentado na prancha, esperando a próxima série entrar em uma das ondas mais icônicas da Costa Rica. Agora, depois de sobreviver a um acidente quase impossível, espera ansiosamente pela próxima oportunidade de voltar ao mar, desta vez com uma perspectiva completamente diferente sobre a vida.

    Brasileiro conta como sobreviveu após ter o coração perfurado por um peixe-agulha enquanto surfava na Costa Rica.

    Yago Dora é o campeão do Vivo Rio Pro 2026. O brasileiro derrotou o italiano Leonardo Fioravanti em uma final acirrada, impulsionado pela forte presença da torcida que lotou as areias de Itaúna, mesmo debaixo de chuva e frio. Com mar balançado e ondas com cerca de um metro e meio nas séries, Fioravanti, que chegou à decisão já com o status de novo líder do ranking mundial, repetiu a estratégia da semifinal. O italiano impôs um ritmo forte logo no início da disputa, enquanto Yago optou por ser mais paciente e seletivo na escolha de suas ondas. A tática de Fioravanti rendeu frutos iniciais, deixando-o com um somatório provisório de 8.17 (notas 5.67 e 2.50). No entanto, aos 13 minutos de bateria, Yago Dora encontrou a rampa perfeita, executou um lindo aéreo rodando e levantou a praia ao arrancar um excelente 8.50 dos juízes. Minutos depois, já na metade do confronto, o brasileiro voou novamente. Com outro aéreo bem executado, recebeu um 6.50 e fechou seu somatório em imbatíveis 15.00 pontos. Pressionado, Fioravanti passou a precisar de 9.33 para assumir a liderança. A cinco minutos do fim, o italiano arriscou um ótimo aéreo (sem rotação completa) e diminuiu a diferença com um 7.50. Nos instantes finais, ele precisava de um 7.51 para a virada, mas o mar não colaborou e ele não conseguiu surfar mais nenhuma onda, selando a vitória e o título de Yago Dora pelo placar final de 15.00 a 13.37. Com esse resultado, Yago pulou para o segundo lugar na classificação geral do CT, ficando atrás somente de Fioravanti. Italo Ferreira agora cai para a terceira posição, enquanto Gabriel Medina, eliminado na estreia em Saquarema, ocupa o quarto lugar, seguido por Miguel e Samuel Pupo. Na final feminina, a norte-americana Sawyer Lindblad superou o “fenômeno francês” Tya Zebrowski com duas ondas de pontuações ligeiramente superiores (3.90 e 3.77), fechando seu somatório em 7.67 pontos. Lidando com condições difíceis no mar durante a bateria, Zebrowski lutou bastante e surfou um número muito maior de ondas que sua adversária, em uma tentativa incessante de reverter o placar. No entanto, Tya teve que se contentar com uma pontuação total de 6.10 (3.47 e 2.63) em suas duas melhores apresentações. O esforço não foi suficiente para garantir sua primeira vitória no Championship Tour aos 15 anos de idade, feito que teria estabelecido um recorde histórico da categoria. Adotando uma postura mais estratégica, Sawyer Lindblad vibrou muito com a conquista de sua primeira vitória na carreira no CT. Com o resultado, a surfista norte-americana dá um salto importante e assume a terceira colocação no ranking mundial feminino. Semifinais masculinas A primeira bateria a entrar na água foi a semifinal entre João Chianca e Leo Fioravanti. O italiano abriu o confronto em um ritmo forte, surfando quatro ondas