Conheci Fernando Gimenez Carazo no início dos anos 70 no Esporte Clube Pinheiros, São Paulo (SP), onde ele praticava tênis com seu pai e irmãos. Na época, ele frequentava os campeonatos amadores pelo Brasil e conquistou alguns títulos como campeão paulista interclubes.
Conforme foi crescendo Gimenez aumentou o interesse por outros esportes e começou a praticar natação, judô, futebol. Na infância, durante as férias de verão, o paulistano costumava ir para Bertioga com a família. Ele adorava passar os dias aproveitando a praia e foi aí que surgiu o interesse pelo surf.
A primeira prancha foi uma planonda (de isopor). Gimenez aproveitava o maximo suas férias de verão na praia porque sabia que depois o resto do ano seria de estudo e de tênis.
“Todo surfista almeja a onda perfeita. Mesmo tendo nascido na cidade de São Paulo, restrito as férias de verão de Bertioga, o surf me contagiou”, conta.
Até que aos 14 anos ficou totalmente fissurado pelo surf e começou a frequentar o Guarujá com seus amigos: Flavius Cynira, Claudio Babalu, Thomas Dias e Peninha.
A frequência nos finais de semana era sagrada na praia de Pitangueira, desenvolvendo um círculo de amizade por aqueles que frenquentavam os anos dourados do Guarujá.
Desta época, muita história para contar, como as primeiras pranchas inspirado pelo surfista Taiu. Gimenez fez uma Costa Norte 5’11” single fin. Naquela época ele via pranchas de shapers que via por lá como Johnny Rice, Ricardo Wanderbill, Patrô e até mesmo o havaiano Barry Kanaiaupuni, que também passou por lá fazendo altos foguetes.
Gimenez também tinha o falecido Paulo Tendas como grande ídolo, além de caras que ele via naquela época já com muita informação e surf: Eduardo Baía, Fabinho Gorenga, Alfio e Carli Lagnado, Rony Carrari, Elton Preiss, Nelsinho, Samuel, Toto, Jorge Pacelli, Murilo e Xan Brandi, Christian e Dodô Von Siddow…
“E como se eu subisse os degraus, depois de Guarujá, com meu amigo Cinyra fui para Ubatuba surfar as praias de Itamambuca e o Felix, tendo amizade com os grandes Zecão, Demon e Artur Scatena”, narra.
Vivendo há alguns anos no North Shore da ilha de Oahu, Hawaii, com a bela família que ele construiu, as lembranças não param e ele dispara a falar de várias pessoas que ele considera e se orgulha da amizade os irmãos Salazar, que na época dos estivais de surf, Picuruta ganhava tudo.
Ele também adora lembrar dos churrascos patrocinados pelo Serapião, feitos até mesmo dentro de apartamentos.
“Nunca vou esquecer das minhas primeiras pranchas da Costa Norte, as triquilhas do Mr Wanderbill, das histórias que eu ouvia no Pinheiros, das trips para o Sul do Brasil em Imbituba e Peru – Chicama, Punta Hermosa com Maurício Villard, Ayrton Fagundes (Airtinho r.i.p.), Fernando La Farina, caras que já faziam essas barcas desde 1973. Também me lembro das sessões de filmes de surf no colégio Sacre Couer junto com o Babalu (Claudio Nasse)”, recorda Gimenez.
Ao lado de seu amigo Cynira, Gimenez naturalmente começou a cair pelo mundo atrás das ondas e até hoje não parou mais de navegar pelos sete mares, mesmo casado e com três filhos.
Gimenez continua na estrada com sua esposa Jeniffer e os filhos Kevin e Fernanda. Radicado no North Shore, ele vem dando aulas e treinos de jiu-jitsu e é faixa-preta do mestre Ryan Gracie, sendo sempre requisitado para sessões particulares na ilha, onde treina com caras como Kai Garcia, James Labrador e Dustin Barca.
Além de manter os filhos na Sunset School Elementary, o casal procura dar o melhor para eles e há dois anos estiveram em Bali por dois meses.
E como ele mesmo adora falar, são as inúmeras viagens pela Indonésia com Ianzinho, Lívio Bruni e Cynira que lhe deram grande bagagem.
Ele adora as esquerdas de G-Land, Uluwatu e Padang. Na sua primeira vez no Hawaii, em 1981, Gimenez se encantou e colecionou muitos amigos, o que o fez retornar à ilha.
No jiu-jitsu, Gimenez começou em 1990 com o mestre Marcelo Behring, em São Paulo, mas conheceu o mestre nas trip de surf em Bali com o carioca Fernando Bittencourt.
No jiu-jitsu, Gimenez coleciona vários títulos como campeão brasileiro, paulista, carioca, além do pan-americano no Hawaii, obtido em 1997.
Hoje e sempre Gimenez representa Marcelo Bering e Ryan Gracie. Ele também faz parte do quadro de juízes do Triple Crown de jiu-jitsu da ilha de Oahu.
“Vivendo este sonho aqui no paraíso do Hawaii junto com minha bela esposa Jeniffer e meus filhos que tanto adoro, Kevin e Fernanda, consigo unir o surf muito feliz com minha profissão de professor de jiu-jitsu”, explica.
Ele aproveita para agradecer a amizade de pessoas como Álfio Lagnado, Diego Mota e a galera da Volcom. Para ele, não é muito saudável ficar vivendo só de recordação, mas viver o presente intensamente e lembrar do passado como história e fatos é bem interessante.
“O importante é não parar aqui. Em Oahu, um exemplo disso tudo é ver senhores de 60 a 80 anos que ainda vão buscar seu sonho atrás das ondas, do surf, mantendo-se com saúde e forma física. O importante é estar tendo dias agradáveis de surf, vivendo a modernidade e sem deixar o passado para trás. Mas nao deixar apagar a chama da busca da onda perfeita daquele tapete liquido perfeito, aloha para todos”, finaliza Gimenez.














