No inicio de novembro recebi o convite da Turma do Remo, tradicional grupo de remadores da cidade de Santos (SP) para participar da tradicional volta à Ilha de São Vicente à remo que eles realizam todo final de ano.
A Ilha de São Vicente, situada no centro do litoral do Estado de São Paulo, na baixada santista, ao sudoeste da Ilha de Santo Amaro, abriga as cidades de Santos e São Vicente. O seu território é quase todo urbano na face voltada para o mar, enquanto a região do estuário, que a separa da Ilha de Santo Amaro e do continente, foi construída margem diretia do porto de Santos, maior porto do Brasil e um dos maiores da América Latina. No entanto, essa mesma região ainda preserva alguns trechos de manguezal que não foram destruídos pelo “progresso” desenfreado e nem pelas invasões de favelas.
Após receber o convite, entrei em contato com os amigos Nelson Gama e Aroldo Moretti, que aceitaram se juntar a mim na missão. Começamos os treinos físico e mental para encarar a expedição de 40 km e, em 19 de dezembro, data da travessia, estávamos prontos para encarar nosso objetivo. Na mochila, celular, alimentos, água, protetor solar e la fomos nos para essa grande aventura.
Cabe ressaltar que essa é uma remada muito tradicional, realizada a anos por remadores de caiaque, canoa havaiana e surfski. Nós resolvemos encarar o desafio de SUP e, mesmo preparados, estavamos tranquilos, pois, durante todo percurso tínhamos um barco de apoio, comandado pelo homenageado do dia, o remador Guto da turma do Remo, de olho em todos os participantes e pronto para prestar socorro se necessário.
O percurso teve inicio às 9h00 horas no Canal 6, em frente ao Aquário Municipal de Santos. Saímos em direção a cidade de São Vicente com previsão de três paradas ao longo da remada.
Após 15 km, passando pela Ilha Porchat, Porta do Sol, Ponte Pênsil e Ponte do Mar Pequeno, chegamos a nossa primeira parada, a Guardaria Náutica. Lá, pudemos nos hidratar, alimentar, e abastecer os nossos camelbak e dar continuidade ao percurso debaixo de um sol escaldante, vento fraco na direção contrária com sensação térmica passando dos 40 graus. Vivendo em Santos, estamos acostumados com o sol e tempo quente, mas confesso que esse foi o nosso maior desafio, a intensidade do sol e o tempo abafado trouxeram muito desconforto durante o percurso. Fomos motivando um ao outro, seguimos a remada observando a diversidade ambiental e social.
Como era nossa primeira volta a ilha, tínhamos como meta sempre a próxima parada. Chegamos no Corpo de Bombeiros localizado na cidade do Guarujá, bairro de Itapema, e, embora exaustos, já nos considerávamos vitoriosos e realizados pois conseguimos imprimir um ritmo moderado desde o inicio, passando por São Vicente, Praia Grande, Cubatão, Guarujá, e dai estávamos prestes a adentrar o início do canal do Porto de Santos
Em questão de minutos o clima muda, as nuvens fecham o tempo trazendo relâmpagos e trovoadas fortes, trazendo rajadas de vento, chuva e granizo. Foi a resposta da grandiosa mãe natureza no final de tarde.
Após trinta minutos abrigados da tempestade, veio finalmente o remanso e seguimos em direção ao fim da nossa primeira expedição na Ilha de São Vicente. Uma experiência marcante.


















