
Neste inverno aqui na Nova Zelândia eu e três amigos alteramos o destino de nossa surf trip. Em vez de viajar para a Indonésia, como programado, partimos em direção à Samoa, na Polinésia. Não poderia ter sido melhor.
Meses depois da barca, já em casa, tivemos um alarme de tsunami aqui na Nova Zelândia. Evacuamos a cidade e, por sorte, ele não afetou o país. Mas, quando checamos os jornais, caiu a ficha que Samoa tinha sofrido, e muito, com o tsunami.
O vilarejo no qual ficamos instalados já não existe mais. Famílias que nos trataram como filhos perderam seus negócios. A principal fonte de renda, o turismo, vai ladeira abaixo. Aqui na Nova Zelândia a televisão bombardeia anúncios positivos na tentativa de levantar Samoa como destino turístico.
Resolvi escrever este artigo também para ajudar. Tento passar uma vibe positiva do lugar, pois quando se fala em Samoa vem na cabeça a desgraça que rolou. Aloha. Ou melhor, Malo. Esta é a palavra mais usada na Ilha de Samoa, que nada mais é do que um simples olá em português.
Samoa é uma ilha tropical pouco explorada por surfistas, mas com um potencial absurdo de ondas e tubos. A água é quente e cristalina. Os corais afiados. O povo é simplesmente incrível. Samoa sofreu com um tsunami há dois meses e centenas de pessoas perderam suas vidas. O arquipélago hoje sofre com a saudade e com a queda do turismo.
Hoje a ilha está calada, triste. Famílias perguntam o porquê deste desastre natural. Não terão as respostas, mas a mãe natureza com poucas palavras nos prova o poder de sua força.
Vivo há seis anos na Nova Zelândia e já tivemos neste período três avisos de tsunami. Neste último, os principais afetados foram Samoa e a Ilha de Tonga. Mas Samoa segue no mesmo lugar, o povo também. Junto com todo cenário de um paraíso tropical, estão bancadas e mais bancadas que seguram boas ondas do Pacífico.
Já estive no Hawaii e Samoa me fez lembrar a Meca do surf, porém com uma grande diferença. Em Samoa não tem crowd. Também não tem surfistas locais. Os samoanos respeitam o mar e curiosamente não atravessam as arrebentações.
Aliás, tem sim surfistas locais, e conhecemos os únicos dois. Um na ilha de Savaii e um na ilha de Upolu, este último nosso guia durante a hospedagem no Maninoa Surf Camp, acomodação que foi levada pelas águas no dia 29 de setembro e hoje está em fase de reconstrução.
A ilha sofre com a destruição e a baixa do turismo. O povo local, que depende desta atividade, passa por momentos difíceis. Muitas vezes tentamos evitar regiões onde a mãe natureza castiga, mas esquecemos que no mundo morrem muito mais pessoas na guerra e no crime do que na paz e na busca das ondas perfeitas.
Não é para pensar que nunca mais vai acontecer. Pensar que aconteceu é até melhor, mas não é este o motivo que me afastará das ilhas da Polinésia ou da Indonésia. O que mais gostei em Samoa foi a ausência do crowd em ondas perfeitas.
Nunca foi tão propício marcar sua surf trip para este paraíso da Polinésia, que sofreu muito, mas sofre ainda mais com a falta de nós surfistas e turistas. Lembre-se de oferecer ajuda, pois eles precisam, e resgatar o sorriso de uma criança samoana é muito mais que ganhar um simples Malo.
Segue o vídeo de nossa surftrip regada de energia positiva. Nunca nos arrependemos por ter trocado as passagens da Indonésia e seguirmos viagem em busca de explorar mais um paraíso na Polinésia.
Samoa é lindo, tem altas ondas e espera por você.