Unipran lança terceira pós-graduação em esportes com prancha

Pelo terceiro ano consecutivo, a Universidade da Prancha – Unipran – Núcleo de ensino, pesquisa e extensão dos esportes com prancha, ligado ao Centro Universitário Monte Serrat – Unimonte, lança a sua pós-graduação em surfe e esportes praticados com prancha.

 

Esta iniciativa é pioneira no mundo e tem como objetivo capacitar profissionais a trabalhar nos mais diversos setores ligados a esses esportes (surfe, skate, windsurfe, kitesurfe, wakeboarding e sandboarding).

 

Nesta entrevista, o surfista e professor Marcello Árias, um dos coordenadores da Unipran, dá mais detalhes sobre o curso e a importância desta iniciativa para o setor.

 

 

A Unipran já está em seu terceiro ano. Em quais áreas vocês estão trabalhando?

 

Sendo o único núcleo universitário do Brasil, temos priorizado as atividades acadêmicas, como cursos de capacitação profissional, clínicas prático/teóricas, pós-graduações e pesquisas científicas com esportes com prancha, principalmente o surfe e o skate. Porém, a pós-graduação é o carro chefe, pois são esses alunos que melhorarão a qualidade dos serviços prestados em nosso meio num futuro bem próximo.

 

Como funciona esta pós-graduação?                                 
   
Como todas as outras de nível Lato-Sensu (especialização), tem a duração de 15 meses. Ela é composta de 360 horas/aula e as aulas são ministradas aos sábados. Ao término da pós, os alunos devem entregar uma monografia científica versando sobre algum assunto de interesse pessoal. A partir daí, o aluno passa a ser pós-graduado em surfe e esportes praticados com prancha.
  

Qualquer pessoa pode fazer?
 
Não. Somente aquelas pessoas que já possuem uma graduação superior, ou seja, que já possuam um certificado de um curso de terceiro grau.
  
Isso não é elitista?
 
Muitas pessoas têm me perguntado isso, e eu julgo esta pergunta bem pertinente. Nosso país ainda é um país do terceiro mundo, e muitas pessoas não têm acesso à educação. Gradativamente temos melhorado isso. Porém, se quisermos evoluir como nação, é imperativo apostar em todos os aspectos da educação. Esta pós-graduação é direcionada para aquelas pessoas mais privilegiadas de nossa nação, os 5% de nossa população que tem um nível superior. Queremos melhorar ainda mais o conhecimento dessas pessoas para que elas possam transmitir isso para a população em geral, não tão privilegiada em termos educativos. Entretanto, na Unipran também oferecemos cursos e clínicas abertas a toda comunidade, onde os mesmos assuntos são abordados de forma mais lúdica. Fora isso, a Unimonte tem uma enorme preocupação em colaborar com a sociedade em geral. Para isso, disponibiliza vários tipos de bolsas, inclusive bolsas integrais para alguns atletas, como é o caso do Daniks Fischer, que esta cursando jornalismo na Unimonte com uma bolsa de 100%. É importante salientar que tais bolsas só são concedidas em alguns casos especiais e somente para cursos superiores. Nos cursos de pós-graduação não oferecemos bolsas-de-estudo, pois geralmente o número de alunos é bem mais reduzido, sendo que comumente as pós-graduações não se pagam, são simplesmente peças de um processo educacional contínuo que não pode ser negligenciado, pois é parte fundamental da formação de alguns profissionais. Logo, é quase que uma obrigação das instituições de ensino superior oferecer cursos de especialização.
  

Quais as matérias ministradas nesta pós-graduação?
 
São inúmeras: Evolução Histórica dos Esportes com Prancha; Montagem, Implantação e Gerenciamento de Escolas de Esportes com Prancha; Fisiologia do Exercício Aplicada aos Esportes com Prancha; Treinamentos Físico e Mental Aplicados aos Esportes com Prancha; Aspectos Clínicos, Cinesiológicos e Biomecânicos Aplicados aos Esportes com Prancha; Física, Ecologia, Biologia e Oceanografia nos Esportes com Prancha, Nutrição, Recursos Ergogênicos nos Esportes com Prancha; Aspectos Sociais e Jurídicos nos Esportes com Prancha; Mídia, Mercado Consumidor; Administração e Marketing; Metodologia da Pesquisa Científica.
  
