Carlos Bezerra

Uma palavra de fé

Quando o mar sobe, há sempre um amigo que acaba com dor de barriga. Foto: Luiz Claudio Duda.

Muitas vezes não entendemos quando um amigo não encara um mar que passou de um determinado limite.

 

Lembro nos meus tempos de moleque que, quando viajávamos em turma para algum pico em outro estado e o mar subia além do esperado, sempre havia algum de nós que adoecia com dor de barriga ou algo do tipo.

Natural possuir nossos limites, mas, hoje em dia, parece que expressar essas questões é sinal de falta de sucesso ou de incompetência.

Vivemos uma época onde a busca desenfreada pelo sucesso tem transformado a sociedade e as pessoas em seres desumanizados. Devido essa cultura não há espaço para o diferente ou para o que está fragilizado.

A sociedade atual só mostra o sucesso enquanto milhões de pessoas que não se encaixam nesse padrão ficam calados, sufocados, impedidos de expressar sua limitação, pois isso remete a uma energia negativa. Estamos adoecendo a raça humana com essa lógica mercadológica.

Isso é totalmente desumano, pois uma das características mais humanas tem haver com nos envolvermos na situação do outro, no problema, dificuldade ou fragilidade apresentada pelo outro. Misericórdia uns pelos outros, ou seja, meu coração sentir a dor do coração do outro.

Nossa sociedade tem transformado as pessoas em seres individualistas e “o que eu aprendo preciso guardar para mim”, pois assim tenho uma vantagem em relação ao meu “rival”. Triste quem vive assim. Com quem compartilhará seus conhecimentos? A quem ajudará com seu potencial? Sem perceber, construirá uma prisão para si.

Lembro de um caso no que diz respeito a um amigo amarelar, mas não assumir que ficou isolado em meio à bateria que fazíamos até que em certo momento alguém chegou junto dele, conversou e ele falou sobre a limitação em relação ao mar que estávamos surfando. Depois que os amigos perceberam a situação, nos programamos para ajudar no que pudéssemos em relação a sua limitação. Algo natural e necessário de se fazer.

Às vezes, confundimos sensatez com fraqueza e ela é justamente o contrário. Quando somos sensatos evitamos um monte de besteiras em nossa vida. Precisamos nos conhecer e ser insensato é um ponto de sabedoria para nossa caminhada.

Portanto, não negue para si suas limitações. Todos possuem as suas e você só poderá seguir em frente e superá-las se assumir para si e para o Criador das Ondas que as possui. Colocar panos quentes, se enganar,  empurrar com a barriga pela vida não vai resolver. Encare-os de frente.

Enquanto não enfrentarmos nossas arrebentações interiores não conseguiremos superar nossos limites. A motivação não é para ter sucesso e ser o melhor. A motivação precisa ser o desejo verdadeiro de se tornar uma pessoa melhor e com um potencial melhor. Sem comparações, sem a necessidade de ser melhor que ninguém. Precisamos superar a nós mesmos, esse é o desafio.

 

“O Criador das Ondas reserva a insensatez para o justo; como um escudo protege quem anda com integridade, pois guarda a vereda do justo e protege o caminho de seus fiéis. Então você entenderá que é justo, direito e certo, e aprenderá os caminhos do bem. Pois a sabedoria entrará em seu coração e o conhecimento será agradável à sua alma.” Provérbios 2:7-10

 

Boas Ondas.

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