
Desde seu retorno ao Circuito Mundial de Surfe o hexa-campeão mundial ainda não havia feito uma apresentação de gala.
Na última etapa no Teahuppo, no Tahiti, a onda mais temida do circuito, Kelly Slater fez apresentações históricas, marcando várias notas 10, ganhou a etapa e assumiu a co-liderança do circuito junto com o havaiano Andy Irons, atual campeão mundial.
Mesmo fora da etapa de Fiji por ter quebrado um dedo do pé, Kelly Slater provavelmente vai dar trabalho durante o restante do circuito. Todo grande campeão precisa de estímulo, ainda mais depois de seis títulos mundiais.
Esta vitória e a repentina ascensão no ranking pode ter significado um novo desafio para o maior surfista de todos os tempos, e quando um grande campeão está estimulado, as performances crescem e o esporte se fortalece.
Na minha modesta opinião, um novo título mundial para o Kelly Slater seria tão bom para o surfe mundial, quanto para o surfe brasileiro ter um campeão do mundo.
Os mitos do esporte alimentam o imaginário de milhões de praticantes, atravessam fronteiras, transcendem religiões e solidificam a prática esportiva.
Kelly Slater, para o bem do nosso esporte, é um grande exemplo. Em suas entrevistas e declarações se mostra muito inteligente, sabe muito bem o que está fazendo e entende perfeitamente seu papel dentro do processo.
Poderíamos ter um imbecil representando nosso esporte, mas tenho que reconhecer que, além de ser o melhor surfista da face da terra, ele tem algo para dizer independente de suas performances e de um rosto bonito.
Ele faz questão de tratar as pessoas normalmente, como um verdadeiro campeão, sabe lidar com o jogo dos egos e com a falsidade do relacionamento entre os surfistas do circuito.
Sabe de sua posição de adversário e ídolo, tenta lidar com a pressão da competição como uma apresentação rotineira. Chega a conversar com seus adversários antes das baterias (como fez com Danilo Costa no Tahiti) para relaxar o clima, desafiando-os para fazer uma grande apresentação, o que para ele é uma forma de quebrar a tensão, tratando a bateria como um show. Só que para os outros é mais uma pressão ter que acompanhar seu nível de performance.
Isso faz parte do jogo mental dos grandes campeões, o que para eles é corriqueiro, para os outros é o jogo da vida, ou vocês acham que o Pelé, Romário, Michael Jordan jogavam sem falar nada com seus marcadores?
Espero que este ano Kelly Slater venha ao Brasil disputar a etapa brasileira que será realizada em Santa Catarina.
A presença dele traz a mídia e fazer valer o esforço dos organizadores em realizar uma etapa do WCT. Será uma das últimas oportunidades para vermos em ação, o maior ídolo do nosso esporte.