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Tríplice Coroa Australiana

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Bells Beach, uma das três paradas do Tour na perna australiana. Foto: © WSL / Kirstin

A tríplice coroa australiana não tem um troféu, tão pouco um prêmio especial como nas três etapas havaianas, e sequer tem um nome, mas bem que poderia. Na Terra de OZ, as três etapas são do Tour têm maior relevância e importância para a elite do surfe profissional e dão moldes à disputa pelo título mundial do decorrer do ano, apesar de o CT na Austrália ocorrer em ondas tradicionais, distintas em formação e grau de dificuldade e emblemáticas na história do surfe mundial. O líder do ranking deveria levar à quarta etapa do Tour mais do que a camiseta amarela, merecia sim um título.  

O ano começa na Gold Coast, terra que hospeda a entidade dona do circuito. A costa dourada também é berço de campeões mundiais como Mick Fanning, Joel Parkinson e Stephanie Gilmore. E não é à toa. A WSL tem à disposição para realização da etapa as ondas de Snapper Rocks e Kirra. Ambas de qualidade indiscutível, mesmo que a segunda já tenha vivido dias melhores no passado. As direitas da Gold Coast asseguram que a etapa ocorra com ondulações mínimas de menos de meio metro, como as destroçadas por Filipe Toledo em fevereiro deste ano, até bem maiores, que normalmente seriam surfadas em Kirra. Água quente, praia lotada e ondas propícias para alta performance dão ao CT um ótimo começo de ano no país que iniciou o circuito mundial  com a extinta IPS e que divide com os americanos a maior rivalidade por títulos mundiais do surfe competição. 

Após a primeira etapa, os atletas da elite celebram a páscoa buscando um sino. O campeonato mais antigo da história do mundial de surfe é um espetáculo de ondas perfeitas cercadas do charme de um pedacinho encantado de costa conhecido como Great Ocean Road, que vai da pequena Torquay, sede de Rip Curl e Quiksilver, passando por uma escultura dos mares chamada Doze Apóstolos. Bells Beach, na bancada de Rincon ou no Bowl, divide as possibilidades de realização do evento com Winkipop, logo ao lado. Esta última defendida por Adam Robertson, surfista local e segundo colocado no evento de 2009, como melhor que Bells. Aqui cabe um parêntese. Os australianos dificilmente divulgam seus tesouros e isso justifica Winkipop só ter sido palco do evento em 2009. Os locais não querem divulgar ao mundo suas melhores ondas. O mesmo acontece no oeste da Austrália, onde o evento é sempre realizado no Main Break de Margaret River ou The Box, enquanto há tantas outras ondas melhores na mesma costa. Voltando a Bells, as geladas direitas são um desafio à leitura de onda dos atletas que sonham com o direito de terem a cara pintada no pódio pelos aborígenes e gravarem seus nomes no troféu mais bonito do ano. Essa honra, que Adriano de Souza quase garantiu pela segunda vez este ano, coloca os vencedores desse evento ao lado de campeões mundiais como Mark Richards, Tom Curren, Tom Carrol, Damien Hardman, Martin Potter, Barton Lynch, Kelly Slater, Sunny Garcia, Mark Occhilupo, Mick Fanning, Andy Irons e Joel Parkinson.  

A longa perna australiana permite os atletas desfrutarem por quase dois meses da vasta beleza natural, qualidade de vida, ondas boas e excelente infraestrutura da Austrália. O desgaste aqui talvez seja financeiro para os menos abastados, já que o custo de vida na Austrália é caro. Mas cada centavo se paga, vencendo baterias ou não. A Austrália se despede do Tour na sua costa mais selvagem, no estado de Western Austrália, cidade de Margaret River. Após surfarem ondas do Oceano Pacífico e mares do sul, a parada agora está no sul do Oceano Índico, numa infinidade de ondas boas. O Main Break mostra ao público as habilidades dos surfistas de ondas grandes quando o swell realmente mostra as caras, como aconteceu este ano. A onda alternativa, The Box, serve para dinamizar a disputa, que ao final dá ao surfista mais completo o direito de marcar o nome nas escadarias que dão acesso à praia.  

Com um terceiro, um segunda e um primeiro lugar nos três primeiros eventos do ano, em condições tão distintas e desafiadoras, Adriano de Souza merecia mais do que uma camiseta amarela. O brasileiro já é um campeão e honrou os amantes das linhas bem desenhadas com um surfe tão polido quanto poderoso. A Austrália foi brasileira nesse início de temporada. Parabéns Adriano. Persista em busca de seu sonho. O final do ano deve reservar o troféu que você tanto merece.

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

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