Red Nose Tow-in Championship

Trekinho pronto para batalha

Marcelo Trekinho quer fazer bonito no Red Nose Tow-in Championship. Foto: Fábio Minduim.

O Red Nose Tow-in Championship, mais importante competição de tow-in promovida em águas brasileiras, conta com algumas novas duplas que vão estrear durante o evento.

Os novos tow riders querem aprender na prática com os ícones do esporte que estarão competindo e, se possível, tentar ser a surpresa do campeonato.

 

Entre os times inscritos, um dos destaques é o formado por Marcelo Trekinho, surfista da elite do SuperSurf, e Bruno Santos, atual campeão do WCT de Teahupoo, Tahiti, uma das ondas mais temidas do mundo.

 

Os dois ficam em alerta até o dia 31 de novembro, final da janela de espera do Red Nose Tow-in Championship. Nesta entrevista, Marcelo Trekinho conta como está sendo a preparação dessa nova dupla para

Bruno Santos completa dupla estreante. Foto: Daniel Smorigo.

enfrentar os melhores tow riders do mundo.

Ele, que já tirou três notas 10 em uma etapa do SuperSurf exatamente em Maresias, fala também do que espera da participação na competição.

 

Qual sua expectativa para esse campeonato?

Será o primeiro evento de tow-in que vou correr na vida. Todos os outros atletas têm mais experiência que eu. Sou apenas um novato na modalidade, se eu conseguir fazer uma boa performance já vai ser bom.

Você já tirou três notas 10 em um evento do SuperSurf exatamente em Maresias. Você acha que, mesmo o mar estando bem maior durante o Red Nose, conseguirá uma performance tão boa quanto suas anteriores?

Tudo depende. Tow-in não tem nada a ver com  remada. É verdade que dá para pegar mais ondas com o auxílio do jet-ski, mas, na minha opinião, a técnica de pilotagem vai fazer toda a diferença, assim como a escolha das ondas e a velocidade para voltar ao outside. Acho que vai ser bem difícil de tirar três notas 10 de novo. Maresias sempre é uma onda complicada quando o mar está grande, mesmo de tow-in.

E esse conhecimento que você tem da onda de Maresias pode te ajudar mesmo sendo uma categoria totalmente diferente?

Isso pode me ajudar um pouco, mas ainda assim terei que ralar muito para poder ter a técnica que os praticantes de tow-in têm. Eles têm outra visão do mar, será bem diferente para mim, mas estou ansioso.

É comum você surfar as lajes no Rio de Janeiro, muitas vezes até com o auxílio do jet ski. Isso já serve como um bom treino para o tow-in em Maresias, até por causa da semelhança de ser uma onda tubular. Como isso pode te ajudar no Red Nose Tow-in Championship?

Não sou um novato completo no tow-in, mas não pratico tanto quanto surf de remada. Com certeza o pouco de experiência que tenho nas ondas do Rio me ajudará na hora de entrar na água em Maresias. Estou acreditando que esse campeonato será um ótimo aprendizado.

Você e Bruninho formam a mais nova dupla de tow-in do Brasil. Todos sabem do potencial de vocês em ondas tubulares e rápidas na remada. Mas como está sendo o treinamento no tow-in? Você acha que estão bem entrosados?

Não tivemos tempo de treinar nenhuma vez. O Bruno foi para a Europa correr as etapas do WQS e eu fiquei na Califórnia. Vamos chegar lá já em cima da hora. Nós fizemos tow-in juntos apenas uma vez e não vamos treinar de novo antes do evento. Não posso dizer que vamos arrebentar, mas acho que podemos pegar umas ondas boas.

 

Qual você acha que é o ponto forte e o ponto fraco da dupla?

Eu sou regular e o Bruno é goofy, isso pode ser uma vantagem entre as duplas. O Bruno entuba muito bem e eu já pilotei mais que ele um jet ski. Não ter treinado antes do evento definitivamente é um ponto fraco, sabemos o que fazer, mas a falta de experiência juntos pode nos atrapalhar.

 

Vocês têm muita experiência na onda de Maresias. Você acha que esse conhecimento pode ser usado a favor de vocês, principalmente contra as duplas internacionais que pouco conhecem a onda?

Todos ali são profissionais e já fizeram mais tow-in que nós. Independente de conhecermos o pico ou não, teremos que ter mais sorte que as outras duplas. Pela falta de treino na modalidade acho que só de participar do evento já será bom para nós.

Você pratica o tow-out. Mesmo sendo uma modalidade diferente, devido ao tamanho das ondas e à utilização do jet, essa experiência na modalidade pode te ajudar no tow-in? De que forma?

O tow-out será nossa bagagem. Pratiquei muito no Rio, fazendo dupla com o (Marcos) Sifu, e aprendemos a pilotar o jet em ondas pequenas. Será isso que vai me ajudar na hora de pilotar nas ondas grandes. Em ondas pequenas é essencial colocar o parceiro no lugar exato da onda, e essa prática pode ser um ponto positivo para nós.

 

Você estava na Califórnia, onde estão alguns dos principais picos para a prática do tow-in. Você chegou a usar esse tempo para treinar? Como está a prática de tow-in na Califórnia, está bem difundida?

Como na Califórnia é verão, as ondas não passaram de 1,5 metros de altura em nenhum dia. Estive em Santa Cruz e Ghost Trees, mas como não havia ondas, não tinha ninguém fazendo tow-in. Mas pude ver que os equipamentos aqui são mais acessíveis. Por exemplo, um jet-ski bom aqui é bem mais barato do que no Brasil, isso facilita quem quer começar no esporte.

 

Você se considera uma zebra nesse campeonato? Até onde você espera ir?

Somos dois surfistas sem experiência na modalidade. Já vimos muito, mas praticamos pouco. Podemos fazer uma boa apresentação, pois afinal tudo é surf. Depois que soltarmos a corda, acho que podemos surfar do jeito que quisermos e, se tiver altos tubos, tudo pode acontecer. Espero adquirir mais experiência e quem sabe um dia brigar por uma boa colocação.

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