Vitória de um guerreiro

Com quatro títulos no circuito WQS, a família Padaratz mais uma vez entra para a história do surf mundial. Teco teve dois e Neco acaba de conquistar o seu segundo caneco consecutivo. 

 

”Meu avô alemão plantava mandioca e tivemos dificuldades até passarmos a acreditar que o surf seria nossa profissão. Hoje colhemos o resultado de muita dedicação e trabalho suado”, diz o bicampeão mundial.

Indagado sobre o título que marcou sua carreira ele diz que o primeiro foi muito suado. Mas afirma que esse também foi muito
especial. “Resultado de um trabalho que rola há mais de cinco anos na minha mente”, diz.

 

Poucas horas depois de ser declarado campeão bati um papo com meu colega de adolescência para ao menos tentar sentir o que passa na cabeça de um bicampeão mundial.

 

Eu te considero um cara culto, que se amarra em escrever uns poemas e tal. O que
passa na sua cabeca poucas horas depois de ser consagrado bicampeão. Dê uma
boa filosofada.

Tem muita gente que pode ajudar as pessoas e têm coração. Se têm a
oportunidade, têm que ajudar, fazer, acontecer. O Brasil precisa acordar com relação ao surf. Os empresarios precisam parar de pensar nos seus próprios bolsos e investir mais. Se todos se unissem a positividade iria trazer muitas coisas boas que ficam bloqueadas por falta de iniciativa.

 

Quais as principais diferencas do primeiro para o segundo título?
O primeiro começou em Noronha. Eu precisava muito vencer naquele momento. Depois, ganhei um evento na África do Sul, país que tem uma tradição animal. Shaun Tomson, meu ídolo, entregou o troféu e me disse coisas lindíssimas. Eu assistia os campeões daquela etapa do circuito quando era moleque e comia pipoca vendo as imagens e revistas que falavam sobre o assunto. Foi muito show. Outra pessoa muito importante naquele ano e na minha vida foi o Rickson Gracie. Ele me ensinou o procedimento para ser um verdadeiro campeão. Ele foi aquele alguém culto que guardo dentro do meu coração. O segundo título começou a ser tracado quando eu venci em Margaret River. Eu
queria muito vencer ali. Já tinha sido vice-campeão e quinto colocado no passado. E ali quebra sempre com 12 , 15 pés, água gelada, muito frio, tubarão, reef break. Foi uma vitória do meu coracao. Uma pessoa dentro do escritório não consegue imaginar nem de perto tudo isso que rola, nem imaginam as dificuldades e não reconhecem os méritos. Eu achei que fui muito pouco lembrado e valorizado pela midia. Daí, vim para o Hawaii com uma pequena vantagem sobre o segundo colocado Phillip Mcdonald e eu nunca achei que ele seria minha principal ameaça, pois tinha uma galera também com chances. Eu nao fiz pressão sobre mim… o primeiro título é mais emocionante, por ser o primeiro e eu me desgastei muito fisicamente. Mas o segundo não deixa de ser alucinante.

 

E nas quartas-de-final, quando você perdeu e tinha que torcer para o Phillip MacDonald não ganhar o evento?
Eu não ouvi nenhuma das minhas notas nas baterias nem as outras. Deixei
nas mãos de Deus e fiz o melhor que pude. Eu sabia que tinha que passar as quartas para me garantir sem precisar me ligar no Phillip. Somente se ganhasse o campeonato ele iria tirar o título por 15 pontos. Foi emocionante, mas fiquei na paz.

 

Clique aqui e veja a galeria de fotos de Neco Padaratz no WQS 2004.

 

Clique aqui e confira reportagem sobre a final em Sunset.

 

 

 

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Então foi um título fluido, natural?
Eu procurei meu limite. Eu tracei meu futuro há uns cinco anos. Deixei as pessoas falarem mal de mim e fiquei na minha, humilde. Isso foi mais forte do que tudo.

 

Quais pranchas você usou nesse campeonato?
Uma 7’3 e uma 6’4. Incrivel, foram praticamente as mesmas que usei no ano passado. A 7’3 é exatamente a mesma e a 6’4 é uma copia idêntica.

 

E em Haleiwa?
Uma 6’7.

 

Quem  fez as pranchas?
6’4, Claudio Hennek; 6’7, Havenga; 7’3- Tokoro.

 

Quem passa na sua mente nessas horas emocionantes?
Acabei de receber um telefonema do meu pai (Percy) e irmão Charles, que estavam indo buscar meu irmão Teco no aeroporto, demais. Só não liguei para minha mãe ainda porque no Brasil já é madrugada. Meu filho tambem é muito especial. Ele e minha namorada, que está comigo o tempo inteiro.

 

Você acha positivo as mulheres acompanharem os atletas no circuito?
Eu vivo o dia-a-dia. Estou feliz por ela estar aqui. Temos que viver a vida como ela é.

 

Caramba quatro titulos do WQS. A família Padaratz escreveu forte seu nome na
história do surf mundial.

Minha família vem de uma típica e humilde educação alemã. Meu avô plantava
mandioca, meus pais se separaram e nós enfrentamos uma situação muito difícil em
nossa adolescência até passarmos a acreditar que o surf seria nossa profissão. Foi um
trabalho irado.

 

Mande um recado para a galera no Brasil.
Eu faco tudo isso também pelas crianças da Etiópia, pelas crianças nas favelas do Brasil. Temos que dar um bom exemplo para o mundo, sem pensar em guerras, mas numa mensagem positiva para meu filho e toda uma nova geração que aprecia o surf do alto e que têm a galera como ídolos. Isso me deixa mais guerreiro. Exemplo importantíssimo. Eu tenho 28 anos e tem uma galera muito irada crescendo ao redor do mundo e vendo o que a galera faz e se assemelhando. Eu quero que meu filho veja que o pai dele é um guerreiro.

 

 

Clique aqui e veja a galeria de fotos de Neco Padaratz no WQS 2004.

 

Clique aqui e confira reportagem sobre a final em Sunset.

 

 

 

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