Por trás das notas

WQS: surpresas e contradições

#A vitória do jovem carioca Anselmo Correia, de 21 anos, na primeira etapa do WQS 2002, no último final de semana na em Florianópolis, revela a verdadeira face do surf competição. Em total sintonia com o mar, ele dominou a escolha das ondas e bateu vários favoritos, mesmo estando sem patrocínio há três anos.

As ondas durante o evento na praia Mole estiveram muito similares às da Barra da Tijuca (RJ), onde o surfista é local, mas essa intimidade não foi conseguida ao acaso, e sim construída com muito talento e vontade desse garoto que, mesmo sem patrocínio, ganhou dos melhores do mundo ? que contam toda estrutura necessária a um bom desempenho técnico e psicológico.

Por ser aberto, o WQS revela novos valores que nem sempre têm oportunidade de aparecer. Esse tradicional evento do sul, em especial, sempre atraiu surfistas de todo o Brasil e por quase 20 anos abre a temporada, trazendo novos valores e ditando a moda de verão dos principais centros do surf no país.

Surfistas como Cauli Rodrigues, Dadá Figueiredo, Picuruta Salazar entre muitos outros já tiveram seus dias de glória em Florianópolis. Hoje os tempos são outros e o impacto de um campeonato de surf é bem diferente, mas dentro da água os imprevistos continuam os mesmos e as fórmulas do sucesso são tantas que eu não me arrisco a citar.

Como técnico de surf já acompanhei todo tipo de competição e a única lógica que vejo está ligada a marcação de pontos. Como qualquer outro jogo, quem marca mais pontos vence. Com isso, a imprevisibilidade das ondas faz com que na maioria das vezes os favoritos percam, caso não surfem as ondas com qualidade necessária para a marcação dos pontos, e é justamente aí que os mais rápidos e precisos na escolha das ondas acabam tendo todas as condições para levar vantagem numérica e psicológica na competição.

Por ser disputado em baterias de quatro competidores, o fator sorte e adaptação no WQS é acentuado e a disputa pela escolha das ondas acaba premiando os mais observadores e os mais competitivos na zona da arrebentação.

Nem sempre os mais preparados, os patrocinados, os que dormiram cedo ou os mais bonzinhos vencem, em competição de alto nível não existem abismos técnicos e o que acaba decidindo, é a adaptação às condições do mar.

É por isso que os locais sempre levam vantagem e por isso também que o melhor treino para uma competição são as horas dentro da água no local do evento.

Não quero dizer que a vitória do Anselmo foi injusta, pelo contrário, tenho certeza de que ele foi o melhor na vala de esquerda da praia Mole, mas ela apenas serve de amostra do quão imprevisível é o nosso esporte , graças à Deus.

Nem sempre os ditos melhores ganham. No surf, quem acredita e treina pode ter seu dia no pódio.

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

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