Longboarder profissional

Rayane Amaral ameaçada

Em entrevista exclusiva ao Waves, Rayane Amaral narra em detalhes episódio no qual foi intimidada e ameaçada no mar, na praia da Macumba (RJ).
Rayane Amaral, 2023, Recreio, Rio de Janeiro (RJ)

Um dos grandes nomes do Longboard feminino no Brasil, Rayane Amaral começou a surfar aos 16 anos, já fez trabalhos na televisão como atriz e também é idealizadora do projeto Nossa Onda, que busca transmitir o amor pelo esporte e desenvolver o surfe. Ela passou por uma situação de constrangimento e intimidação dentro do mar no último dia 4 de junho.

Tudo começou num domingo, próximo ao meio-dia, quando estava saindo do mar com sua aluna, na praia da Macumba (RJ). Um surfista remou em uma onda e tentou dropar, mas não conseguiu e acabou caindo. Sua prancha foi em direção a ela, pois estava sem o leash, o que mais chamou a sua atenção naquele momento.

Ao questionar o rapaz sobre o fato de surfar sem a cordinha e correr o risco de machucar alguém, Rayane foi intimidada e o surfista a chamou para resolver a situação fora da água.

A reação da longboarder foi de pedir ajuda, mas logo após receber apoio de muitas pessoas, o surfista a ameaçou e deixou a atleta com medo de sofrer de fato alguma agressão ou retaliação nos dias seguintes ao ocorrido.

Rayane chegou a pensar que tinha feito algo errado e se sentiu culpada, mas após postar um story em seu Instagram, contando resumidamente o que aconteceu, recebeu mensagens de diversas surfistas pedindo para que publicasse um vídeo, com o intuito de alcançar mais pessoas e possibilitar os compartilhamentos. Após publicar esse vídeo, a atleta recebeu relatos de mulheres que passaram por situações parecidas e isso a preocupou ainda mais, pois não imaginava que o cenário do surfe estava dessa forma.

Depois da repercussão do vídeo, Rayane está disposta a unir forças e usar sua voz para fazer algo pelo surfe, pela segurança e respeito da mulher no mar.

Batemos um papo exclusivo com a longboarder, que com sua simpatia e sem economizar nos detalhes, nos conta o que aconteceu, como se sentiu, o que acha que pode ser feito para melhorar esse cenário e deixa uma mensagem aos surfistas. Confira a seguir.

O que de fato aconteceu naquele momento? Conte para nós.

Eu estava finalizando uma instrução. Era um domingo, praia da Macumba (RJ), muita gente na água, marolinha, já quase meio-dia, ou seja, um crowd danado. E eu tava saindo com uma aluna do mar.

Dou aula com o meu marido e ele tava finalizando com outra aluna. Como eu e ele temos uma metodologia diferente, entramos com pé de pato, sem prancha. Porque achamos que assim conseguimos fazer a aula render mais e também auxiliar melhor os alunos, já que pode acontecer alguma coisa em relação à segurança. Então estávamos sem prancha, eu nadando, junto com a aluna.

Quando virei pra trás, vi a série vindo. A onda veio, um surfista remou, tentou dropar e não conseguiu. Sabe quando na tentativa do drop, a gente cai pra trás? No que ele caiu, a prancha veio na minha direção e eu afundei com a mão pra cima, segurando a prancha dele.

Algumas outras alunas estavam na água, filmando as meninas em aula. Elas até comentaram: “meu Deus do céu, a gente só torceu para que a prancha não tivesse pegado em você”. Então segurei a prancha dele, devolvi na hora e questionei o fato de ele estar sem strep.

Falei: “por que você está sem strep?”. Ele simplesmente pegou a prancha da minha mão e virou as costas. Insisti: “ei, cada a sua cordinha?”. Ele pegou a prancha, deitou e começou a remar e não olhou pra trás. Mais uma vez falei: “ou, da próxima vez você não surfa aqui sem cordinha, você pode machucar alguém, tá lotado, cheio de gente aprendendo”.

Cara, quando eu falei isso, ele já virou falando: “qual foi? se acha que você vai me tirar da água? Vamo lá pra fora que a gente resolve isso”. Respondi: “o quê? você tá me chamando pra porrada? Então calma aí que eu vou chamar gente pra resolver isso com você”.

Saí da água e fui no quiosque, onde tem gente que me viu crescer, vários amigos do meu pai e falei: “gente o cara tá me chamando pra porrada, tá me chamando pra resolver com ele lá fora o fato de ele estar sem strep”. Já desceram umas vinte pessoas e entraram três com prancha.

Quando a galera entrou, que falaram: “qual foi meu irmão? o que você quer resolver?” o surfista já nem respondeu nada, pegou uma onda e saiu. Quando chegou na areia já tinha mais pessoas o esperando. Nesse meio tempo, ele parou justamente do lado do meu marido e foi reclamar de mim, me chamou de marrenta e soltou um palavrão e quando meu marido olhou pra trás, só tinha eu e a minha aluna saindo. Na hora pensou: “deve tá falando da Rayane, aconteceu alguma coisa”. Ele (marido) já foi comprar o meu barulho, “qual foi, você tá falando da minha esposa?” e o surfista falou: “tá reclamando comigo que tô surfando sem a cordinha” e meu marido respondeu: “não, você tá errado. Como é que você tá surfando sem a cordinha no dia de hoje? Tem que respeitar, ela é atleta, surfista profissional, é local e se ela tá te dando a ideia, você tem que respeitar”.

O surfista nem tinha noção da gravidade do que tinha acontecido. Então saí e na hora saiu todo mundo e foi uma confusão danada. Quando ele tava indo embora, ainda meio que me ameaçou, dizendo: “as coisas não vão ficar assim” e que conhecia todo mundo do Terreirão, que é uma comunidade do Recreio (RJ).

Passei o dia inteiro do domingo chorando, me sentindo mal pela situação, desrespeitada e comecei a querer me culpar, achando que eu tinha feito alguma coisa de errado. Até conversar com pessoas que me deram força, para falar sobre isso, ajudar outras mulheres e ir até uma delegacia pra fazer um boletim de ocorrência.

Fui a delegacia, fiz o registro e confesso que fiquei totalmente decepcionada. Porque não tenho como conseguir informações daquele surfista que me ameaçou.

Me passaram o Instagram desse homem, tenho uma foto dele, que uma pessoa tirou enquanto estava na mesma praia. Tenho provas, tenho a aluna, uma seguidora do Instagram, que eu printei na hora que ela me mandou uma mensagem, dizendo que estava filmando a filha, presenciou e escutou tudo que aconteceu.

Quando cheguei na delegacia, o policial que me atendeu pareceu banalizar muito a situação. Qualquer pessoa que lê o B.O., fala: “nossa, que ridículo, é uma briguinha de praia”. Ninguém entende o quanto doeu pra mim, que os dois dias seguidos, tive que ir com o meu pai e meu marido surfar, agora chego na praia olhando pros lados, com medo de encontrar com ele e próxima etapa do brasileiro, meu pai vai comigo, porque psicologicamente to abalada.

É triste ver que fui forte o suficiente pra falar sobre isso, com o intuito de tentar ajudar todo mundo, ir fazer um B.O. e no final não adiantar. Porque a minha intenção com esse registro era de conseguir uma medida protetiva. Só que o policial disse que não existe essa medida sem ter algum tipo de vínculo com a pessoa envolvida. Falei: “gente, como não?” Não adiantou nada. Como vou ter alguma coisa dele? Então nem sei quando eles vão descobrir alguma coisa e a importância que vão dar pra isso.

Hoje vejo o porquê muitas coisas acontecem com várias mulheres, porque a própria justiça brasileira banaliza situações. Não sei quem ele é e a que ponto pode ou poderia chegar. E se esse o cara fica com ódio de mim e me encontra na rua? O que será que ele pode fazer? Não que vai chegar a esse ponto, mas com certeza já deve ter acontecido com muita mulher. Por isso que quero sim comprar a briga e usar a minha voz pra falar por muitas. Pois recebi uma grande quantidade de mensagem de meninas surfistas, que já passaram por muitas situações no mar e acredito que em outros esportes também.

