Veltra aposta em vanguarda

Conceito e autenticidade são duas palavras importantes no vocabulário de Ricardo Lobo, empresário carioca, ex-competidor e proprietário de uma conceituada fábrica de equipamentos e acessórios para surfistas.

 

Sua empresa foi fundada em 1984 com o nome de Travel, mas após a desistência de um dos sócios, Lobo criou a Veltra, apenas invertendo o nome original.

 

A equipe da marca é formada por atletas como Pedro Muller, que está na empresa desde sua criação, Marcelo Trekinho, Marcus Sifú, André Gioranelli, além de Mariane Kerr e Maya Gabeira, entre outros.

 

A Veltra atualmente está sendo representada na Europa e possui um excelente time de surfistas na Itália. Partindo para uma outra escala, iniciou há pouco tempo sua linha de confecção.

 

No fim do ano passado, em novembro, inaugurou uma loja em Ipanema, um dos bairros mais nobres do Rio de Janeiro, com presença da nata do surf carioca.

 

Com uma nova proposta, utilizando estampas tipicamente regionais, como a praia de Ipanema ou o Corcovado, seu objetivo é manter as tradições dentro dos parâmetros de uma surfwear, porém, caminhando numa direção de vanguarda e pioneirismo.

 

Segundo Lobo, a Veltra continuará seguindo a tendência surf sem seguir a moda atual e o que está sendo proposto pelo mercado.

 

“Não quero seguir a surfwear internacional, podemos fazer do nosso jeito. Quero passar o que vivemos em nosso cotidiano. Vários surfistas são praticantes da capoeira e na decoração da loja temos um berimbau, por exemplo. Por que não? De manhã estou surfando em Ipanema e à tarde vamos para o estádio do Maracanã, isso faz parte da nossa cultura”, explica o empresário.

 

Além dos elementos que retratam paisagens cariocas, a coleção também inclui estampas de outras regiões, como a praia de Maresias, homenagem a uma das ondas mais potentes do país.

 

Uma curiosidade é a parceria entre Pepê César e o artista plástico André Cortes. A partir dessa fusão, criaram estampas que fazem parte de uma coleção especial com paisagens em aquarela e frases retiradas do livro Puizía, lançado há alguns anos por Pepê.

 

Ricardo Lobo e outros empresários do ramo lutaram muito para que o Rio tivesse um mercado de multimarcas no passado. Porém, ele afirma que vivemos numa época em que as grandes empresas ditam as regras e as surfshops viraram verdadeiras “embaixadas das multinacionais”.

 

?Notei que estava sendo marginalizado dentro das surfshops com essa idéia, mas quero colocar a arte brasileira em pauta, seja a carioca, a baiana, a paulista. Às vezes me sinto um farmacêutico tentando vender remédio numa padaria?, compara Lobo.

 

Através de atitudes como essa, é possível enxergar que existem direções novas a serem tomadas.

 

?Fazemos parte de um universo criativo, jovial, alternativo e desencanado que sempre foi copiado por outros setores da moda ou de comportamento. O surfista sempre será um ser enigmático, misterioso?, conclui o empresário.

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