BB Barcellos

Um ano perfeito

A ano de 2012 chegou. Fim do mundo? Bom, pelo menos não para mim. O ano mal começou e já chegou repleto de coisas boas. Já estava com saudades de contar minhas histórias, mas como todos sabem, 2011 foi um ano complicado na minha carreira.

Tudo estava perfeito, até que em fevereiro sofri um acidente aqui em Pipeline. O mar estava muito bom, surfei por umas 2 horas e as ondas não paravam de subir. Fui até em casa e peguei a câmera para fotografar.

Estava clássico, devia ter mais de 3 metros, mas no final da caída veio uma série monstro. Consegui passar quatro ondas, mas a quinta veio com um double lip (como chamamos aquelas ondas que formam um degrau embaixo). Sabia que não tinha como escapar, estava bem raso e não deu para mergulhar o suficiente.

A onda me jogou de lado na bancada. Só deu tempo de proteger a câmera e minha cabeça. Bati o rosto e o ombro nas pedras. Quando subi, já coloquei a mão no meu ombro e senti que havia me ferrado, minha clavícula tinha saltado. Chegou uma galera perguntando se estava tudo bem, na real falei que sim, mas eu vi quase tudo dobrado, consegui sair sozinho e fui direto ao hospital fazer um raio-x.

Resultado: luxação da acro-clavicular de nível 5, com direito a rompimento dos ligamentos. Em três dias já estava no Rio de Janeiro para marcar minha operação. Assumo que fiquei com um pouco de medo, mas meu fisioterapeuta me falou que como uso muito o ombro não teria como recuperar 100% se não fosse a operação. A dor foi bem pequena comparada a que eu sinto nas costas devido a duas hérnias de disco (risos).

Depois de seis semanas na tipoia, tirei o pequeno gancho que segurava a clavícula no lugar depois da cirurgia. Meu braço parecia de um idoso de 80 anos, não tinha músculo nenhum e eu nem conseguia contraí-lo. Foram mais de oito meses de fisioterapia e academia para fortalecer a musculatura e voltar à minha forma.

Aí começam as coisas boas. Logo no primeiro dia deste ano um swell irado pintou no Hawaii e fiz a minha primeira foto de capa em uma revista de surf. No final de janeiro comemorei meu aniversário com os amigos e com minha mãe e em fevereiro foi o grande dia do meu casamento.

Estava tudo perfeito, familiares meus e da minha esposa vieram para a festa. Mas, como não poderia faltar, sempre aparecem detalhes de última hora: a arrumação do altar na praia, fotos, noiva como sempre atrasada (risos)! Agradeço a todos que ajudaram a montar, cozinhar, filmar, fotografar e que dividiram comigo esse momento tão especial na minha vida.

A cerimônia foi muito maneira, com um final de tarde lindo e altas ondas em Haleiwa. Amigos presentes e eu me casando como sempre quis, descalço, de bermuda, com minha noiva (agora esposa) Claudine, com um vestido curto, sapato vermelho, igual a uma Barbie.

Sem contar que no final da cerimônia apareceram umas nove tartarugas centenárias para fechar com chave de ouro. A recepção também foi irada, receber nossos amigos e familiares no clima havaiano, com comida brasileira muito bem feita por nosso amigo Rodriguinho. Foi animal!

Ainda em fevereiro recebi o wildcard da abertura do mundial em Pipe. Quando vi a previsão do mar já sabia que este campeonato entraria para história. O primeiro dia começou com uns 1,5 metros e no final de tarde as ondas já passavam do 2,5.

No segundo dia simplesmente Pipe amanheceu com 4 metros clássicos. Foi um prazer assistir todas as baterias, ainda dei sorte de competir uma bateria no final de tarde. As ondas estavam animais, consegui pegar dois tubos irados e passei em primeiro.

No último dia as ondas estavam mais uma vez perfeitas. Passei uma bateria muito difícil ao lado de Ben Player, na qual consegui virar em cima do Ryan Hardy na última onda. Foi um daqueles tubos bem difíceis em Pipe.

Perdi nas quartas-de-final. Quase cheguei às semifinais, mas o australiano Dave Winchester pegou um 10 nos últimos instantes e me jogou para fora do campeonato.

Fiquei feliz em começar o ano já com um resultado maneiro e acabo de confirmar que em maio vou para o Chile trabalhar para uma revista de surf brasileira. Já fico para o campeonato.

Adoro competir em Arica e estou amarradão em voltar ao circuito. Agora é focar nos treinos, escolher as melhores etapas e torcer para dar altas ondas!

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)

Doutor Guilherme Vieira Lima, explica como a estabilidade do core define a potência das manobras e protege o corpo de lesões crônicas.