Na véspera da etapa inicial do circuito que leva o seu nome, na praia de Maresias, em São Sebastião, Gabriel Medina falou com a imprensa sobre as expectativas para o bicampeonato mundial.
“A vitória em Fiji foi muito importante, me deu bastante confiança para o resto do ano. Estou muito feliz e agora é hora de treinar e focar. Estou confiante, tem boas etapas vindo por aí e vamos com tudo para Jeffreys Bay”, disse o primeiro brasileiro campeão mundial, agradecendo às muitas mensagens da torcida. “Ouvi bastante a frase ‘O campeão voltou’. Sempre falam quando venço. É muito legal, serve de inspiração e é, ao mesmo tempo, um pouco de cobrança. Faz parte”, disse.
“Cobrança sempre vai existir, mesmo se estiver perdendo, e vou continuar competindo buscando a vitória”, acrescentou Medina, que também foi abordado sobre o encontro de Mick Fanning com um tubarão na etapa de Jeffreys no ano passado. “Não tem como não pensar. A imagem do Mick (Fanning) quase sendo atacado foi chocante. Não sei como colocaram de volta. Meu voto foi não. Espero que ocorra tudo bem. Me falaram que terá um sensor, não sei se espanta o tubarão ou avisa sobre o tubarão. Não tem muito o que fazer”, revelou.
Independente de tubarão no mar, Gabriel levanta outra dificuldade para a etapa de J-Bay. “É uma onda difícil de surfar especialmente para backside. Eu surfo de costas. Mas nada é impossível, estou indo concentrado. Tive dois quintos lugares e agora quero passar das quartas, porque será importante para o final do ano”, comentou.
Na ocasião, Gabriel falou também do próprio Circuito ASM Medina, a sensação de ver sua irmã competindo e a criação de seu instituto, para ajudar na formação de novos valores nas ondas.
“Sou muito ansioso, só controlo na água, surfando”, contou o vice-líder do ranking mundial, que também não esconde a aflição quando a irmã caçula Sophia compete. Ela é uma das participantes no Circuito Medina/ASM 2016, que tem a etapa inicial nestes sábado e domingo, reunindo 124 surfistas dos dez aos 16 anos.
“Fico nervoso, tem horas que quero entrar no mar. Difícil. Fico feliz por ela estar seguindo os meus passos, mas por iniciativa dela. Foi algo que nunca forçamos. Ela quis. E vamos dar apoio. Estou empolgado com o Circuito, feliz de incentivar não só a minha irmã, mas a molecada em geral. O Circuito vai ser legal, inspirar os moleques a se esforçarem, dar seu máximo. Eu comecei nele”, destacou Medina.
Ele também explicou sobre a criação do Instituto Gabriel Medina. “Me sinto orgulhoso! Estou devolvendo um pouco do que o surf me deu. Quero dar oportunidade e buscar o melhor de cada moleque. Talvez alguns não saibam que tenham esse dom. quero estar presente, dividir um pouco da minha experiente no dia a dia, junto com o meu pai, e ajudando a revelar novos talentos”, comentou.
“Eu e meu pai estaremos acompanhando de perto. Quando puder, quero dividir um pouco da minha experiência, conversar. Estaremos no dia a dia e na onda que treinei, surfei, onde passei maior tempo da minha vida”, complementou.
Já nas suas competições, junto ao título mundial, Medina também já elegeu outra prioridade para o futuro: uma medalha olímpica, diante do anúncio de que o esporte já deve ser incluído nos Jogos de 2020, no Japão.
“Todos atletas pensam em conquistar o ouro e no surfe não será diferente. Vai virar nosso objetivo. E quero poder representar nossa bandeira nas Olimpíadas”, finalizou.