
A empresa brasileira Keahana, que desenvolve uma tecnologia de fabricação de pranchas com resina epóxi e bloco de poliestireno (isopor), recebeu destaque na última semana no site Surfermag.com, um dos mais tradicionais da mídia norte-americana.
Com dois representantes nos Estados Unidos, exportou três mil unidades desde agosto de 2005, conquistando assim a atenção da mídia.
A empresa viu na crise norte-americana, provocada pelo fechamento da Clark Foam, uma oportunidade de acelerar o processo de reconhecimento de seu produto no mercado.
Não necessariamente como uma opção para a crise, mas sim como uma opção de tecnologia capaz de mostrar novos horizontes a shapers e competidores.

Empenhado nesta missão, o shaper santista Adriano Teco, da Silver Surf, foi para os EUA antes do natal para ensinar as técnicas de produção em epóxi aos grandes fabricantes da Califórnia como …Lost, Channel Islands, Xanadu, Sharp Eye, entre outros.
Para Xanadu, que experimentou pela primeira vez há cinco anos e gostou, trata-se de uma tecnologia diferenciada, que encontra barreira de aceitação na cultura da utilização do poliéster e terá ainda como adversária a mão de obra barata de países asiáticos.
?O produto é bom, mas como aprendemos a surfar com poliéster, acho que nossa memória espera sempre o mesmo tipo de resposta da prancha e a fabricação também é mais lenta. Até junho o mercado deve estar estabilizado e até lá ainda é cedo pra falar por causa da concorrência com China e outros daquela região?, alerta o shaper.
Segundo Flávio Roberto Guimarães, idealizador e proprietário da Keahana e irmão do surfista profissional Cristiano Guimarães, a concorrência com a China é um problema que afligirá muitos setores, mas graças a vantagens como durabilidade, flutuação, maior liberdade de configuração e menor produção de resíduos tóxicos na fabricação, o produto continuará conquistando espaço.
?Não dependemos da crise. Claro que nos abre portas e estamos aproveitando, pois os shapers estão mais receptivos e poderão comprovar a eficiência. É uma nova tecnologia que está ganhando seu lugar no mercado?, assegura o empresário.
Para ele, além dos benefícios ecológicos oferecidos pelas pranchas de isopor com resina epóxi em relação às de poliuretano com poliéster, seu material tem ainda a vantagem de ser especialmente desenvolvido para o surf, visando melhor performance.
?No início, utilizávamos isopor comum e a resina epóxi encontrada no mercado, mas apareciam alguns problemas: se a prancha quebrasse, o bloco soltava as células deixando-a fofa; se fosse submetida ao calor, a laminação regredia; após 60 graus, havia uma degeneração molecular deixando-a muito flexível e fraca; e outras fórmulas deixaram a prancha muito rígida, entre outros problemas?, explica.
?Hoje temos bloco com células que não soltam e resinas especiais que fornecem a resistência, flexibilidade, durabilidade e estética adequadas, além de um leque de opções muito maior ao shaper na configuração do modelo?, complementa Guimarães.
Com flutuação 33% maior em relação ao poliuretano, os blocos permitem pranchas menos espessas com a mesma flutuação. Já o peso, naturalmente mais leve, pode ser controlado com camadas extras de tecido ou longarina.
Outro diferencial, de acordo com Guimarães, é a utilização de um forno que acelera o processo de cura e permite regular a flexibilidade segundo o gosto de cada surfista.
Para ver a entrevista com os representantes da Keahana nos EUA visite o site Surfermag (http://surfermag.com/features/onlineexclusives/brazoepoxykeahana/).