O tow-in tem sido alvo de críticas em todo os lugares onde é praticado. O Estado do Hawaii, por enquanto, foi o único lugar em que os praticantes e os não simpatizantes entraram em um acordo. E ele é bem simples: Tow-in somente em dias de ondas grandes e em locais onde não se encontrem surfistas remando.

 

Em Maverick’s (CA), o surfe rebocado pode estar com os dias contados, afinal um grupo de surfistas liderados pelo conhecido local Dr. Renneker quer pôr fim ao uso de jet-skis no line up. Segundo os envolvidos na acusação, o uso dos aparelhos afeta o meio ambiente, e como Maverick’s se encontra em uma área de preservação ambiental, o argumento deles tem peso.

 

O big rider local Peter Mel é o representante dos big riders defensores do tow-in junto aos advogados contratados pela associação fundada pelos defensores. A onda em Half Moon Bay foi apresentada ao grande público pelo pioneiro no pico, o big rider local Jeff Clark. Ele surfou cerca de 10 anos sozinho, e, só depois de se cansar de dropar aquelas morras sem ninguém, resolveu apresentar a seus amigos e mídia. Hoje, ele é um dos adeptos do surf a reboque. 

 

O fotográfo local Frank Quirarte (autor da foto vencedora do XXL de Burle no ano passado, estimada em 68 pés de face) publicou um texto (www.mavsurfer.com) criticando o Dr. Renneker, salientando que quando as ondas estão realmente grandes, quem realmente dropa do pico no braço são os criticados – também surfistas de tow-in, Peter Mel, Ken “SkinDog” Collins, Flea Virostko, entre outros. E outro ponto colocado em pauta seria a permissão somente para jet-skis de motor quatro tempos, que poluem muito menos.

 

Ainda segundo ele, durante um ano os dias em que as ondas chegam aos 20 pés plus chegam no máximo a dez. E ainda salienta que, se cerca de 15 jet-skis quatro tempos (entre towsurfers, cinegrafistas e fotográfos) se mantiverem no outside por 10 dos 365 dias do ano, que mal isso pode gerar para o meio-ambiente? E o resgate, então? Muitos surfistas já foram salvos pela guardiã do pico Shawn Alladio em seu jet-ski.

 

No meu ponto de vista, o que agrava essa briga é que como o canal de Maverick’s é muito fundo e continua intacto com grandes ondulações, os surfistas na remada ficam no rabo da onda tentando surfar mesmo que elas apresentem 50 pés ou mais de face. O que não acontece em Jaws quando está realmente grande, e também nos outer-reefs de Oahu, onde o acesso fica dificil na remada em dias grandes. Além de que a intacta Waimea quebra de gala em dias acima de 15 pés.
 
Agora, no Brasil o buraco é mais embaixo, afinal o “ego” aqui fala mais alto. Infelizmente, posso afirmar que existe esse problema nos dois lados envolvidos na questão, pois mesmo aqueles que estão fazendo tow-in longe do crowd são criticados por alguns recalcados de plantão, e, em contrapartida, tem neguinho passando com o jet-ski bem no meio do crowd só para aparecer. Então, fica dificil acalmar os ânimos.

 

Por exemplo: não vejo problema se em uma praia houver uma galera remando e num raio de 100 metros uma galera praticando tow-in. Mas, se entrar apenas um cara remando, os jets têm que sair fora. Agora, o que eu e uma galera de renome podemos fazer é dar o exemplo e repreender os mal educados.

 

Eu mesmo tenho que confessar que já passei no meio do crowd com o jet-ski, mas hoje tenho consciência da gravidade do meu erro. Além dessa atitude ser egoísta, ela é extremamente perigosa e fora da lei. Já ouvi muitos comentários de que as ondas aqui no Brasil não são apropriadas para fazer tow-in. Eu discordo e afirmo que é um “tesão” rabiscar ou voar em uma parede de 1 metro com uma 5’6″ rebocado a 50 km/h.

 

Além do que, ainda existem muitas lajes a ser exploradas e com o “brinquedo” estamos desbravando altas ondas, como as da Ilha dos Lobos (RS) e muitas outras que aparecerão.

 

Todos têm o seu lugar, na hora certa. Onde tem surfista não pode ter jet-ski. Simples…

Aloha!

 

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Mais de cinquenta anos de câmera na mão: do Píer de Ipanema a Pipeline com Gerry Lopez, de Bob Marley no Havaí aos Rolling Stones no Maracanã. Fernando “Fedoca” Lima viveu e fotografou tudo isso. Agora reúne tudo em um livro.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)