Cinema Rock

Totem exibe sessões clássicas

Cartaz da Mostra de Cinema Rock & Totem. Foto: Reprodução.

A terceira Mostra de Cinema Rock & Totem acontece entre os dias de 6 a 12 de novembro no Estação Ipanema, um dos mais charmosos cinemas do Rio de Janeiro (RJ).

 

O evento, que faz parte do calendário oficial da cidade, apresenta 16 filmes inéditos e selecionados pelo empresário Fred d’Orey.

 

Fred é um apaixonado por música, e apresenta ao público carioca alguns longas que nunca chegaram por aqui. Serão duas sessões por dia durante a semana e três no sábado e no domingo.

 

A mostra será aberta com “The US vs John Lennon” e “A Technicolor Dream”. Entre outros destaques, títulos como  “Kissology”, “Punk Attitude”, “Woodstock 40th Aniversary” e “Mayor of the Sunset Trip”.

 

O último dia será dedicado ao diretor britânico Tony Palmer com a exibição de “Rory Gallagher” e “All you Need is Love”. Na década de 60, Tony estabeleceu-se como um dos maiores diretores de documentários sobre música.

 

A Mostra de Cinema Rock & Totem teve sua primeira edição em 2007, quando a marca lançava uma coleção sobre rock’n’roll. Mas o sucesso foi tanto que o evento virou anual.

 

A entrada é gratuita Os ingressos devem ser retirados nas lojas Totem de Ipanema. Pede-se a doação de um livro infantil.

 

Para obter mais informações sobre o evento, acesse o site Totem Net.

 

O Estação Ipanema fica localizado à Rua Visconde de Pirajá, 605, Galeria Astor, Ipanema, Rio de Janeiro (RJ).
 

Programação

 

Sexta, 6 de novembro

19 horas

 

The US vs John Lennon

 

Este incrível documentário narra a provocante e interessante história da evolução de John Lennon, de adorável Beatle a artista sem papas na língua. Lennon se transformou em ativista da paz num dos momentos mais tumultuados da história americana, início dos anos 70, auge da guerra do Vietnã. E virou um enorme calo na administração Nixon, que moveu mundos pra deportar Lennon. Emocionante como o melhor dos thrillers.

Direção: David Leaf e John Scheinfield

Legendas em espanhol, 96 minutos. 2006.

21 horas

 

A Technicolor Dream

Documentário extraordinário que narra a história da contracultura underground inglesa durante os anos 60, culminando em 29 de abril de 1967 com o evento The Technicolor Dream, um happening musical cuja grande estrela foi o Pink Floyd de Syd Barrett (já se desintegrando). As cenas da época são incríveis pra quem gosta de moda e comportamento, e as entrevistas com os cabeças do movimento resgatam um importante capítulo da radical mudança de comportamento do planeta. Absolutamente imperdível.

Direção: Stephen Gammond

Legendas em inglês, 156 minutos. 2009.

Sábado, 7 de novembro

17 horas

 

Slade in Flame

Hoje ninguém mais se lembra, mas o Slade já foi a maior banda de glam rock dos anos 70 (maior que Roxy Music e Bowie juntos). Teve seis músicas no topo da parada inglesa e 17 entre as top 20. Em 74, eles produziram e estrelaram In Flame, um drama que narra o submundo da cena rock inglesa do final dos anos 60. Chas Chandler, baixista dos Animals, descobridor e manager de Jimi Hendrix, é um dos produtores e contribuiu no roteiro. Os hits Far Far Away e How Does it Feel são de emocionar.

Direção: Richard Loncraine

Versão original em inglês, 120 minutos. 1975.

19:30 horas  

 

Kissology

O Kiss pode ser tanto uma banda de hardrock esperta que bebeu na fonte de Andy Warhol e aplicou a teoria da celebridade instantânea, ou um cínico bando de aproveitadores em busca de fama e grana. O certo é que o Kiss vendeu milhões de discos e continua fazendo a cabeça de inúmeras gerações com seus shows pirotécnicos e um rock repleto de riffs. Aqui você vai ver, em cenas nunca antes vistas, a reação causada pelas primeiras aparições dos músicos maquiados e fantasiados, e shows históricos da primeira e melhor fase da banda- 74-77.