em menos de 10 minutos. Nas três primeiras tentativas, garantiu um 7.00 como sua melhor nota. Na sequência, apostou em um aéreo reverse e arrancou um 6.00 dos juízes. Com isso, Fioravanti pôde se dar ao luxo de descartar um 4.00 e um 5.17, enquanto o brasileiro somava apenas 3.00 pontos naquele momento. Chianca tentou reagir restando pouco mais de 20 minutos para o encerramento da bateria. Depois de aumentar sua nota de descarte para 3.67, o brasileiro pegou uma onda intermediária e executou três rasgadas expressivas para anotar 6.27. Com isso, passou a precisar de um 6.74 para a virada. A poucos minutos do fim, ele arriscou em uma onda com pouco potencial e recebeu apenas um 3.83, pontuação insuficiente para reverter o placar. Com a classificação para a final, Fioravanti garantiu 7.800 pontos e chegou a 33.930 no total, ultrapassando Italo Ferreira (que caiu nas oitavas de final e soma 33.845) e assumindo a liderança do ranking do CT. Vindo de um título inédito em El Salvador, o italiano mostrava grande inspiração na busca pela segunda conquista de sua carreira. O grande obstáculo, no entanto, seria Yago Dora, que chegou à final igualmente embalado após derrotar o australiano Ethan Ewing na outra semifinal com um placar confortável de 14.30 contra 11.67. Isso sem mencionar o forte apoio da torcida brasileira. Quartas de final masculino e semifinais feminino Após uma pausa no domingo, o Vivo Rio Pro retornou à ação na segunda-feira (22) para o seu terceiro dia de competições. Ao longo do dia, a Praia de Itaúna viu definidas as finalistas da categoria feminina e os semifinalistas do masculino, deixando o palco pronto para o aguardado “Finals Day”. A previsão se mostrou muito melhor do que o esperado logo nas primeiras horas. O dia começou com ondas limpas com pouco mais de um metro e meio, permitindo um surfe de alta performance. No entanto, com o passar das horas, o mar perdeu força e as séries ficaram escassas, forçando a organização a paralisar o evento e adiar as baterias decisivas para o próximo chamado. Impulsionado pela energia vibrante da areia, o herói local João Chianca encontrou total sintonia com o oceano. Ele surfou duas excelentes ondas em sequência para colocar a pressão sobre o australiano Morgan Cibilic, que embora tenha surfado a melhor onda da bateria, não foi o suficiente para alcançar o somatório do brasileiro, que garantiu sua primeira semifinal da temporada. O atual campeão do evento, Yago Dora, protagonizou um duelo eletrizante e de notas excelentes contra o compatriota Miguel Pupo. Em uma troca crucial, Pupo arrancou um 8.00 dos juízes, mas Dora respondeu na onda seguinte com um brilhante ataque de frontside que lhe rendeu um 8.50, selando sua classificação para a semifinal. Dora enfrentaria o australiano Ethan Ewing, que virou sua bateria contra Kauli Vaast nos segundos finais, reeditando a grande final do Vivo Rio Pro de 2023. O italiano Leonardo Fioravanti manteve o embalo de sua vitória em El Salvador e frustrou a torcida local ao eliminar Samuel Pupo na primeira bateria do dia. Fioravanti adotou a estratégia de começar forte e manter o ritmo, construindo uma estratégia que Pupo não conseguiu reverter antes do tempo esgotar. Com o melhor

