Pedro Manga

Uma onda, dois ângulos

No ano passado, no México, o free surfer gaúcho Pedro “Manga” Aguiar produziu um dos seus clipes favoritos. As imagens foram produzidas com câmera aquática e o vídeo rolou ao som de Pink Floyd.  

A produção rendeu elogios de amigos e também de desconhecidos. Também foi exibida em sites internacionais e a quantidade de visualizações chegou perto de 50 mil.

Entretanto, por ter sido produzida inteiramente com imagens aquáticas – perspectiva pouco favorável para se avaliar a altura das ondas – algumas pessoas perguntaram a Manga que tamanho tinha o mar. “Alguns, antes mesmo que eu respondesse, já afirmavam que eram ondas de 4 ou 5 pés”, lembra o gaúcho.

Ironicamente, na mesma semana em que colocou seu clip na internet, o havaiano Koa Smith também divulgou um vídeo predominantemente feito com imagens aquáticas, e também usou Pink Floyd como trilha. “Sou amigo do Koa, mas nunca nos escrevemos e nem nos falamos, a não ser que estejamos surfando juntos em algum pico. Foi uma coincidência muito grande nós dois termos feito, naquela mesma semana, clipes com imagens aquáticas e com trilha da mesma banda – ou apenas mais um exemplo da conexão telepática que todos temos uns com os outros”, acredita Manga.

De qualquer forma, essa série de coincidências evidentemente deu origem a comparações entre as duas produções, principalmente nos sites gringos. Como muitos já sabem, o clipe de Koa acabou ganhando o prêmio de melhor imagem do ano, e isso não se questiona. “O clip dele ficou realmente surreal. São dois minutos de tubo em uma única onda. Mas confesso que foi um pouco doloroso – e ao mesmo tempo uma honra – ver minhas ondas, que eram o dobro do tamanho da dele (eu vi as fotos da sua session na Namíbia nas revistas) sendo comparadas com a onda dele. Me parecia uma comparação sem propósito, de duas coisas totalmente distintas. O fato é que as ondas do meu clip tinham em torno de 10 pés. Algumas foram tubos épicos, outras nem tanto, mas eram todas ondas com bom tamanho”, continua o free surfer.

Como não tinha, até então, nenhuma evidência disso (a não ser os registros aquáticos), a palavra de Pedro Manga não passava de uma história de pescador, talvez um pouco delirante. “Foi de certa forma um pouco frustrante ter feito algo com um grau de risco e dificuldade relativamente grandes, e não ter isso reconhecido. Tanto do ponto de vista profissional, quanto do ego (risos)”.
 

Em um belo dia, aproximadamente 8 meses depois, o gaúcho descobriu que existe uma caixa de mensagens no Instagram. “Quando abri minha inbox, havia  uma mensagem de um cinegrafista da Califórnia (EUA) dizendo ter filmagens daquele swell, e ele achava que podia ter coisas minhas. No fim das contas ele realmente tinha uma das minhas ondas daquele swell. O registro está aí para quem quiser curtir. Obrigado, Gage Hingeley(@Gagehingeley)”.

Manda revela ainda que não encontrou nenhum registro da melhor onda que surfou naquele swell, e provavelmente nunca encontrará, já que a sessão foi bem cedo. Ela começa no minuto 2:30 do clip do ano passado, pra quem quiser ver. “Essa sim, foi o diamante. Lembro que o lip estava muito longe da minha cabeça, o tubo muito grande e quadrado. A sensação que tive naquele momento foi de que daria para passar com um ônibus de dois andares por dentro daquele túnel. Momento bem intenso, mas ao mesmo tempo pude relaxar e curtir a experiência, pois a onda era tão perfeita e tão curvada que precisei apenas ficar parado sem ter que mexer a prancha. Mas essa vai continuar sendo história de pescador (risos)”, finaliza o gaúcho.

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