Produção: Alex Coletti

Versão original em inglês, 100 minutos. 2006.

21:30 horas

 

Punk attitude

Documentário sensacional retratando os primórdios do movimento punk com MC5, Veltet Underground, Stooges, passando por Patti Smith e Ramones, e desaguando na Londres dos Sex Pistols e Clash. Letts, o diretor, era o dj que tocava dub e reggae de raiz pros punks dançarem. A cena inglesa se forjou ao seu redor. Imagens e depoimentos históricos como nunca se viu. Depois, Letts ainda se juntou ao guitarrista Mick Jones do Clash e formou o Big Audio Dynamite (Bad), em 83. Além de ter dirigido filmes sobre Sun Ra, Gil Scott Heron, Elvis Costello e Frans Ferdinand.

Direção: Don Letts

Legendas em espanhol, 120 minutos. 2005.

Domingo, 8 de novembro

17 horas  

 

Rock School

 

Músicas do Black Sabath, Santana, Frank Zappa, Kinks e Alice Cooper são ensinadas por esse hilário professor de música da Philadelphia. Paul Green é o cara que inspirou o personagem que Jack Black interpretou no filme School of Rock.  De um jeito pouco convencional, ele empurra os adolescentes pelas estradas do rock, e os faz rir e chorar até que possam tocar num palco para o maior número possível de pessoas. O cara pode ser um maníaco, mas funciona. Vida longa ao rock!

Direção: Don Argott

Versão em inglês, 93 minutos. 2004.

19 horas

 

High Tech Soul, The Creation of Techno Music

Este é o primeiro documentário a traçar as raízes da música techno junto à cultura da cidade de Detroit, onde ela nasceu. Oportunidade única de ver e ouvir Richie Hawtin, Jeff Mills, Derrick May, Kevin Saunderson e muitos outros contarem na primeira pessoa como a coisa toda aconteceu. Das revoltas raciais dos anos 60 até a cena underground das incríveis festas do fim dos 80, o techno é um produto de Detroit que nem mesmo a decadência da cidade pôde eclipsar.

Direcão: Gary Bredow

Legenda em inglês, 64 minutos. 2006.

20:30 horas

 

Love Story

 

O guitarrista e vocalista Arthur Lee influenciou Hendrix e Jim Morrison. Seu disco Forever Changes, de 67, é considerado um dos mais importantes de todos os tempos. Love Story documenta os turbulentos anos 60 e a trajetória sinistra e recheada de drogas da banda, que apesar do nome, de amorosa não tinha nada. Mas sua música continua pra lá de relevante e atual.

Direção Chris hall e Mike kerry

Versão original, 110 minutos. 2007.

Segunda, 9 de novembro

19 horas

 

Jusqu’a tombouctou

Entre documentário e ficção, entre deserto e floresta, entre real e imaginário. Um filme de beleza excepcional com o melhor do som africano. Uma viagem musical ao coração de Mali.

Direção, Michel Jaffrennou.

Legendas em inglês, 73 minutos. 2007.

21 horas

 

Woodstock 40th aniversary

 

Muito já se falou sobre o maior festival de rock de todos os tempos, mas você vai ver pela primeira vez aqui cenas que nunca antes estiveram disponíveis, como o brilhante show do Credence. E também cenas inéditas com Santana, Mountain, Johnny Winter e Joe Cocker. Além do documentário com Martin Scorcese, que foi um dos câmeras, e o diretor Wadleigh, contando a loucura que foi essa filmagem. Com imagens maravilhosas do festival disponíveis pela primeira vez.

Direção Michael Wadleigh

Legendas em inglês, 120 minutos. 2009

Terça, 10 de novembro


19 horas

 

Townes Van Zandt, Be Here to Love Me

­Como homem, marido e pai, sua vida foi trágica e bela como as músicas que compunha. Como músico,  talvez um dos maiores, Townes Van Zandt foi uma lenda. Inspirou de Bob Dylan a Norah Jones, passando por Sonic Youth. Townes foi um enigma que Be Here to Love Me tenta desvendar, mostrando os sacrifícios, desafios e consequências na procura do único caminho possível para a música do coração.

Direção: Margareth Brown

Versão original em inglês, 100 minutos. 2005.