    Etapa brasileira do Championship Tour termina com vitória de Yago Dora. Sawyer Lindblad vence entre as mulheres e Leonardo Fioravanti assume liderança do ranking mundial da WSL, na etapa de Saquarema.

    Uma das solicitações mais frequentes desde o lançamento da nova plataforma foi o retorno dos comentários e debates em tempo real durante as etapas do Circuito Mundial. Por isso, a Waves volta a abrir o espaço para a comunidade acompanhar, comentar e trocar opiniões ao longo das baterias. Clique aqui para assistir ao vivo Clique aqui para saber tudo sobre a etapa de Saquarema Clique aqui para conhecer a nova fase da Waves Durante muitos anos, esse encontro entre surfistas fez parte da cobertura dos eventos na Waves. Agora, a tradição retorna renovada, mantendo o que sempre foi mais importante: a participação da comunidade. Feita de surfista para surfista, a Waves acredita que acompanhar uma etapa vai muito além de assistir às baterias. É também comentar o que acontece nas entrelinhas, discutir as notas, defender seus favoritos e trocar ideias com outros apaixonados por surfe. O Vivo Rio Pro 2026 abre a janela de competições em Saquarema (RJ) nesta sexta-feira (19). Assista às baterias, compartilhe suas opiniões e participe dos debates ao vivo com outros apaixonados por surfe em nosso fórum abaixo. Campeões das etapas da Elite Mundial do Surfe realizadas no Brasil Ano Campeão Masculino Campeã Feminina 2025 Cole Houshmand (EUA) Molly Picklum (AUS) 2024 Italo Ferreira (BRA) Caitlin Simmers (EUA) 2023 Yago Dora (BRA) Caitlin Simmers (EUA) 2022 Filipe Toledo (BRA) Carissa Moore (HAV) 2019 Filipe Toledo (BRA) Sally Fitzgibbons (AUS) 2018 Filipe Toledo (BRA) Stephanie Gilmore (AUS) 2017 Adriano de Souza (BRA) Tyler Wright (AUS) 2016 John John Florence (HAV) Tyler Wright (AUS) 2015 Filipe Toledo (BRA) Courtney Conlogue (EUA) 2014 Michel Bourez (FRA) Sally Fitzgibbons (AUS) 2013 Jordy Smith (RSA) Tyler Wright (AUS) 2012 John John Florence (HAV) Sally Fitzgibbons (AUS) 2011 Adriano de Souza (BRA) Carissa Moore (HAV) 2010 Jadson André (BRA) — 2009 Kelly Slater (EUA) — 2008 Bede Durbidge (AUS) Sally Fitzgibbons (AUS) 2007 Mick Fanning (AUS) Samantha Cornish (AUS) 2006 Mick Fanning (AUS) Layne Beachley (AUS) 2005 Damien Hobgood (EUA) — 2004 Taj Burrow (AUS) — 2003 Kelly Slater (EUA) — 2002 Taj Burrow (AUS) Melanie Bartels (HAV) 2001 Trent Munro (AUS) Samantha Cornish (AUS) 2000 Kalani Robb (EUA) Layne Beachley (AUS) 1999 Taj Burrow (AUS) Andrea Lopes (BRA) 1998 Peterson Rosa (BRA) Pauline Menczer (AUS) 1997 Kelly Slater (EUA) Pauline Menczer (AUS) 1996 Taylor Knox (EUA) Pauline Menczer (AUS) 1995 Barton Lynch (AUS) Neridah Falconer (AUS) 1994 Shane Powell (AUS) Pauline Menczer (AUS) 1993 Dave Macaulay (AUS) Neridah Falconer (AUS) 1992 Damien Hardman (AUS) Wendy Botha (AUS) 1991 Flavio Padaratz (BRA) — 1990 Fabio Gouveia (BRA) — 1989 Dave Macaulay (AUS) — 1988 Dave Macaulay (AUS) — 1982 Terry Richardson (AUS) — 1981 Cheyne Horan (AUS) — 1980 Joey Buran (EUA) — 1978 Cheyne Horan (AUS) — 1977 Daniel Friedmann (BRA) Margo Oberg (EUA) 1976 Pepê Lopes (BRA) — Vivo Rio Pro 2026 Masculino Round 1 1 Ramzi Boukhiam (MAR) 