O carioca Guilherme Braga é formado em administração de empresas e trabalha na área de organização de eventos esportivos. Homem do mar nas horas vagas, gosta de viajar o mundo em busca de ondas perfeitas e dos melhores mergulhos.
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Ao voltar de uma trip à Costa Rica, Braga relata sua aventura com exclusividade ao site Waves. Confira abaixo.
Depois de um ano e meio trabalhando sem descanso, devido ao meu trabalho nos Jogos Panamericanos Rio 2007 e de ter emendado uma seqüência de eventos, como PUC Surf, Ocean Games Brasil e Carioca de Wakeboard, resolvi partir para uma ?surf and dive trip? na América Central.
Precisava refrescar a cabeça, sair da rotina, esquecer de tudo e fazer coisas simples, como acordar e ver se tem onda, sem a preocupação do dia-a-dia. O destino escolhido foi a Costa Rica, com base em Avellanas, uma praia deserta com poucos hotéis, mas um lugar de muita paz e boas ondas.
Cheguei a San José, capital da Costa Rica, com meu amigo Igor Ceperuelo de avião e logo depois pegamos outro vôo num bimotor de cinco lugares para a Libéria. Nossas pranchas, que não couberam no avião, só chegaram dois dias depois.
Enquanto isso ficamos esperando em Playa del Coco, um point de mergulho autônomo próximo à Libéria. Quando as pranchas chegaram, fizemos nossa base em Avellanas, onde ficamos por 12 dias mergulhando, surfando e viajando pela região em um carro alugado por 50 dólares a diária.
Logo nesse início de viagem tomamos um susto. Ao chegarmos em Playa del Coco de táxi e descarregar as coisas no hotel com certa displicência, esqueci minha mochila com todos os equipamentos dentro do carro. Cinto de mergulho, filmadora, caixa estanque e mais um monte de coisas de valor.
Na hora, o desespero foi total, mas como já era tarde não podíamos fazer nada. No dia seguinte acordamos e fomos direto para o aeroporto tentar reaver os pertences. Ao chegarmos demos de cara com o taxista, que també chegava no exato momento ao local. Fomos até a casa dele e recuperamos tudo. Realmente foi meu dia de sorte!
A Costa Rica é um país de grande beleza natural, com praias paradisíacas e uma fauna exuberante, onde a qualquer momento você pode se deparar com iguanas, araras, tatus, tucanos, macacos, tubarões e crocodilos.
Este último é o que oferece maior perigo, pois em qualquer boca de rio você pode encontrá-lo. Segundo um morador local, a National Geographic encontrou o maior crocodilo do mundo em um rio perto de Jacó. Um dia paramos sobre esse rio e vimos mais de 10 crocodilos gigantes, com mais de 3 metros cada. Ao lado, um bezerro se aproximava sedento para beber no rio. Filmamos o momento, achando que os crocodilos iriam devorar o bezerro, mas por sorte ele percebeu o perigo e escapou.
O foco da viagem era a caça submarina, mas as condições não estavam ideais para o mergulho, ao contrário das ondas que estavam excelentes. Nos poucos dias que mergulhamos foi uma festa. Para começar, o mergulho lá é bem radical. Todos os dias a gente encontrávamos tubarões de mais de 2 metros e arraias jamantas maiores que um carro. Um dos dias, uma delas ficou me cercando perto das pedras a meio metro de distância.
Em algumas eu estava no fundo, a uns 15 metros de profundidade e do nada surgia aquele monstro passando por cima. Tomei vários sustos, mas depois do terceiro dia já fiquei acostumado com a presença delas. Os tubarões mais comuns eram os galhas brancas, que não são muito agressivos, mas quando eles vinham te olhar dava muito medo.
A caça submarina é a pesca mais seletiva que existe, pois você só pega o peixe que te interessa e geralmente acima de um determinado tamanho, numa idade em que ele já se reproduziu, não oferecendo danos ao meio ambiente.
A pesca de arrastão, que é predadora, chega a desperdiçar até 80% da pesca, pois um barco arrasta peixes de todos os tamanhos.
Devido ao espírito ?pura vida? da Costa Rica era muito difícil conseguir um barco para nos levar ao mergulho com preço acessível. Parece que por lá eles só gostam de sombra e água fresca. Perdíamos sempre quase duas horas negociando o barco, que custava em média 200 dólares, por umas 5 ou 6 horas de mergulho por dia.
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O jeito para não ter prejuízo era pensar em produtividade no mergulho, ou seja, pegar o máximo de peixes possíveis para vender e pagar pelo menos o barco.
Fomos para um secret point que eu havia descoberto em 2006. Sempre praticamos o mergulho somente em apnéia, sempre só no pulmão. O barco ficou próximo, dando todo o suporte necessário. Foi uma festa. No final do dia pegamos mais de 30 peixes, alguns com até 12 quilos e no total trouxemos mais de 100 quilos de peixe. Olho de boi, Xaréu, Pargo Rojo e outros diversos.
Ao chegar na praia juntou um grande grupo de pessoas para ver e comprar. Metade da pesca já foi vendida ali mesmo e o restante conseguimos vender na volta para casa, parando de carro nas vilas, no caminho para Avellanas. Ralação! Mas depois de todo este esforço,
ainda sobrou um trocado e o sentimento de um dia de mergulho perfeito.
Avellanas esteve clássico em pelo menos 10 dos 12 dias que estivemos no pais, fiquei impressionado com o tamanho das ondas nessa época do ano, já havia passado o verão em 1998 na primeira vez que vim ainda moleque sobre a supervisão do meu amigo guia de surf Cássio Carvalho e não havia visto uma constância tão grande, mesmo nas outras três temporadas que vim no meio do ano.
Por muita sorte ainda pegamos a mística Roca Bruja sozinhos, somente os dois na água, um dos melhores mares de tubo que já surfei, com tubos muito longos. A onda é uma placa, que com o terral forma uma parede muito em pé e com um belo tubo.
Três horas de surf sozinho em um mar perfeito é algo raríssimo hoje em dia, você vai para Bali, África do Sul, Peru e sempre tem mais gente na água. Essa com certeza foi uma das melhores sessions da vida.
Pouco antes de voltar para o Brasil, fomos ao festival de tourada nacional em Libéria, a cerca de meia hora de Avellanas. As touradas lá são diferentes do que aqui no Brasil. O barato é o pessoal encher a cara e ficar no meio da arena de onde sai o touro e tentar fugir dele. Todo mundo pode entrar na arena. É por sua conta e risco.
Muito comum ver muitas pessoas machucadas. Quando cheguei, fiquei um tempo apreensivo olhando e depois não resisti e entrei na arena também. Parecia uma coisa meio medieval, toda feita em madeira rústica.
Quando passei pela cerca é que me dei conta de que não dava para sair dali no caso de touro me atacar, tamanha a quantidade de gente que ficava pendurada no cercado. Consegui um buraco e troquei uma idéia com um garoto que, em caso de sufoco, eu pularia onde ele estava.
Tudo combinado, entrei na arena e lá veio o touro. Correria geral, milhões de pessoas na arena, uma gritaria, quando de repente o touro apareceu vindo na minha direção. Eu saí correndo e me atirei no buraco combinado desesperado. Logo depois filmamos uma pessoa ser pisoteada pelo touro.
No final da viagem eu só pensava em como seria bom poder ficar a vida inteira viajando por aí. Fomos de carro até San José, onde pegamos o vôo de volta ao Brasil. Na cabeça muitas idéias e um novo destino a ser traçado.
Até a próxima!