Apesar de o curso ser eclético e abrangente, parece que existe uma ênfase na área da saúde. Que tipo de profissional tem procurado vocês?

 

Nosso curso aborda inúmeros aspectos da área da saúde, pois surfe é um esporte que promove a saúde. Desta forma, temos vários profissionais de educação física fazendo a pós-graduação. Mas isso não impede que profissionais de outras áreas obtenham valiosas informações para suas carreiras. No ano de 2003 tivemos jornalistas, administradores de empresas e biólogos fazendo nosso curso.
    
Uma vez formados, os profissionais estarão aptos a trabalhar em quais áreas do mercado dos esportes com prancha?

 

No geral, nossos profissionais estarão aptos a trabalhar em diversas áreas que envolvam aspectos históricos, didáticos, pedagógicos, fisiológicos, tecnológicos, administrativos e metodológicos ligados ao surfe e esportes com prancha para o desenvolvimento de várias atividades, além de possibilitar o entendimento da dinâmica envolvida no atual mercado de consumo. Mais especificamente poderão desenvolver com segurança a montagem, implantação e gerenciamento de escolas de iniciação e especialização esportivas; a elaboração, planejamento e condução de aulas técnicas ou recreativas (individuais ou em grupos) em diversos locais (escolas, academias, clubes, pousadas, hotéis, etc…); a aplicação dos princípios fisiológicos; a análise cinesiológica e biomecânica; a elaboração, direção e execução de programas de condicionamento e treinamento físico e/ou mental personalizados para atletas e não-atletas; a prevenção dos principais traumas agudos e crônicos advindos da prática esportiva; a elaboração, direção e execução de programas personalizados de reabilitação física; a conscientização sobre procedimentos clínicos, nutricionais, uso de recursos ergogênicos e mecanismos de ação de drogas; a utilização dos conhecimentos da Física, Ecologia, Biologia e Oceanografia; o entendimento de aspectos sociais, jurídicos e administrativos; a prestação de serviços de assessoria e consultoria para vários setores da sociedade; a compreensão sobre a mídia especializada e o mercado consumidor de produtos e serviços; o emprego do método científico para obtenção de melhores resultados, desenvolvimento e realização de pesquisas e publicações científicas.
     

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Você ministra boa parte dessas disciplinas?

 

Ministro várias aulas nesse curso, mas conto com uma equipe altamente competente formada na sua grande maioria por surfistas, skatistas, snowboarders, wakeboarders e winsurfistas. O que os diferencia é o fato de que todos eles são profissionais exemplares em suas áreas: fisioterapia, medicina, educação física, nutrição, jornalismo, veterinária, biologia, etc. A grande maioria ainda tem títulos de Mestre ou Doutor, o que os capacita ainda mais a exercer essa nobre arte que é ensinar. Conseguimos formar um time altamente diferenciado em suas respectivas profissões, mas que não deixaram o “felling” de lado e continuam se divertindo com seus esportes. Isso faz com que o relacionamento aluno/professor não seja monótono e cansativo, pois a interação entre eles é total. Durante o curso várias vezes saímos para surfar juntos, andar de wakeboard, etc. Tentamos dividir as aulas de modo que em um sábado temos uma aula profunda e teórica e no sábado seguinte algo mais leve e prático. Dessa forma o curso não se torna cansativo. Afinal somos surfistas e nossa forma de encarar a vida deve ser sempre preservada, ou seja: bom humor, diversão e companheirismo, que agora aliados ao extremo profissionalismo produzirá uma nova safra de praticantes de esporte com prancha, mais informada e conseqüentemente mais preparada para encarar o pesado swell que é a vida em si.
    
Quem são esses profissionais?