7.00 x Lucas Chianca (BRA) 6.432 Matthew McGillivray (AFS) 11.67 x 5.13 Luke Thompson (AFS)3 Weslley Dantas (BRA) 9.67 x Seth Moniz (HAV) 9.074 Eli Hanneman (HAV) 9.17 x Oscar Berry (AUS) 6.50 Round 2 1 Jack Robinson (AUS) 14.33 x Rio Waida (IND) 12.532 Samuel Pupo (BRA) 11.07 x Alan Cleland (MEX) 8.503 Leonardo Fioravanti (ITA) 12.27 x Weslley Dantas (BRA) 11.604 Liam O’Brien (AUS) 13.93 x Jake Marshall (EUA) 10.835 Morgan Cibilic (AUS) 9.44 x Connor O’Leary (JAP) 9.306 Matthew McGillivray (AFS) 13.53 x Gabriel Medina (BRA) 13.137 João Chianca (BRA) 14.84 x Griffin Colapinto (EUA) 7.178 George Pittar (AUS) 15.00 x Joel Vaughan (AUS) 6.539 Italo Ferreira (BRA) 14.33 x Ramzi Boukhiam (MAR) 10.9710 Kauli Vaast (FRA) 13.73 x Crosby Colapinto (EUA) 11.5011 Ethan Ewing (AUS) 12.66 x Alejo Muniz (BRA) 10.3012 Kanoa Igarashi (JAP) 12.23 x Cole Houshmand (EUA) 11.7713 Yago Dora (BRA) 13.83 x Eli Hanneman (HAV) 12.9014 Marco Mignot (FRA) 12.74 x Barron Mamiya (HAV) 10.4315 Callum Robson (AUS) 14.93 x Filipe Toledo (BRA) 13.0016 Miguel Pupo (BRA) 12.97 x Mateus Herdy (BRA) 10.94 Round 3 1 Samuel Pupo (BRA) 15.84 x 9.94 Jack Robinson (AUS)2 Leonardo Fioravanti (ITA) 16.50 x 13.33 Liam O’Brien (AUS)3 Morgan Cibilic (AUS) 13.40 x 11.50 Matthew McGillivray (AFS)4 João Chianca (BRA) 14.30 x 13.26 George Pittar (AUS)5 Kauli Vaast (FRA) 14.17 x 12.87 Italo Ferreira (BRA)6 Ethan Ewing (AUS) 14.33 x 12.27 Kanoa Igarashi (JAP)7 Yago Dora (BRA) 15.00 x 10.33 Marco Mignot (FRA)8 Miguel Pupo (BRA) 14.03 x 12.17 Callum Robson (AUS) Quartas de Final 1 Leonardo Fioravanti (ITA) 13.23 x 12.50 Samuel Pupo (BRA)2 João Chianca (BRA) 13.27 x 12.76 Morgan Cibilic (AUS)3 Ethan Ewing (AUS) 13.07 x 12.84 Kauli Vaast (FRA)4 Yago Dora (BRA) 15.67 x 13.33 Miguel Pupo (BRA) Semifinais 1 Leonardo Fioravanti (ITA) 13.00 x 10.10 João Chianca (BRA)2 Yago Dora (BRA) 14.30 x 11.67 Ethan Ewing (AUS) Final Yago Dora (BRA) 15.00 x 13.17 Leonardo Fioravanti (ITA) Feminino Round 1 1 Sally Fitzgibbons (AUS) 14.50 x Vahine Fierro (FRA) 7.002 Erin Brooks (CAN) 11.26 x Anat Lelior (ISR) 9.503 Nadia Erostarbe (ESP) 10.83 x Yolanda Hopkins (POR) 9.104 Isabella Nichols (AUS) 12.50 x Francisca Veselko (POR) 11.705 Tya Zebrowski (FRA) 8.67 x Stephanie Gilmore (AUS) 7.336 Brisa Hennessy (CRC) 12.00 x Alyssa Spencer (EUA) 7.167 Bella Kenworthy (EUA) 10.10 x Bettylou Sakura Johnson (HAV) 8.938 Tatiana Weston-Webb (BRA) 11.00 x Tyler Wright (AUS) 10.46 Round 2 1 Carissa Moore (HAV) 14.50 x Erin Brooks (CAN) 13.302 Tya Zebrowski (FRA) 14.33 x Lakey Peterson (EUA) 11.033 Nadia Erostarbe (ESP) 8.40 x Molly Picklum (AUS) 7.674 Caitlin Simmers (EUA) 15.10 x Bella Kenworthy (EUA) 13.605 Gabriela Bryan (HAV) 17.33 x Sally Fitzgibbons (AUS) 13.266 Caroline Marks (EUA) 14.00 x Tatiana Weston-Webb (BRA) 13.007 Luana Silva (BRA) 12.47 x Isabella Nichols (AUS) 12.208 Sawyer Lindblad (EUA) 14.03 x Brisa Hennessy (CRC) 9.67 Quartas de Final 1 Tya Zebrowski (FRA) 12.70 x Carissa Moore (HAV) 7.772 Nadia Erostarbe (ESP) 15.83 x Caitlin Simmers (EUA) 12.233 Caroline Marks (EUA) 13.04 x Gabriela Bryan (HAV) 11.904 Sawyer Lindblad (EUA) 12.86 x Luana Silva (BRA) 12.26 Semifinais 1 Tya