Fiquei impressionada com a quantidade de relatos que recebi no dia que fiz o post. Talvez eu estava dentro da minha bolha, no sentindo de pensar que sou uma pessoa relativamente respeitada na praia onde surfo, porque cresci aqui, então mal ou bem, as pessoas já sabem quem eu sou. Por mais que eu passe por algumas situações complicadas, as pessoas me engolem, digamos assim. Mas e quem não é? E quem tá aprendendo e é iniciante?

Recebi tanta coisa que eu pensei: “não sabia que estava desse jeito e não pode estar desse jeito”.

Recebi um comentário de um homem, que disse que as mulheres chegaram depois e que a gente agora quer ocupar o espaço deles e estamos com esse discurso feminista. Olha que absurdo, pensei: “como é que pode? O que a gente tá enfrentando, né?” Bizarro.

Como você se sentiu na hora? O que você pensou? Qual foi a sua primeira reação no momento que aconteceu?

Já foi uma superação conseguir sair da água e pedir ajuda. Por eu ser o tipo de pessoa que não costumo fazer isso, engulo e vou chorar.

Cheguei no quiosque tremendo, chorando. Ao mesmo tempo que estava assustada, não conseguia acreditar no que tinha acontecido.

O fato desse surfista ter sido o único naquele momento com uma atitude ruim e várias pessoas estavam do meu lado, pra me acolher e ajudar, foi o que me fortaleceu e vem me ajudando até no meu processo de levantar novamente. Tento focar no pensamento de: “olha pro lado de que você foi acolhida, de que a maior parte da galera esteve e está contigo”. Porque se focar no lado de que existem pessoas ruins, você não vai pra frente.

Qual foi a tua reação na hora? Chegou a pedir ajuda pra alguém?

Não tinha como eu fazer nada, nem consegui pensar.

Quando ele falou pra mim: “vamo resolver lá fora”, olhei pro fundo, vi meu marido lá embaixo, sabia que ele não tinha como escutar e entender o que eu tinha pra falar. Pensei: “vou ter que sair da água e pedir ajuda lá fora”. Foi o que fiz, saí da água, correndo, fui pro quiosque, deixei minha aluna na areia, deixei prancha, larguei tudo, subi e falei: “gente, pelo amor de Deus, me ajuda, o cara tá me chamando pra porrada aqui fora”.

Só que na hora que ele disse isso, respondi: “calma aí então que eu vou chamar gente pra resolver isso com você”. Acho que ele não acreditou, porque voltou pra água e foi surfar. Em nenhum momento se preocupou com nada, tanto que voltou pro mar pra reclamar justamente do lado do meu marido.

Ele deve ter pensado: “deve ser mais uma menina boba que tá falando que vai chamar alguém”. Mas ele não tinha ideia, logo depois entraram na água três surfistas. Ele arregalou o olho, e o mais engraçado de tudo é que ele tava com a namorada.

Enquanto ele discutia com o meu marido, o que segurou ele foi a namorada, porque ela tava sendo gente boa e pedindo desculpa até então. Quando a gente saiu da água, ele saiu primeiro e ela ficou.

No momento em que ela saiu, não estava entendendo o que tava acontecendo direito, mas o puxou pra perto de mim, mandando ele me pedir desculpa. Falei pra ela: “o seu namorado tá me chamando pra porrada”. Ela arregalou o olho e teve uma expressão de surpresa na hora.

A galera foi se exaltando pra perto dele e a namorada foi ficando mais nervosa. Começou a ameaçar, dizendo que se alguém fizesse alguma coisa com ele, ia se ver com ela também, que a mãe dela era policial. Enfim, estavam juntos surfando, ela não viu e nem escutou o que tinha acontecido. Igualzinho o meu marido, só foi entender depois. Não sei nem se a mãe é policial ou não, ou se estava falando pra intimidar.

Qual foi a reação das outras pessoas no crowd?

Tinha muita gente conhecida. Muitas pessoas me mandaram mensagem depois.

A galera achou que era briga por onda, por qualquer coisa que não isso. Ninguém conseguiu entender muito o que tinha acontecido. Foram entender depois e após verem o meu post no Instagram.

Só as pessoas que chamei na hora do ocorrido, sabiam o que tinha acontecido. Mas quem estava no mar não tinha como saber. Porque no momento que ele falou para resolvermos lá fora, só tava eu, ele, a minha aluna, uma menina tendo aula e a mulher na areia filmando a filha, não tinha mais ninguém ali.

Quando ele chegou, que foi reclamar perto do meu marido, só tinha eu e a minha aluna, não tinha muita gente. Então quando a galera ouviu o burburinho, viu a confusão, pensou: “ah, brigaram por causa de onda, por alguma coisa”. Ninguém imaginou que o cara tava me chamando pra resolver alguma questão lá fora, pra porrada.

O pior de tudo foi que quando ele saiu do mar e viu todo mundo e a confusão armada, negou tudo, falando: “Eu não falei nada, não fiz nada” E eu só falava pra ele: “você é cara de pau, tá negando na minha frente dizendo que não falou nada?”. Só que em seguida Fabi, veio a minha aluna, veio todo mundo.

No dia seguinte, tinha essa outra menina que eu nem conhecia, que mandou mensagem e tava na solicitação de amizade. Li, até mandei um print pro meu marido e falei: “olha aqui ó, uma pessoa que nunca nem vi na vida, me mandou mensagem falando que ouviu e viu tudo”.

Depois chegou uma hora que até eu achei que tava ficando maluca, pensei: “gente não é possível, será que escutei coisas?”. Porque acho que a gente também faz isso. Quando passamos por uma situação difícil, começamos a querer nos culpar, inventar caraminholas na nossa cabeça pra transferimos a culpa pra nós mesmas. Sendo que não é assim, a culpa não foi minha. Independente de qualquer coisa, ele tava errado, surfando de uma maneira incorreta. Não se pode surfar sem strep, ainda mais em um lugar em que a onda é forte, onde tem muita gente aprendendo e num final de semana, você pode machucar alguém.

Aqui na Macumba (RJ) a gente tem um quebra coco muito forte. E tivemos um campeonato que estavam muitos surfistas profissionais. A galera saía da água, principalmente as meninas, e o comentário entre elas era o quebra coco, a dificuldade de sair. Inclusive elas saíram cheia de areia, tomavam vários caldos.

Imagina se tem uma criança, uma mulher ou um senhor de idade ali, em um final de semana de sol e de repente vem uma prancha e essa pessoa não vê. Pode machucar ou dependendo, matar. Então precisamos ter responsabilidade, não tem que surfar sem strep, a segurança é a minha, do outro surfista e do banhista.

Acredito que nós como locais, temos que prezar por isso. Surfista local não é o que surfa super bem, que tá ali faz tempo e surfa no lugar há muitos anos. O local é o que preza pelo ambiente, segurança, limpeza de praia, preservação e vegetação do lugar. Isso sim é localismo.

As pessoas batem no peito pra falar “eu sou local”, mas o que faz pela sua praia? Que conscientização preza? Você a limpa? Tenta conscientizar as pessoas? Acho que isso sim é você se importar com o seu lugar. E eu tentei fazer algo pela minha praia e pelas pessoas que estavam ali, mas acabei sendo bastante desrespeitada.

Já tinha passado por uma situação parecida antes?

Já. Passei na minha vida inteira de surfista, por duas situações muito constrangedoras, essa foi a terceira.

Uma foi no Canto do Recreio, onde surfo sempre também e um cara dropou a onda, me raberou e me empurrou. Só que a situação não foi levada tão a sério, porque ele tentou levar na brincadeira. Do tipo (imitou uma risada) “eu tava brincando”. Mas aquilo me constrangeu, fiquei mal, mas respirei fundo e passou.

