Torcedor Fanático

Tirem os brazucas

Sintonizado com as ondas de Snapper Rocks, Adriano de Souza perde para Taj Burrow em bateria polêmica Foto: © ASP / Robertson.

Irritado! Esta é a palavra que me define depois do desfecho da primeira etapa do World Tour 2011. Descaradamente ou no inconsciente coletivo, a “palavra de ordem” dos juízes do WT é: “na dúvida, tirem os brazucas”.

 

E toda vez é assim. Se o atleta brasileiro tem a oportunidade de virar em uma onda e o score passar raspando, ele não vira. Se o gringo faz a mesma coisa, ele vira! Claro que pela frente virão exemplos de exceções à regra, mas são ínfimas perto do que historicamente estamos acostumados a ver.

 

Taj Burrow é um dos melhores surfistas da história, inegavelmente um cara que está na vanguarda mesmo envelhecendo. O que estamos julgando não é o surfista em si, mas quem está no alto do palanque. A derrota de Mineiro para Taj é mais uma daquelas que ficaremos remoendo por algum tempo.

 

Adriano vinha surfando muito ao longo do campeonato. Achei que seu surf evoluiu bastante nesta transição de temporada. Vi trejeitos de vários surfistas em um só. Um cara praticamente completo e campeão em todos os sentidos. Até o excesso de “brasilidade”, que tanto atrapalha em momentos cruciais, foi bem empregada: experiência, concentração, foco e muito surf.

 

Infelizmente não deu. As notas digitadas derrubaram Mineiro do pódio. Aliás, o excesso de brasilidade sobrou para Heitor, Jadson e Raoni. Seja o nervosismo, as quicadas da prancha em excesso, escolhas erradas de onda ou vacas em ondas de virada. A verdade é que os pequenos detalhes atrapalham o que de melhor eles sabem fazer, surfar.

 

O franco atirador e maior surpresa do campeonato foi mesmo Alejo Muniz. Jamais imaginei que seu surf se encaixaria dessa forma em Snapper e que o feijão com arroz fosse ser tão eficiente em uma arena com gladiadores tão experientes.

 

Foi realmente incrível. A onda rápida não deu tempo para que seus braços bem abertos não fossem mais do que a simples projetada para ganhar a próxima seção, sem quicar a prancha e sabugar com mais uma bolachada sempre aplicada no crítico da onda. Variou, botou pressão, mostrou segurança. Alejo deixou fluir sem grandes segredos, sem tropeços bestas.

 

Quando a onda engordava, ele respirava e bailava. Alejo deixou no palanque o tamanco grosso de matar baratas e fez a transição para o inside com sapatilhas suaves.

 

Seu erro crucial foi ser passivo contra Jordy. Explico: ao fazer duas ondas “fortes”, logo no começo da bateria, Alejo percebeu que as séries estavam demoradas e deixou o sul-africano desesperado pegando toda marolinha que aparecia. Enquanto, soberano, o brasileiro pacientemente fazia bom uso da prioridade.

 

Só que nesta prioridade apareceram pelo menos duas séries onde ele poderia escolher alguma onda e trocar sua menor nota (5.90). Ainda estava muito “fácil” para Jordy, que poderia pegar qualquer uma destas marolinhas e tirar facilmente uma nota acima de 7.50. E foi isso que aconteceu.

 

Foi polêmico novamente, pois apesar de Jordy ter estraçalhado a onda, não era uma da série e ninguém ficaria surpreso se fosse uma nota abaixo de 7.00. Ou seja, “na dúvida, tirem os brazucas”.

 

Jordy ser carrasco dos brasileiros não é novidade, Slater ganhar mais uma não foi surpresa, Taj ser vice, muito menos, resultados polêmicos então, nem se fala.

 

O Torcedor Fanático fala mesmo. Não venho aqui para explicar dizeres ou ficar me desculpando com este ou com aquele. Estou bem irritado também com as leituras das colunas pelos sites e revistas por aí afora. Onde muitos colegas passam mais tempo para se explicar do que propriamente analisar, entreter, polemizar, divertir e, sobretudo, mostrar a cara para o internauta.

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