21 horas

 

Mayor of the Sunset Strip

Rodney bingenheimer entregou sua vida a causa do rock. Descobriu e divulgou talentos, dos Beatles, Doors, Bowie, Pistols, Oasis até Coldplay. Amigo de todos, acabou duro e com apenas um programa de rádio nas madrugadas de domingo. O que deu errado? Este fascinante documentário recheado com imagens incríveis tenta explicar.

Direção: George Hickenlooper

Legendas em espanhol, 95 minutos. 2004.

Quarta, 11 de novembro

19 h
oras

 

Soft Machine Alive in Paris 1970

Filmado no Theatre de la Musique em preto e branco e sem firulas, mostra a influente banda inglesa de jazzrock progressivo em longas jams na sua encarnação original + Lyn Dobson no sax soprano. Robert Wyatt arrebenta na bateria como um Keith Moon. As cenas do apaixonado e hipnotizado público são hilárias.

Direção: Claude Ventura

60 minutos. 1970.

21 h
oras

 

Privilege

O diretor inglês Peter Watkins foi visionário ao perceber, ainda em 1967, o poder da máquina rock and roll. Steven Shorter é um atormentado roqueiro, manipulado pelo Estado e pelas corporações para hipnotizar e sedar as massas. A super model Jean Shrimpton faz par com o ator-cantor Paul Jones, do Manfred Mann, que interpreta Shorter. Watkins ganhou o Oscar de melhor documentário em 65 por The War Game.

Direção: Peter Watkins

Legendas em inglês, 103 minutos. 1967.

Quinta, 12 de novembro

19 horas 

 

Rory Gallagher Irish Tour 1974

Nos anos 70, Gallagher era considerado o Eric Clapton ou Johnny Winter da Irlanda. Seus longos solos e grooves deixavam milhares de jovens hipnotizados.  Irish tour 74 é um filme que captura o artista, sua música, o período e o lugar com perfeição. Um filme brilhante que mostra Rory Gallagher no auge.

Direção: Tony Palmer

Original em inglês, 83 minutos. 1974.

21 horas

 

All you need is love

O documentarista inglês Tony Palmer desmistifica verdades absolutas do rock com um texto primoroso e imagens de arquivo inacreditáveis. Além de uma inteligência que só podia ser britânica. Na primeira parte- All Along the Watchtower, Stones, Hendrix, Who, Floyd, Doors, Zappa. Na segunda parte, Whatever Gets you Through the Night, Kiss, Alice Cooper, Bowie, Tull, Elton, Roxy, Clapton, Marley. Imperdível.

Direção: Tony Palmer

Original em inglês, 100 minutos. 1976.

