
A vitória do Neco Padaratz na Cacimba do Padre, em Fernando de Noronha, pode representar grande incentivo para ele ter um excelente ano no Circuito Mundial.
Continuando a fase iniciada na perna européia do ano passado, onde ele teve uma vitória e um segundo lugar, e com a semifinal na penúltima etapa do WCT em Sunset, seu melhor resultado no Hawaii.
Neco é um surfista especial e precoce. Foi um dos primeiros moleques de 10 anos a surfar igual gente grande no Brasil. Desde pequeno ele mostrou estilo e uma linha na onda, que já o apontavam como um grande talento.
Desde os onze anos viaja para o exterior. Aos 13, foi considerado na Europa o melhor surfista do mundo naquela idade. Foi para a Austrália e para a Califórnia, onde aprendeu a falar inglês e, aos 17, integrou a equipe brasileira amadora – ficando em terceiro lugar na categoria Júnior. No final de 94, numa ascensão fulminante, classificou-se para o WCT no primeiro ano de WQS.

A imprensa de, uma maneira geral, sempre depositou muita esperança que o Neco fosse ser campeão mundial e esta pressão atrapalha. Como ele é um cara sensível, ele busca de sua maneira se afastar um pouco dos holofotes da fama.
Cada um reage de um jeito e o Neco costuma gastar sua energia nas ondas. Ele tem sem dúvida, uma das manobras mais fortes do circuito, o que o credencia dentro dos atuais critérios de julgamento.
Muita gente não acreditava em sua capacidade para ondas havaianas, e ele mostrou ano passado, que tem potencial para as majestosas ondas de Sunset. Os tubos de Noronha podem ter sido um bom treino para o Pipeline Master deste ano.
O mercado e a imprensa criam uma expectativa de que os campeões têm de ser comportados, acessíveis, politicamente corretos, só que as pessoas têm suas individualidades, não estão a fim de ter que falar com todo mundo cumprimentar e fazer a social dos palanques.

Ao mesmo tempo em que no manual do bom patrocinado reza o bom comportamento, sorrisos, tapinha nas costas e outras hipocrisias.
É incrível, mas o Neco está sem patrocínio. Tenho certeza que não é por sua personalidade, e sim por cláusulas contratuais, mas dá o que pensar, o surfista número 2 do Brasil sem apoio.
Será que as empresas vão deixar de aproveitar o espaço e as oportunidades que ele vai conseguir nos próximos anos.
Quando é que o mercado de surfwear vai dar mais segurança aos surfistas? ou será que as grandes empresas terão que salvar o surfe profissional brasileiro? De qualquer forma, com ou sem patrocínio, boa sorte e boas ondas.