    Atendendo a um dos pedidos mais frequentes da comunidade, a Waves traz de volta os comentários e debates em tempo real durante as etapas do Circuito Mundial.

    A janela para a etapa brasileira do Circuito Mundial abre nesta sexta-feira (19) e se estende até o dia 27 de junho. Com um período de espera curto, de apenas nove dias, a organização precisará aproveitar ao máximo as condições para o surfe na Praia de Itaúna, que felizmente tem previsão de receber swell com potencial logo no início do evento. Para o dia de abertura da competição espera-se o ápice de uma boa ondulação de sul. Com a primeira chamada diária marcada para às 7h, o evento em Saquarema (RJ) promete disputas acirradas, especialmente com os surfistas brasileiros chegando como grandes favoritos após a etapa de El Salvador. Clique aqui para ver a previsão das ondas Clique aqui para participar dos debates No cenário masculino, o Brasil domina o topo da tabela, ocupando cinco das seis primeiras posições do ranking mundial. Italo Ferreira veste a lycra amarela de líder (30.525 pontos), seguido de perto por Gabriel Medina (2º) e Yago Dora (4º). Os irmãos Miguel e Samuel Pupo fecham o pelotão de elite na 5ª e 6ª colocações. João Chianca, que atualmente ocupa a 23ª colocação no ranking, compete em casa e precisa de um bom resultado, uma combinação de fatores que podem fazer dele um dos sufistas mais perigosos nessa etapa. A organização já divulgou os primeiros embates, que reservam fortes emoções para a torcida. Weslley Dantas está confirmado no round 1, assim como Lucas Chumbo, ambos anunciados como convidados do evento. Além disso, o chaveamento já antecipa um duelo 100% nacional no round 2, colocando frente a frente Miguel Pupo e Mateus Herdy em uma bateria eliminatória de alto nível. Mas, apesar da hegemonia brasileira na ponta da tabela, não podemos baixar a guarda. O principal nome a ser observado entre os visitantes é o italiano Leonardo Fioravanti. Atual 3º colocado no ranking, ele desembarca no Rio de Janeiro embalado após conquistar o título da etapa de El Salvador. Outros adversários que exigem atenção são os australianos George Pittar (7º) e Ethan Ewing (9º), conhecidos por um surfe de borda polido que se encaixa muito bem nas ondas de Itaúna, além do atual defensor do título da etapa, Cole Houshmand, que mesmo não estando em grande fase, é sempre perigoso em beach breaks. Jack Robinson (14ª), o “mais brasileiro dos gringos”, é sempre uma pedra no sapato de seus adversários e se sente à vontade competindo no Brasil. O japonês Kanoa Igarashi (8º) e o norte-americano Griffin Colapinto (10º) completam a lista de estrangeiros no Top 10 com arsenal técnico suficiente para surpreender os donos da casa. Previsão das ondas Já no primeiro dia de janela, nesta sexta-feira (19), as séries podem ultrapassar os 2 metros, criando condições de alto nível para a competição, mas também impondo desafios extras aos atletas e à organização. O vento deve soprar terral (norte-nordeste) pela manhã, virando para maral (leste) ao longo do dia, o que pode prejudicar um pouco a formação, mas ainda assim mantendo o mar em condições razoavelmente boas. A previsão Waves aponta sexta e sábado como os dias mais favoráveis para a competição. A ondulação de sul deve diminuir para a faixa de 1,5 metro pela manhã, com vento terral fraco, oferecendo boas condições para o surfe de alta performance. No entanto, a formação pode se deteriorar à tarde, com a entrada de ventos do quadrante oeste e posteriormente de sul. Tudo indica que no domingo o mar estará menor, com séries com menos de 1 metro, com vento terral variável pela manhã e ventos moderados de sul-sudeste à tarde. Se a previsão se confirmar, a realização de baterias matinais no domingo será uma incógnita para a organização. Na segunda e terça-feira as condições podem piorar e, o meio da janela de espera, especialmente entre quarta e quinta-feira, um novo swell pode surgir com ventos não tão favoráveis, porém com a possibilidade de bons momentos. Para o último dia do evento (27), há potencial para o alinhamento de todos os fatores necessários. Contudo, levando em consideração a distância dessa data, os modelos de previsão ainda podem apresentar algum ajuste sobre como as condições se desenrolarão ao final da próxima semana. Além disso, deixar a definição do evento para o último dia da janela representa um risco para a organização. Traremos mais atualizações ao decorrer da janela. Cenário Feminino Entre as mulheres, a havaiana Gabriela Bryan lidera o circuito, seguida de perto pela compatriota Carissa Moore, que também vem de vitória em El Salvador e é sempre uma das favoritas nas ondas potentes de Itaúna. A australiana Molly Picklum (3ª) e o forte esquadrão norte-americano completam a lista de estrangeiras perigosas. Para o Brasil, a grande esperança no topo da tabela é Luana Silva, atual 4ª colocada e vice-campeã da etapa em 2025. O time brasileiro ganha um peso extra com o retorno de Tatiana Weston-Webb. Após abrir mão de competir no início do circuito, a brasileira entra como convidada do evento e terá um desafio duro logo de cara: enfrentará a experiente australiana Tyler Wright (9ª) em uma das baterias mais aguardadas da primeira fase. Para a atual temporada, a WSL anunciou que os vencedores das categorias masculina e feminina receberão, além da premiação oficial em dinheiro da etapa, um veículo avaliado em R$ 342 mil. Com a soma dos valores, o campeão e a campeã poderão acumular uma recompensa próxima de R$ 750 mil. Este montante estabelece um novo marco, tornando-se a maior premiação individual já oferecida em uma etapa do Circuito Mundial disputada em território brasileiro. A premiação histórica, no entanto, é mais um capítulo de um lugar carregado de tradição quando o assunto é surfe brasileiro. Muita história em Saquarema A vocação de Saquarema para o esporte começou a ser forjada no início da década de 1970. Na época, surfistas que desbravavam o litoral fluminense encontraram na então pacata vila de pescadores de Itaúna um cenário de ondas perfeitas e potentes. Durante alguns anos, as ondas do lugar permaneceram um segredo bem guardado entre surfistas

    Palco da etapa brasileira da elite mundial, Saquarema reúne tradição, ondas icônicas, torcida única e uma premiação inédita, que pode render quase R$ 750 mil aos campeões.

