Trinta dias surfando de norte a sul da Nicarágua. O fotojornalista e surfista Márcio Fernandes passou assim o último mês de outubro com alguns amigos.
Sua primeira parada no país vizinho da Costa Rica (e menos famoso – por isso mesmo, menos crowd) foi Miramar, no norte. Lá, Punta Miramar, Pipes e Puerto Sandino são ondas constantes de março a agosto, melhor época do ano para viajar, mas que continuam quebrando perfeitas em setembro e outubro, período das chuvas.
As ótimas ondas tubulares escondem alguns perigos. Certo dia, seis pessoas estavam surfando em Puta Miramar quando um gringo começou a gritar: “Crocodile! Crocodile!”. Correria para sair do mar, cada um remando para um lado. O bicho, de uns três metros (deu para ver quando ele subiu rapidamente à superfície), provavelmente escapou de sua “rota”, um rio que desemboca a 800 metros do pico.
Triste foi ficar assistindo aos tubos depois, da piscina do Miramar Surf Camp – quem em sã consciência se arriscaria a cair, sem saber por onde andava o tal crocodilo?
Aliás, o Miramar Surf Camp é a melhor opção de hospedagem no norte do país. Os donos, os potiguares Rafael e Leandro, conhecem todos os picos, olham a previsão e sabem dizer onde vai quebrar melhor e ainda têm barco para levar os hóspedes até as melhores ondas (para Puerto Sandino, por exemplo, só é possível chegar assim).
À noite, vale a pena dar um pulo na cidade de Leon para ir a algum bar de salsa, no que os nativos chamam de “ Salsa Night ”. A melhor noite, segundo eles, é a de quinta-feira.
Para descansar do surfe, a galera resolveu tirar um dia para conhecer o vulcão ativo Cerro Negro e praticar o “ Volcano Boarding ”, um esporte nativo muito parecido com o nosso esquibunda. Ele começa com uma caminhada de cerca de uma hora e meia até o topo do vulcão. Lá em cima, você veste um macacão de um tecido grosso, óculos de proteção e uma tábua, para descer sentado. Um sujeito no fim da descida registra sua velocidade com um radar de mão. É possível chegar a até 90 km/h (o recorde até hoje foi de 98 km/h).
Uma dica é alugar um carro quando seguir para o centro e para o sul da Nicarágua. Márcio alugou um veículo pequeno, econômico, mas que ele não recomenda para a época chuvosa. Como muitas estradas são de terra, o carrinho sambava nelas. E para chegar a determinadas praias é preciso atravessar rios – o que é sempre um risco com um carro como esse.
Uma dica dele: carregue as pranchas dentro dos carros. Muitos policiais veem as pranchas no teto, sabem que é turista e os param, só para tentar tirar uma graninha ameaçando com alguma multa estranha (sabemos bem o que é isso por aqui).
Na região central do país, a atração é Popoyo, que mistura um point break bem raso com um beach break. Lá também tem outros picos com ondas perfeitas e fundo de areia: Colorado e Santana. No sul, tem mais praias ótimas para o surfe, como Maderas (beach break que quebra perfeito) e Hermosa (também um beach break, mas bem pesado). Esta última fica dentro de uma reserva e cada pessoa tem de pagar US $ 3 para entrar e passar o dia. Também há a opção de se hospedar em um hostel em frente a praia dentro do parque. A cidade de San Juan Del Sur tem uma vida noturna bem mais agitada, com ótimos restaurantes, pizzarias, bares, sorveterias e lojas.

























