Tremores abalam América do Sul

Na madrugada desta terça-feira, um tremor de 5 graus na escala Richter sacudiu as cidades da região sul do Peru, causando alarme, mas sem deixar danos ou vítimas.

 

O tremor aconteceu horas depois de um forte terremoto que atingiu, na tarde de segunda-feira, as cidades de Arequipa, Moquegua e Tacna, perto da fronteira com o Chile e causou a morte de oito pessoas.

 

O epicentro do tremor, registrado às 4h29 local (6h29 de Brasília), foi situado no Oceano Pacífico, 350 ao sul de Lima, a uma profundidade de 36 km. Sua intensidade foi de 4 graus na escala modificada Mercalli, o que provocou pânico em algumas pessoas.

 

Esse movimento de 7,9 graus Richter afetou as cidades chilenas de Iquique e Arica, causando a morte de oito pessoas e a destruição de 17 casas, com epicentro nas montanhas da Cordilheira dos Andes, 110 km ao nordeste de Iquique, segundo as autoridades chilenas.

 

O surfista Evaristo “Kiko” Ferreira, que estava no Chile no momento do tremor, enviou por e-mail o seguinte relato contando como foi o episódio.

 

“Ontem um forte tremor de terra ocorreu por exatos 70 segundos nas cidades de Iquique e Arica, norte do Chile, com o epicentro a apenas 190 km da cidade de Iquique, onde estou há dois dias tentando vender umas pranchas.

 

Segundo especialistas, o movimento de placas tectônicas vieram da terra e por isso não houve risco de tsunami, mas ficamos sob alerta total nos primeiros 45 minutos. Nesse período pude ver o total desespero das pessoas que corriam pelas ruas na tentativa de chegarem em casa e salvarem suas famílias.

 

O movimento de carros era intenso na direção das montanhas desérticas, único lugar considerado seguro em caso de tsunami. Foi um verdadeiro caos nas ruas de Iquique, a luz foi cortada e demorou quase 1:30 hs pra retornar, todos os estabelecimentos comerciais se fecharam e não era possível encontrar nem um lugar aberto para comer.

 

Após os primeiros 45 minutos, começaram a chegar as notícias de que não corríamos risco de tsunami e aos poucos as coisas foram se normalizando. Fiquei muito feliz por ter tido essa oportunidade de viver algo tão intenso, pude refletir bastante sobre nossa insignificância perante a mãe natureza.

 

Vi a população desta cidade em extrema agonia e desespero, vi o choro de pessoas que não tinham como fugir por não terem carro, mendigos totalmente indefesos nas ruas, enfim, um pequeno recado de Deus aos homens, pela sua arrogância e prepotência.

 

Pelo menos por aqui as pessoas estão mais solidárias, mais próximas, e menos prepotentes. Quanto às ondas, pelo menos aqui no Chile sempre após um terremoto o mar dá uma abaixada, mas desta vez não foi o que ocorreu. Temos 5 pés de onda perfeitas em El Colégio e Urracas, marolinhas para ninguém botar defeito.

 

Daqui alguns minutos irei surfar e com muito mais respeito por este lugar, que agora entrou pro meu caderninho de eventos fantásticos. A previsão indica ondas grandes para o dia 16, quinta-feira, e espero que sejam confirmados os 12 pés de onda, que nunca chegam com 12 mas com 8 a 10, o que já seria ótimo.”

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