Porém, uma das piores de todas pra mim, foi quando eu tava surfando aqui no Rio de Janeiro também, peguei uma onda no outside e um cara de pranchinha pegou mais no inside. Quando fui dar o primeiro passo na prancha, só senti travar. Ele entrou mais atrás de mim, pulou e puxou meu strep. Quando puxou, travei e fui de peito na prancha, caí muito feio. Na época a gente tava surfando em Guaratiba e sei que nunca mais voltei e nem surfei nesse lugar, tenho meio que uma aversão.

Rolou uma discussão naquele dia. Lá tem localismo, da galera quebrar carro até. Então eu e as meninas que estavam comigo, ficamos um pouco tensas. Embora eu não tivesse feito nada. Acredito que essa tenha sido também uma situação muito difícil que eu tenha passado na água.

Já presenciou outras situações como esta?

Nunca presenciei, não que me lembre. Mas já fiquei sabendo de situações.

Acho que falta um pouco da união feminina nessa hora, do grito feminino. Por exemplo, se alguma coisa acontecer com alguma mulher na água, todas devem gritar juntas, se unir, nem que seja no berro, dizendo: “não vai encostar nela”, “você não vai xingar ela”. Porque parece que numa hora dessas, as meninas se dissipam. Falta união.

Parece que a gente vai atraindo as coisas, não sei se porque tenho estudado mais sobre o assunto ou porque tenho ficado mais atenta depois do que aconteceu comigo. Hoje eu tava assistindo uma matéria que fala que às vezes a maior disputa que existe, não é só entre o homem e a mulher, mas sim entre mulheres. Isso precisa acabar, pra que esse espaço que lutamos tanto, realmente conseguimos conquistar.

Se acontecer um problema no mar com alguma mulher e tiver outras juntas, precisa ser dito: “calma ai, você não vai mexer com ela”. Não tinha antigamente um lema? “Mexeu com uma, mexeu com todas?”. Precisa ser verídico, um fato. Precisamos estar juntas nisso, comprar o barulho e fazer acontecer pela outra.

Este tipo de violência é inaceitável em qualquer momento e qualquer ocasião, mas o que você acha disso acontecer ainda mais no momento atual do esporte, com tantas mulheres praticando e algumas competindo?

Não são todos os homens que aceitam ter mulheres os superando. Acho sim que existem homens que aplaudem o sucesso feminino, mas não são todos.

Vou te dar um exemplo, aqui na praia da Macumba, hoje em dia, talvez o surfe feminino do longboard seja a referência. Já tivemos o masculino, porém nesses últimos tempos de competição e expressividade, já passou a fase dos homens. Pois nos dias atuais eles não competem mais. O surf feminino da Macumba atualmente, vem muito forte, com a Chloé, com a Jasmim, com a Evelin, comigo. Mas se a gente tá surfando, não existe valorização e não liberam onda, fazem questão de raberar. Tem uma parte que libera, falam assim: “a gente quer ver vocês surfando” e tem outra que fala: “vocês são profissionais, queremos entrar na onda”.

Existe uma divisão, a parte do público masculino que realmente nos aplaude de pé, que entende: “que maneiro, as mulheres estão surfando muito e estão superando muitas coisas” e existe o lado que sente mexer com o ego, que ainda não aceita e nem valoriza.

Imaginava passar por essa situação?

Nunca. Fiquei quatro anos sem surfar e competir, estava na TV. Voltando aos campeonatos, pensei duas vezes se é o que quero. Porque pra mim o surfe vai muito além da competição.

Quando estou na água, às vezes as pessoas me veem e pensam: “parece uma menina de 10 anos”, porque converso com todo mundo.

O surfe pra mim vai além, me sinto muito feliz no mar, tanto surfando, quanto dando aula. Então nunca ia imaginar, num lugar onde sou tão feliz, me sentir desrespeitada e  desconfortável dessa maneira, e não querer voltar. Porque passei uns dois dias sem querer ir pra praia e surfar.

Foi difícil e tem sido. Porque eu acredito muito em Deus, que ele faz as coisas tudo da maneira certa. Uma prancha nova que estava pra vir, acabou de chegar, então isso foi me estimulando a surfar. As coisas foram acontecendo e fui querendo estar na água de novo.

Outra coisa, o fato acontece na minha casa, então não poderia imaginar. Mas estaria suscetível a acontecer alguma coisa do tipo surfando em outra praia. Porque quando vai surfar em outro lugar, você respeita e se pergunta: “quem são os locais?”. Mas nunca imaginei sofrer tamanho desrespeito no lugar onde nasci, fui criada e cresci.

Foi complicado, fiquei sem saber o que e como fazer. Fui agindo no instinto, sabe aquele instinto sobrevivência? Foi tipo isso, e esse instinto me fez pedir ajuda.

A galera e várias mulheres perguntaram: “por que você não falou então vamo lá?” “por que você não foi bater nele?” eu não sei responder e como é que faz isso, que se chama alguém pra porrada. Mas fui atrás de ajuda e me senti confortável assim.

O que precisa ser feito pra mudar ou melhorar esse cenário?

Mudar é um caminho longo, mas acho que podemos começar a pensar nisso. Em se unir, criar campanhas e realmente falar mais sobre mais.

Lembro que um tempo atrás, começaram algumas campanhas de conscientização, mas depois sumiram, ficaram esquecidas. Não pode sumir, a gente tem que continuar falando a respeito.

Também é importante integrar modalidades. Todas estão no mar, o long, o Stand Up, o bodyboard, a pranchinha. Precisamos unir forças, porque se a gente estiver no mar, não vai estar só a longboarder, vai estar a bodyboarder também, a pranchinha e uma pode ajudar a outra, caso necessário. Então a campanha de conscientização, deve acontecer de forma integrada em todas as modalidades.

Confesso que nunca estudei sobre isso e agora comecei a querer saber para entender o que eu posso falar, até que ponto posso exigir o meu direito, quais são e até onde vai os direitos do homem ou da outra menina também, pois podemos nos desentender uma com a outra.

Tudo isso a gente precisa estar a par. Então essas campanhas precisam acontecer. E acho que todo o início de mudança, começa assim, a gente conscientizando.

Que tipo de sentimento o surfe deveria despertar nas pessoas, em tua opinião?

Tive duas fases de surfe na minha vida. Comecei a surfar com 15 anos, pra alguns nova e pra outros, velha. A minha família nunca tinha tido contato com o surfe até então, meu pai não era surfista e nem ninguém da minha família era e eu morava 50 minutos da praia. Foi um acaso do universo começarmos a surfar. Mas foi um amor que surgiu pra mim e pra eles também, que fez a gente se dedicar muito.

Quando resolvi focar no surfe, comecei a competir. E a minha vida durante um bom tempo foi dividida entre o surfe e a arte, a televisão.

Quando a minha vida na TV deslanchou, deixei o surfe e veio a pandemia. Esse período acho que fez a gente ressignificar muitas coisas. E quando voltei pro surfe e deixei de lado os trabalhos na TV, passei a ver esse esporte com a essência que ele é.

Quando comecei a surfar, o meu primeiro patrocinador de prancha, um velhinho de 70 anos, disse que eu só ia começar a evoluir no surfe quando pensasse no esporte com amor e não só como uma ação. Hoje entendo isso, porque ele dizia que eu tinha que sair do mecânico, do querer, e tinha que começar a vir para o meu coração, sinto isso agora.

Às vezes quero tá no mar, só por estar lá. Quero surfar, só por surfar. Até quando o mar tá o horrível, eu quero estar na água.

O surfe me traz muita alegria e é essa a verdadeira essência. Compartilhar bons momentos, estar, apreciar e cuidar da natureza e ter uma qualidade de vida.