 

Adriano Paulo de Oliveira, o Teco, Alexandre Vianna, Andréa Ramirez, Romeu Andreatta, David Szpilman, Eledir Busanello, Márcia Portes, Emilson Colantônio, Flávio Ascânio, Francisco Navarro, Guilherme Pimenta Castelão, Otto Gadig Bismark, Luciane Garante Antunes, Marcelo Szpilman, Marco Antônio Ferrari Carneiro, Marcelo Baboglhuian, o Doc, Marco Antônio Ferreira Alves, Dilmar Pinto Guedes, Tácito Pessoa, Pedro Rodrigues, Reury Frank Pereira Bacurau, Ricardo Ricci Uvinha, Rogério Buzzato Rodrigues, Shirley Dias da Silva e eu.
    

Esse curso é reconhecido pelo MEC?

 

Esta é uma boa pergunta. O Ministério da Educação e Cultura é o órgão que normatiza a educação em nosso país. Sendo assim, todas as instituições de ensino do Brasil têm que necessariamente adequar-se a alguns padrões estabelecidos pelo MEC. Se a instituição de ensino funciona dentro dessas normas, ela passa a ter autonomia para criar alguns cursos, inclusive os de pós-graduação. Logo, não é o curso que é reconhecido pelo MEC, mas sim a instituição que o ministra, e a Unimonte é reconhecidamente um das instituições que mais tem crescido no estado de São Paulo, tanto em instalações como em qualidade de serviços prestados. Resumindo, não é totalmente errado falar que nossa pós é reconhecida pelo MEC, porém o mais correto seria falar que a instituição que a ministra o é.
    
Falando um pouco sobre escolas de surfe, você poderia afirmar que esta pós-graduação forma professores e instrutores de surfe também?

 

Olha, este é um assunto extremamente complexo e que tem causado muita confusão. Quando você resolve ministrar aulas de surfe, você está necessariamente colocando-se em uma posição de professor, e ensinar é algo nobre. Durante anos a profissão de Educação Física não foi reconhecida como tal, e isso abriu brechas para inúmeras pessoas trabalharem ministrando aulas de natação, musculação e até surfe sem que tivessem passado por uma formação e uma capacitação profissional adequada para isso, ou seja, sem que tivessem passado por um curso de formação superior com disciplinas como pedagogia, psicologia da educação, primeiros socorros, etc. Em 1998, entretanto, a Educação Física passou a ser reconhecida como profissão e, desde então, ministrar qualquer aula na área dos esportes e da saúde sem que se tenha a formação superior (professor de Educação Física), passou a ser exercício ilegal de profissão, sujeito a penas previstas pela lei. Logo, atualmente, se você ministra aulas de surfe, tem necessariamente que ser formado em Educação Física, caso contrário poderá ser impedido e punido. O órgão que fiscaliza essas atividades é o CONFEF (Conselho Federal de Educação Física), algo parecido com o conselho federal de medicina.

 

Mas, o CONFEF e seus subordinados, os CREFS (Conselhos Regionais de Educação Física) permitiram que surfistas que já atuavam como professores cinco anos antes da promulgação da lei que regulamentou a profissão de Educação Física, obtivessem o direito legal de continuar exercendo sua profissão, o que no meu entender foi muito justo. Esse é o caso, por exemplo, do surfista Zecão de Ubatuba. Mas, agora não tem jeito, se você quiser ser professor de surfe, tem que fazer Educação Física. Nenhum curso de final de semana te credenciará para tal, mesmo que o nome professor venha substituído por instrutor, o que é a mesma coisa. Nossa pós- graduação também não credencia ninguém a ser professor. Especializa e aprimora quem já é professor (Educação Física), e capacita outros profissionais de outras áreas a trabalhar em outros setores alheios à docência em si, como organização de eventos ou mesmo administração de escolas e centros de esportes com prancha.

 

Onde os interessados podem obter mais informações sobre a pós-graduação, e qual é o investimento financeiro para a obtenção deste título acadêmico?

 

O investimento é de R$ 280 por mês, pagos em 15 parcelas. Mais informações podem ser obtidas na secretaria de pós-graduação e pesquisa da Unimonte, mas quem preferir falar diretamente comigo pode ligar para (0xx13) 3466-8489.

Unimonte: Av. Senador Feijó, 423 Térreo – Vila Mathias – Santos/SP – CEP 11 015 – 505; telefax: (0xx13) 32356510 / 32321070 / 32282008.

 

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