Enquanto alguns fotógrafos documentam a história, Fedoca Lima fez diferente: viveu dentro dela enquanto fotografava. Carioca do Posto 5, começou a surfar com 11 anos e a fotografar quase ao mesmo tempo, com uma máquina fotográfica alemã do pai. Aos 14, registrou a Rainha Elizabeth passando de Rolls-Royce aberto pela orla de Copacabana, em frente à casa do Assis Chateaubriand. No mesmo período, fotografou o Mick Jagger dando o dedo do meio no Copacabana Palace. Não era fotógrafo profissional. Era um moleque com olho bom e câmera na mão, sem perceber ainda o tamanho do que estava construindo. O que veio depois é história do surfe brasileiro. O Píer de Ipanema nos anos 70, quando o Rio era o centro do surfe nacional, com Daniel Friedmann, Pepê Lopes, Rico de Souza e Ricardo Bocão dominando o circuito. A Brasil Surf, primeira revista especializada do país, na qual Fedoca jogou em todas as posições: fotógrafo, redator e capa. O Havaí entre 1978 e 1981, surfando e fotografando ao lado de Gerry Lopez, Shaun Tomson e Michael Ho em Pipeline e Waimea. Os shows históricos, de Bob Marley ao ar livre no Havaí até Rolling Stones e Paul McCartney no Maracanã. “A foto que eu não tirei, essa me persegue.” Fedoca Lima Mais de cinquenta anos depois, esse arquivo vira livro. “Surf, Clicks e Rock’n Roll” tem 220 páginas, cerca de 180 fotografias e percorre a transformação do surfe brasileiro desde a era analógica até o digital, passando por Arpoador, Saquarema, Havaí, Califórnia e Macumba. Com captação aprovada de R$ 203 mil via incentivo cultural e apio da Fu Wax, o lançamento está previsto para o segundo semestre de 2026. Conversamos com Fedoca sobre tudo isso. Antes de se consolidar como fotógrafo, você também virou personagem da própria história do surfe brasileiro ao sair na capa da Brasil Surf em 1975. Como foi viver aquele momento por dentro? Saí na capa da Brasil Surf. Na época eu trabalhei na revista de março de 75 até janeiro de 79, só não peguei o primeiro número. Jogava todas as posições: saí na capa, escrevia, tirava foto, ajudava na redação, dava palpite, fazia matéria. Por muito tempo achei que era o único fotógrafo de surfe que tinha saído numa capa. Depois o Bruno Alves me falou que o irmão dele, o Alberto, saiu na capa da Fluir número 1. A história dele bate um pouco com a minha: ele pegava onda, saiu na capa, era fotógrafo. Mas durante anos eu achei que era caso único. Até hoje tem um restaurante aqui que o cara pediu, eu tirei uma foto com a revista na mão, ele botou na parede, eu assinei. A influência continua. A Brasil Surf ajudou a mudar a imagem do surfista no Brasil. Como era ser surfista naquela época, antes dessa mudança de percepção acontecer? O surfe saía no caderno B do Jornal do Brasil, do Globo. Não saía no esporte. E o surfista era tido como vagabundo de praia. Isso, aliás, até hoje tem um pouco, mas na época tinha muito mais. A Brasil Surf não vou dizer que limpou essa imagem completamente, mas ajudou a transformar o surfe em esporte e também a fomentar o mercado de surfwear. Os irmãos Wady e Fuad Mansur, da loja Mansur, em Ipanema, foram dos primeiros anunciantes. Acreditaram na revista, fizeram anúncios de contracapa e página inteira, e as camisetas personalizadas vendidas pelo correio viraram um sucesso. A Brasil Surf acabou impulsionando fabricantes de pranchas, calções, parafinas e diversos outros anunciantes ligados ao surfe. Os fabricantes de prancha tinham um veículo para anunciar. Os fotógrafos ganhavam uma graninha, viajavam. Fui para a América Central, Porto Rico, Barbados, El Salvador, Fernando de Noronha, Peru, várias viagens bancadas pela Brasil Surf de uma forma ou de outra. O Nilton Barbosa foi ao Havaí duas vezes bancado pela revista. No caso dele, eles bancavam os filmes, ele vendia as fotos e a viagem se pagava. Tinha uma diferença entre mim e o Nilton nessa época: ele chegava na praia e ficava na areia fotografando, fotografando, fotografando. Eu chegava e ia para dentro da água. Se não estava o Daniel, não estava o Pepê, não estava o Cauli, não estava o Bocão, não estavam os caras top, eu entrava e surfava. Então tem foto minha na Brasil Surf publicada pelo Nilton Barbosa, pelo Rogério Ehrlich. Eu estava mais dentro da água do que fora. Eu estudava. Primeiro vestibular, depois faculdade. Boa parte dos meus amigos só queria saber de surfar. Eu dividia meu tempo. Chegava na praia, já tinha estudado de manhã, aí ficava naquele dilema: vou pegar onda ou vou fotografar? Por isso tem poucas fotos do Píer. Em três anos não tirei nem metade do que tiro hoje num dia bom na Macumba com o digital. Você viveu o Píer, a Brasil Surf, o Havaí dos anos 70, o nascimento do surfe brasileiro moderno. Em que momento percebeu que estava no meio de uma transformação cultural que iria muito além do esporte? O Píer foi o que fomentou o surfe no Rio de Janeiro. Por dez anos, foi domínio completo do Rio no cenário brasileiro. O Daniel Friedmann, em 77, foi o último carioca a vencer uma etapa do circuito internacional, ganhou no Quebra-Mar, em cima do Pepê Lopes, que tinha ganho em 76. Os dois de Ipanema, meus vizinhos de rua. E esse pessoal do Píer que dominou, o Daniel, o Pepê Lopes, o Cauli Rodrigues, e também o Otávio Pacheco, o Rico de Souza, o Ricardo Bocão. E tinha o Betão, que era o melhor surfista do Brasil na época mas não era competitivo, não corria atrás de patrocinador, acabou saindo cedo. Em 75 ele ganhou o Campeonato de Saquarema e foi saindo, saindo. O Píer influenciou a revista, influenciou os fabricantes de prancha, influenciou o modo de viver. Começaram a ter fábricas em Guaratiba, Vargem Grande, no Recreio, depois em Saquarema. As pessoas foram morar lá. O Penho foi, o Otávio comprou casa,