Lembro que antigamente a galera falava muito: “tá estressado, vai surfar”. O surfe vai te tirar o estresse, te fazer desligar da sua vida por alguns instantes. Então não leva o seu estresse pra lá, porque de repente é pra te curar. Esse é o meu pensamento hoje.

Antes eu tinha o surfe muito como treino. Não falava que ia surfar e sim treinar, tinha um peso de campeonato. Nos dias atuais não, quero surfar, ir pro mar, estar ali, encontrar meus amigos na água e me divertir. Consequentemente as coisas vão acontecer e é isso que tento passar até pros meus alunos.

Acho que grandes surfistas conseguem viver do surfe e passar a essência para as pessoas, porque vivem dessa forma. Os havaianos vivem isso, o aloha vibe. Eles vivem exatamente assim, amam o surfe. Porque atualmente virou um mercado, uma empresa, então as pessoas estão perdendo um pouco o significado, o amor pelo esporte e pelo mar. E surfe é muito mais do que isso.

Qual o melhor caminho para as pessoas conviverem em harmonia no outside?

Acho que serem um pouco mais leves e tentarem não competir tanto. Porque se você não ficar competindo e viver de uma forma mais leve, não vai querer disputar e nem querer se estressar.

Penso que uma das maiores brigas hoje em dia no outside é por conta de onda. Vejo muito na água a falta de respeito e de consideração. Mas tem onda e todo mundo vai pegar. Você não precisa pegar todas que vem. Então vamos respeitar quem tá do lado, que também quer surfar. Não precisa raberar ninguém, não é legal nem pra você, nem pra pessoa.

Tendo um mínimo respeito entre todos que estão na água, como por exemplo, pensar: “não vou pegar todas”, “vou deixar a onda pro colega também”, “não vou entrar na onda do colega, porque senão, não vai ser legal nem pra mim e nem pra ele”, pode ser um começo para criar uma relação mais harmônica dentro do mar.

A instrução é importante começar na base. Porque um outro problema que também acontece muito é alguém largar a prancha e uma pessoa ser atingida, por exemplo. Mas tem situações que podem ser evitadas. Sendo assim, pode-se considerar que a pessoa foi mal instruída e por isso age de tal maneira, ao invés de saber prevenir um acidente. Existem formas de evitar certas situações para não machucar ninguém.

Estando bem instruído, começa ter uma convivência melhor no meio do crowd, mais respeito, um pouco de jogo de cintura durante o surfe e pode criar um ambiente mais agradável no mar.

Qual mensagem você deixaria para os surfistas em geral, homens e mulheres?

Que vocês usem o surfe pro bem, pra felicidade, pra criar momentos que você recorda com alegria. Porque é muito ruim pensar nesse esporte como uma lembrança ruim.

Aprenda que o outside é um lugar pra relaxar, pra poder se livrar dos seus problemas e despejar até sentimentos ruins. Mas despeja no mar pra ele levar, não despeja nas pessoas.

A essência é de muita positividade. Não é à toa que a gente fala que surfista é good vibe. Nós surfistas precisamos achar e reencontrar isso dentro de nós. Pois talvez perdemos um pouco.

Desejo que nós, homens e mulheres, reencontremos o quão good vibe somos.

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O resultado também levou Miguel à quarta colocação do ranking mundial. Caminho até o título Miguel começou sua campanha em Trestles com vitória sobre Ramzi Boukhiam no Round 2. Depois, superou Liam O’Brien no Round 3 e encontrou o compatriota Mateus Herdy nas quartas de final. Na semifinal, diante de Cole Houshmand, o brasileiro fez sua maior somatória no evento: 16.00 pontos, com notas 8.33 e 7.67. A vitória colocou Miguel na decisão contra Kanoa Igarashi. Do outro lado da chave, Kanoa havia eliminado Yago Dora na semifinal. Mesmo sem chegar à decisão, Yago deixou Trestles na liderança do ranking mundial. Brasil domina Top 5 O encerramento de Trestles deixou quatro brasileiros entre os cinco primeiros colocados do ranking masculino. Yago Dora assumiu a liderança, seguido pelo italiano Leonardo Fioravanti. Italo Ferreira aparece em terceiro, Miguel Pupo subiu para quarto e Gabriel Medina ocupa a quinta posição. A liderança de Yago e a quarta colocação de Miguel também aparecem no material pós-evento anexado. A etapa também definiu o corte para a sequência da temporada. Filipe Toledo garantiu permanência entre os 22 primeiros e segue para as próximas duas etapas, em Portugal e nas Filipinas. Mateus Herdy ficou abaixo da linha de corte e retorna ao CT em Pipeline, no Havaí, última etapa da temporada. Erin Brooks vence no feminino No feminino, Erin Brooks conquistou sua terceira vitória consecutiva no Championship Tour. A canadense derrotou Gabriela Bryan por 13.00 a 11.90 na final. Carissa Moore deixou Trestles na liderança do ranking feminino, com Gabriela Bryan na segunda posição. A brasileira Luana Silva ocupa o quinto lugar. Próximas etapas Portugal – 16 a 25 de outubroFilipinas – 31 de outubro a 10 de novembroPipeline (Havaí) – 8 a 20 de dezembro Chaves de bateria Masculino Round 1 1 – Luke Thompson (AFS) 10.16 x 9.34 Matthew McGillivray (AFS)2 – Eli Hanneman (HAV) 9.73 x 9.67 Hayden Rodgers (EUA)3 – Oscar Berry (AUS) 12.73 x 11.26 Joel Vaughan (AUS)4 – Mateus Herdy (BRA) 11.40 x 11.27 Taj Lindblad (EUA) Round 2 1 – Callum Robson (AUS) 12.27 x 8.83 Connor O’Leary (JAP)2 – Griffin Colapinto (EUA) 14.50 x 12.87 Rio Waida (INA)3 – Yago Dora (BRA) 14.33 x 11.83 Oscar Berry (AUS)4 – Kauli Vaast (FRA) 12.20 x 10.53 Barron Mamiya (HAV)5 – Marco Mignot (FRA) 14.43 x 11.77 João Chianca (BRA)6 – Italo Ferreira (BRA) 14.26 x 12.40 Eli Hanneman (HAV)7 – Kanoa Igarashi (JAP) 17.00 x 12.40 Crosby Colapinto (EUA)8 – Ethan Ewing (AUS) 12.37 x 11.50 Alejo Muniz (BRA)9 – Luke Thompson (AFS) 13.87 x 6.90 Leonardo Fioravanti (ITA)10 – Cole Houshmand (EUA) 14.00 x 5.40 Morgan Cibilic (AUS)11 – Alan Cleland (MEX) 13.26 x 11.67 George Pittar (AUS)12 – Jake Marshall (EUA) 13.53 x 12.83 Samuel Pupo (BRA)13 – Mateus Herdy (BRA) 12.00 x 11.83 Gabriel Medina (BRA)14 – Jack Robinson (AUS) 12.97 x 10.13 Seth Moniz (HAV)15 – Liam O’Brien (AUS) 15.10 x 14.43 Filipe Toledo (BRA)16 – Miguel Pupo (BRA) 13.20 x 12.16 Ramzi Boukhiam (MAR) Round 3 1 – Callum Robson (AUS) 12.83 x 11.03 Griffin Colapinto (EUA)2 – Yago Dora (BRA) 12.50 x 10.97 Kauli Vaast (FRA)3 – Marco Mignot (FRA) 13.70 x 13.37 Italo Ferreira (BRA)4 – Kanoa Igarashi (JAP) 13.67 x 12.00 Ethan Ewing (AUS)5 – Cole Houshmand (EUA) 13.33 x 10.93 Luke Thompson (AFS)6 – Jake Marshall (EUA) 12.44 x 5.93 Alan Cleland (MEX)7 – Mateus Herdy (BRA) 14.10 x 9.84 Jack Robinson (AUS)8 – Miguel Pupo (BRA) 13.40 x 10.13 Liam O’Brien (AUS) Quartas de final 1 – Yago Dora (BRA) 11.67 x 8.16 Callum Robson (AUS)2 – Kanoa Igarashi (JAP) 15.67 x 10.26 Marco Mignot (FRA)3 – Cole Houshmand (EUA) 18.50 x 10.00 Jake Marshall (EUA)4 – Miguel Pupo (BRA) 15.83 x 13.50 Mateus Herdy (BRA) Semifinais 1 – Kanoa Igarashi (JAP) 13.33 x 11.94 Yago Dora (BRA)2 – Miguel Pupo (BRA) 16.00 x 11.50 Cole Houshmand (EUA) Final 1 – Miguel Pupo (BRA) 14.77 x 14.40 Kanoa Igarashi (JAP) Feminino Round 1 1 – Brisa Hennessy (CRC) 10.90 x 10.10 Stephanie Gilmore (AUS)2 – Tya Zebrowski (FRA) 13.33 x 12.23 Alyssa Spencer (EUA)3 – Vahine Fierro (FRA) 12.16 x 11.50 Anat Lelior (ISR)4 – Yolanda Hopkins (POR) 11.96 x 11.37 Sally Fitzgibbons (AUS)5 – Tyler Wright (AUS) 10.67 x 7.17 Francisca Veselko (POR)6 – Bella Kenworthy (EUA) 13.33 x 10.77 Bettylou Sakura Johnson (HAV)7 – Eden Walla (EUA) 11.83 x 8.73 Nadia Erostarbe (ESP)8 – Caroline Marks (EUA) 15.67 x 12.50 Kirra Pinkerton (EUA) Round 2 1 – Gabriela Bryan (HAV) 14.07 x 13.50 Tya Zebrowski (FRA)2 – Luana Silva (BRA) 13.03 x 10.93 Tyler Wright (AUS)3 – Sawyer Lindblad (EUA) 15.34 x 8.74 Vahine Fierro (FRA)4 – Eden Walla (EUA) 12.00 x 10.50 Lakey Peterson (EUA)5 – Carissa Moore (HAV) 12.90 x 12.24 Brisa Hennessy (CRC)6 – Erin Brooks (CAN) 12.27 x 11.70 Caroline Marks (EUA)7 – Molly Picklum (AUS) 13.33 x 9.50 Yolanda Hopkins (POR)8 – Bella Kenworthy (EUA) 13.87 x 12.64 Caitlin Simmers (EUA) Quartas de final 1 – Gabriela Bryan (HAV)

