Vibe

Vibe mágica

Energias, vibes, são as coisas mais maneiras da vida. Poder percebê-las distintamente entre suas variações é o que vale viver.

 

Claro, bad vibe destrói. Mas o nome da coluna é Vibe, e quando essa palavra vem à minha cabeça, vem como um sinônimo de positividade. Sensação agradável de bem estar. E o surfe entre outras coisas te proporciona isso. Aliás, é a melhor coisa que ele proporciona.

 

Fico imaginado quantas pessoas assim como eu foram fisgadas pela magia desse esporte através das revistas de surf. Folheando uma Surfer ou Surfing, viajando sem sair do lugar… Caraca! O que são essas revistas! A magia que elas passavam impregnou quantos? Muitos, com certeza.

 

Acomodar-se, botar um som, uma Surfer nova nas mãos é garantia de vibe mágica, de ?soul high?.

 

As fotos, o estilo de vida, textos, o desafio e plasticidade do mar aliados a uma diagramação harmoniosa, entram pela retina e acomodam-se para sempre em nossa alma. Era como uma terapia. Você se desconectava geral do mundo, esquecia de tudo ao redor.

 

Pergunto: quantos não foram impregnados? Quantos não começaram a surfar depois que uma revista dessas passou pelas mãos?

 

Quantos não viraram fotógrafos, surfistas profissionais, editores, representantes e colaboradores do esporte depois que folhearam uma Surfer, Surfing, Brasil Surf ou Visual?

 

Comigo aconteceu há 27 anos. Viajando sem sair do lugar, recortava logotipos, fotos e colava em cadernos, pastas. Pensava: ?Como esse cara conseguiu fazer essa foto??. Parecia impossível…

 

Comecei então a surfar e a fotografar. O Hawaii era o sonho! Ondas, luz boa, visuais, o desafio. Era o lugar onde aconteciam as coisas. Era o lugar onde todos os envolvidos com o esporte queriam estar.

 

Folheando minha mente, tento lembrar alguns nomes da época e vejo Tom Carroll e Cheyne Horan com seus calções curtos, colados na perna; Richard Cram com seus cutbacks impressionantemente animais; Dane Kealoha e suas pranchas coloridas e estilo ?casca? de surfar; Marvin Foster; Mark Richards com seus quatro títulos e seu logo MR imitando o escudo do super-homem; Buttons; Larry Bertleman; Martin Potter; Gerry Lopez com suas inesquecíveis Lightning Bolt e estilo único; Ronnie Burns, o galegão que dominava Pipe; Mark Foo; Willis Brothers; Hans Hedeman.

 

No Brasil lembro do Cauli Rodrigues e suas batidas retas de backside, Fred d?Orey, sua barba e as HJ; Daniel Friedmann patrocinado pela Brahma; Rico de Souza e o logo da Globo nas pranchas; os irmãos Pacheco de Saquarema; Ricardo Bocão, o big wave rider apaixonado pelo esporte; Ianzinho; Renan ?the Crab? Pitanguy (os lendários Brazilian Nuts); Rodrigo Osborne; Roberto Valério, o surfe encarnado; Tico dos calções by Tico; Picuruta Salazar; Tinguinha Lima; Paulo Tendas; Fábio e Paulo Proença; Pepê Lopes, o multi esporte e Pipe Master; Cisco Araña; Os Irmão Brothers (Cristian Dôdo, Taiu e Totó); Wanderbuilt; Maraca; André Pitzalis; Paulo Issa, o cara dos campeonatos no Brasil.

 

Lembro que a rixa São Paulo-Rio era forte, e os Waimea 5000 e os festivais de Ubatuba eram o palco dessa batalha. O bicho pegava literalmente…

 

As marcas eram Rip Curl; Lightning Bolt e seus raios (quem nunca os desenhou no caderno?); Victory; Quiksilver; McCoy Surfboards; Gordon & Smith; Op; Maui & Sons; Gotcha; Sundek; Hang Ten; Brewer.

 

No Brasil: Voodoo, de Ipanema; Man Surf, loja do santista Vadih Mansur; K & K, dos irmãos Kléber e Kélcio; Energia, de Lipe Dylong, Rico, Galeria River, Hidrojets, Stanley, Twin Surfboards, Squalo Surfboards, Waimea Surf Shop.

 

Os fotógrafos casca eram: Aaron Chang; Jeff Hornbaker; Flame; Don King com seu posicionamento único em Pipe; Brian Bielmann e as cores incríveis que ele conseguia em suas fotos; Jeff Divine, eterna fonte inspiradora, Dr. J.Jones, Art Brewer.
 
A Brasil Surf do Alberto Pecegueiro tinha acabado e só existia a Visual. Os caras das fotos por aqui eram o falecido e grande mestre Nilton Barbosa, Klaus Mitteldorf, Carlos Lorch, Fedoca, Nelson Veiga.

 

Comecei o texto falando em vibe e acabei fazendo uma lista de nomes desconhecidos para mim na época. Desconhecidos que me remetiam ao seu mundo através do seu lifestyle impresso em folhas de papel.

 

A Vibe continua aí. Talvez hoje impregnando outros como aconteceu comigo. A vibe é mágica! Tanto que não me abandonou até hoje. O mundo do surfe é mágico. Por isso, talvez, tantas pessoas se apaixonam.

 

E tantas outras olham com espanto e curiosidade tentando compreender o que tem esse esporte de tão diferente. É o mundo mágico de OZ.

 

Boas Vibes, boas ondas.

 

PS – Com certeza vários nomes estão faltando nas listas de cima. Desculpe aos que se sentiram excluídos, mas nao é por aí. A intenção não era fazer uma pesquisa com material da época, mas, através de alguns nomes que marcaram minha mente e ainda não se perderam nesse HD falho, tentar trazer à tona nomes que marcaram uma fase decisiva em minha vida.

 

 

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