O que define uma boa onda? Tamanho, força, parede, qualidade da linha, formação e surfabilidade, dentre outros elementos. No oceano, todos esses fatores mudam a cada swell, a cada vento, a cada maré. Em Búzios, a proposta é diferente: construir essas variáveis de forma controlada, repetível e ajustável. A piscina do Brasil Surfe Clube Aretê Búzios opera com a tecnologia Endless Surf, do grupo canadense WhiteWater, com 48 câmaras de ar de alta precisão. O sistema permite criar configurações distintas dentro da mesma estrutura. Dentro de um universo de grandes possibilidades, as cinco primeiras ondas já foram nomeadas e reveladas, cada uma com perfil próprio, e muito mais ainda está por vir. Onda #01: Pointbreak + Junção Linha longa, seções conectadas, tempo de onda que pode ultrapassar 25 segundos. A junção encadeia diferentes partes da onda sem perder velocidade, criando uma das experiências mais difíceis de encontrar no oceano com consistência. Para quem quer mais de 10 manobras na mesma onda ou simplesmente mais tempo de linha para ler e decidir. Onda #02: Manobras + Bowl A parede fica mais íngreme. O bowl abre seções críticas para manobras verticais e aéreos. É o ambiente para quem quer empurrar os limites do que consegue fazer sobre a prancha, com repetição suficiente para transformar cada tentativa em aprendizado real. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por BSC (@brasilsurfeclube) Onda #03: Rampa + Tubo Uma onda que combina duas experiências na mesma seção. A rampa prepara o surfista para a manobra e o tubo roda na sequência. Para quem quer encaixar um aéreo e ainda sair do tubo na mesma onda, essa configuração entrega os dois elementos sem precisar escolher. Onda #04: Rampa Nível Intermediário Parede consistente, menor intensidade, mais previsível. A configuração certa para quem está desenvolvendo manobras progressivas e precisa de repetição para consolidar o que está aprendendo. A seção cria a rampa no ângulo certo, com velocidade suficiente para executar sem exigir o nível avançado. Onda #05: Rampa Nível Avançado Mais potência, mais velocidade, mais projeção. A rampa avançada é para quem já chegou em Búzios com manobras no repertório e quer testá-las com pressão real. Com capacidade para gerar até 700 ondas por hora, o intervalo entre uma tentativa e outra é curto o suficiente para transformar cada sessão em treino de alto rendimento. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por BSC (@brasilsurfeclube) Para todos os níveis As cinco configurações cobrem desde quem está aprendendo até quem treina em alto rendimento. A piscina ainda opera em dois modos: single peak, com ondas quebrando para um lado e maior extensão de linha, e split peak, com direitas e esquerdas simultâneas, permitindo que surfistas compartilhem a mesma série em direções opostas. Yago Dora, campeão mundial de surfe em 2025, Victor Bernardo, um dos maiores freesurfers da atualidade, e Michelle des Bouillons, referência mundial em ondas gigantes, integram o time do BSC e já testaram a tecnologia na piscina Adrena Red Sea, na Arábia Saudita. “Muito animal esse lance de ter essa variedade de onda também. Um leque de ondas absurdo. Mal posso esperar para Búzios”, disse Victor Bernardo após a sessão. A versão de Búzios será maior: 48 câmaras contra 36 da estrutura do Mar Vermelho, com 13 mil metros quadrados de lâmina d’água. Variedade de ondas para testar, arriscar, aprender e evoluir todos os dias. Com inauguração prevista para o segundo semestre de 2026, é o que o Brasil Surfe Clube Aretê Búzios chega para entregar.