    Com virada emocionante nos minutos finais, Miguel Pupo vence Kanoa Igarashi por 14.77 a 14.40 na Califórnia, conquista segundo título na temporada e sobe para quarto no ranking mundial.

    Há ondas perfeitas espalhadas por praticamente todos os cantos do planeta. Point breaks extensos, tubos perfeitos sobre bancadas de coral, ondas gigantes e assustadoras, destinos cada vez mais remotos no mapa do surfe. Mas poucos lugares carregam o peso do Havaí. É ali que a história do surfe como conhecemos hoje começou muito antes de campeonatos, transmissões ao vivo, pranchas modernas ou qualquer ideia de uma indústria em torno do esporte. No arquipélago havaiano, deslizar sobre as ondas faz parte de uma tradição ancestral, profundamente ligada à cultura local. Mas não é preciso ser surfista para entender por que uma viagem ao Havaí ocupa um lugar especial no imaginário de tanta gente. Na ilha de Oahu, Waikiki reúne alguns dos cartões-postais mais conhecidos do Havaí, com sua extensa faixa de areia, águas cristalinas e a imponente cratera vulcânica de Diamond Head compondo a paisagem. Ao redor da praia, Honolulu oferece restaurantes, compras e vida noturna. E até quem nunca subiu em uma prancha pode experimentar o surfe nas ondas mais acessíveis de Waikiki. Do outro lado da ilha está um cenário completamente diferente. No North Shore, Haleiwa preserva o clima de uma surf town, com lojas, restaurantes e food trucks no caminho para algumas das praias mais famosas do planeta. É também nessa faixa de costa que quebram algumas das ondas mais impressionantes e desejadas do mundo. Ali, o surfe extrapola a água e ajuda a ditar o ritmo da vida ao redor do oceano, uma relação que faz do Havaí muito mais do que um destino de ondas. É justamente esse universo que inspira a campanha Na Onda Com BB Mastercard, criada sob o conceito “Onde o surfe encontra experiências extraordinárias”. A iniciativa une benefícios aos clientes, incentivo ao esporte e levará consumidores ao Havaí justamente no auge da temporada havaiana, quando as grandes ondas despertam no North Shore e alguns dos melhores surfistas do mundo estão na ilha. Clique aqui para participar Quando o North Shore desperta Durante o inverno do Hemisfério Norte, grandes tempestades formadas no Pacífico enviam ondulações poderosas em direção ao arquipélago. Quando essa energia encontra o North Shore de Oahu, algumas das ondas mais famosas do planeta ganham vida. É nessa época que a pequena faixa de costa passa a concentrar alguns dos melhores surfistas do mundo. Entre campeonatos, treinos e sessões de freesurf, atletas, fãs e fotógrafos dividem o mesmo cenário, enquanto boa parte das atenções do mundo do surfe se volta para o North Shore. E é justamente nesse momento que os clientes contemplados pela campanha Na Onda Com BB Mastercard estarão no Havaí, com a oportunidade de acompanhar ao vivo, em Pipeline, a etapa decisiva da temporada 2026 do Circuito Mundial da WSL. Sete milhas de história Em aproximadamente sete milhas de costa (cerca de 11 quilômetros) encontram-se picos como Waimea Bay, Sunset Beach e Pipeline, entre muitos outros. Essa concentração de ondas perfeitas e tão diferentes deu ao trecho um apelido que atravessa gerações: Seven Mile Miracle, o Milagre das Sete Milhas. Waimea teve papel fundamental no desenvolvimento do surfe moderno de ondas grandes. Sunset tornou-se um dos grandes campos de prova dos melhores surfistas do mundo. Mas foi outra onda, quebrando sobre uma rasa bancada de recife e muito próxima da areia, que se transformou no maior símbolo do North Shore: Pipeline. A onda que parecia impossível No início dos anos 1960, Pipeline ainda representava uma espécie de fronteira. Rápida, oca e quebrando sobre uma bancada rasa, a onda parecia especialmente ameaçadora para as grandes e pesadas pranchas da época. Em dezembro de 1961, uma sessão do californiano Phil Edwards, registrada pelo cineasta Bruce Brown, ajudaria a mudar essa história. Com a evolução das pranchas e das técnicas, Pipeline se transformou em um dos maiores símbolos do esporte. Gerry Lopez desenvolveu nos anos 1970 uma relação tão marcante com a onda que ganhou o apelido de Mr. Pipeline. Debaixo d’água, uma bancada rasa de recife ajuda a produzir as paredes espessas e os tubos que fizeram a fama do pico. Com swells maiores, entram em ação bancadas mais afastadas, conhecidas como Second Reef e Third Reef. Na visão do surfista, Pipeline quebra para a esquerda e Backdoor para a direita. E tudo acontece diante dos olhos de quem está na areia. O Brasil entra em cena Pipeline se transformou em um dos grandes palcos do surfe competitivo e, durante muitos anos, recebeu a última etapa da temporada. E o Brasil passou de coadjuvante a protagonista dessa história. Em 1976, Pepê Lopes já colocava o País em uma final em Pipeline. Em 1991, Fábio Gouveia venceu em Sunset Beach e quebrou outra barreira ao conquistar uma etapa da elite profissional em solo havaiano. A Brazilian Storm mudou definitivamente essa relação. Gabriel Medina conquistou em Pipeline, em 2014, o primeiro título mundial brasileiro. Adriano de Souza, o Mineirinho, foi campeão mundial e venceu o Pipe Masters em 2015. Três anos depois, Medina voltou ao Havaí para conquistar o bicampeonato. E então veio 2019. Dois brasileiros, Pipeline e um título mundial Italo Ferreira e Gabriel Medina chegaram à última bateria da temporada de 2019 com tudo em jogo. De um lado, Medina, já bicampeão mundial. Do outro, Italo em busca de seu primeiro título. A final do Pipe Masters definiria também quem seria o campeão do mundo. Dois brasileiros disputando o título mundial em uma das ondas mais emblemáticas do planeta. Italo venceu. Saiu de Pipeline campeão do Pipe Masters e campeão mundial pela primeira vez. Aquela cena talvez seja uma das melhores representações da transformação vivida pelo surfe brasileiro nas últimas décadas. O país que durante anos via o Havaí como território a ser conquistado passou a decidir entre seus próprios atletas quem seria o melhor surfista do mundo. Desde o primeiro título de Medina, em 2014, o Brasil acumulou oito títulos mundiais masculinos em 11 temporadas disputadas, com cinco campeões diferentes: Gabriel Medina, Adriano de Souza, Italo Ferreira, Filipe Toledo e Yago Dora. Mas a ligação entre Brasil e

