
Uma nova estrela. É assim que a saquaremense Thais de Almeida está surgindo para o Brasil e, com o tempo, surgirá para o mundo. Aos 17 anos, ela nasceu em Brasília, mas foi criada na cidade considerada uma das capitais nacionais do surf.
E para comprovar a teoria acima e não deixar nenhuma dúvida quanto ao seu destino, venceu a quarta etapa do SuperSurf, realizada na sua cidade, sendo a única mulher as encarar morras de até 9 pés que explodiam com fúria na praia de Itaúna.
Thais é cria da Escolinha de Surfe de Saquarema, onde ingressou aos 11 anos de idade e à qual dedica todo seu aprendizado inicial. “Eles me ensinaram tudo, como funciona o mar, as correntes, os ventos, como ficar em pé na prancha, como competir e tudo mais que possa ser relacionado com o surf”, conta.
“Eles” são Nena, fundador da escolinha, e Ronaldo “Jacaré” Monteiro, instrutor da escolinha e pai de Raoni Monteiro, atualmente a maior estrela de Saquarema e um dos grandes nomes da nova geração de surfistas brasileiros.

O vinculo com a Escolinha só diminuiu quando passou a correr etapas do circuito amador, como as da FESERJ. Mesmo assim ficou uma forte relação De amizade e respeito mútuo com aqueles que a apoiaram desde o começo.
Segundo Thais, tudo aconteceu muito rápido. “O pessoal da Escolinha investiu em mim direto, e só depois de uma certa idade que começou a cair a ficha de que havia uma coisa maior, uma careira em andamento”, explica a atleta.
Outro apoio fundamental para ela tem vindo do shaper saquaremense Leandro Santos, que descobriu o talento da atleta desde o começo. “Ele me deu a primeira prancha e tem feito outras excelentes”, diz ela.
Ela faz questão de lembrar também o profissional carioca João Gutemberg, que certa vez lhe deu uma prancha.
Outra ajuda importante para a carreira de Thais foi a orientação nutricional recebida por Vânia Alonso, uma paulista fascinada por Saquarema, que colocou a atleta no seu peso ideal, ganhando leveza e potência através de uma dieta equilibrada.

A família também sempre teve papel importante na vida da atleta: seu padrasto, Nilton Máximo, é salva-vidas em Saquarema e responsável pela introdução do surf na vida da menina, e sempre a apoiou na prática do esporte, assim como a mãe, Maria Luisa.
Na verdade, por ter bronquite, ela foi estimulada a nadar e a surfar. Primeiro com uma bodyboard. “Foi amor à primeira onda, desde o começo já ficava em pé na prancha”, conta.
O atual técnico é Ronaldo “Jacaré” Monteiro, mas a família continua sempre muito próxima. No SuperSurf de Saquarema, momentos antes da bateria e diante de um mar tenebroso, ela não pôde contar Jacaré, que estava na locução do evento.
Porém, seu padrasto estava junto e passou-lhe uma estratégia para se adaptar melhor às condições difíceis do mar. “Falei para ela ficar à vontade e só ir para o outside se realmente se garantisse. Mostrei onde estavam as maiores oportunidades do mar, montamos uma tática para a bateria e acho que ela me ouviu”, conta o padrasto corujão sob o olhar de aprovação da mãe, não menos coruja, num exemplo de trabalho de equipe em família.

O surfe permitiu à Thais a expansão de seus horizontes. Já viajou para diversos lugares do país, esteve esse ano na África do Sul e tem perspectivas para o futuro de poder viajar para mares mais distantes com o apoio do patrocinador.
“Talvez role um intercâmbio na Austrália assim que eu terminar o 2º grau”, revela.
A experiência na África do Sul durante o ISA Games valeu para tomar conhecimento de quem serão suas adversárias no próximo mundial Amador, bem como futuramente no WCT e WQS.
Na visão dela, a equipe brasileira estava muito mais renovada que as demais.
Um das atletas que gostou muito de ver foi a peruana Sophia Mulanovich, uma das sensações do WCT feminino.

Da experiência na África, Thais guardou como lembrança a impressão de que a onda era muito diferente do que estava acostumada e que teve dificuldade de realizar um intercâmbio com as outras delegações, ficando mais com os colegas de equipe, principalmente a bodyboarder Neymara e o surfista Íris Pereira.
Para ela, o evento funcionou bem, apesar das marolas e de ter perdido na semi-final.
A ascensão como atleta mudou um pouco sua rotina de vida em Saquarema. “Dentro d’água passei a ser mais respeitada e nas ruas passei a receber manifestações de apoio das pessoas”, conta ela.
Dos picos no Brasil que já conheceu, gostou muito da praia da Vila, em Imbituba, mas ainda não conhece, por exemplo, a Guarda do Embaú nem Garopaba, todas em Santa Catarina.
Sobre a etapa do SuperSurf da Joaquina, ela avalia que as condições estavam mais difíceis do que as que vivenciou na final em Itaúna. “Havia muito vento, muitas correntes e as ondas fechavam demais. Você não conseguia ouvir nada do que o locutor falava e só conseguia saber o que tinha acontecido na bateria quando botava o pé na areia, no final da bateria. Ainda por cima, quase fui parar nas pedras nas quartas de final”.

A última conquista de Thais foi a segunda etapa do Circuito Petrobrás de Surf Feminino, há duas semanas na Barra da Tijuca (RJ), o que deve ter deixado os patrocinadores – Roxy, Star Point, Leandro Santos e Eyewear – ainda mais satisfeitos.
Olhando para o passado, a primeira referência de surfe feminino dela foi Ana Galotti. Atualmente espelha-se nas feras Jaqueline Silva e Tita Tavares.
Para o futuro, temos a promessa de mais um nome brasileiro disputando um lugar ao sol no circuito mundial. Que bons ventos a acompanhem.