
Depois de meses analisando o formato do circuito de acesso (WQS) ao mundial de surfe profissional, o WCT, cheguei a algumas conclusões e colocarei algumas sugestões para simplificar e abrir mais oportunidades para os novos surfistas de todo o mundo.
Um circuito aberto seria ideal, com pré-classificados e com um ranking só, assim como uma classificação de eventos mais simples e significativa. Mas, isso é quase impossível no momento e é melhor aos poucos começar a limitar vagas de reclassificação para os tops.
Desde que o circuito mundial estabeleceu o novo formato em 1992, quando foi criado o circuito classificatório (WQS), com limitação do número de competidores e dois rankings, muita coisa mudou. A direção da ASP tem que estar atenta ao desenvolvimento do surfe mundial e abrir mais chances para os que estão se formando e para os atletas de países em desenvolvimento, senão vai ficar restrito ao eixo Austrália/EUA/Brasil/Hawaii, vez por outra um africano ou europeu.
O formato atual protege demais os tops, que além de fazerem parte dos doze eventos do Grand Slam do surfe, são pré-classificados nos eventos classificatórios (WQS) levando grande vantagem sobre os que estão começando, seja pela posição no evento, pelo nome que pesa sobre os juízes e até pelas condições financeiras.
Enquanto um moleque que vai competir na Europa tem que investir saindo do zero, os tops diluem os custos da viagem entre os eventos do WCT. Os australianos estavam reclamando dos custos para a viagem para as Maldivas. Se tá ruim para eles, imagine para nossa molecada.

Sugiro que se limite o número de tops que se reclassificam pelo WQS, em no máximo seis por ano, garantindo um mínimo de dez novos integrantes na elite do surfe, o ideal seria doze e quatro. Assim pelo menos teríamos algumas surpresas de vez em quando. Nos últimos anos quatro anos, a média tem sido de sete novos surfistas no ranking.
Outra sugestão é simplificar a classificação dos eventos do WQS, três estágios já seria suficiente, um 2 mil, outro 1,5 mil e o mais fraco dando mil pontos. Do jeito que está é muito confuso, tem eventos que não valem nada, e os patrocinadores ganham mais mídia que outros que oferecem mais pontos, e tem ainda os que são disputados em ondas boas, que com a mesma premiação distribuem mais pontos.
Ao permitir um evento uma, duas ou três estrelas, a ASP dá chance de com eventos baratinhos, se ter retorno parecido com um cinco estrelas. Se a ASP limitar os padrões de premiação para dois ou três níveis, estará puxando para cima e obrigando a quem quer fazer um evento do WQS pagar pelo produto e teríamos uma seleção e valorização de eventos. A idéia foi lançada.