    Berço do surfe, Havaí reúne ondas lendárias, paisagens paradisíacas e uma relação especial com o Brasil. Campanha Na Onda Com BB Mastercard leva clientes para viver essa experiência de perto.

    A Seleção Brasileira Júnior conquistou três medalhas no Surf City El Salvador ISA World Junior Surfing Championship 2026. A paranaense Luara Mandelli ficou com o bronze na Sub-18 Feminino, o paulista John Muller levou o cobre na Sub-18 Masculino e o Brasil terminou com o bronze por equipes, como a terceira melhor seleção entre os 56 países participantes da 22ª edição do Mundial Júnior da ISA. A principal competição de base do surfe no mundo começou com 420 surfistas. Apenas 11 países tiveram representantes entre os 24 atletas que disputaram as semifinais no domingo, em La Bocana. A Austrália ficou com o ouro por equipes, seguida por Estados Unidos, Brasil e Peru, repetindo as quatro primeiras posições do Mundial de 2025, no Peru. Luara repete feito de 20 anos atrás Na decisão da Sub-18 Feminino, Luara Mandelli chegou à final depois de superar a australiana Stella Green nas semifinais. Na disputa pelas medalhas, Leihani Zoric dominou com notas 8,17 e 7,83, somando 16,00 pontos para conquistar o ouro para a Austrália. Zoie Zietz, dos Países Baixos, ficou com a prata, com 12,77 pontos. Luara somou 8,44 e conquistou o bronze, enquanto a argentina Victoria Muñoz Larreta terminou com o cobre. Com o resultado, Luara repetiu um feito de 20 anos atrás. A paraibana Diana Cristina, a índia Tininha, havia conquistado o bronze no Mundial Júnior de 2006, realizado em Maresias, São Sebastião (SP). Luara tornou-se a segunda brasileira a conquistar uma medalha em 22 edições do Mundial Júnior da ISA. John Muller fica com o cobre O Brasil também disputou as medalhas na Sub-18 Masculino. John Muller venceu a primeira semifinal usando os aéreos. Ryan Martins também buscava uma vaga na decisão, mas o norte-americano Jett Maughan conseguiu uma onda nos minutos finais, acertou um aéreo e recebeu nota 9 para avançar junto com John. Na final, o brasileiro começou na frente com 5,67, mas Maughan e os australianos Ocean Lancaster e Ben Zanatta Creagh passaram a concentrar a disputa pela vitória. O norte-americano assumiu a liderança ao receber 8,23 e chegou aos 15,06 pontos. John ainda acertou um aéreo full rotation de backside no último minuto e recebeu 6,40, sua maior nota, mas não conseguiu deixar a quarta posição. Jett Maughan conquistou o ouro com 15,06 pontos, Ben Zanatta Creagh levou a prata com 14,80, Ocean Lancaster ficou com o bronze com 14,74 e John terminou com 12,07 e a medalha de cobre. Brasil é bronze por equipes A campanha colocou novamente o Brasil entre as três melhores seleções do Mundial Júnior. A Austrália conquistou o ouro por equipes com 8.078 pontos, os Estados Unidos ficaram com a prata com 6.048 e o Brasil levou o bronze com 5.430. O Peru terminou em quarto, com 5.293 pontos e a medalha de cobre. Além dos medalhistas Luara Mandelli e John Muller, Ryan Martins terminou em quinto lugar na Sub-18 Masculino e Arthur Vilar foi sétimo na Sub-16 Masculino. Valentina Zanoni ficou em 13º na Sub-18 Feminino e Carol Bastides terminou em 19º na Sub-16 Feminino. O Brasil foi o primeiro campeão por equipes do Mundial Júnior da ISA, na estreia da competição em 2003, na África do Sul. Entre os brasileiros que já conquistaram o ouro individual estão Jefferson Silva, Jadson André, Alejo Muniz, Gabriel Medina, Filipe Toledo, Matheus Navarro, Luan Wood, Weslley Dantas e Ryan Kainalo. Em 2023, no Rio de Janeiro, a Seleção Brasileira Júnior voltou a conquistar o título por equipes, 20 anos depois da primeira vitória. Resultados Sub-18 Feminino – Final 1 – Leihani Zoric (AUS) 16,002 – Zoie Zietz (NED) 12,773 – Luara Mandelli (BRA) 8,444 – Victoria Muñoz Larreta (ARG) 7,03 Sub-18 Masculino – Final 1 – Jett Maughan (USA) 15,062 – Ben Zanatta Creagh (AUS) 14,803 – Ocean Lancaster (AUS) 14,744 – John Muller (BRA) 12,07 Ranking por equipes 1 – Austrália – 8.078 pontos2 – Estados Unidos – 6.048 pontos3 – Brasil – 5.430 pontos4 – Peru – 5.293 pontos5 – Japão – 5.035 pontos6 – Havaí – 5.012 pontos7 – Espanha – 4.625 pontos8 – Nova Zelândia – 4.542 pontos9 – França – 4.416 pontos10 – Portugal – 4.095 pontos

    Luara Mandelli leva bronze na Sub-18, John Muller fica com o cobre e Seleção Brasileira termina em terceiro lugar entre 56 países no Mundial Júnior da ISA em El Salvador.