    São 28 anos na missão de dar suporte para que os fissurados em ondas estejam no lugar certo, na hora certa. Indicando o caminho, presente no dia a dia dos surfistas brasileiros, o logo da Waves tornou-se reconhecido nacionalmente, e também em âmbito internacional. Bastava ser identificado para que se soubesse que se tratava de conteúdo surfe com a mais alta credibilidade. Neste sentido, tornou-se um ícone, daqueles atrelados para sempre a um significado de compreensão imediata. Mas nem por isso imune à evolução. Foi respeitando a força já consolidada, mas buscando dar mais significado ainda às suas formas, que o recém-assumido líder criativo da plataforma Waves, Felipe Garone, se debruçou sobre o logo. O desafio consistia em tentar melhorar o que já era ótimo, com muita humildade. “Precisávamos respeitar todo um legado construído ao longo de 28 anos. A Waves sempre foi uma marca que pautou cultura, então o rebranding precisava ser sutil, sem perder conexão. Trouxemos fluidez ao logo: o W e as letras, antes muito blocadas, agora respeitam esse movimento, essa fluidez. Atualizamos as cores e deixamos a marca condizente com os tempos atuais. O logo flui, o logo surfa”, observa Felipe Garone. É verdade, como uma ondulação chegando, o novo logo da Waves convida ao surfe. A que o observador deslize por suas formas agora mais arredondadas, lembrando o movimento de sobe e desce do meio líquido que tanto prazer proporciona aos surfistas. É como se a misteriosa energia que cruza oceanos para dar tanto prazer aos surfistas, pudesse agora ser visualizada também no logo.  Para deixar ainda mais claro, Felipe Garone preparou o vídeo acima, no qual divide com os usuários da Waves como esse processo criativo ocorreu. O novo logo integra o conjunto de transformações apresentadas pela Waves em sua nova fase (veja matéria Uma nova onda, o mesmo compromisso). Pegue essa onda e drope o novo logo da Waves.

    Elemento chave do novo projeto gráfico da plataforma, o icônico logo da Waves ganha forma de ondulação.

    Episódio de estreia da série documental O Pico revela a história da Paúba, desde a era dos nomes falsos e placas pichadas ao campo de treino que ajudou a moldar Gabriel Medina, passando pelo trágico acidente de Taiu Bueno. Toda onda tem uma história. Algumas são escritas em campeonatos, outras em imagens que atravessam décadas. Algumas nascem de momentos de glória, outras carregam marcas deixadas por tragédias que o tempo jamais apaga. Poucas ondas brasileiras reúnem tantos capítulos quanto a Paúba. Ela pertence a uma categoria especial de lugares que habitam conversas de estacionamento, capas de revista, vídeos compartilhados entre amigos e sessões imaginadas durante anos. Há lugares que, mesmo sem terem sido vistos de perto, já ocupam um espaço especial dentro de quem sonha com ondas. Para muitos brasileiros, Paúba é um desses lugares. Escondida entre o mar e a serra no litoral norte paulista, a pequena praia construiu uma reputação capaz de atravessar gerações. Seus tubos pesados, a bancada rasa e as condições frequentemente desafiadoras transformaram o pico em um dos lugares mais respeitados e temidos do surfe nacional. Foi ali que Gabriel Medina desenvolveu parte importante da técnica que o ajudaria a conquistar três títulos mundiais e enfrentar alguns dos tubos mais perigosos do planeta. Foi ali também que o big rider Taiu Bueno sofreu o acidente que mudaria sua vida para sempre. Por trás da fama da Paúba existe uma coleção de histórias. Histórias de pescadores e caiçaras. De fotógrafos, bodyboarders e surfistas. De amizades construídas dentro e fora d’água. De dias perfeitos e acidentes que marcaram profundamente a memória do surfe brasileiro. Durante muitos anos, a localização da Paúba foi protegida como um segredo. Revistas utilizavam nomes falsos para não entregar o pico. Placas eram pichadas para confundir visitantes. Quem encontrava aqueles tubos preferia mantê-los longe dos holofotes. Agora, chegou a hora de contar essa história. Paúba foi escolhida para inaugurar O Pico, nova série documental da Waves criada para explorar algumas das ondas mais emblemáticas do Brasil através das pessoas que ajudaram a construir suas identidades. A série integra o conjunto de novos produtos apresentados pela Waves em sua nova fase (veja matéria Uma nova onda, o mesmo compromisso). Para contar essa trajetória, a equipe reuniu personagens que viveram diferentes momentos da evolução do pico. Gente que testemunhou a transformação de uma praia quase desconhecida em um dos lugares mais respeitados do surfe nacional. Gente que viu Gabriel Medina chegar ainda menino. Gente que ajudou a escrever capítulos que jamais apareceriam em rankings, resultados ou manchetes. Ao longo do episódio, personagens como Sebastian Rojas, Felipe Paúba, JP Costa, Ditinho, Lúcia Frigerio, Ian Gouveia, Caio Costa, Zecão Rennó e outros nomes que fazem parte da memória da praia ajudam a reconstruir essa trajetória através de relatos raramente registrados em um mesmo lugar. As gravações aconteceram durante um grande swell que atingiu a região no início de maio. Com apoio da previsão do Waves Pro, a equipe mobilizou cinegrafistas locais e registrou um dos maiores dias do ano na Paúba até então. As ondas apareceram exatamente como gostam de se apresentar por lá: agressivas, imprevisíveis, desafiadoras, porém lindas e mágicas ao mesmo tempo. O resultado é um mergulho em uma história que fala de muito mais do que surfe. Fala sobre pertencimento, comunidade e coragem, porque a verdadeira história de uma onda raramente está apenas dentro d’água. Ela vive nas pessoas que cresceram ao seu redor. Nas amizades construídas ao longo dos anos. Nos medos superados. Nas vacas inesquecíveis. Nos tubos que ninguém viu. E nas histórias contadas depois que o mar acalma. Pegar um tubo na Paúba faz parte do imaginário de gerações de surfistas brasileiros, mas para entender de verdade por que esse pequeno trecho de areia exerce tamanho fascínio, é preciso conhecer as histórias que quebram junto com suas ondas. Aperte o play e descubra por que Paúba não é para qualquer um.

