
O Brasil possui recursos naturais de valor incalculável, que se traduzem de diversas formas, como a maior biodiversidade de espécies do mundo, maiores reservas de água doce do mundo, enorme variedade de ecossistemas, etc.
Temos ainda uma geografia peculiar, com planícies, planaltos, montanhas, e a presença da Serra do Mar em boa parte da costa brasileira. Essa geografia, somada à extensão territorial brasileira (desde a zona equatorial até a região sub-tropical) e aos recursos hídricos, acaba criando condições para o aparecimento de grande variedade de ambientes, como o pantanal, a mata atlântica, o cerrado, as florestas de araucária, os campos de altitude, sem contar a Amazônia, com suas diferentes formas florestais.
Tudo isso faz com que o Brasil tenha em todo seu território paisagens deslumbrantes, entre as mais belas do planeta. A pequena lista abaixo sintetiza um resumo das belezas naturais brasileiras: reserva do Xingu, Pororoca, Chapada Diamantina, Fernando de Noronha, Abrolhos, Aparados da Serra, Ibitipoca, Pantanal, Bonito, Chapadas dos Veadeiros e dos Guimarães, Jalapão, Monte Roraima, Delta do Parnaíba, Foz do Iguaçu, Lagoa do Peixe, e ainda as inúmeras praias (Rosa, Joaquina, Félix, Ponta do Atalaia, Itaúnas, Jericoacoara, Mangue Seco, entre outras…).
Adicione a isso a riqueza cultural, as tradições, as festas, a música, a arte, a comida, as lendas e o temperamento acolhedor (na maioria dos casos) dos brasileiros. Também é barato viajar no Brasil, afinal um dólar vale cerca de três reais.
Reunimos em nosso país condições propícias para atrair um grande número de turistas, porém, recebemos menos gente que a Polônia, cujos atrativos têm muito menos apelo que os do Brasil. Nosso país não possui uma política de divulgar nossas riquezas, e assim o resto do mundo só lembra de nós pelo futebol e pelo carnaval, de forma que o setor mais organizado do nosso turismo acaba sendo o sexual – o que deveria ser motivo de vergonha.
Para piorar, ao optar pela ocupação total das áreas mais valorizadas, adotamos um modo de ação de destruir os recursos naturais. E também eliminamos as manifestações culturais locais, substituindo-as por outras vindas da “cidade grande” (vide as “raves” em Noronha, Trancoso, etc).
É uma estratégia perversa: destruir o motivo que atrai o turista, excluir a população local e permitir que apenas alguns grupos se beneficiem economicamente… Ao mesmo tempo, nosso país sofre pela falta de empregos e pela má distribuição de renda, que geram instabilidades sociais no campo e violência nas cidades.
Por outro lado, a situação poderia ser diferente se o Brasil passasse a ter uma outra visão e estimulasse o turismo não-predatório, o que significa: 1 – preservar os recursos naturais e culturais para continuar atraindo os turistas por tempo indeterminado; 2 – capacitar a população local para receber o turista (em empregos regulares e/ou atividades alternativas, como artesãos, guias ou instrutores de esportes radicais), agregando valores e permitindo assim a geração de empregos e uma melhor distribuição de renda.
Vejamos o exemplo da Costa Rica, que preservou suas riquezas naturais, virou sinônimo de bom lugar pra viajar, atrai muito mais gente (em proporções) do que o Brasil e assim lucra muito mais.
Pensando em números, o turismo é um mercado que pode movimentar mais dinheiro do que a maioria das indústrias e muito mais do que o setor de construção civil – aquele que mais pressiona pela ocupação. Mas tem a vantagem de dividir os lucros com a população, ao invés de concentrá-los nas mãos de elites. Já os ganhos culturais e pessoais que o intercâmbio cultural pode proporcionar são incalculáveis.
Ainda dá tempo de mudar o jogo e reverter esse placar. Basta um pouco de visão…