    A reta decisiva do Championship Tour 2026 chega nesta sexta-feira (11) a Lower Trestles, na Califórnia. A nona etapa da temporada abre a janela com dez brasileiros na disputa, quatro deles entre os cinco primeiros do ranking masculino, e condições suficientes para colocar o evento na água logo no primeiro dia. A primeira chamada acontece às 11h30 (horário de Brasília), com possível início das baterias ao meio-dia. A previsão das ondas aponta a sexta-feira como provável dia de competição. Um swell de sudoeste de período longo deve proporcionar ondas de 4 a 6 pés de face, com séries maiores durante a maré enchendo pela manhã. O vento de sul ainda pode deixar o mar um pouco mexido, mas a previsão mais recente indica que o efeito deve ser administrável e não necessariamente comprometer a realização das baterias. No sábado (12), o swell começa a perder força, com ondas de 4 a 5 pés e possibilidade de realização de baterias. O domingo (13) aparece como provável dia de folga, com ondas mais irregulares de 3 a 4 pés. A segunda-feira (14) também tende a ficar sem competição, com apenas 2 a 4 pés e vento sul. Na terça-feira (15), o cenário começa a mudar. Apesar de o mar ainda permanecer pequeno, na faixa de 3 a 4 pés, uma nova ondulação com boa energia e período longo deve começar a aparecer ao longo do dia. A previsão indica vento leve e condições de semi-limpas a limpas, preparando o terreno para a melhor parte da janela. Novo swell a caminho A maior expectativa está concentrada entre quarta (16) e sexta-feira (18). Um novo swell de sul-sudoeste, gerado por uma tempestade compacta e intensa no Pacífico Sul Central, deve começar a subir na quarta e atingir o pico na quinta-feira (17). Durante os três dias, Lower Trestles deve receber boas ondas, com as maiores séries entre a tarde do dia 16 e a manhã do dia 18. O vento também tende a colaborar, com manhãs limpas e vento fraco, seguido por vento de oeste fraco a moderado durante as tardes. Existe ainda a possibilidade de um pequeno swell tropical de sul se juntar à energia principal e aumentar a consistência das ondas. A previsão, porém, ainda é tratada com cautela e depende da evolução do ciclone responsável pela formação desse swell. Nos dois últimos dias da janela, 19 e 20 de setembro, a combinação do swell de sul-sudoeste em queda com uma nova ondulação de sudoeste deve manter condições para competição. Brasileiros em posição de destaque Trestles é a última etapa antes do corte que define os 22 surfistas que seguem para a pós-temporada, aumentando o peso dos resultados na Califórnia. Leonardo Fioravanti chega à etapa na liderança do ranking masculino, enquanto Carissa Moore veste pela primeira vez nesta temporada a lycra amarela de líder entre as mulheres. Logo atrás de Fioravanti, o Brasil domina as primeiras posições do masculino. Italo Ferreira ocupa a segunda colocação, seguido por Yago Dora em terceiro, Gabriel Medina em quarto e Miguel Pupo em quinto. Além deles, João Chianca, Samuel Pupo, Alejo Muniz, Mateus Herdy e Filipe Toledo completam o grupo brasileiro no masculino. No feminino, Luana Silva representa o País. Filipe chega a uma etapa especialmente importante. Atual 21º colocado, o bicampeão mundial tenta permanecer entre os 22 que avançam para a pós-temporada. Trestles, porém, guarda algumas das melhores lembranças de sua carreira: foi ali que o brasileiro conquistou os títulos mundiais de 2022 e 2023, quando o circuito ainda utilizava o formato das WSL Finals. Toledo também conhece Lower Trestles como poucos. O brasileiro viveu por 11 anos em San Clemente antes de se mudar para o Rio de Janeiro no fim de 2025 e descreve a onda californiana como uma espécie de “skate park”, pelas inúmeras possibilidades de manobras progressivas. Rodgers e Pinkerton vencem triagens Os norte-americanos Hayden Rodgers e Kirra Pinkerton garantiram as últimas vagas no evento ao vencerem as triagens realizadas em Trestles. Rodgers somou 12,10 pontos e fará sua estreia no Championship Tour, enquanto Pinkerton venceu com 13,33 e chega à quarta participação em uma etapa do CT. Chaves brasileiras Mateus Herdy é o único brasileiro escalado para a primeira fase masculina. Ele enfrenta o norte-americano Taj Lindblad na quarta bateria e, caso avance, terá Gabriel Medina pela frente no Round 2. Os demais brasileiros entram diretamente no Round 2. Yago Dora encara o vencedor da terceira bateria da primeira fase; João Chianca enfrenta Marco Mignot; Italo Ferreira pega o vencedor da segunda bateria; Alejo Muniz enfrenta Ethan Ewing; Samuel Pupo encara Jake Marshall; Gabriel Medina aguarda Herdy ou Taj Lindblad; Filipe Toledo enfrenta Liam O’Brien; e Miguel Pupo pega Ramzi Boukhiam. O desenho da chave ainda abre a possibilidade de confrontos brasileiros já no Round 3. Italo Ferreira e João Chianca podem se enfrentar caso avancem, assim como Filipe Toledo e Miguel Pupo. No feminino, Luana Silva estreia diretamente no Round 2 e enfrenta a vencedora da bateria entre Tyler Wright e Francisca Veselko. Janela do Lexus Trestles Pro: 11 a 20 de setembroLocal: Lower Trestles, Califórnia (EUA)Primeira chamada: sexta-feira (11), às 11h30 (horário de Brasília), com possível início da competição ao meio-dia. Chaves de bateria Masculino Round 1 1 – Luke Thompson (AFS) x Matthew McGillivray (AFS)2 – Eli Hanneman (HAV) x Hayden Rodgers (EUA)3 – Joel Vaughan (AUS) x Oscar Berry (AUS)4 – Mateus Herdy (BRA) x Taj Lindblad (EUA) Round 2 1 – Connor O’Leary (JAP) x vencedor R1 H12 – Griffin Colapinto (EUA) x Rio Waida (INA)3 – Yago Dora (BRA) x vencedor R1 H34 – Kauli Vaast (FRA) x Barron Mamiya (HAV)5 – Marco Mignot (FRA) x João Chianca (BRA)6 – Italo Ferreira (BRA) x vencedor R1 H27 – Kanoa Igarashi (JAP) x Crosby Colapinto (EUA)8 – Ethan Ewing (AUS) x Alejo Muniz (BRA)9 – Leonardo Fioravanti (ITA) x vencedor R1 H110 – Morgan Cibilic (AUS) x Cole Houshmand (EUA)11 – George Pittar (AUS) x Alan Cleland (MEX)12 – Samuel Pupo (BRA) x Jake

    Nona etapa do CT abre janela em Trestles, Califórnia (EUA), com dez brasileiros e ondas de até 2 metros. Novo swell ganha força entre os dias 16 e 18.

    Há mais de 30 anos, Pete Beukes chegou a Lamberts Bay, na costa oeste da África do Sul, para trabalhar como mergulhador de diamantes. No caminho, encontrou também uma costa bruta, isolada e repleta de ondas. Décadas depois, ele retorna a esse universo ao lado do filho, Eli Beukes. A história dos dois é o fio condutor de Rough Diamonds, novo filme de surfe produzido pela Now Now Media. Com 31 minutos de duração, a produção acompanha pai e filho por uma das regiões mais selvagens do litoral sul-africano, combinando sessões de surfe, estrada e a relação construída entre duas gerações. A ligação de Pete com a região começou no início dos anos 1990. Depois de deixar a Marinha e seguir para Lamberts Bay para trabalhar como mergulhador de diamantes, ele descobriu uma costa exposta ao Atlântico, marcada por água fria, isolamento e ondas de qualidade. Anos mais tarde, é Eli quem recebe do pai os segredos acumulados durante décadas de exploração. Mas Rough Diamonds não apresenta a viagem como uma simples busca por ondas perfeitas. A própria geografia da costa oeste impõe dificuldades e transforma a jornada em parte importante da narrativa. Ondas pesadas, natureza praticamente intocada e longos deslocamentos ajudam a construir o cenário para a história de Pete e Eli. Além dos dois protagonistas, o filme conta com participações de Max Elkington, Daniel Wilson e Jordy Smith. A direção e o roteiro são de Will Bendix, com fotografia de Alan van Gysen e produção da Now Now Media. O projeto é apresentado pela Monster Energy em associação com a O’Neill. Rough Diamonds estreia nesta sexta-feira (11) e está disponível gratuitamente no YouTube. Ficha técnica Filme: Rough DiamondsDuração: 31 minutosCom: Eli Beukes, Pete Beukes, Max Elkington, Daniel Wilson e Jordy SmithNow Now Media: @nownowmediaEli Beukes: @elibeukesApresentado por: Monster Energy, em associação com O’NeillRoteiro e direção: Will BendixDireção de fotografia: Alan van GysenProdução executiva: Ryan FranklinProdução: Alan van Gysen Trilha sonora “Werner Meets Egberto” | Guy Buttery“Understanding Happiness” | Rafi B Levy“Earthstrong” | Hattamitsunami

    Novo filme Rough Diamonds acompanha Pete e Eli Beukes em uma jornada de surfe pela costa oeste da África do Sul, região de ondas pesadas e cenários praticamente intocados.

