
A falta de ondas grandes no litoral chileno para o início das disputas do “If it can’t kill you, it ain’t extreme”, evento de ondas grandes idealizado pelo big rider havaiano Garrett Mcnamara, deu margem à criatividade dos competidores.
Eles decidiram se divertir nas pequenas ondas de meio a um metro, usando-as como rampa de lançamento para manobras extremamente radicais.
Com período de espera até primeiro de setembro, Garrett, Ikaika, Pato, Jamie Stearling, Troy Allotis e eu usamos a velocidade proporcionada pelos jets e lançamos uns aos outros contra as ondas (do raso para o fundo),

voando muito alto.
O frio somado a altura tornava a queda árdua. A volta dos aéreos do outro lado da onda era de alto impacto. Enquanto nos divertíamos dentro d’água, a festa era grande fora dela.
Todo o país festejava a primeira medalha de ouro em Olimpíadas, no tênis em duplas, em 108 anos de participações chilenas nos jogos.
Na seqüência aproveitamos para visitar a escolinha de surf local. Muito bacana. A molecadinha não se importava com a água fria e arrepiava toda a extensão da onda. No futuro eles ainda terão bons representantes no WQS.

Eles ficaram pasmos em poder ver de perto seus ídolos que somente podiam ver pelas revistas. Pegaram muitos autógrafos e ganharam adesivos, camisetas e muita atenção.
A quantidade de surfistas é pequena e o mercado do surf aqui é bem restrito, e tudo tem seu lado positivo e negativo. O crowd não existe, porém os patrocinadores não podem oferecer muito aos atletas.
Ramon Navarro, representante chileno no evento e ótimo surfista, tem bons patrocínios, mas não suficientes para expressar seu talento fora das fronteiras.

Apesar de ser um país de terceiro mundo, como o Brasil, notei que a população menos favorecida não tem um sorriso triste na face, como vejo freqüentemente no Brasil. Da minha chegada ao aeroporto aos meus passeios pela periferia, pude constatar um sorriso maroto, nas pessoas, coisa difícil de encontrar no Brasil.
Hoje eles ganharam sua segunda medalha de ouro, também no tênis. As ruas da cidade de Arica pareciam as do Brasil no dia da conquista do pentacampeonato no futebol.
Nossa turma foi em peso às ruas engrossar o couro, afinal ninguém mais torce pelos americanos. Até o big rider californiano Flea Virostko comemorou o título ganho em cima de um compatriota.
Os mapas mostram um bom swell para a próxima semana. Se Deus quiser?
Aloha!