    Episódio de estreia da série documental O Pico revela a história da Paúba, dos tempos de segredo e nomes falsos ao pico que ajudou a formar Gabriel Medina e marcou para sempre a vida de Taiu Bueno.

    Feliz. Esse é o melhor adjetivo para descrever o momento que John John Florence vive. Quando ele deixou o Circuito Mundial, logo após conquistar seu terceiro título mundial, escolheu um novo rumo para sua carreira, sem garantia nenhuma de que a difícil decisão iria dar certo. Mas deu, e muito.  É justamente sobre exemplos e escolhas que girou boa parte da descontraída conversa do havaiano com o jornalista Adrian Kojin, que pode ser conferida no primeiro episódio do Wavescast. O podcast, que está sendo lançado pela maior plataforma surfe do Brasil como um dos produtos em destaque na sua nova fase (veja matéria Uma nova onda, o mesmo compromisso), chega para oferecer aos usuários da Waves o que pensam os maiores nomes do surfe mundial. Ter John John estrelando o primeiro episódio foi sem dúvida um privilégio. Escutar John John explicando que não foram os títulos mundiais de Tom Curren o que mais o marcou na trajetória do lendário californiano, mas sim sua coragem de escolher caminhos diferenciados do que se esperava dele, é revelador. “Eu admirava que ele conseguia fazer o que parecia certo para ele, sem estar preso a uma coisa ou outra”, diz ele ao reverenciar Curren como sua maior influência. Tem também John John celebrando seus outros dois grandes ídolos no surfe. Sobre Kelly Slater, ele se declara impressionado com sua capacidade de continuar performando num nível tão alto, “é incrível que ele consiga, na idade dele, ainda surfar do jeito que surfa”. Quanto ao que sentia ao testemunhar Andy Irons em ação, ele destaca a originalidade nas linhas traçadas, que o deixavam com a “sensação de que ele era imprevisível no que ia fazer na onda”.  No que diz respeito aos surfistas brasileiros no Tour, John John é só elogios. Para ele, a tempestade brasileira continua forte e a chance de mais um título mundial verde amarelo é grande. Sobre sua disputa particular com Gabriel Medina, para ver quem chega ao quarto título mundial antes – que deixou de acontecer esse ano quando ele resolveu partir para outra volta ao mundo velejando com a família – John disse sorrindo que “teria sido muito divertido, Gabriel tem sido um dos melhores. Ele me faz focar de verdade”. São 45 minutos de papo rolando solto e os assuntos são muitos. Dos perigos de surfar sozinho em lugares isolados, ao desejo de avistar o Cristo Redentor do deck de seu catamarã, John John demonstra sempre uma grande satisfação com o estilo de vida que optou em seguir. Ele conta que tem saudades do Tour, mas que não troca nada pelas experiências pelas quais tem passado ao lado da sua mulher e filho de dois anos de idade. Liberdade acima de tudo. Vale muito conferir.

    Estreia do Wavescast traz o tricampeão mundial John John Florence direto do seu veleiro enquanto navega pelo Pacífico, falando de Tom Curren, Kelly Slater, Andy Irons, Gabriel Medina e muito mais.