    A história e a evolução das pranchas de surfe estarão no centro das atenções no próximo dia 19 de setembro, em Santos (SP). A segunda edição do Shapers Surf Fest reúne shapers, fabricantes, surfistas e marcas na Casa da Frontaria Azulejada, no Centro Histórico da cidade, das 13h às 22h. O evento contará com 28 expositores de diferentes estados e também do exterior, apresentando desde longboards até modelos de alta performance, além de acessórios e novidades do mercado. O público poderá conhecer as pranchas de perto, conversar diretamente com os profissionais responsáveis pela produção e também adquirir equipamentos durante o encontro. Um dos destaques desta edição será a homenagem aos shapers que começaram a produzir pranchas na região durante a década de 1970. Mais de 25 nomes já estão confirmados para participar da celebração, que pretende aproximar os pioneiros de diferentes gerações de profissionais ligados à fabricação de pranchas. A programação também terá rodas de conversa com shapers e profissionais do mercado, abordando a evolução dos equipamentos, histórias do surfe e os rumos da indústria. A sustentabilidade na produção de pranchas será outro tema colocado em discussão ao longo do evento. Além da programação ligada diretamente ao surfe, o Shapers Surf Fest terá área gastronômica, sorteios e atividades para o público. O encerramento será musical, com Binho Nunes, ex-surfista profissional, ao lado de Neco Carbone e Edinho Leite. A segunda edição é realizada por Luke Franco, Dêmi Viola e Bruno Esposito. O Waves é parceiro de mídia do evento. Shapers Surf Fest 202619 de setembroDas 13h às 22hCasa da Frontaria AzulejadaCentro Histórico de Santos (SP) Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Shaper’s Surf Fest (@shaperssurffest)

    Segunda edição do Shapers Surf Fest reúne 28 expositores, homenageia pioneiros da fabricação de pranchas e promove encontro entre diferentes gerações do surfe no dia 19 de setembro, em Santos (SP).

    O havaiano Makana Pang escreveu seu nome na história de Desert Point nesta quarta-feira (9). Ele venceu a edição indonésia do Capítulo Perfeito, primeiro evento de surfe realizado na famosa esquerda de Lombok, e fechou a decisão com a única nota 10 do dia. Os brasileiros Bruno Santos e Ícaro Ronchi terminaram em segundo e terceiro lugares, respectivamente. Foram seis horas consecutivas de ação em ondas com cerca de 2 metros. Oito convidados tiveram praticamente livre uma das esquerdas tubulares mais desejadas do planeta, cenário que recebeu pela primeira vez um evento desta dimensão. Makana já havia mostrado força nas primeiras fases. Depois de marcar 9,17 em uma de suas ondas, o havaiano chegou à final diante de Bruno Santos, Ícaro Ronchi e do indonésio Usman Trioko. Os dois brasileiros acumularam notas acima de 8 pontos ao longo do evento, mas foi Pang quem encontrou, na decisão, o tubo mais longo e tecnicamente exigente do dia para arrancar a nota máxima dos juízes. Com 17,57 pontos, Makana ficou com a vitória. Bruno terminou muito próximo, com 16,76, seguido por Ícaro, com 15,43, e Usman, com 10,60. Além da conquista em Desert Point, o havaiano garantiu um wildcard direto para o Capítulo Perfeito de 2027, em Carcavelos, Portugal. “Fazer parte do primeiro evento de surf de sempre em Desert Point foi uma honra. E conseguir um 10 perfeito na final foi um sonho tornado realidade. Estar ali com apenas mais três pessoas na água é provavelmente uma das coisas mais loucas que já vivi no surf. Esta onda é imbatível. Estou muito feliz e muito grato” Brasileiros chegam fortes à final Bruno Santos e Ícaro Ronchi foram dois dos grandes nomes do dia. Bruninho, profundo conhecedor de Desert Point, chegou a registrar o maior somatório de uma bateria em todo o evento: 18,24 pontos, na segunda passagem pela água. Ícaro veio logo atrás na mesma bateria, com expressivos 17,93. Os resultados oficiais mostram que ambos avançaram para a final em grande fase. A presença de Ícaro na decisão teve ainda um ingrediente especial. Convocado de última hora, ele ocupou a vaga deixada por Bruno Santos na lista de wildcards depois que Bruninho passou a ocupar uma vaga pelo seeding, em consequência da desistência de Nic von Rupp. Ícaro aproveitou a oportunidade e terminou o evento no terceiro lugar. Pedro Calado foi o terceiro brasileiro no evento. Ele somou 8,60 pontos na primeira bateria e melhorou para 11,80 na segunda, mas não conseguiu avançar à final. Tubos decidem tudo Como manda o formato do Capítulo Perfeito, apenas o tempo e a qualidade dentro dos tubos foram considerados pelos juízes, sem pontuação para manobras. É a característica que acompanha o evento desde sua primeira edição, realizada em 2012. Antes da entrada dos oito convidados, o dia começou com uma bateria especial dedicada aos surfistas de Desert Point. Diki Wahyudi venceu o Local Heat com 5,77 pontos, seguido por Ilham Sukron, com 4,00. A organização também tomou uma decisão inédita em relação aos 10 mil euros de premiação. O valor, originalmente reservado ao vencedor, foi dividido entre todos os participantes. Segundo Rui Costa, idealizador do Capítulo Perfeito, a escolha refletiu a proposta de compartilhar a experiência proporcionada pelas condições encontradas em Lombok. “Hoje, todos os surfistas saíram daqui a sentir-se vencedores e, por isso, o prize money é dividido por todos. Conseguimos envolver a comunidade local e isso deixa-nos particularmente felizes”, afirmou Rui. Estreia internacional Desert Point marcou ainda um novo capítulo na história do evento. Em sua 12ª edição, foi a primeira vez que o Capítulo Perfeito saiu de Portugal. A estreia internacional terminou justamente com aquilo que define sua proposta: condições tubulares e uma nota 10 na bateria decisiva. Com a vitória, Makana Pang agora tem encontro marcado com Carcavelos em 2027. Em Lombok, o havaiano entrou para a história como o primeiro vencedor de um evento de surfe realizado em Desert Point. Resultado final do Capítulo Perfeito 2026 – Desert Point Melhor tubo: Makana Pang (HAV) – 10,00 pontos

    Havaiano Makana Pang vence primeiro evento de surfe realizado em Desert Point com nota 10 na final. Brasileiros Bruno Santos e Ícaro Ronchi terminam em segundo e terceiro.

    Uma das esquerdas tubulares mais desejadas do planeta é palco de um evento pela primeira vez. O Capítulo Perfeito desembarca em Desert Point, na ilha de Lombok, Indonésia, para uma edição histórica, com oito tube riders convidados e apenas um dia de competição. Início de competição programado para às 23h (de Brasília) desta terça-feira (8). Clique aqui para acompanhar as notas ao vivo Clique aqui para saber tudo sobre o evento Como manda a tradição do Capítulo Perfeito, o evento só entra na água quando as condições oferecem tubos de classe mundial, com oito tube riders, entre eles os brasileiros Pedro Calado, Bruno Santos e Ícaro Ronchi. Além de marcar a chegada do evento à Indonésia, a edição entra para a história de Desert Point. Conhecida mundialmente pelas longas esquerdas tubulares, a bancada de coral de Lombok jamais recebeu uma competição de surfe. “Realizar o Capítulo Perfeito em Desert Point é o culminar de um sonho, mas é sobretudo o arranque da fase 2.0 do evento, que anunciamos em janeiro ao incluir Moçambique e Indonésia no nosso calendário. Em Moçambique não tivemos o swell esperado mas, desta vez, temos toda a convicção de que teremos as ondulações de que precisamos”, afirma Rui Costa, idealizador do Capítulo Perfeito.

    Início de competição programado para às 23h (de Brasília) desta terça-feira (8). Capítulo Perfeito estreia na Indonésia com oito tube riders, entre eles três brasileiros. Confira ao vivo.