Violão e sensibilidade

Christiaan Oyens explora toda sonoridade do violão havaiano em seu novo disco. Foto: Divulgação.

O produtor musical, instrumentista, compositor e entusiasta dos violões havaianos Christiaan Oyens acaba de lançar seu primeiro disco solo.

 

“Adeus Paraíso” é distribuído pela Tratore e traz o desconforto do lugar perfeito, mas pode ser visto, também, como a perfeição do lugar desconfortável.

 

Em 14 faixas, Christiaan conjuga violões de seis e de doze cordas com a sonoridade peculiar do Weissenborn, violão havaiano tocado no colo com a técnica do “lap steel” ou “slide”, disseminada por nomes como Ben Harper e David Lindley.

 

Expoente do método, a faixa-título traduz senso de humor em contagiante hula-hula e é a mais havaiana do disco, que abre os trabalhos com o lamento em improviso blueseiro “Negrume”, incrementado por Álvaro Alencar na Toca do Bandido.

 

Christiaan divide ainda a voz com Milton Nascimento em produção requintada, que conta com as tablas de Ramiro Mussoto, Alex de Souza no harmonium indiano, André Rodrigues em baixo acústico com arco e Christiaan no bandolim.

 

A paixão pelo instrumento veio na adolescência, quando Christiaan, então um estudante de bateria em Los Angeles (EAU), se deparou com David Lindley e seu Weissenborn em uma loja-palco de shows de blues.

 

A carreira de baterista ganhou expressão, Christiaan tocou com nomes como Cazuza, Nico Assumpção e Adriana Calcanhotto.

 

Christiaan foi premiado pela Associação Paulista de Críticos de Arte como melhor instrumentista em 1996 e se projetou como compositor e produtor musical de artistas como Lulu Santos e Zélia Duncan, com quem venceu o Prêmio Tim em 2006.

 

Foi também esse ano que Christiaan droupou para os surfistas do badalado SuperSurf 2006, na final do campeonato na Barra da Tijuca (RJ), a técnica de seu “lap steel”, num vai-e-vem constante como a onda havaiana, mas com feeling igualmente repercutido nas praias brasileiras.

 

“Adeus Paraíso” é, portanto, síntese da vivência musical de Christiaan. Um libertar das idéias latentes que coçam na reflexão de um músico inquieto.

 

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