Pedro Bettencourt Müller nasceu no Rio de Janeiro, no dia 21 de julho de 1966, num ambiente familiar que respirava praia. Seu pai, Guilherme Xavier de Brito Müller, economista e morador do Leblon, cresceu frequentando a Zona Sul. Sua mãe, Maria Isabel Bettencourt Müller, criada em Santa Teresa, compartilhava da mesma paixão pelas praias. Para o casal, fim de semana e férias tinham destino certo: areia, sol e mar. Foi assim que Pedro e o irmão, Guilherme, passaram a infância seguindo os pais para o meio da Barra ou para São Conrado, ainda de estradas de terra, sem prédios, calçadões ou qualquer urbanização. Nesse cenário quase intocado, Pedro foi se encantando pelas ondas. Lembra-se de observar alguns surfistas solitários no meio da Barra e sentir-se hipnotizado pela habilidade deles. O mar, desde cedo, era o lugar onde queria estar. Ele recorda também a rotina da infância: ia para as aulas de natação no Clube de Regatas Flamengo e, depois, caminhava até o judô, no Leblon, um trajeto longo para uma criança de 12 anos. Antes de entrar no tatame, sentava-se no calçadão para olhar o mar quebrando, entregue à mesma fascinação que o acompanharia por toda a vida. O mar lhe transmitia paz, calma e propósito. Ali, ainda menino, já entendia que queria se tornar surfista. A mudança para São Conrado, por volta dos 14 ou 15 anos, foi decisiva. Morando ao lado do Pepino, Müller muitas vezes cabulava a aula pra ir surfar. As ondas triangulares, rápidas e pesadas da região se transformaram no seu campo de treinamento permanente. Ali, guiado pela referência de Rony Lima e pela evolução proporcionada pelas pranchas dos shapers Rico e Pedro Battaglin, deu um salto técnico marcante. A “biquilha mágica” 5’4″ de Battaglin é lembrada até hoje como uma das grandes viradas em seu surfe, época em que adotou o apelido de “o Águia”, pela tatuagem no braço. Uma nova mudança, motivada pelo desemprego do pai, levou a família para a Barra. Para Müller, foi a oportunidade perfeita: entre o Postinho, o meio da Barra e o Quebra-Mar, encontrou três ondas consistentes e acessíveis a pé, permitindo treinos diários que aceleraram ainda mais sua evolução. Nessa fase, destacou-se nos campeonatos da ASBT – Associação de Surf da Barra da Tijuca – e entrou para a promissora equipe da Cristal Graffiti. Antes disso, havia vencido seu primeiro campeonato no Leblon, organizado por Marcelo Peninha, vitória que marcou sua confiança rumo ao profissionalismo. Os resultados na categoria Júnior renderam um prêmio decisivo: uma passagem para o Havaí. Aos 18 anos, Müller viveu sua primeira temporada no North Shore (1984/85), dividindo casa com surfistas brasileiros experientes. Pipeline, logo no primeiro dia, foi seu batismo de fogo: mar pesado, adrenalina no limite e a certeza de que o treino no Pepino o havia preparado para aquele cenário. De volta ao Brasil, enfrentou dificuldades para manter regularidade como profissional. A grande virada veio com o curso de meditação transcendental feito ao lado de Rodolfo Lima. O impacto competitivo foi imediato: venceu a etapa profissional do Quebra-Mar no circuito carioca, em 1986, e passou a frequentar pódios de forma consistente. A regularidade, marca registrada de sua carreira, nasceu ali. Em 1987, tornou-se vice-campeão do primeiro Circuito Brasileiro de Surf Profissional. Liderou boa parte da temporada, foi vice-campeão na etapa da Lightning Bolt e, depois, campeão no Fico Festival. Só perdeu o título na penúltima bateria do Circuito, por apenas 20 pontos, uma diferença mínima para quem tinha 850 pontos de vantagem sobre o terceiro colocado. Na época, era visto como o surfista mais consciente e estratégico do país. Nos anos seguintes, acumulou resultados expressivos: vitórias importantes na Abrasp e uma vitória significativa no QS de Florianópolis, superando Barton Lynch, Jojó e Julio Adler. Em 1995, viria um dos grandes destaques internacionais de sua carreira: o nono lugar em Pipeline, substituindo de última hora o australiano Damien Hardman. Ondas entre 10 e 15 pés confirmaram sua capacidade técnica em um dos palcos mais desafiadores do mundo. Pedro Müller seguiria competindo por mais de duas décadas. Em Ubatuba, já aos 38 anos, conquistou sua última vitória no Circuito Super Surf 2004, num dos triunfos mais marcantes de sua trajetória. Hoje, vive do surfe como treinador, comentarista da Sportv e um dos proprietários da @escola_pedromuller, na Barra da Tijuca, administrada pelo sócio Adelmo Noite. Acompanhe ns publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do surfe @diniziozzi, o Pardhal.

