
O surfista, jornalista e produtor carioca Rosaldo Cavalcanti, 40 anos, e o faixa preta de jiu-jitsu, surfista e apresentador do programa Passando a Guarda, do Sportv, Jorge “Joinha” Guimaraes, 46, são os responsáveis pela Tow In World Cup, evento que tem prazo até o dia 15 de março para ser realizado e premia com US$ 100 mil a melhor dupla da modalidade.
Nesta entrevista exclusiva concedida a Sylvio Mancusi, os produtores contam quais são as dificuldades de realizar um campeonato patrocinado, dirigido e produzido por brasileiros na ilha de Maui, Hawaii.
Como vocês tiveram a idéia de realizar esse evento?
Joinha: O Álvaro (dono dos estúdios Mega, patrocinadora do evento) foi para Oahu, Hawaii, viu o Eddie Aikau e pirou com o tamanho das ondas e o sucesso do campeonato. Na seqüência ele foi para a Califórnia e viu Maverick’s quebrando gigante. Na volta ao Brasil, em uma reunião, ele expôs a idéia de realizar algo relacionado a ondas grandes. Foi aí que entrou o Rosaldo na parada. Ele é meu amigo há muitos anos e sua experiência seria essencial na realização desse projeto. Marcamos uma reunião e o Rosaldo tinha em mente um evento em Cortes Bank, mas foi para o Hawaii logo na seqüência.
Rosaldo: Quando eu cheguei no Hawaii fui dormir na casa do Eraldo, que tinha acabado de correr o primeiro evento feito em Jaws. Quando conversei com ele sobre o assunto chegamos a conclusão que Jaws seria o local perfeito para o campeonato. Afinal, em Maui teríamos toda a estrutura necessária para a realização de um evento sensacional. Ondas gigantes em um local perfeito para a captação de imagens.
Nem todo mundo conhece vocês. O que fazem além de organizar o evento mais esperado pelos big riders de todo o planeta?
Rosaldo: Eu surfei minha vida toda e também sou jornalista. Hoje sou o produtor do programa Surf Tv, no Sportv, um dos produtores do filme Billabong Odyssey e fui editor do Jornal Now, e pouca gente sabe que também fui um dos criadores do SuperSurf, ao lado do Romeu Andreatta.
Joinha: Eu surfo desde moleque e já morei na Califórnia, onde surfava todo dia, mas hoje me dedico mais ao jiu-jitsu. Sou produtor de dois programas de luta no Sportv e também um dos organizadores do Meca Vale-Tudo.
Quais foram as maiores dificuldades para realizar o sonho da Tow In World Cup?
Rosaldo: Eu entrei em contato com o Rodney Kilborn, que tinha realizado o primeiro evento, e na seqüência começamos a fazer a lista de convidados, que incluía os melhores atletas do mundo na modalidade, como Mike Parsons, Jeff Clark, Laird Hamilton, entre outros. Eu fui ao Hawaii e Califórnia convidar toda a galera pessoalmente. Em Maui, o pessoal da Straped Team (equipe do Laird Hamilton) não quis fazer parte do evento, mas também não se colocou contra a idéia.
Houve algum tipo de discriminação?
Rosaldo: Olha, não foi nada fácil. Para dar uma idéia, no Eddie Aikau havia apenas um brasileiro na lista principal de convidados. Na Tow In World Cup, no primeiro ano já tínhamos três, Eraldo, Burle e Rodrigo. Graças a Deus o Rodrigo venceu e o Burle e Eraldo terminaram na terceira colocação. Dessa maneira, no próximo ano abrimos mais vagas. Sempre tive em mente a vontade de valorizar os brasileiros. Não é moleza. Não foi fácil no começo, mas hoje contamos com a colaboração de toda a população, afinal trazemos empregos, turismo e os melhores atletas do mundo para Maui. O primeiro evento foi considerado por muitos como um dos maiores sucessos da historia do surf. 60 pés de onda e US$60 mil para a dupla campeã. Já era um recorde oferecer esse valor, pois no WCT o campeão leva US$ 30mil. Neste ano estamos batendo o recorde, com US$100 mil para os campeões. Gostaria de oferecer ainda mais, pois os atletas merecem, mas para uma empresa brasileira já estamos fazendo muito.
O primeiro evento foi um sucesso e tanto.
Rosaldo: Foi muita sorte. Se aquele primeiro evento não tivesse rolado, não estaríamos aqui. Em uma das últimas edições da revista Surfer, nosso evento foi considerado um dos momentos mais importantes na historia do surf. Foi muito gratificante.
O filme Billabong Odyssey terá imagens colhidas durante a Tow In World Cup. Como funcionou essa parceria?
Rosaldo: Quando chegamos no Brasil, depois do primeiro evento, e revelamos as imagens, ficamos pasmos com a qualidade do material. O produtor do filme, Graham Stapelberg, me ligou interessado em ver as imagens. Eu o convidei para vir ao Brasil e ele ficou impressionado quando entrou nos Estúdios Mega e viu a qualidade do nosso trabalho. Ficamos em negociação por alguns meses e viramos sócios no filme.
Quanto foi gasto para rodar o filme?
Rosaldo: Cerca de US$ 4 milhões.
Vocês pretendem fazerum filme exclusivo da Mega sobre o evento?
Rosaldo: Com certeza. Temos muitas horas de imagens de primeira qualidade. Muita ação, entrevistas e visuais. Pretendemos colocar o filme nas telas no próximo ano. Será um documentário sobre a modalidade.
O prazo do evento está acabando. Será que rola ainda este ano?
Rosaldo: O Bernie Baker, um dos organizadores da Tríplice Coroa Havaiana e morador do Hawaii, há décadas me falou que quando o inverno entra atrasado, como esse, que teve seu maior swell no dia 10 de janeiro, as ondas costumam quebrar gigantes por pelo menos mais um dia em fevereiro. Foi quando Todd Cheeser faleceu, em 14 de fevereiro de 1997. A esperança é a última que morre. Estamos muito esperançosos, afinal o campeonato será transmitido em rede nacional para toda os EUA.