O calendário de competições do WCT feminino sofreu alterações em 2007, abrindo um vácuo de quatro meses.
As etapas mais tradicionais e desafiantes dos últimos quatro anos, Fiji e Tahiti, saíram do tour, deixando algumas surfistas desiludidas com a evolução do surf.
Segundo a assessora de imprensa da Association of Surfing Professionals (ASP), Melissa Buckley, a etapa de Fiji saiu do feminino e também do masculino por questões políticas de mudança de governo.
?A população fijiana está numa espécie de crise contra o atual líder da ilha, como uma guerra civil, então a ASP preferiu preservar a integridade e segurança dos surfistas?, disse Melissa, que promete voltar com a etapa no ano que vem.
Já a etapa do Tahiti foi descartada porque a janela de espera da competição era curta para realizar o masculino e feminino juntos.
Isso fazia com que as meninas surfassem em condições não muito boas. Melissa disse que a ASP não descartou a etapa e que no futuro pretende voltar com a competição no Tahiti, só que separado, com um período de realização exclusivo para as meninas.
Existem comentários de que a etapa feminina saiu porque é muito perigosa, com algumas surfistas com receio de Teahupoo, não dropando as ondas na bateria e tomando vacas monstruosas.
Confira enquete com algumas das melhores surfistas do mundo sobre essas ondas incríveis.
Layne Beachley, australiana sete vezes campeã mundial: ?Em 2006, nós tivemos o melhor Cloudbreak que vimos até hoje! Boas condições, ótimas ondas 6 a 8 pés sólidos e as meninas surfando muito. Foi super importante para o surf feminino, pois saímos bem na mídia, nas TVs e em revistas com imagens alucinantes mostrando o nosso verdadeiro surf. É isso que as meninas precisam para evoluir e crescer o surf. Todas nós estamos desapontadas de que não vamos mais ter Teahupoo e Fiji porque são ondas desafiantes e muito perfeitas, proporcionando um bom retorno de mídia. E eu amo muito surfar ondas grandes?.
Kealla Kennely, havaina e big rider: ?Fiji estava muito perfeito em 2006, sempre tivemos sorte lá e pegamos tubos incríveis. Acredito que é uma das melhores ondas do WCT. Sobre o Tahiti, eu acho terrível tirar do calendário, pois era o meu campeonato preferido. Nós precisamos daquela onda no tour porque era um dos desafios que tínhamos de enfrentar durante o ano. Isso fazia com que o nível do surf feminino evoluísse e agora eu sinto como que teve uma parada, infelizmente é como ficar no mesmo patamar?.
Rebecca Woods, australiana: ?Fiji foi um sonho no ano passado, dias com 8 pés incríveis. É um dos meus picos preferidos, amo surfar em Fiji, é muito perfeito. Em 2005, foi o meu primeiro ano no WCT e eu estava com medo de Teahupoo, por causa de tanto ouvir falar dessa onda. O lugar é maravilhoso, a onda tem muito poder. E por causa do evento masculino, as nossas baterias eram em condições não muito agradáveis, ficávamos como uma reserva, não acho legal?.
Sofia Mulanovich, peruana e campeã mundial em 2004: ?Acho que para ser campeã mundial, tem de ser a melhor em todas as ondas. Acredito que Teahupoo pode mostrar isso, o potencial de campeã. É uma onda que exige muito de qualquer surfista, é perigosa e boa ao mesmo tempo. Acho uma pena não ter, pois acredito que era interessante para nós?.
Heather Clark, sul-africana: ?Eu fiquei desapontada, assim como acredito que a maioria das surfistas profissionais ficou, pois é uma onda com muito potencial de tubos. Perigosa por causa do reef, mas algumas meninas surfam bem. Eu fiquei triste de o Tahiti ter saído do calendário?.
Clarie Bevilacqua, australiana: ?Tahiti é um sonho, uma ilha muito verde e as pessoas são muito amigáveis. Minha mãe, que viaja comigo, fica com receio quando as ondas estão grandes, mas quando as condições estavam boas, mesmo com medo, ela me impulsionava em Teahupoo e era incrível quando eu passava as baterias. Acho boa onda para ganhar experiência, gosto de tubos e ondas perfeitas?.
Megan Abubo, havaiana: ?Eu acho que realmente é uma boa onda. Algumas meninas têm medo de surfar, mas muitas gostam de pegar Teahupoo?.
Chelsea Hedges, australiana campeã mundial em 2005: ?Eu acho que a Billabong não tinha como fazer o campeonato junto com os homens, então eles colocaram a etapa do Brasil no lugar do Tahiti. As ondas intimidam algumas surfistas que não gostam, enquanto outras amam. Eu acho que tem de rolar campeonatos em lugares onde todas estão amarradonas para surfar. Em Teahupoo você pode pegar um dos melhores tubos da sua vida, mas também se esfolar nos corais altamente cortantes. Eu fico triste, mas ao mesmo tempo feliz, pois as vacas são sinistras?.
Jacqueline Silva, brasileira há mais de 10 anos nos mundiais: ?Teahupoo é uma onda difícil, um drop muito vertical, tem de entrar entubando. Eu surfo de backside, então acho mais difícil, mas sempre me preparei muito para enfrentar a onda, tanto fisicamente como mentalmente. O meu melhor resultado foi um nono lugar. É um point break desafiante. Algumas meninas não se dão muito bem na onda e outras conseguiam bons resultados?.
Rochelle Ballard, radicada no Hawaii e tube rider: ?Teahupoo era a onda que verdadeiramente inspirava as surfistas a ter suas melhores performances e expressar seus talentos. Essa onda separava as pessoas que tinham condições de desafiá-la e as que não tinham. Eu me lembro de quando começamos há alguns anos atrás e só algumas conseguiam realmente surfar o tubo. No decorrer dos anos, fomos aprendendo a enfrentá-la. Agora, sem esse campeonato, não tem mais incentivo para quem gostava de se jogar em Teahupoo. É uma parte do surf feminino que se perde um pouco, mas sempre vão ter meninas que vão correr atrás de pegar tubos, pois isso é uma coisa que a gente tem paixão! Para mim, uma campeã mundial precisa saber pegar tubos, surfar ondas grandes e pequenas, point breaks, fazer drops cavados, todos os tipos de ondas. Não somente uma condição de surf?.
