#O sonho de encontrar a onda perfeita faz parte dos dias e das noites de todos os surfistas. Na maior parte das vezes, aproveitar os poucos segundos desta experiência indescritível de deslizar numa parede de água cristalina em movimento requer muito treino, perseverança e dedicação.
O exercício começa na areia, ao observar o mar e prestar atenção na formação das ondas, ao escolher o melhor pico e calcular o momento de entrar. Dentro da água, na vigilância para se colocar no lugar certo, no momento certo e na onda certa. Pra fazer tudo isso, o surfista precisa de concentração e precisão.
Depois vem o estilo e a performance. Quanto mais ágil, flexível, alongado e solto estiver o corpo, melhor será o desempenho sobre esse pequeno veículo que leva o surfista a uma viagem que poucos conhecem. Consciência corporal para saber respeitar o seu limite, estabilidade emocional e autoconfiança são requisitos básicos. E acima de tudo isso, fôlego, muito fôlego, para agüentar alguns segundos de sacudidas e cambalhotas embaixo da água.
Segundo Rosângela de Castro*, Presidente da Federação de Yôga do Estado do Rio de Janeiro, o Swásthya Yôga aplica um intenso treinamento para desenvolver vários aspectos, entre eles uma super capacidade pulmonar. São 62 exercícios diferentes, sendo que o principal objetivo é aprimorar o nível de atenção e percepção do indivíduo, deixar a mente muito alerta, lúcida e centrada.
#Também se aprende a manter um ritmo respiratório amplo e estável, o que por um lado aumenta a resistência ao esforço físico e, por outro, abaixa os níveis de ansiedade e estresse. Isto dá uma excelente condição física e psíquica ao atleta.
Para aprimorar a habilidade corporal, existe um grupo de técnicas chamado ásana (pronuncia-se ássana). A forma de praticá-los é bem diferente dos tradicionais exercícios de condicionamento físico. Também não é alongamento. Nessa técnica, se trabalha flexibilidade, alongamento e tônus muscular, associados à consciência corporal, respiração e meditação.
De acordo com Rosângela, o Swásthya Yôga desenvolve estas posições em forma de seqüências, encadeadas umas nas outras. As possibilidades de organização destes encadeamentos são infinitas. A prática dos ásanas faz com que a pessoa obtenha mais conhecimento do seu corpo. Isto dá condições de utilizá-lo de maneira inteligente. Aprende-se a aproveitar o seu potencial e a direcioná-lo ao tipo de esforço exigido, sem fatigá-lo.
Aplicadas especificamente ao surf, as posições de equilíbrio vão dar uma base melhor ao atleta. Exercícios especiais para os ombros vão deixá-los mais soltos e flexíveis, evitando aquela ?trava? causada pela remada. Elas também trabalham a coluna vertebral no sentido de ampliar a mobilidade e a flexibilidade das vértebras. Para a utilização apropriada da musculatura, há posições específicas para isto. São 2000 posições catalogadas. É impossível deixar alguma parte do corpo esquecida. Tem exercício até para os olhos!
Certamente vai passar pela cabeça de alguém aquela pergunta clássica: Yôga relaxa? Vou devolver a pergunta: surf relaxa? Na verdade, dá um bem estar, deixa o ser mais vivo. É exatamente como o surf: não se faz para relaxar, se faz pelo prazer.
#Em novembro próximo será realizado o X Festival Internacional de Yôga, na praia de Itaúna, em Saquarema (RJ), promovido pela Federação de Yôga do Estado do Estado do Rio de Janeiro (www.yogario.com.br). O evento normalmente reúne 300 praticantes de Yôga, e muitos deles vêm com a sua prancha em baixo do braço.
Só não entra mais gente porque o lugar não comporta. Não é à toa que tem muita gente praticando Yôga para melhorar o desempenho no surf!
*Rosângela de Castro é Presidente da Federação de Yôga do Estado do Rio de Janeiro, discípula do Mestre DeRose, yôginí há vinte e cinco anos e é autora de vários trabalhos sobre a disciplina. Para saber mais, acesse o site www.yogario.com.br