
O primeiro homem a surfar no Brasil, Thomas Ernest Rittscher Júnior, recebeu na última sexta-feira (25/10), o título de Cidadão Santista pelo seu pioneirismo no esporte, na Câmara Municipal de Santos.
A homenagem foi iniciativa do vereador Fábio Nunes/PSB, o “Fabião”, membro da Comissão Permanente de Esportes, e foi aprovada por unanimidade.
A solenidade contou com a presença de várias personalidades do surf e também autoridades da região, além de exposição do Museu Nômade do Surf, que conferiu um clima especial ao salão da Câmara.
Segundo Fabião, a atitude pioneira de Rittscher merece reconhecimento, pois o surf influencia a vida de jovens e adultos, como um meio de vida para muitas pessoas.
?Ele divulgou pioneiramente um dos esportes mais praticados pelos santistas, e que vêm trazendo vários títulos nacionais e internacionais para nossa Cidade?, declarou Fabião.
Além do pioneirismo no surf, Thomas teve relevante participação na sociedade santista, o que também justifica a homenagem.

Ele praticou remo, vela, natação, salto ornamental, pólo aquático, hóquei, patinação e atletismo, destacando-se em vários campeonatos.
Participou intensamente de atividades esportivas no Clube de Golfe, Tênis Clube, onde nada até hoje, e no Clube Hípico, onde fazia equitação e venceu várias competições.
Rittscher ajudou a fundar o Atlântico Clube e o Iate Clube de Santos e foi grande incentivador dos esportes náuticos na cidade.
Nascido em New Jersey (EUA), em 1917, mudou-se para o Brasil em 1930. Certa vez, questionado pelo fato de ser estrageiro, respondeu: “Vocês são santistas porque nasceram aqui, foi por acaso. Eu sou santista por opção.
Rittscher surfou pela primeira vez em 1934, na praia do Gonzaga, em Santos (SP), com uma prancha construída a partir do modelo retirado da revista ?Popular Mechanics?.
Tratava-se do revolucionário modelo ?Tom Blake?, que obteve bom espaço nas publicações do gênero por ter sido o primeiro modelo de prancha oca do mundo, pesando cerca de metade do peso das utilizadas na época.
Feita a prancha, ele pegou onda durante alguns verões com sua irmã, Margot Rittscher.
O pioneiro conta que aprendeu a surfar sozinho, sem nenhuma orientação. Tanto é que, no princípio, utilizava a prancha com a parte fina para frente.

Percebendo que ela tendia a afundar, impedindo-o de correr a onda toda, inverteu a posição e descobriu sozinho onde ficava o bico e a rabeta.
Alguns anos mais tarde, em 1938, Thomas ajudou dois amigos, João Roberto Haffers e Osmar Gonçalvez a construírem uma segunda prancha, colaborando com a popularização do surf.
Após mais de 60 anos longe do esporte, ele resolveu experimentar o sabor de pegar onda novamente.
Aos 85 anos, ele voltou à praia do Gonzaga, com uma réplica idêntica da prancha que utilizou em 1934, e matou as saudades do esporte que tantas alegrias já lhe trouxe.