Por trás das notas

Um ano para ficar na história

Independente de qualquer resultado em relação ao título mundial do WCT, acredito que este ano foi  um dos melhores para o surfe competição dos últimos anos.

 

Mesmo não tendo sido um ano de altas ondas no circuito, aconteceram performances históricas, uma corrida pelo título que gerou uma rivalidade inigualável, que se somados ao  novo formato do WQS e a conseqüente troca da guarda e aos novos critérios de julgamento, prometem um grande ano para 2006

 

Se Kelly Slater for campeão teremos um fechamento com chave-de-ouro, mas com um triste sentimento de que heptacampeão, uma possível aposentadoria está próxima.

 

Por outro lado se Andy Irons conseguir recuperar a vantagem nestas duas últimas provas, teremos uma arrancada inédita para um tetra-campeonato mais do que merecido, e ainda a possibilidade de ter Slater por mais tempo.

 

O circuito começou com a tradicional perna australiana. Na primeira etapa em Snapper Rocks, vitória do Mick Fanning.

 

Surfando muito bem, ele impressionou pela modernidade e a alta velocidade em suas apresentações, ainda mais depois de ficar meses afastado por contusão.

 

Depois as ondas começaram a brincar de gato e rato com as provas e o evento de Bell’s Beach, famoso pelas ondas grandes, terminou em ondas de 1 metro na ilha de Phillip Island.

 

O australiano Trent Munro acabou levando a melhor e terminando esta primeira fase como líder do circuito.

 

As coisas começaram a esquentar na terceira etapa no Tahiti até então tudo continuava como nos últimos anos.

 

Slater tinha tido um começo apenas regular e seu rival Irons já tinha feito um final na segunda etapa e estava entre os primeiros.

 

A vitória consagradora e histórica com um duplo 10 na final na temível onda de Teahupoo fez tudo mudar e a motivação do hexacampeão fez o circuito ganhar graça e emoção.

 

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Com a vitória em Fiji duas semanas depois, Slater não só mostrou ainda ser o melhor, como fez manobras impossíveis e tirou tubos que muito poucos conseguem, ainda mais durante uma competição.

 

Na quinta etapa, o australiano Mick Fanning ganhou mais uma vez e entrou na briga pelo título, mostrando que não venceu na Austrália por acaso.

 

Logo em seguida, na etapa de Jeffreys Bay, ocorre o primeiro grande confronto do ano e, na final, Kelly ganha com uma onda quase perfeita, surfada nos últimos instantes da bateria, quando a vitória de Irons parecia certa.

 

Na etapa japonesa quando tudo parecia conspirar a favor de Slater, Irons dá o troco em outra final emocionante, virando o jogo nos últimos minutos da bateria,  mostrando que surfar melhor não é tudo no surfe competição.

 

Quem escolhe melhor as ondas sempre leva vantagem.

 

Na etapa da Califórnia, Slater ganhou mais uma vez, a quarta deste ano, surfando muito bem em Trestles, uma de suas ondas favoritas, porém este resultado foi muito contestado devido à uma onda que foi superpontuada na final contra uma das revelações do ano, o australiano Phillip Macdonald.

 

Na última etapa, mês passado ao Sul da França, Slater repetiu os erros de escolha de onda, surfando como nunca.

 

Mas esteve um pouco ansioso e pegando qualquer onda. Acabou em quinto lugar e deixou caminho livre para o adversário vencer, aproximar-se e continuar com chances de ser campeão este ano.

 

Kelly está surfando como nunca, tira tubos com maestria, suas manobras são as mais fortes, ele ataca a onda como ninguém, sempre destruindo o lip das ondas e invertendo completamente a prancha em suas manobras.

 

Está elevando o nível de suas performances totalmente motivado pela chance de superar-se e de ganhar o título mundial mais uma vez. Para ele está sendo um grande prazer acompanhar as etapas este ano.

 

Andy Irons, um verdadeiro campeão, é capaz de surfar bem tanto no Hawaii como em qualquer beach break do mundo.

 

Ao mesmo tempo, mostrando ser um supercompetidor, grande observador, sempre no lugar certo para pegar as melhores ondas que se apresentam e está transformando esta corrida ao título numa das maiores rivalidades, se não a maior do surfe mundial.

 

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Por falar em prazer de acompanhar as etapas, temos agora além da melhora técnica das transmissões pela internet, a transmissão por TV a cabo pelo Sportv, o que trouxe uma nova dimensão para o surfe e faz nosso esporte se tornar ainda mais popular e que se afirma dentro de nossa sociedade, com direito a mesa redonda (só falavam de futebol, o dia inteiro, a mesma coisa em vários canais) e bons índices de audiência.

 

O formato do WQS, a princípio um pouco conservador, mostrou-se eficiente e renovador, criando um verdadeiro caminho rumo ao WCT.

 

Este próximo ano provavelmente ocorrerá a maior troca de guarda da elite do WCT dos últimos anos.

 

O curioso é que, por terem menos privilégios, muitos tops nem se deram ao luxo de participar do WQS, o que abriu grande terreno para a nova geração e para alguns que não conseguiram bons resultados e que estão tentando reclassificação  para o WCT através do WQS.      

 

Para os brasileiros este foi um ano de poucas alegrias e grandes esperanças. Poucas alegrias devido aos poucos bons resultados de nossa turma do WCT, tirando a regularidade de Paulo Moura e os lampejos de Peterson Rosa, Raoni Monteiro e Victor Ribas. Assim, pouco tivemos para comemorar.

 

Todos ainda precisam de outro resultado para uma classificação mais tranqüila. A esperança vem pela nova geração do surfe brasileiro, comandada pelo incrível Adriano de Souza e por Pedro Henrique, já garantidos no WCT, e por Jihad Kodhr, já quase lá.

 

Eles podem dar muitas alegrias ao surfe nacional.

 

Para fechar, este foi um ano histórico pelo título inédito de campeão mundial Júnior (sub 18) conquistado pelo Jefferson Silva em Huntington Beach, Califórnia.

 

E pelo fato de que, pela primeira vez na história a CBS (Confederação Brasileira de Surfe) o governo brasileiro financiou verba para as passagens da equipe que representou muito bem o país, ficando com a medalha de prata entre 28 países.

 

Para finalizar o ano, seria bom uma vitória brasileira na etapa do Sul, o título do WQS e um número recorde de brasileiros no WCT para 2006. Valeu e boa sorte a todos.

 

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De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)

Doutor Guilherme Vieira Lima, explica como a estabilidade do core define a potência das manobras e protege o corpo de lesões crônicas.