É difícil para nós brasileiros imaginarmos um verão com ondas todos os dias. Se imaginar já é difícil, acontecer é praticamente impossível. Claro que com todas as agressões que o planeta vem sofrendo, isso é bem capaz de acontecer num futuro próximo.

 

Mas com certeza, a vingança da natureza não será doce como algum inconseqüente poderia pensar.

 

Sem maiores devaneios eco-trágicos, e ainda com a esperança de uma conscientização mundial de preservação do meio-ambiente volto para a nossa realidade. Nosso querido oceano Atlântico tem um período de descanso maior no verão e ponto.

 

Isso causa um certo desespero e até xingamentos freqüentes dirigidos a Netuno e todos os deuses marinhos por surfistas ávidos por ondas em época de calor e férias.

 

Creio que deveríamos nos conformar com a natureza como ela é e olhar um pouquinho mais para o lado. Mais especificamente para nossa América do Sul. Vastamente banhada pelo oceano Pacífico, a costa de nosso continente literalmente bomba no verão! Sim, claro.

 

Este ano surgiu minha primeira oportunidade de ir para o Chile. O que vi lá foi um festival de ondas pra deixar qualquer surfista fissurado calminho, calminho. Meu destino foi Pichilemu, pequena cidade localizada a três horas e meia de Santiago, tipo Garopaba…

 

Paraíso para goofys, o pico possui esquerdas clássicas diariamente. Quando o raro vento norte chega, as melhores ondas ficam meio mexidas, mas, mesmo assim, outras quebram em perfeitas condições.

 

O destaque fica por conta de Punta de Lobos. Para provar dessa esquerda invocada são necessárias doses de experiência e coragem. A correnteza é um arrastão. A principal entrada no pico é feita por pedras que metem medo, a água é congelante e por aí vai…

 

Mas a onda, ah! Que onda! Seções com paredes em pé, tubos e sempre um bom tamanho. Engatando todas as seções, é possível surfar por mais de 1 minuto a mesma onda até cansar as pernas.

 

Crowd? Até existe, mas tem tanta onda que algumas passam perfeitas sem ninguém para aproveitar. Além disso, os chilenos são gente boníssima. Espero que isso não mude com o passar do tempo em relação aos brasileiros.

 

Minha preocupação se justifica pois é inexplicável a falta de educação de alguns. Vi um local de Pichilemu ser rabeado por um brasileiro que fiquei até com vergonha, sendo que uma série fantástica vinha com força para apenas dois felizardos que esperavam pacientemente um pouco mais no fundo. Enfim, oxalá tenha sido um caso isolado…

 

Pichilemu ainda tem boas festas, boa comida e cerveja. Buenasas! Vale muito! Então, ao invés de reclamar com tanta ira de nossa realidade natural, vamos aproveitar a América do Sul como ela é. Respeitando a natureza e os habitantes de cada lugar; todo universo conspira ao nosso favor. Salud!

 

 

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)

Doutor Guilherme Vieira Lima, explica como a estabilidade do core define a potência das manobras e protege o corpo de lesões crônicas.