Nias em família

Uma semana clássica

Bruno Lemos encaixa no trilho de Nias, Indonésia. Foto: Junior Dabul.

“Uma semana clássica de surf em Nias”. Acho que resumiria assim  numa só frase a trip. Esta é a minha quinta vez na Indonésia e sempre tive muita vontade de conhecer e poder surfar essa incrível direita que fica na baia de Lagundri, ilha de Nias.

 

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Acho que eu não sou o único brasileiro que tem no fundo da mente aquela imagem de uma foto antiga do saudoso Roberto Valério dropando uma bomba em Nias, foto que foi muito vista durante a decada de 80 no Brasil.
  
Desde aquela época sei que algo já me atraía para este lugar. Porém, infelizmente as circunstâncias nunca  haviam conspirado para que esse momento acontecese.
  
Por outro lado, sempre acreditei que “o que tem que ser vai ser”. Um dia as coisas acabam acontecendo.
E graças ao bom Deus, depois de tanto sonhar e namorar de longe  com essa onda e esse lugar, as coisas fluiram e a oportunidade de passar uma “semaninha” no paraíso das direitas aconteceu para mim, melhor ainda, para a minha família inteira. 
 
Chegamos a Lagundri no dia 16 de junho e sabíamos que no dia 18 um swell decente iria bater na costa. Durante os dois primeiros dias, mesmo com o mar ainda pequeno conseguimos surfar ondas muito boas. O vento terral soprava durante toda a manhã e antes do almoço um fraco maral entrava.
 
Mas antes mesmo do final de tarde o maral diminuía e as ondas ficavam glassy novamente. Então, dava pra surfar praticamente durante o dia inteiro. Na hora de menos vento o crowd era maior e quando o vento entrava quase não havia ninguém na água.
 
Estavam comigo, além de minha família, Troy Weston Webb , filho de uma grande amiga nossa – a gaúcha Tanira Guimarães. Troy, de apenas 14 anos, mora no Kauai e estava vindo a Indonésia pela primeira vez e foi um bom parceiro de surf para o  meu filho Keale, que tem apenas 11 anos. Os dois pegaram altas ondas e fizeram boas amizades com as criancas locais.
 
A princípio, sem conhecer o lugar, fiquei meio apreensivo se a onda seria muito diíicil para eles. Mas a onda é tão perfeita que você pode administrar onde quer se posicionar no line up e, dependendo de seu nível de surf, pode  arriscar mais ou menos.
 
O único dia que ficou meio estranho para eles foi exatamente dia 18, quando o mar amanheceu grande, com ondas de até 2,5 metros sólidos. O tempo estava bem fechado, meio chuvoso, mas sem vento nenhum.
 
Foi naquele dia que pude ver realmente a perfeição e o power dessa onda, muito diferente de  quando você vê as imagens e as fotos desse lugar, pois a onda é tão bonita e perfeita que não parece ser tão dificil. A impressão que sempre tive é a de que era só chegar a nias para a coisa mais fácil ser pegar os tubos.
 
Mas pelo menos para mim a realidade foi outra. Essa é uma onda de baia, onde o volume d’água é bem maior do que em outros lugares. E quando o mar está grande, a onda é totalmente diferente de dias menores.

Se  pudesse comparar ou mencionar alguma outra onda para dar uma idéia, poderia dizer que ela se parece muito com Hanalei Bay, no Kauai, ou até mesmo Honolua Bay, em Maui.

 

Quem já surfou esses dois picos sabe que são ondas pesadas, assim como essa onda em Sorake Beach. Naquele dia em particular não tinha quase nada de fácil, pelo contrário. Disposição e técnica eram dois dos elementos principais para quem estava querendo pegar os tubos naquela manhã.
 
Havia um grupinho de pelo menos uns seis caras que estava se destacando dos outros, pegando tubos sinistros e eles não erravam uma onda. Então, depois fui descobrindo que alguns deles frequentam Nias há 20 anos, outros há oito.

 

Percebi que como acontece nas Ilhas Mentawaii, onde as melhores ondas geralmente são surfadas pelos capitães dos barcos que são os surfistas mais experientes na região, em Nias não poderia ser diferente.

 

Ficou claro para mim que para surfar bem aquela onda você tem que investir um tempo no lugar. Mas como pelo menos dessa vez eu não teria muito tempo, não fiquei cercando ou disputando as séries e tentei surfar o maior número possível de ondas intermediárias, colocando a minha 6″5′ diamond tail, shapeada pelo Alexandre Amigo para funcionar como ela nunca havia funcionado antes.
  
Acabei pegando várias ondas boas, mas sem dúvida nenhuma da série, exatamente ao contrario do que aconteceu com minha esposa Claudia, que usou uma técnica diferente que a minha. Ela ficou mais para o canal e acabou surfando algumas ondas da série que vinham de um ângulo diferente. Algumas fechavam para quem estava no pico e abria para quem estava no canal.
  
Como era de se esperar, encontramos alguns conterrâneos. Uns que haviam acabado de chegar do surf camp do Henrique Pena em Asu. Outros que já estavam na área, como Kadu, Rrodrigo e três fotógrafos brasileiros -Junior Dabul, que mora na Austrália; o paulista Rodrigo Loureiro e o baiano Bruno Veiga.
  
Eles estavam trabalhando juntos. Um fotografava do barco, enquanto o outro fazia imagens da terra. Graças a eles e ao fotógrafo local Santos, consegui algumas fotos para ilustrar essa materia.
  
Valeu a força, galera!
 

E além de surfar e de fazer algumas fotos, consegui captar algumas boas imagens em video que irão ao ar em breve para um documentario no canal Woohoo.
 
Mas sem dúvida as melhores lembrancas não são as fotos nem o video, mas os momentos que vivemos interagindo com a natureza, com as pessoas locais, com os amigos e, no meu caso, com a família. Além de, é claro, com as ondas, o principal motivo da viagem.
 
Espero que daqui a alguns anos eu seja um daqueles caras experientes esperando a onda boa da série com quase 20 anos de Nias nas costas.

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