Devaneios de surfista

Um refúgio em meio ao caos

Durante a semana o surfista fissurado fica preso na rotina da cidade grande. Foto: Renato dos Anjos.

Mas isso não impede que sua mente vá longe, em busca das ondas perfeitas. Foto: Aleko Stergiou.

Há tempos que reflito sobre a vida dos surfistas de finais de semana (como eu) que passam a maior parte do tempo na correria da cidade, em meio a construções, carros, gente e poluição.

 

Aliás, a palavra correria virou desculpa para a indisposição que a rotina diária nos traz. Porém, me atrevo a dizer que toda esta falta de tempo criou um novo tipo de surfista, o surfista de pensamento.

 

Pense bem, o fato de estar longe dos litorais durante toda a semana e o amor pelo surf nos faz ver uma onda perfeita em um simples muro de concreto.

 

Qual surfista nunca passou dentro de um túnel ou embaixo de um toldo de banca de jornal e se imaginou dentro de um tubo daquelas proporções?

 

Esta viagem me leva a surfar diariamente durante a semana, pois em momentos de stress estas situações acabam sendo um refúgio em meio ao caos!

 

Isso me leva a crer que somos pessoas privilegiadas da cidade, pois quem conhece o surf tem um motivo a mais para ser feliz: buscar uma qualidade de vida que nos torna seres humanos cada vez melhores.

 

Às vezes comento com pessoas próximas estes pensamentos e esta satisfação. Sinceramente fico pasmo, pois elas não conseguem nem chegar perto de compreender o que o surf representa.

 

Tenho certeza que passa pela cabeça delas algo do tipo: “que cara louco” ou “aproveita esta fase da sua vida, pois isso passa. Logo as responsabilidades vão chegar e você vai ter que parar com tudo isso”.

 

Até amigos que antigamente surfavam hoje fazem estes comentários. Acho engraçado a facilidade que as pessoas têm em largar coisas que as deixam felizes. Afinal, na vida já são muito poucas as que podemos escolher. Na maioria das vezes são as situações que nos escolhem, porém aquilo que podemos escolher optamos em não ter. Loucura né?

 

Isso só prova que muitas pessoas morrem ainda em vida, com desculpas como casamento, idade, namoro, filhos, tempo, entre outras. Ou seja, coisas que deveriam agregar, mas na real servem de justificava para não mais fazer o que lhes faz bem, para viver uma sem propósitos, sem essência!

 

Não sou nenhum crítico, muito menos sábio para fazer estes tipos de comentários, é apenas um desabafo. Agradeço a Deus diariamente por aquilo que o surf representa na minha vida e por permitir que este esporte faça parte do processo que ajudou a moldar meu caráter e que fez conhecer pessoas e lugares, ou melhor, ainda me fará.

 

Paro e penso como seria minha vida sem o surf, sem o pensamento irado daquelas viagens e das roubadas que até hoje são assuntos em conversas. Com todos que falo é inevitável não comentar o orgulho sobre o “tal do surf” e o que ele faz conosco, pois é uma maneira de descrever um pouco pra todos o que somos!

 

De onda em onda, de viagem em viagem quero continuar vivendo e fazendo isso pela minha vida inteira. Afinal, a busca pela satisfação perfeita que o surf proporciona nunca termina!

 

Aloha!

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