A tetracampeã mundial Neymara Carvalho confirma seu favoritismo até o momento e avançou em todas as baterias que participou no Cobra D´Agua Bodyboarding Show, terceira etapa do Circuito Mundial de Bodyboarding que rola na praia da Armação, Salvador (BA).
Em um bate-papo descontraído, ela fala sobre carreira, família, despedida de Tâmega e, claro, das ondas da capital baiana.
Está gostando do evento?
Demais! Muito bem organizado. Estrutura de primeiro mundo. A Bahia está de parabéns por trazer um evento deste porte para o Nordeste, coisa que ainda não conseguimos no Espírito Santo, apesar do tetra mundial, mas, com fé, vai rolar.
Início de temporada arrasador, hein? Venceu duas etapas do mundial e avançou aqui na Bahia.
É verdade! Estou super motivada, espero que continue assim até o final. No entanto, minha bateria não foi fácil, esperei muito a onda boa e consegui uma virada perto do término.
Como você avalia as condições do mar em Salvador?
A irregularidade das ondas torna a competição mais difícil. Não é uma onda linear, que permita ganhar velocidade e projeção. Tem que pegar e pensar rápido, por que fecha logo! Isso é bom, pois, torna a gente mais versátil.
As meninas também não facilitam…
Claro, é preciso respeitar muito as meninas que estão chegando. Aqui na Bahia tem a Juliana Dourado e a Tatiane Meneses. No Ceará, Isabela Sousa, Maira Viana, Jessica Becker, Mayll Venturin, no Rio. E muitas outras de ponta.
No masculino também?
Lógico! Um exemplo disso é o próprio Uri Valadão, que acabou trazendo o título de 2008 aqui pro Brasil.
No cenário mundial, o Brasil se destaca, né?
O Brasil sempre será favorito a títulos mundiais. Ao contrário das gringas, nós temos competições estaduais estruturadas e um trabalho de base forte, tanto no Nordeste quanto no eixo Sul. Já elas, só disputam etapas internacionais.
Sem falar que o mar aqui é diferente…
Certamente! Elas pegam mais em fundo de pedra, que é outro tipo de onda, além de passar quase um semestre explorando ondas diferentes. Aqui, a gente surfa em condições adversas, tanto no mar quanto em relação a patrocínio.
Já que você tocou no assunto, a falta de patrocínio é justamente o motivo da despedida de Tâmega…
É muito triste receber essa notícia. Acho que os governos, principalmente, o Federal, deveriam criar políticas de apoio ao atleta amador, assim, o Guilherme não estaria nessa situação. No lugar dele, talvez fizesse o mesmo. Espero que não aconteça.
Logo o bodyboard, que traz tantos títulos…
Pois é. Já tive que vender bens para disputar etapas do mundial. Já pensei em parar, mas acreditei no meu sonho e segui em frente. A essa altura de nossas carreiras, não é possível fazer mais isso. Hoje, temos família.
E quem é essa gatinha aí em seu colo?
Ah, essa é Luna, minha filhota. Já viajou algumas etapas comigo. Quando eu estava grávida dela, peguei onda até os cinco meses e voltei dois meses depois que nasceu. É ela quem me dá uma motivação extra.
Obrigado, Neymara. E boa sorte!
Tomara que ela continue do meu lado, para levar mais essa etapa. Ainda mais aqui na Bahia, espero contar com a ajuda de todos os santos!
