Acabo de voltar de uma trip, onde não espera ter contato com o Surf, mas quando menos você espera a surpresa acontece.
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Um tempo antes de viajar, entrei em contato com Gabriel Santos, um amigo brasileiro que vive em Estocolmo, Suécia, que me disse que tinha uma galera que surfava por lá. Quase não acreditei e fui conferir.
Cheguei e marquei um encontro com Gabriel, que me levou à única legítima surf shop de Estocolmo, a De Pontes Surf Shop.
O mais incrível era que o dono é o brasileiro Junior De Pontes. Natural de Recife (PE), De Ponte é também o único shaper da Suécia.
Foi organizado então um encontro para bate papo e um bom café na loja. Conversei com a galera que encara as ondas por lá e fiquei sabendo como as coisas funcionam. Pelo que me falaram, não é nada simples ser surfista na Suécia.
Bom, para começar a salinidade da água é de meio por cento,
praticamente um rio com um pouco de sal. Normalmente é muito raso. A maior profundidade encontrada é de 60 metros e tem muito barro no fundo.
Eles dizem que o surf na Suécia é um milagre. Pois como o país é formado por 30 mil ilhas, o swell e o vento não encontram espaço no meio destas. Já nas regiões próximas à Estocolmo, Torö, entre outros picos, as ondas são formadas pelo vento.
No mar Báltico não tem maré, é muito estranho. As ondas quebram bem no raso com fundo de pedra. Isso dá muito trabalho ao Junior e sua surf shop, pois como ele é o único shaper do pico, é ele quem conserta tudo após cada swell.
?Para loja isso é muito bom. Acaba circulando muita gente por aqui e sempre ajuda nas vendas?, comenta Junior, proprietário da única surf shop local.
A água é fria demais e as condições são difíceis, mas mesmo assim a paixão destes suecos pelo surf é maior do que tudo. Basta ver as fotos das sessões que rolam por lá.
Mas eles têm uma vantagem, no verão durante quase dois meses, eles tem os dias muito longos, pois quase não escurece e com isso é possível surfar umas cinco vezes ao dia, chegando a dar a última caída no mar às 11 da noite.
Existe uma forte associação de surf na Suécia que foi fundada há muitos anos e isso ajuda muito no crescimento do esporte. Muitos suecos viajam todo ano para para surfar em outros países. Existe até um surf camp de um sueco na Indonésia, e muitos deles vão para lá.
Achei incrível saber a realidade do Surf na Suécia, mas fiquei chocada em saber como o Jr foi parar lá.
Após nove tentativas de assalto a mão armada e alguns arrombamentos em sua loja em Recife (PE), ele decidiu que não era mais possível viver assim.
Um dia acordou, fechou a loja, fez as malas e foi para Barcelona. Lá, ele conheceu sua noiva, a sueca Lisa. Assim chegou à Suécia, carregado pelo amor e amparo de Lisa.
Se por um lado é mais seguro, por outro é mais difícil sendo um extrangeiro. Mas lá está ele, fazendo o que gosta.
Como dizem os que lá fora vivem: ?Aqui é ruim, mas é bom. No Brasil é bom, mas é ruim?.
Tomara que um dia as pessoas consigam trabalhar honestamente em paz neste país, que é tão lindo e um tanto perigoso.
Que pena!