Como uma prancha largamente usada por surfistas fora do circuito mundial profissional pode ganhar atenção? Coloque a dita cuja nos pés de um bicampeão mundial. Quer um destaque ainda maior? Filipe Toledo vence o tricampeão Gabriel Medina. Pronto. Vamos por partes. Na etapa do Championship Tour, na Nova Zelândia (Maio 2023), Filipe acabou não vencendo a disputa da quarta de final contra Griffin Colapinto, mesmo obtendo a melhor nota da bateria. Faltou uma onda. Mas o assunto aqui é outro, ou quase. Em um universo dominado por triquilhas, desde 1981, a diversidade de pranchas, no século 21, começou a ganhar espaço fora das competições. No meio de antigas novidades, biquilhas com trailer fin (estabilizador central) se mostraram mais controláveis e amistosas, levando muita gente a adotá-las no quiver. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Filipe Toledo (@filipetoledo) O modelo de biquilha com estabilizador central já havia sido testado mas ganhou vida nova em 2003, com as Super Twins do shaper, tetracampeão mundial (79, 80, 81 e 82), Mark Richards. Ele trouxe de volta suas Twin Fins do início dos anos 80, adicionando uma “quilhinha” central. Daí, de repente, Filipe Toledo coloca no jogo do circuito mundial o modelo Modern 2, da Sharp Eye Surfboards. Vence Gabriel Medina nas esquerdas de Raglan e deixa muito mais gente antenada sobre as possibilidades de uma twin com trailer fin. Filipe não foi o primeiro a fazer algo que eu esperava há tempos. Kelly Slater inovou, diminuindo o tamanho das pranchas e competindo, em algumas situações, com o que eram mais bi do que triquilhas, na primeira década do século 21. Dane Reynolds também fez isso, mas vamos combinar que esses dois não são parâmetros de surf normal. Deivid Silva também ousou. Abiquilhou-se numa etapa. Mandou bem, mas não chamou tanta atenção. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Sharp Eye Surfboards (@sharpeyesurfboards_au) Quando se trata de altíssima performance pesa sempre o fato dos atletas da elite não terem muito tempo para experiências fora da casinha das triquilhas. Mas, pela primeira vez, Filipe, além de seu ano sabático, em 2024, teve, como todos os Tops, os mesmos raros sete meses de folga antes da temporada 2026. Isso parece ter criado espaço para lidar com pranchas diferentes, memória física e jogo mental para se arriscar com um equipamento não muito convencional na Nova Zelândia. Sim, pranchas realmente diferentes pedem ajustes na maneira de usá-las e isso requer tempo e, claro, talento. Duas coisas chamaram a minha atenção. Impressionante como podemos e devemos comparar os melhores do surf competitivo profissional com pilotos da Fórmula 1. É com eles que a indústria das pranchas evolui mais e melhor. Detalhes sutis, milimétricos, que essa turma sente no funcionamento de uma prancha podem ser incorporados aos modelos que a maioria dos surfistas não conseguiria detectar ou explicar. Eles dão o caminho do que será usado pelos consumidores “normais”. Shapers são mais teoria, estudo. Tops são prática. As mudanças surgem daí. Segunda, e mais curiosa. Um esporte que durante tanto tempo teve uma aura de vanguarda e ousadia leva muito tempo para propor ou acertar mudanças mais drásticas, seja na construção ou desenvolvimento de design. Não creio que seja culpa dos fabricantes, já que essa indústria nunca gerou dinheiro suficiente para que se desenvolvesse como deveria. Ainda por cima a competição tem um formato onde há pouco espaço para o diferente quanto à performance. Mas isso é conversa para outro texto. Por agora fica a dica. Mesmo ideias estranhas à normalidade podem resultar em bons resultados. Teste tudo que é prancha que você puder. Não tenha medo, você não depende de notas dos juízes para ser feliz.