No último domingo, o surfista capixaba Derek Rabelo, 19, dropou pela primeira vez a Laje do Bin Laden, Guarapari (ES).
Deficiente visual, Derek teve a companhia e ajuda do bodyboarder Magno Oliveira – experiente no pico – que o guiou nas melhores ondas da série.
No relato abaixo, Derek fala sobre a sensação de surfar o pico pela primeira vez e revela o perrengue que passou ao sair do mar.
Há alguns meses, comecei a pegar onda com o bodyboarder Magno Oliveira. Sempre perguntava sobre as melhores ondas que ele havia surfado no estado e ele me falava amarradão das ondas que quebram nas lajes do Espírito Santo.
Isso despertou em mim o desejo de conhecê-las, principalmente o Bin Laden, que Maguinho sempre se referia como sendo uma das melhores ondas do Brasil.
Naquele dia pela manhã, tudo indicava que haveria ótimas condições de surf no Bin Laden. Acordamos às 5:30 horas e ligamos para Jackson Siqueira, descobridor da maioria das lajes de Guarapari e que estava doido para estreiar um novo equipamento fotográfico.
Todos estávamos instigados, pois seria a minha primeira vez no pico. Maguinho mataria a saudade de sua onda predileta e também a seria a estreia do equipamento do Jackson. Partimos então para um dos momentos que seria o ápice da minha carreira de surfista desde que comecei, há mais ou menos dois anos.
Quando avistamos as ondas ainda do carro, Maguinho não parava de gritar e narrar o que acontecia no meio do oceano. Nos preparamos rapidamente e pulamos da pedra para 15 minutos de remada mar adentro. Quando nos aproximávamos da laje comecei a ouvir o barulho das bombas. Agoniado, Maguinho já estava bem à frente e gritava para eu remar mais depressa.
Finalmente chegamos ao desejado lugar e nos posicionamos para dropar as “buracas”. No início confesso que fiquei meio aterrorizado, pois nunca tinha presenciado nada igual. A cada barulho da explosão na água, chegava a pensar que ficaria apenas assistindo do canal. Porém, meu comparsa das ondas sempre tentava me acalmar e me encorajar, pois o jeito que ele narrava as ondas e falava dos tubos fez com que a minha vontade de dropar falasse mais alto.
O meu maior medo era a cada onda que o Magno pegava, pois eu ficava sozinho no outside sem saber se uma série grande vinha em minha direção. Essa também era a maior preocupação do Maguinho. A primeira onda que dropei não foi muito boa, uma esquerda, mas serviu para quebrar o gelo, pois quando voltei para o pico já pedia por mais uma.
O bodyboarder não hesitou, me disse que as direitas estavam melhores naquele momento, mais tubulares, porém com um drop mais difícil. Na onda seguinte, Maguinho disse que era uma direita e que eu estava bem posicionado para ela, então foi só remar para baixo, tentar colocar no trilho e deixar o tubo rodar.
Porém não aconteceu como imaginei. A onda virou do nada e dificultou todos meus planos. Tive que fazer um drop agarrado, ou como gosto de falar “igual a um filhote de macaco agarrado na mãe”. No final da onda caí. Mas voltei ainda mais confiante e me posicionei para mais uma. Nisso veio uma esquerda e Magno falou para eu ir, fui e despenquei lá de cima.
O combinado seria irmos embora depois dessa onda, e que eu sentaria no canal e esperaria pela última onda do Maguinho. Porém, nesta vaca perdi o senso de direção e, ao invés de remar para um lado, remei para o outro, voltando mais uma vez para o pico.
Foi aí que o momento tenso aconteceu, remei no rabo de uma esquerda merreca só para sair do pico e esperar, mas não consegui entrar e, quando virei o bico para voltar para o outside, Maguinho, entendendo que eu já estava em uma área segura, não me avisou da série que vinha ao fundo. Continuei remando e do nada comecei a ter a sensação de estar escalando uma onda meio gorda, no entanto, quando menos eu esperava, comecei a fazer parte do lip e rodei junto com ele.
A danada me jogou lá no fundo, parecia um redemoinho que me sugava cada vez mais. Me tranquilizei e esperei passar, quando voltei a superfície, notei que tinha duas pranchas.
Sim, minha prancha foi quebrada ao meio pelo lip e, enquanto tentava entender a situação e gritava para o Magno (ele não me ouvia), o desespero começou a bater ao imaginar que tudo poderia se repetir.
Passou um tempo e meu brother chegou até mim. Começamos a dar gargalhadas da situação e nos preparar para uma longa remada de volta à costa.
Fonte Ride It







