Rafael Teixeira

Temporada no paraíso

Dezembro chegou e finalmente embarquei para o Hawaii. A temporada começou com ondas pequenas, mas assim que cheguei fui recebido com um swell que fez quebrar Pipeline clássico.

Entrei amarradão na água e não consegui pegar nenhuma onda grande, mas só de estar do lado dos locais – que só vemos em filme, já é emocionante.

Depois deste swell o mar baixou e rolaram várias sessões em Rocky Point. Na última semana o mar subiu bastante e o maior swell da temporada proporcionou ondas de até 6 metros em Waimea.

Acordei cedo e vi que estava grande e não parecia tão difícil de surfar. Essa é minha terceira temporada no Hawaii e nunca tinha visto a Baía de Waimea quebrar, então tive que ligar para o Sidney Guimarães, o Sidinho, e pedi sua 9’0’’ emprestada.

Quando voltei havia bastante gente no pico e comecei a pegar umas ondas menores perto do canal. Remei em direção ao pico por etapas. Quando cheguei ao lugar certo fiquei um tempo boiando e conversando na água.

O clima estava bem descontraído com vários brasileiros na água: Lucas Silveira, Nelson Pinto, Ian Gouveia, Alana e Nicole Pacelli, Deivid Silva e Gabriel Pastori eram alguns dos meus amigos no outside.

Fiquei sentado um tempo e quando subiu uma onda boa eu, Lucas e Nelson começamos a remar. Coloquei muita força e entrei. Foi uma sensação incrível dropar aquela onda com dois amigos.

Quando voltei no final de tarde já estava mais tranquilo e fui direto ao pico com Gabriel Pastori. As séries estavam demorando mais e o crowd muito maior.

Subiu uma onda da série e decidi remar nela. Olhei para o lado e não vi ninguém remando, não entendi porque, pois parecia uma onda boa. Remei com tudo e entrei.
 
Fiz o drop até o final e quando olhei para trás, uma montanha de água estava quebrando praticamente na minha cabeça. Levei aquele caldo e tive sorte de estar de colete.

Passaram mil coisas na cabeça, menos o que eu realmente deveria fazer. Saí ileso e levantei rindo, afinal acabei de passar por uma das melhores sensações da minha vida e tenho certeza que vou lembrar disso para sempre.

Agora minha temporada havaiana chega ao final, mas dia 14 de janeiro já embarco para Austrália. Vou passar um mês para competir o WST de Burleigh Heads, o Pro Junior de Stradbroke e treinar muito para conseguir bons resultados em 2012. 

Este ano quero correr as etapas do Pro Junior, Brasil Tour e as etapas brasileiras do WST. Espero ter bons resultados.

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Mais de cinquenta anos de câmera na mão: do Píer de Ipanema a Pipeline com Gerry Lopez, de Bob Marley no Havaí aos Rolling Stones no Maracanã. Fernando “Fedoca” Lima viveu e fotografou tudo isso. Agora reúne tudo em um livro.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)