
Durante uma viagem para as ilhas Mentawai, no Oceano Índico (Indonésia), na semana passada, cinco surfistas uruguaios foram surpreendidos pelas ondas e ficaram à deriva depois que a embarcação em que estavam naufragou, mas conseguiram se salvar e resgatar os quatro tripulantes graças a suas pranchas.
O campeão nacional Matias Temesio e seu irmão Sebastião, Esteban Gimenez, um dos melhores surfistas uruguaios, medalha de bronze nos Jogos Pan-Americanos de 98, Martina Lorenti e o lendário surfista Philippe Paullier eram os integrantes da barca.
Os cinco saíram do porto de Pandang, na Sumatra Ocidental, nas últimas horas da última quarta-feira, mas ondas enormes afundaram seu barco nas primeiras horas da quinta-feira.
Segundo um e-mail enviado por um dos surfistas, o mar estava bastante agitado desde que partiram do porto de Padang. Naquela noite, o cozinheiro decidiu não cozinhar por causa do movimento. Todos foram dormir e por volta das 3 horas começaram a escutar gritos e sentiram que o barco estava começando a afundar.
Saíram todos correndo e o barco já quase formava um ângulo de 90 graus, mas conseguiram nivelá-lo. Porém, já tinha entrado muita água, então decidiram desamarrar as pranchas e se atiraram na água. “Desamarramos as pranchas voando porque vimos que o barco iria afundar”, conta.
No barco viajavam também quatro tripulantes que, sem muita experiência, se mantiveram flutuando graças às pranchas dos amigos uruguaios. Com a luz da lua cheia, depois que o barco afundou por completo, conseguiram avistar uma ilha que parecia estar muito próxima.
Esperaram pacientemente umas quatro horas até que o sol saiu, e nesse momento se deram conta que a ilha que tinham avistado não se encontrava tão perto como parecia. Portanto, a estratégia que o grupo traçou foi esperar que algum dos charters que andam pela zona passasse por eles.
Chegaram a avistar uma barcaça a motor, fizeram sinais e gritaram, mas o barco não os viu. Quando bateu a preocupação, um dos jovens decidiu sair para uma expedição. “Achei que o melhor seria ir remando até costa, mas não estavam todos de acordo, então esperamos um pouco, talvez uma hora, e finalmente decidimos sair”.
Os irmãos Temesio foram os primeiros a sair, remando para uma ilhota perto de Sipora.
“Depois de meia hora remando, ao ver que não nos aproximávamos muito, decidi abandonar a mochila grande com uma prancha e as duas mochilas com todos os documentos de compras, o telefone celular, as passagens, etc. Fiquei somente com uma pochete com os passaportes e o dinheiro. Havia dois pontos e decidimos remar para o mais próximo, pensando que poderiam haver correntes no extremo da ilha, já que os canais que separam ilhas grandes podiam ter correntes fortes. A corrente foi mudando, mas por sorte a mudança nos ajudou bastante. Três horas depois, chegamos a uma praia deserta em um canal que separa as duas pequenas ilhas que há ao norte de Sipora. Bem perto havia uma casinha de coqueiros com canoas e remos e outra com um motor pequeno. Eu segui até o interior da ilha e consegui uma barcaça com um motor potente, e saímos ao mar com um indonésio da ilha, para buscar o resto do pessoal”.
“Podiam estar em qualquer lugar. Estava ventando mais forte e a visibilidade era pouca. Não encontrávamos ninguém, então o indonésio nos disse que estava ficando sem gasolina. Tivemos que voltar à ilha”.
Ao voltar à ilha, viram que Esteban e Martina já estavam chegando lá. Faltavam agora Philippe e os quatro tripulantes indonésios. “Fomos procurar outra embarcação rápida e voltamos para a água. Em pouco tempo, em uma pequena ilha em frente, apareceu Philippe com um indonésio que não sabia remar, e minutos depois, os outros três tripulantes que se viraram sozinhos”.
Finalmente, os uruguaios terminaram com sucesso sua odisséia, voltaram para Bali com o que sobrou de seus pertences e viveram para contá-la. Neste momento eles estão processando a empresa que lhes alugou o “Otik de Mulana” por 14 dias.