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Tensão no outside

Um ciclone atropelou o litoral brasileiro no último domingo. Saquarema ficou insurfável e o WQS Prime foi adiado. Fui checar outros picos na Região dos Lagos. O mais próximo daqui é Jaconé, localizado há 15 quilômetros. Peguei a litorânea e fui na pilha ver o que rolava.

Diego Silva e Bruno Frene caíram no canto de Jaconé, e para mim, era uma corrida contra o tempo. Queria registrar alguma coisa antes deles saírem do mar. A estrada foi invadida pelas ondas e muitos destroços impediram que eu continuasse o trajeto pela costeira. Desviei para a estrada da Região do Lagos e toquei por uns 20 minutos.

Passei por uma daquelas famosas duras da Polícia Rodoviária, mas tive sorte porque eles estavam ocupados com outras ‘vítimas’. Passei liso e segui em direção ao canto. Estacionei e percebí que nem dava pra ver o horizonte. Ondas oceânicas fora de controle varriam a encosta e mal dava pra ver se havia alguém surfando no meio daquela ressaca.

Em seguida subi na parte mais alta do morro do canto direito de Jaconé pra ver se conseguia um ângulo mais alto, assim registraria com clareza o tamanho das séries. Diego e Bruno remavam bravamente entre séries desgovernadas, tentando surfar as ondas e sobreviver na pesada arrebentação que facilmente alcançava 12 pés. Acredito que as maiores séries chegariam a 15 pés facilmente.

Infelizmente, consegui registrar apenas uma onda de Dieguinho. A que ele saiu do mar. Minutos antes, enquanto eu corria freneticamente na areia pra me posicionar num ponto mais alto, ele desceu uma bomba de 12 pés plus. Nem notei essa onda de tanta espuma que havia em frente.

Subimos o morro por volta das 11 da manhã. Em pânico várias pessoas observavam dois pescadores nadando pra salvar suas vidas entre as enormes séries. Eles pareciam exaustos e se aproximavam da encosta rochosa. Sem pensar muito, Dieguinho e o Bruno tiraram suas pranchas do carro e foram tentar salvar as vidas dos pescadores.

Desceram correndo pela picada do morro e dirigindo-se ao ponto onde pulariam na água. Enquanto isso os náufragos eram varridos por ondas enormes e rapidamente foram arremessados pra beira, ainda mais próximos das pedras.

Correndo contra o tempo, os surfistas encontraram uma brecha entre as ondas e pularam no mar remando forte em direção ao náufragos. A essa altura, estavam sob séria ameaça de serem jogados contra as pedras apesar de se aproximarem rapidamente da beira. Um deles se chocou levemente contra a costeira, mas conseguiu sobreviver.

Após uns minutos de extrema tensão, percebemos que conseguiram chegar à praia. Diego e Bruno chegaram em seguida e puderam socorrê-los dando a primeira assistência.

Soube mais tarde que o barco deles naufragou com quatro tripulantes em Maricá as 3 da manhã. Eles passaram toda a madrugada no mar. Outros dois náufragos foram resgatados na praia próxima a Maricá (N.R: de acordo com o jornal regional desta segunda-feira, um dos resgatados faleceu no hospital).

O dia foi intenso, mas com final feliz. Esperamos que as finais do Oakley Prime tenham um final excitante com altas ondas. Muito mais feliz para o surf brasileiro encerrar com chave-de- ouro este excelente mês de maio – um sonho em termos de resultados.

Benção Netuno!!

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)

Doutor Guilherme Vieira Lima, explica como a estabilidade do core define a potência das manobras e protege o corpo de lesões crônicas.