Por trás das notas

WQS de Floripa: a hora da verdade

O circuito WQS de 2002 está em sua penúltima etapa seis estrelas, desta vez na bela praia Mole, em Florianópolis (SC), que certamente será decisiva para a definição do ranking, inclusive para os brasileiros que estão tentando se classificar ou se manter na elite do surfe mundial WCT.

 

Este ano os brasileiros não estão bem no ranking do WQS. Mas, se analisarmos com calma, em termos de resultados também não foi um ano ruim, pois até agora ganhamos três dos sete eventos seis estrelas – Beto Fernandes em Durban, África do Sul, e na França com Fábio Gouveia em Anglet e Flávio Padaratz em Lacanau.

 

Infelizmente eles não conseguiram regularidade para estar entre os primeiros, mesmo tendo somado 2.500 pontos nestes eventos.

 

O líder do WQS, o australiano Toby Martin, não ganhou nenhuma etapa, mas, privilegiado pelo seeding que o coloca lá na frente, ele tem sido bem regular e está com 10.357 pontos. Aliás, entre os cincos primeiros só um ganhou uma etapa, o australiano Richard Lovett.

 

Entre eles, só o australiano Luke Stedman é uma cara nova, os outros dois são os veteranos Pat O’Connel e Jake Paterson. É um circuito que protege os Tops, os mais regulares, os que erram menos, sem arriscar muito, sem nada de novo.

 

Na verdade o circuito da ASP está muito protecionista. Primeiro mantém 28 entre os tops do WCT, depois oferece seeding privilegiadíssimo para os 32 melhores nos eventos classificatórios, onde já entram ganhando pontos e dinheiro.

 

Pra efeito de comparação, o tênis também protege, só que eles têm dois rankings, um de entrada e um do ano corrente. No de entrada todos têm pontos a defender, e obriga o Top a mostrar o porquê do privilégio. 

 

Quem está fora tem os custos partindo do zero, é obrigado a correr às vezes dez fases para chegar na final, pedreira atrás de pedreira, Tops e mais Tops. Além disso, as baterias não se misturam, então os Tops só se encontram a partir das oitavas.

 

Resultado: no final, apenas oito ou dez caras conseguem furar a barreira e muitos destes são ex-Tops que, ajudados pelos seeding, ficam mais próximos que um novo talento. Este, por sua vez, começa sem recursos para investir dois ou três anos para conseguir os pontos e entrar mais na frente.

 

Sugiro que a entidade repense este formato e crie maneiras de buscar uma renovação maior, pois poucos surfistas da nova geração estão com chances para o ano que vem. Talvez de estreantes em WCT tenhamos cinco ou seis surfistas de todo o mundo, o que é muito pouco.

 

Tomara que o Beto Fernandes ganhe em Floripa para que tenhamos cara nova na área. Boa sorte e boas ondas.

 

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