    Tentar explicar a sensação de surfar para quem não pega onda é uma tarefa complicada. Não sem razão uma das frases mais clássicas de nosso universo tão particular é aquela que diz que “Só um surfista conhece o sentimento”. Desde sempre foi uma das favoritas entre a equipe que faz a Waves. Mas, não faz muito tempo, alguém trouxe outra frase genial escutada para uma reunião de pauta, uma descrição tão apurada do nosso comportamento que ficamos absolutamente fascinados com sua sutileza e precisão: “Nós gastamos anos perseguindo segundos”. Tempo é o bem mais valioso que um ser humano pode ter. Se ele ou ela for um surfista, multiplique por muitas vezes esse valor. Surfistas precisam gastar muito tempo para poder sentir aquela sensação que dura uns poucos, ínfimos e efêmeros, segundos.  Mas é aí que reside o verdadeiro milagre do surfe. Na capacidade que a interação entre homem, prancha e ondas possui de alterar a percepção do tempo. Shaun Tomson, o sul-africano campeão mundial em 1977, considerado um dos maiores embaixadores que o surfe já teve, segue, aos 70 anos de idade, brilhando os olhos ao explicar que “o tempo se expande dentro do tubo”. Enquanto Gerry Lopez, eterno rei de Pipeline, que ainda entuba fundo e com muito estilo, celebra o efeito câmera lenta. “Quanto mais rápido eu deslizo, mais lentamente as coisas parecem acontecer.” Hoje a plataforma Waves pega uma nova onda, em disparada ao futuro, mas sem nunca deixar de reverenciar a essência do surfe. Todo surfista sonha com a onda perfeita, é onde ele quer estar. Por 28 anos esse foi o compromisso da Waves com seus usuários. Agora mais do que nunca. Quando a onda digital despontou no horizonte do surfe, a Waves remou forte e se tornou o primeiro veículo especializado no Brasil a botar pra baixo. Muitas séries vieram depois, e nunca amarelamos.  Mas chegou um momento em que percebemos que o lipe estava ameaçando correr mais veloz do que nossa capacidade de aceleração. Hora de reavaliar o posicionamento, se certificar de que as ferramentas utilizadas estão em sintonia com o desafio à frente e buscar entender ainda mais como podemos ser úteis a quem busca nossos serviços. É isso mesmo, a vocação da Waves é a de servir a comunidade do surfe. Informando, inspirando, indicando quando e onde as melhores ondas estarão acontecendo. Economizando tempo, para garantir mais segundos de onda. Na nossa prioridade é o usuário quem manda, e nesse novo momento estamos abrindo canais para que essa interação aconteça da forma mais eficiente possível.  Atualizamos o visual do site, facilitando a maneira como os surfistas interagem com a previsão, que foi expandida para 16 dias no Waves Pro. Vamos seguir publicando matérias com nossa reconhecida credibilidade, mas buscando ainda mais profundidade. Preservar e fomentar a rica cultura do surfe é um dever nosso, como principal veículo de mídia surfe na América Latina. Nesses tempos velozes, nosso Instagram receberá uma atenção ainda mais apurada, para divulgar o que de mais relevante está acontecendo no universo surfe. Ao mesmo tempo em que destacamos as frases, imagens, tópicos mais significativos de nossa produção editorial.  Nesse sentido, a TV Waves, nosso canal no YouTube, está sendo reinaugurada. Já estão disponíveis o primeiro episódio de “O Pico” e do Wavescast. Teremos muito mais conteúdo preenchendo a grade. Para começar, fomos à praia da Paúba retratar um dia de ondas grandes no campo de treino do tricampeão mundial Gabriel Medina e aproveitamos para contar a história de uma onda na qual tragédia e glória estão próximas demais uma da outra.  No nosso programa de entrevistas, o havaiano tricampeão mundial, John John Florence, responde do meio do Oceano Pacífico às perguntas feitas por Adrian Kojin, que quis entender o que o levou a abandonar as competições para viver com a família a bordo de um catamarã, cruzando os mares do planeta. Estamos apenas no início dessa nova onda que decidimos dropar com toda nossa energia. Muita coisa bacana está sendo programada para que a plataforma Waves se torne cada vez mais o centro em torno do qual gravita uma comunidade de surfistas, que tem as ondas como prioridade em suas vidas. Cada segundo surfado possui um valor enorme. E nós queremos que esses segundos virem minutos, horas, dias, uma vida dentro d’água. Sabemos que isso é impossível, mas nós gostamos de sonhar. Fica o convite para você sonhar com a gente.  NO LUGAR CERTO NA HORA CERTA É ONDE TODO SURFISTA SONHA EM ESTAR A FELICIDADE VEM EM ONDAS E NÓS SABEMOS ONDE E QUANDO

    Em nova fase e com visual remodelado, Waves evolui plataforma, expande seus produtos e reafirma o compromisso de quase três décadas: garantir que os surfistas estejam no lugar certo, na hora certa.