Indignado com a punição imposta ao paranaense Jihad Khodr, o manager Rodrigo Tusca vai recorrer à Justiça Comum assim que receber um documento da Associação Brasileira de Surf Profissional (Abrasp) oficializando que Jihad não é mais o campeão brasileiro profissional de 2007.
De acordo com Tusca, o exame antidoping realizado na Barra da Tijuca (RJ), durante a quinta e última etapa do circuito nacional, aconteceu de forma irregular, não seguindo o livro de regras do Ministério do Esporte.
O livro determina que o atleta deve receber uma notificação oficial contendo todas as informações necessárias assim que encerrar sua participação na competição, o que não aconteceu, segundo o manager.
“Nesse momento o Jihad poderia tirar as dúvidas que tinha em relação à medicação e suas consequências. Não tenho dúvida de que se tudo fosse feito corretamente e com calma, ele teria realizado o exame. Não o respeitaram; ele ainda estava no meio da disputa pelo título da etapa e o artigo 9º do regulamento exige que só haja punição se todos esses procedimentos forem realizados. Isso é um direito do atleta”, afirma Tusca.
Segundo o manager, na reunião do conselho executivo ele defendeu que, no máximo, Jihad poderia ser punido de acordo com outro artigo do Código Brasileiro de Justiça Desportiva que prevê suspensão de 30 a 90 dias, por “deixar de cumprir, relativamente à dopagem, na forma ou nos prazos estabelecidos, as determinações deste Código, Legislação Federal, Normas Nacionais e Internacionais e Regras de cada modalidade, se da omissão resultar prejuízo para o controle da dopagem (art.248)”.
“Não posso permitir que tirem do Jihad um título que ele conquistou na água, e acusá-lo de quebrar um regulamento que também foi quebrado contra ele. O conselho da Abrasp agiu de forma irregular ao não se basear apenas no que dizem as suas próprias regras. Nenhum atleta profissional merece o tratamento que deram, muito menos um bicampeão brasileiro”, critica Tusca.
Marcelo Andrade, diretor executivo da Abrasp, respeita a decisão de Tusca, mas discorda das declarações do manager.
“Em primeiro lugar, é bom deixar claro que a Abrasp não tirou o título do Jihad. Ele foi punido com a perda dos pontos e da premiação da última etapa, seguindo o livro de regras da entidade. Com isso, caiu para a segunda posição no ranking e foi ultrapassado pelo Renato Galvão. Se o Galvão não vencesse a etapa, o título continuaria nas mãos do Jihad, mesmo depois da punição”, diz Marcelo.
“Há três anos a Abrasp realiza o exame na etapa final do circuito brasileiro e ninguém nunca contestou nada, pois tudo está no livro de regras. O Piu Pereira (team manager da Quiksilver Brasil) presenciou o sorteio, o próprio Tusca afirmou que estava sabendo do resultado e até foi perguntar ao Juca de Barros (responsável pela coleta) como era feito o antidoping. A Tininha (sorteada entre as semifinalistas da categoria feminina) fez o exame e assinou tudo certinho”, continua o dirigente.
De acordo com Marcelo, quando Tusca soube que a ausência no exame poderia custar o título de Jihad, o manager enviou uma carta dizendo estar arrependido. “Ele sabe que errou. Não podíamos deixar isso passar em branco, mas se quiser recorrer à justiça, é um direito que ele tem”, conclui o diretor executivo da Abrasp.
Saiba mais
Abrasp confirma data de julgamento
